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Analyse statistique de donn´ees sur grille par tests de permutation . 25

2.6 Conclusion

3.1.1 Analyse statistique de donn´ees sur grille par tests de permutation . 25

“No século XIX, Gall teve a ideia, fundamental, de atribuir a cada faculdade moral e intelectual do homem, uma (ou várias) localização cerebral particular (…) do mundo que o rodeia” (Damásio, 2010, p.70). Dr. Bruce D. Perry do Baylor College of Medicine (citado por Prensky, 2001a, p.1) vai de encontro ao protagonizado pelo médico alemão Franz Joseph Gall (1758-1828) apontando que “Different kinds of experiences lead to different brain structures”. Investigações posteriores no âmbito neurológico “sugieren la presencia de zonas en el cérebro humano que corresponden, al menos de modo aproximado, a determinados espácios de cognición” (Antunes, 2006, p.21). Para Damásio (2010, p.365) “Cada cérebro é único” apresentando toda a arquitetura cerebral na sua obra O livro da consciência.

O sistema nervoso central da espécie humana é constituído pelo encéfalo e pela medula espinhal. Ao contrário do que o senso comum nos sugere, o encéfalo é todo o “conteúdo neurológico contido na cavidade craniana” (Biblioteca Salvat, 1979, p.28). Compreende o “cérebro ou hemisférios cerebrais, mais o tronco do próprio encéfalo,

que inclui outras regiões denominadas mesencéfalo e rombencéfalo” (idem, p.29). É constituído pelo tronco cerebral, cerebelo, cérebro ou hemisférios cerebrais.

Figura 9 – Encéfalo

A medula espinal é uma corda de tecido neural que corre dentro das cavidades das vértebras, desde a pélvis até à base do crânio. As informações sensoriais do corpo entram na medula espinal e são transmitidas para o cérebro, possuindo essa a capacidade de atuar sozinha.

O tronco cerebral, constituído pelo metencéfalo e pelo mesencéfalo (responsável pela visão, audição, movimento dos olhos e do corpo) abrange “os programas mais básicos de sobrevivência” (Gazzaniga e Heatherthon, 2005, p.129). Na visão de Damásio (2010, p. 241), o tronco cerebral “É uma estação de tomada de decisões, com capacidade para se aperceber de alterações e de reagir (…) de formas predeterminadas mas moduláveis”.

O cerebelo constitui uma grande protuberância conectada à parte posterior do tronco cerebral, devido ao seu tamanho e superfície convoluta faz com que se pareça um cérebro suplementar. Revela-se responsável pela aprendizagem motora, na coordenação de movimentos, equilíbrio (Gazzaniga e Heatherthon, 2005) e postura. Robert (1996, p.31) descreve o cerebelo como “o centro de coordenação automática dos movimentos voluntários”.

O córtex cerebral constitui a camada externa do cérebro. De acordo com Damásio (2010, p.308) “Em interação com o tálamo e com o tronco cerebral, o córtex mantém-nos acordados e ajuda a selecionar aquilo em que nos concentramos”. Tem como principais funções as áreas do pensamento, movimento voluntário, linguagem,

julgamento e perceção. Por baixo do córtex temos os gânglios basais, o prosencéfalo e o diencéfalo (tálamo e hipotálamo) que integram os hemisférios.

Os gânglios basais são um sistema de estruturas subcorticais cruciais para planear e promover movimentos. Recebem input de todo o córtex cerebral projectando- o para os centros motores do tronco cerebral e, pelo tálamo, de volta para a área de planeamento motor do córtex (Gazzaniga e Heatherthon, 2005).

O hipocampo e a amígdala incorporam o prosencéfalo revelando-se essenciais para a memória e para as emoções. O hipocampo desempenha um papel importante no armazenamento de novas memórias, a partir de cada experiência vivida e cria novas interconexões com o córtex cerebral. A amígdala, localizada em frente ao hipocampo, cumpre um papel vital para a associação de factos a respostas emocionais.

Relativamente ao diencéfalo, enquanto que o tálamo “serve de escala intermédia para a informação recolhida no corpo com destino ao córtex cerebral (…) desde a dor e a temperatura, ao tato, à audição, à visão” (Damásio, 2010, p.306), o hipotálamo é a estrutura reguladora das funções vitais do organismo mais importante do cérebro, nomeadamente “a regulação da temperatura, da emoção, do comportamento sexual e da motivação” (Gazzaniga e Heatherthon, 2005, p.131). Recebe o input de quase todos os lugares e projeta a sua influência, direta ou indiretamente, para todas as partes do organismo. Ambas as estruturas são responsáveis pela integração sensorial e motora.

Para Gazzaniga e Heatherthon (2005, p.127) “A melhor maneira de ver o cérebro é como uma coleção de circuitos neuronais interatuantes que foram acumulando-se e desenvolvendo-se ao longo da evolução humana”. Como confirma Damásio (2010) o cérebro é o principal componente do sistema nervoso central, constituído pelos hemisférios cerebrais esquerdo e direito, unidos pelo corpo caloso, que representa um papel integrador na:

▪ Organização antecipada e planificada das condutas; ▪ Avaliação das vantagens e desvantagens das situações; ▪ Adoção de diversas estratégias de acordo com a situação.

Os hemisférios estão cobertos pelo córtex cerebral que está dividido em áreas denominadas lobos cerebrais, cada uma com funções diferenciadas e especializadas – occipital, parietal, temporal e frontal.

Embora os hemisférios cerebrais tenham uma estrutura simétrica, ambos com os dois lóbulos que emergem do tronco cerebral e com áreas sensoriais e motoras, certas funções intelectuais são desempenhadas por um único hemisfério. De acordo com Gardner (1982) os hemisférios têm a sua própria identidade.

A obra O cérebro e a conduta (Biblioteca Salvat, 1979, p.39) confirma que “o lado esquerdo do corpo humano está dominado pelo hemisfério cerebral direito e o lado direito, pelo hemisfério cerebral esquerdo”. Gardner (1982, p.279) concorda enfatizando que “each half controls movement in the opposite half of the body”. Sintetizando podemos abreviar, na figura 10, algumas competências que caracterizam cada um dos hemisférios:

Hemisfério Esquerdo Hemisfério Direito

Linguagem Cálculos matemáticos Análise Lógica Leitura Sequência Práxis Palavra … Corpo caloso Compreensão musical Simultaneidade Imagem Ritmo Pintura Síntese Posturas Intuição … Atividades verbais e académicas

Atividades criativas não verbais

Figura 10 – Especialização dos hemisférios

Geralmente, o hemisfério identificado como dominante ocupa-se da linguagem e das operações lógicas enquanto que o outro hemisfério controla as emoções e as capacidades artísticas e espaciais. Em quase todas as pessoas destras e em muitas pessoas canhotas, o hemisfério dominante é o esquerdo. De acordo com Gardner (idem, p.284), “it seems that both hemispheres contribute to the task but in different ways”.

Figura 11 – O cérebro

A teoria da distribuição assimétrica das estruturas pelos dois hemisférios foi postulada por Broca entendendo “que a função da linguagem existia só no lado esquerdo do cérebro” (Caldas, 2000, p.143). “Essa região frontal esquerda se tornou como a área de Broca” (Gazzaniga e Heatherthon, 2005, p.123). No hemisfério esquerdo localizam-se assim duas áreas especializadas: a Área de Broca, o córtex responsável pela motricidade da fala e a Área de Wernicke, que corresponde ao córtex responsável pela compreensão verbal. Estas áreas são “responsáveis pelo processamento da linguagem na sua totalidade (respetivamente, produção e compreensão linguística) ” (Martins, 2009, p.46-47).

O hemisfério direito foi muitas vezes sugerido como o hemisfério menos importante. Gardner (1982, p.311) refuta esta conjetura defendendo que “the right hemisphere emerges as vital, perhaps even more important than the left hemisphere, in dealing with narratives, metaphors, jokes, morals, and other complex or subtle aspects of language”. Jackson (1958, citado por Springer e Deutsch, 1998, p.31) defende que “o lobo posterior direito é o lado que conduz, e que o esquerdo é o mais automático”. O hemisfério direito também é importante ou dominante para diversas capacidades cognitivas, participando “em processos comportamentais que são próprios da espécie humana” (Caldas, 2000, p.225). Springer e Deustch (1998, p.194) salientam a afirmação de Penrose: “o cérebro direito, o da geometria, necessita para a sua atividade uma plena consciência mesmo que esta última não seja verbalizável”. Zaidel (citado por Springer e Deustch, 1998) concorda com este autor acreditando que o cérebro direito também está implicado no processo da linguagem.