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Algorithmes EM de type champ moyen pour les champs de Markov

2.6 Conclusion

3.2.2 Algorithmes EM de type champ moyen pour les champs de Markov

A maior parte da nossa vida mental envolve as atividades do sistema nervoso, especialmente o cérebro. Jean-Pierre Changeux (1994, p.81) assinala que,

No Homem, o cérebro desenvolve-se de forma excecionalmente lenta após a nascença. Durante este período, o essencial das conexões entre as células nervosas instala-se no córtex cerebral. As linguagens orais, e depois, escritas depositam a sua impressão na companhia de um imenso repertório de imagens.

Damásio (2010, p.382) define o cérebro como um sistema de sistemas em que “Cada sistema é composto por uma interligação elaborada de regiões corticais e núcleos subcorticais pequenos mas macroscópios, compostos por circuitos locais microscópicos, que são feitos de neurónios, todos ligados por sinapses”.

O neurónio é a unidade-base do sistema nervoso e difere segundo as suas funções e localização. Estão dispostos em camadas, revestem e envolvem o córtex cerebral e o cerebelo (Damásio, 1994). Alexandre Castro Caldas refere a relevância dos estudos de Santiago Ramon y Cajal (1923) sobre estas células. O autor identifica ainda membrana celular que reveste o neurónio, “através da qual se fazem as trocas com o exterior, saindo e entrando substâncias necessárias ao metabolismo” (Caldas, 2000, p.30). Segundo Damásio, (2010, p.350) “são células corporais especiais, organizadas em circuitos e redes complexas”. Operam como “transportadores de sinais, dispositivos de processamento com a capacidade de transmitir mensagens e de as receber”. Estão relacionados com a vida de outras células do corpo numa troca de sinais e “através de

mensagens químicas ou da excitação dos músculos” (idem, p.120). Para este autor os neurónios são células essenciais para a atividade cerebral.

Figura 13 – Constituição de um neurónio

Contudo, pode afirmar-se que o neurónio típico apresenta três componentes anatómicos principais (Damásio, 2010): o corpo celular ou soma, que constitui o centro de atividade da célula, as fibras de transmissão de informação as dendrites e as fibras que interligam os neurónios, o axónio. Gazzaniga e Heatherthon (2005, p. 95) aditam uma outra região estrutural designadamente os botões terminais constituindo pequenos nódulos situados nas extremidades dos axónios que “recebem os impulsos elétricos e liberam sinais químicos do neurónio para uma área chamada sinapse”. Os neurónios e axónios estão suspensos pelas células neuróglias ou simplesmente chamadas glias que lhes conferem suporte e parte do seu sustento (Damásio, 2010).

A Biblioteca Salvat (1979, p.27) adita as principais propriedades dos neurónios, nomeadamente, a sua função informativa, pela transmissão de mensagens que importam ao sistema nervoso e o seu papel integrador, funcionando como um “elemento prefigurador da atividade cerebral”.

Diferentemente das outras células do corpo, os neurónios não se dividem nem se reproduzem, sendo portanto insubstituíveis. O desenvolvimento físico provoca o crescimento dos neurónios que aumentam de tamanho, desenvolvendo-se o número de axónios e dendrites, assim como a quantidade de conexões que se estabelecem. Nesta sequência importa lembrar que o cérebro humano tem milhares de milhões de neurónios, cerca de 1011, formando triliões de sinapses.

Na base de qualquer comportamento está a atividade dos neurónios responsáveis pela transmissão de mensagens: no afastamento da mão quando nos queimamos, na coordenação visual e muscular do futebolista, na composição de uma canção, na resolução de um problema matemático. Subjacente a estes comportamentos está a função fundamental do neurónio, que é transmitir a mensagem, a informação e o impulso nervoso.

Damásio (2010, p.369) explica que

Os neurónios podem estar ativos (a disparar) ou inativos (sem disparar), num estado on (ligados), ou num estado off (desligados). O disparo consiste na produção de um sinal eletroquímico que atravessa a fronteira até outro neurónio, na sinapse, e faz com que esse outro neurónio também venha a disparar, desde que o sinal cumpra as exigências do outro neurónio para disparar. O sinal eletroquímico viaja a partir do corpo do neurónio ao longo do axónio.

A função principal do neurónio é, portanto, a transmissão de impulsos nervosos, que são modificações de energia de natureza elétrica ou química.

Quando um neurónio recebe influxos de informação em número suficiente ao mesmo tempo, irá descarregar um potencial de ação (uma onda de carga elétrica) ao longo do axónio. (…) Quando o potencial de ação alcança os terminais dos axónios, é libertada uma substância química, denominada reurotransmissor (LeDoux, 2000, p.148).

Ballone (2008, s/p) entende que os neurotransmissores “são sintetizados pelos próprios neurónios e armazenados dentro de vesículas. Essas vesículas concentram-se no terminal axónico e quando os impulsos nervosos chegam a esses terminais os neurotransmissores são libertados”. Changeux (1994, p.65) acrescenta que “Esta disposição em rede densa de cabos encabrestados e de conexões de uma complexidade astronómica é a única no organismo”. De acordo Robert (1996, p.61) “É necessário que exista a montante pelo menos um outro neurónio e que, entre ambos, haja uma fenda sináptica ou sinapse”, que reside no contacto químico estabelecido entre o axónio de um neurónio e as dentrites de outro neurónio. Gazzaniga e Heatherthon (2005, p.102)

explicam que “Assim como uma fechadura só abre com a chave certa, cada recetor só pode ser influenciado por um tipo de neurotransmissor”.

Os contactos sinápticos chegam aos triliões, apesar de nem todos os neurónios se ligarem entre si. Na produção de ações, geram comportamentos ao se organizar “em pequenos circuitos microscópicos, cuja combinação forma circuitos cada vez maiores, os quais por sua vez formam redes, ou sistemas” (Damásio, 2010, p.36).

Esta secção explicita a metodologia adotada no estudo, descreve-o, caracteriza os sujeitos participantes, apresenta as técnicas e instrumentos de recolha de dados bem como a sua validação.