Conceitos de falha e de avaria
Para se compreender melhor o que é a falha e o que é a avaria, é importante começar com a distinção entre os conceitos. Uma falha é um acontecimento e uma avaria é um estado associado à ocorrência de uma falha (Sequeira, Didelet, & Sena, 2019).
Entende-se por falha o fim da capacidade de um item conseguir realizar a função que lhe é requerida, em termos qualitativos e quantitativos, sendo estes últimos definidos pelos diferentes valores para as variáveis de projeto. A avaria é o estado do item caracterizado pela incapacidade de conseguir realizar uma função pretendida, excluindo a incapacidade durante a manutenção planeada ou outras ações planeadas, ou pela falta de recursos externos. Entre estes dois conceitos é também importante definir que um defeito é qualquer desvio de uma característica de um item em relação aos seus requisitos. Com a definição destes conceitos leva, a precisar o conceito de função requerida ou específica. Com efeito, não se entende que o bem ou equipamento está avariado quando, de todo, o seu funcionamento é interrompido mas quando não é possível que realize a sua função de acordo com o que é previsto funcionar. O equipamento pode estar a funcionar em condições que se consideram deficientes ou insuficientes o que fará com que haja uma intervenção dos serviços de manutenção, e deste modo deve-se de considerar que houve uma falha do equipamento (Sequeira, Didelet, & Sena, 2019).
A figura seguinte mostra a relação entre os conceitos que foram definidos acima. Através da observação da figura 2.26, pode-se dizer que a ocorrência de uma falha não implica a imediata transição para o estado de avariado (Sequeira, Didelet, & Sena, 2019).
Figura 2.27 –
Relação entre os conceitos de falha e de avaria
(Sequeira, Didelet, & Sena, 2019) De forma associada aos conceitos de falha e avaria, existem alguns outros conceitos que estão ligados a estes como:Critério de falha
A falha normalmente está associada à paragem ou inoperacionalidade de um dado equipamento, mas na ótica da manutenção, pode significar mau funcionamento, baixo rendimento ou produção defeituosa (Sequeira, Didelet, & Sena, 2019).
Modo de falha
O modo de falha mostra o efeito como se manifesta a falha, por exemplo, erro de um instrumento, aquecimento de um rolamento. Para cada falha pode-se associar diversos modos de falha e a cada modo uma ou mais causas, são exemplo de modos de falhas: Vibrações, Não abre/ Não fecha, Falha na posição de abertura / fecho, Fuga interna ou externa, Paragem súbita (Sequeira, Didelet, & Sena, 2019).
Mecanismo de falha
O mecanismo de falha denomina-se por ser um conjunto de processos físicos, químicos e/ou outros que fazem com que ocorra a falha (Sequeira, Didelet, & Sena, 2019).
Causa ou Origem da falha
É o conjunto de circunstâncias associadas ao projeto, à fabricação, à instalação, à utilização ou manutenção que fizerem com que ocorra a falha (Sequeira, Didelet, & Sena, 2019).
Para se entender melhor as falhas convém haver critérios em que possam classificar as falhas. Assim as falhas podem ser classificadas baseada em alguns critérios, e pode ter diferentes designações e os critérios mais comuns são: Velocidade de ocorrência (Progressiva ou súbita), Grau de importância, Velocidade de ocorrência e do grau de importância (por degradação, completa), Causas (por má aplicação, por falsas manobras, por envelhecimento, podem ser primárias, secundárias ou múltiplas), Origem (interna ou externa), Consequências (catastrófica, crítica, significativa, menor), Tipo (recorrente ou não, de origem comum) (Sequeira, Didelet, & Sena, 2019).
A importância de uma falha é determinada não só pelas suas características como pelas suas consequências. Também se uma falha ocorre em equipamentos idênticos esta falha pode ser importante ou não, avaliando se o equipamento é preponderante para o funcionamento do sistema ou se é um elemento mais secundário no funcionamento do sistema, por exemplo, a ocorrência de uma falha na bomba A essencial ao processo produtivo ou na bomba B, pertencente a um equipamento auxiliar. Assim se acontecer uma falha na bomba A terá maior impacto que uma falha ocorrida na bomba B (Sequeira, Didelet, & Sena, 2019).
A falha catastrófica é quando há variação súbita de uma ou mais características de um órgão. A falha por degradação é quando uma falha resulta da variação progressiva de uma ou mais características de um órgão (Sequeira, Didelet, & Sena, 2019).
Algumas definições usuais da classificação das falhas: I. Catalítica – Falha simultaneamente repentina e completa II. Por degradação – Falha simultaneamente progressiva e parcial
III. Secundária e primária – Falha de um dispositivo cuja causa da falha pode ser originada por
um outro dispositivo
IV. Crítica – Falha que impede o desempenho da função onde pode haver risco para quem
manuseia o equipamento
Desta forma a fiabilidade esta relacionada com os tipos de falhas, pois depende do tipo de falha. As falhas podem ser classificadas por degradação e falhas catastróficas, contudo ainda podem variar consoante as suas características físicas, e estas podem ser: Falhas funcionais, falhas potenciais e
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As falhas funcionais são falhas que resultam da ultrapassagem de limites mínimos ou máximos estipulados para cada uma das variáveis associadas às funções desempenhadas por um item. Este tipo de falhas podem não obrigar à paragem dos equipamentos visto que por vezes o equipamento funciona em condições deficientes mas que não afetam a produção. Perante esta condição deve-se de planear ações corretivas para se realizarem num momento posterior. Como exemplo das falhas funcionais, a capacidade de produção, as variáveis físicas como a pressão, o caudal ou a temperatura, entre outras (Sequeira, Didelet, & Sena, 2019).
Relacionadas aos processos de degradação e às falhas funcionais estão as falhas potenciais porque representam o atingir de um valor de uma variável física que indica a aproximação de uma falha funcional. Quando se toma políticas de manutenção preventiva, é necessário que sejam utilizados meios de diagnóstico que permitam detetar a tempo as falhas potenciais e evitar as falhas funcionais (Sequeira, Didelet, & Sena, 2019).
As falhas ocultas são falhas que não se conseguem detetar com inspeção visual, porque pode- se tratar de um equipamento pouco usado tornando difícil a sua deteção. E neste caso consegue-se detetar a falha recorrendo a ações e meios de diagnósticos específicos (Sequeira, Didelet, & Sena, 2019).
Existem outros critérios de classificação das falhas e podem-se destacar os seguintes critérios (Sequeira, Didelet, & Sena, 2019):
Critério de acordo com o modo aparição: este critério está baseado nas três fases da curva da banheira:
o 1ª Fase (Infantil ou precoce)
o 2ª Fase (Aleatória ou taxa constante) – Falha em que a sua causa ou mecanismo faz com que seja imprevisível de se detetar
o 3ª Fase (Degradação ou desgaste) – falha ocorre pela deterioração dos componentes do item
Critério específico RCM (Manutenção baseada na fiabilidade) o Falhas ocultas
o Falhas evidentes o Falhas múltiplas
Critério específico FTA (Análise de arvore de falhas) o Falhas primárias
o Falhas secundárias o Falhas de comando