(1)Algumas canções que desde 1966 venceram o Festival RTP da Canção, como (2)Ele e Ela,
Verão ou Desfolhada, apontavam já para uma mudança dos estilos musicais. (3)[Novos criadores] Inspirados pela música ligeira italiana e francesa, pela bossa-nova e pelo jazz e pop-rock anglo-americano, (4)são protagonistas dessa mudança novos criadores, como o
poeta José Carlos Ary dos Santos (1936-1984) e os compositores Nuno Nazareth Fernandes (1942), Carlos Mendes (1947), Fernando Tordo (1948) e Paulo de Carvalho (1947), (5)estes três últimos [são] igualmente intérpretes. (6)Notabilizaram-se também Paco Bandeira (1945), Tonicha (1946) e Carlos do Carmo (1939), (7)que [Carlos do Carmo] vindo do universo fadista marcou fortemente a canção ligeira de então. (8)José Calvário (1951) e Pedro Osório (1939) tornaram-se arranjadores, orquestradores e maestros muito requisitados, a par de Thilo Krasmann, Shegundo Galarza ou Jorge Machado, ainda activos. (9)Fernando Correia Martins (1936) e Mike Sergeant (1945), por sua vez, destacaram-se como orquestradores e instrumentistas. Após o 25 de Abril, (10)a "canção ligeira" deixou praticamente de se ouvir na rádio e na televisão, (11)[canção ligeira] reaparecendo em pleno a partir de 1977, com Marco Paulo (1945). (12)Também os Gemini (1976-1979), criados à imagem dos Abba por Tozé Brito (1951) e Mike Sergeant, trouxeram o pop à canção ligeira. (13)Tozé Brito destacou-se ainda como compositor e autor de letras, a par de Joaquim Pessoa (1948), da dupla João Henrique (1950-2006) e Fernando Guerra (1948) e de Nuno Gomes dos Santos (1947).
3.1. FERNANDO TORDO 1948
(1)[É] Cantor, compositor e autor de letras. (2)[Fernando Tordo] Começou a aprender viola e a cantar aos 12 anos, e (3)[Fernando Tordo] veio a integrar o grupo Deltons aos 16. No final de 1966, (4)[Fernando Tordo] substituiu Carlos Mendes como vocalista principal e «guitarra- ritmo» nos Sheiks. A partir de 1968, (5)[Fernando Tordo] desenvolveu uma colaboração com Ary dos Santos, (6)[colaboração] da qual resultaram perto de 400 composições, entre canções, música de cena e música para cinema.
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(7)A sua participação em sete edições do Festival RTP da Canção foi determinante para a sua carreira a solo como cantor e compositor, (8)[Fernando Tordo] tendo vencido as edições de 1973, com Tourada (uma canção que se tornou emblemática da oposição ao regime ditatorial), e de 1977, com Portugal no Coração, interpretada pelo grupo Os Amigos.
Na década de 1970 (9)[Fernando Tordo] colaborou com o arranjador canadiano Dennis Farnon e com Luís Villas-Boas no seu primeiro álbum, Tocata (1973). (10)Durante este período destaca-se a fundação da cooperativa discográfica Toma Lá Disco (1975), (11)para a qual gravou vários fonogramas.
(12)A morte de Ary dos Santos, em 1984, marcou uma nova etapa na sua carreira, (13)seguindo-se uma diminuição da sua actividade, (14)[diminuição da actividade é] consequência de um menor interesse das editoras pelas suas composições.
Em meados da década de 1980 (15)[Fernando Tordo] grava Anticiclone (1984) e A Ilha do
Canto (1986), em colaboração com o compositor e orquestrador François Rauber (que antes
trabalhara com Jacques Brel), (16)tendo estes discos sido galardoados com o prémio «Se7e d’Ouro». De 1995 até ao final do século (17)os seus fonogramas de originais são, na sua totalidade, edições de autor.
Adaptado da «Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX» [no prelo], coordenação Prof. Salwa Castelo-Branco (Círculo de Leitores / Casa das Letras)
3.2. PAULO DE CARVALHO 1947
(1)[É] Cantor, compositor e autor de letras, (2)[Paulo de Carvalho] foi um dos protagonistas da música popular portuguesa das últimas décadas. (3)Nas suas canções confluem vários estilos musicais com impacto em universos como o fado, a música ligeira e o pop-rock. (4)[Paulo de Carvalho] Iniciou o seu percurso musical em 1963 nos Sheiks, (5)[Sheiks] no qual tocou bateria, (6)[Sheiks no qual] compôs (7)[Sheiks no qual] e cantou, (8)[Paulo de
Carvalho] destacando-se pela improvisação vocal e pelo recurso ao falsete, (9)[improvisação vocal e falsete] que viriam a ser fundamentais no seu estilo interpretativo e composicional.
Após deixar os Sheiks, em 1968, (10)[Paulo de Carvalho] integrou o Thilo’s Combo e vários projectos experimentais, mas (11)a sua carreira só registou um salto significativo na década de 1970, sobretudo devido a quatro participações no Festival RTP da Canção (FRTPC). (12)Paulo de Carvalho venceria este certame em 1974 com E depois do adeus, (13) [E depois
121 Com as mudanças na indústria discográfica, (14)[Paulo de Carvalho] dedicou-se à composição do seu próprio repertório, (15)[Paulo de Carvalho] iniciando colaborações com vários músicos, de Júlio Pereira a Carlos do Carmo, (16)para quem [Carlos do Carmo] compôs O Cacilheiro ou Os Putos, (17)canções que contribuíram para a recuperação do estilo performativo do fado.
Ainda na década de 1970, (18)[Paulo de Carvalho] integrou o grupo Os Amigos, (19)que [Os
Amigos] venceria a edição de 1977 do FRTPC, (20)[Paulo de Carvalho] participou como
actor em peças musicais (21) e [Paulo de Carvalho] foi responsável pelo departamento de Artistas e Repertório da editora Nova-Companhia de Música. A partir de 1977 e ao longo da década de 1980, (22) [Paulo de Carvalho] incorporou os estilos jazz-rock e o funk na sua música (23) e [Paulo de Carvalho] dedicou-se também à escrita de canções inspiradas no fado, (24) destacando-se Os Meninos do Huambo, o maior êxito da sua carreira. Já na década de 1990, (25)[Paulo de Carvalho] interpretou fados consagrados com a Orquestra Filarmónica de Londres e com a Orquestra Sinfónica Portuguesa. Em 2007, (26)[Paulo de
Carvalho] comemora 45 anos de carreira.
Adaptado da «Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX» [no prelo], coordenação Prof. Salwa Castelo-Branco (Círculo de Leitores / Casa das Letras)
3.3. JOSÉ CARLOS ARY DOS SANTOS 1936 – 1984
(1)[É] Poeta, letrista e declamador, (2)[José Carlos Ary dos Santos] escreveu mais de 600 poemas e (3)[José Carlos Ary dos Santos] contribuiu significativamente para a renovação das temáticas da música ligeira portuguesa.
(4)Os seus textos denotam um recurso a imagens fortes, à linguagem do quotidiano e a metáforas de teor satírico, irónico e de intervenção. (5)As temáticas escolhidas são o amor, o trabalho, a justiça, a solidão, a cidade e as personagens arquetípicas de Lisboa.
(6)Foi muitas vezes descrito como poeta panfletário, (7)uma imagem que decorre da sua actividade política e do facto de muitas das suas letras se terem tornado uma referência. (8)O seu primeiro texto editado em fonograma foi Desfolhada Portuguesa, (9)que [Desfolhada Portuguesa], (10)[Desfolhada Portuguesa] interpretado por Simone de Oliveira, venceu o Festival RTP da Canção (FRTPC) de 1969. (11)A sua popularidade cresceu, aliás, com as sucessivas apresentações como autor de letras em várias edições do FRTPC, (12)destacando-se Menina (1971), Tourada (1973) ou Portugal no Coração (1977),
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(13)[Menina, Tourada e Portugal no Coração] igualmente vencedoras do certame que chegou a ser apelidado de “Festival Ary dos Santos”.
(14)Destaque para a colaboração com Carlos do Carmo, materializada nos textos dos fonogramas Um Homem na Cidade (1976) e Um Homem no País (1983).
Depois do 25 de Abril, (15)[José Carlos Ary dos Santos] escreveu para teatro de revista, (16)[José Carlos Ary dos Santos] contribuindo para a renovação deste género e para a captação de novos públicos. (17)[José Carlos Ary dos Santos] Gravou ainda vários discos (18)[José Carlos Ary dos Santos] recitando poemas de sua autoria ou de outros poetas como Camões, Bocage ou José Régio, bem como o Sermão de Santo António aos Peixes, do padre António Vieira.
Adaptado da «Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX» [no prelo], coordenação Prof. Salwa Castelo-Branco (Círculo de Leitores / Casa das Letras)