CONCLUSION
2.3 Méthodologie
4.2.5 Analyse du poste d'accès au VPN e-voting
Pelos fundamentos de Engels (apud Leontiev, 1978), o trabalho é que possibilitou o desenvolvimento da condição humana – a hominização do cérebro, o desenvolvimento dos órgãos dos sentidos, dos órgãos motores (em especial a mão) e órgãos da linguagem. Leontiev (1978, p. 73) corrobora ao afirmar que “o aparecimento e o desenvolvimento do trabalho modificaram a aparência física do homem bem como a sua organização anatômica e fisiológica”. Nesta perspectiva, o trabalho foi possibilitado por duas razões: a primeira, pela vida social humana (vida em comum), situação que não prosperaria entre os símios, por exemplo, devido às suas relações estarem limitadas ao biológico e não “pelo conteúdo objetivo concreto da atividade animal” (LEONTIEV, 1978, p. 73); e a segunda, pelo reflexo psíquico da realidade, este consciente.
A divisão social do trabalho e da propriedade privada incidiram (e incidem) em transformações qualitativas na consciência por conta das modificações que sofrem as relações entre sentido e significação – relação de exterioridade com o interior. É importante frisar que o sentido só pode ser consciente quando objetivado e concretizado nas significações. Com a divisão social do trabalho e a propriedade privada, o sentido se separa da atividade, implicando numa estrutura desintegrada da consciência, nas palavras de Leontiev (1978). Na
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mesma direção, as funções da consciência – “fenômenos subjetivos que constituem o seu conteúdo” (LEONTIEV, 1978, p. 114) – também se transformam, em especial pela palavra, orientada por conteúdos com fins teóricos, empreendendo separação entre trabalho intelectual e trabalho físico, o qual passa a ser desenvolvido por diferentes pessoas e em diferentes momentos.
Para Leontiev (1978, p. 118), “quanto mais o trabalho intelectual se separa do trabalho físico, [...] menos capaz é o homem de reconhecer, no primeiro, a marca do segundo e perceber a comunidade de estruturas e das leis psicológicas das duas atividades”. Porém, a análise psicológica mostra que a estrutura da atividade interior é a mesma, tanto para a atividade prática, quanto para a intelectual. Esta constatação evidencia indissociabilidade psíquica entre teoria e prática. Situação corrompida na educação escolar pela divisão de conteúdos teóricos versus práticos, comprometendo a aprendizagem com significado. Neste contexto, o desafio para a psicologia [e para as teorias pedagógicas] está em compreender que tanto a atividade intelectual quanto a atividade prática estão atreladas ao meio circundante e se refletem no cérebro humano. “A atividade interior inclui sempre operações e ações exteriores ao passo que a atividade exterior inclui ações e operações interiores de pensamento” (LEONTIEV, 1978, p. 119). O isolamento da atividade intelectual e teórica da atividade prática implica, para Leontiev (1978), em transformações na estrutura funcional e interna da consciência.
A partir do momento em que a atividade se separa das condições materiais objetivas de existência, esta passa a ser alienada, estranha ao homem. Circunstância advinda da divisão social do trabalho e da propriedade privada, quando o homem assume papel de operário, assalariado, utilitário - característico do capitalismo. Desprovido da essência humana – atividade produtiva e criadora – vende sua força, aliena o seu trabalho, ou seja, vende e aliena o conteúdo de sua vida para satisfazer suas necessidades vitais.
A alienação produz o rompimento entre o resultado objetivo da atividade e o seu motivo, isto porque o conteúdo objetivo da atividade (externo) não mais coincide com o conteúdo subjetivo (interno). Na produção capitalista, o homem não produz para si o conteúdo da sua atividade (alimento, vestuário, instrumentos, etc.), e sim, produz o seu salário. O mesmo ocorre na educação
escolar, quando para o professor o motivo do seu trabalho educativo é tão somente o salário. Este, não condiz com o objetivo da atividade de ensino: a aprendizagem. Desta forma, “a sua atividade de trabalho transforma-se [...] em qualquer coisa diferente do que ela é. Doravante, o seu sentido para o operário [o professor] não coincide com sua significação objetiva” (LEONTIEV, 1978, p. 122), a humanização.
Como já exposto, o sentido depende do motivo. Na produção capitalista, o motivo não reside naquilo que o trabalhador produz, isto porque a produção é em larga escala, destinada a outros, portanto, sem sentido pessoal porque o trabalhador não se apropria diretamente do que produz e de como produz, ou seja, distancia-se do objeto e do processo. O mesmo pode ser percebido na educação escolar, quando o motivo do ensino e do estudo não é a aprendizagem, e sim, atender demanda de formação de mão-de-obra para o mercado de trabalho num futuro. Com isto, o sentido da educação escolar, de humanizadora, passa a ser utilitária e subordinada aos interesses do capitalismo. Na compreensão de Leontiev (1978), o trabalho alienado se insere na vida do operário de duas maneiras: uma negativa e outra positiva. Negativa porque separa o tempo de sua vida, lhe toma uma parte da vida. Neste sentido, trabalhar não é viver. “A vida começa para ele onde acaba esta atividade [trabalho], à mesa, em casa, na cama” (Marx La Nouvelle Gazette rhénane, t. III apud LEONTIEV, 1978, p. 125), ou seja, a concepção de vida se desintegra do trabalho e se integra ao descanso, ao lazer e à satisfação das necessidades básicas. Dito com outras palavras, o trabalho, quando alienado, passa a ser visto como sacrífico e castigo e não mais como condição e essência humana de produção e criação. Isto também é percebido na escola, quando para muitos professores, a aula é árdua. É muito recorrente em professores da Educação Básica a espera pelo momento da aposentadoria, entendido como forma para “livrar-se” do que lhe é negativo, o trabalho. Quando esta realidade integra o espaço da escola, trata-se de trabalho educativo alienado19.
Já no âmbito da positividade, Leontiev (1978) destaca que o trabalho alienado não deixa de ser um meio de sua atividade. “Ele constitui a riqueza real do aspecto “técnico” da sua vida, riqueza em conhecimentos, em hábitos, em
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saber-fazer que lhe é necessário possuir para efetuar seu trabalho” (LEONTIEV, 1978, p. 125) e empreende um conteúdo novo em sua vida. Quando o professor, por exemplo, mesmo estando inserido na sociedade capitalista, consegue desenvolver o trabalho educativo enfrentando ou rompendo com o processo de alienação, ou seja, se constitui e contribui para constituir nos outros indivíduos a humanidade pela atividade produtiva e criadora.
Na alienação do trabalho, o conteúdo e finalidade das relações sociais também se transformam. De um lado, o operário entra em relação com outros que estão na mesma condição social que a sua, e de outro, com aquele que explora seu trabalho, empreendendo uma luta de dominação e exploração. Luta esta, que configura o “aspecto inumano do homem” (LEONTIEV, 1978, p. 126, destaque meu), implicando em “contradições da consciência, ou melhor, os problemas da consciência” também conforme Leontiev (1978, p. 128). Em situação oposta, nas relações de trabalho como atividade produtiva e criadora, desenvolve-se o “humano do homem” (LEONTIEV, 1978, p. 126, destaque meu).
Na condição de trabalho alienado, o processo de tomada de consciência fica comprometido pela divergência das relações de coletividade, para as quais a significação é submetida a processos técnicos elaborados socialmente que se refletem nas significações individuais. Refere-se, neste contexto, à “tecnicização da língua” (V. Abaev, 1934 apud LEONTIEV, 1978, p. 129) e dos instrumentos. “Isto significa que, decorrente da evolução da língua, as palavras deixam de ser diretamente portadoras de conteúdo refletido: elas transformam-se indiretamente” (LEONTIEV, 1978, p. 129). Ou seja, a significação expressa por conceitos é ressignificada constantemente com a tecnicização da língua e dos instrumentos. Além disso, na sociedade de classes, um mesmo contexto de significações exprime conteúdos diferentes, devido ao fato de que o explorado (trabalhador) e o explorador (patrão) têm maneiras diferentes de significar e representar o mundo – isto implica em transformações da consciência.
Neste contexto, segundo Leontiev (1978), a apropriação das significações linguísticas está vinculada à apropriação de conteúdos ideológicos. No que tange à classe dominante, o conteúdo ideológico é elaborado para a manutenção das relações sociais existentes, e na classe explorada, para resistência, empreendendo conflitos. Estes antagonismos também implicam em
transformações nos processos de consciência, se comparados a tempos precedentes à divisão da sociedade em classes.
As mudanças da atividade produtora e criadora para uma atividade com fins capitalistas de dominação, exploração e acumulação, transformam as propriedades e forças humanas, e criam um novo contexto psicológico do homem porque rompem com a “dependência estritamente objetiva entre [...] a estrutura global da atividade e da consciência dos homens – determinada pelas condições históricas concretas da sua vida [...]” (LEONTIEV, 1978, p. 137). A estrutura da consciência humana é determinada pela vida concreta, com o homem em atividade e em constante processo de transformação, como bem expressa Leontiev (1978, p. 138)
a vida aberta pela análise histórica mostra [...] que as propriedades do psiquismo humano são determinadas pelas relações reais do homem com o mundo, relações que dependem das condições históricas objetivas da sua vida. São estas relações que criam as particularidades estruturais da consciência humana, e que por ela são refletidas. Assim se caracteriza o psiquismo humano em sua verdadeira essência social.
Entretanto, as particularidades estruturais e funcionais da consciência em transformação no decurso histórico não aparecem instantaneamente às transformações das condições de vida, ao mesmo tempo em que as mudanças nas condições de vida também são graduais. Isto ocorreu, por exemplo, com a passagem da sociedade primitiva para a de classe e propriedade privada, e o mesmo aconteceria em outra transição, como para o socialismo20, conforme aponta Leontiev (1978).
Desde a aurora da sociedade humana até os dias atuais, a formação e transformação da consciência obedece às leis sócio históricas de desenvolvimento do homem, entretanto, a divisão social do trabalho e a propriedade privada passam a obedecer a leis capitalistas, empreendendo um conjunto de transformações “estranhas” à essência humana. Historicamente, as transformações da estrutura e a funcionalidade da consciência estão vinculadas às transformações sociais engendradas pelas mudanças de relações e da estrutura da atividade.
20 Neste momento, Leontiev (1978) faz menção ao sistema socialista, o qual aponta em sua obra
como uma alternativa para superar a sociedade de classe e o trabalho alienado, empreendendo uma “nova consciência”. É preciso considerar nesta passagem da obra de Leontiev (1978) o contexto histórico da época – a eminência da Revolução Russa.
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Imbricado na estrutura da atividade e consequentemente na constituição da consciência insere-se o conceito de neoformações. Este, desenvolvido por Leontiev, para designar o conjunto de funções e aptidões que circunscrevem o desenvolvimento psíquico com base e princípio no processo ontogenético, o qual analiso na sequência.