1.3 Les caractéristiques expérimentales
2.1.3 Étude numérique des solitons
2.1.3.3 Analyse des pics d’intensité des oscillations des ailes des solitons 63
A grande questão é que o papel da figura de Lula é inegável no processo do lulismo a que se tentou dar continuidade por meio do governo de Dilma e isso envolve um “carisma pop”, como chama Ab’Sáber (2011), ao se referir a esse carisma de Lula junto às camadas populares, mas também a uma certa postura acrítica, apaixonada e seguidora dessa população em torno daquele líder que é o “salvador” daqueles “pobres oprimidos” a quem ninguém, antes, tinha se dado o trabalho de olhar, apenas ele, Lula, um igual, um ser humano que já havia sido pobre e sabia exatamente o que significava isso.
A experiência do PT no poder suscita reações muito apaixonadas e pouco analíticas. Por um lado, vemos aqueles que não se cansam de assumir um tom laudatório, insistindo na genialidade política de Lula, no novo protagonismo brasileiro na cena internacional, no caráter bem-sucedido de seu “capitalismo de Estado” e na inegável constituição de uma nova classe média. Por outro, temos a negação absoluta na qual as conquistas do governo seriam meros fenômenos “naturais” advindos de decisões tomadas por governos anteriores, as negociações políticas teriam alcançado um nível de corrupção “nunca visto”, assim como o aparelhamento do Estado. Tais análises usam, na maioria das vezes, esquemas liberais que, em plena crise econômica global, continuam a ver o Estado como “mau gerente” (como se empresas como
Citibank, Lehman Brothers e GM, salvas pelo Estado, fossem bem gerenciadas) e ter uma perspectiva, no mínimo, seletiva a respeito das indignações causadas pela corrupção (SAFATLE, 2013, n.p.)65.
Imagem 5: Lula em gesto para população nordestina, durante visita/compromisso
presidencial
Fonte: UCHÔA/LEIA JÁ, 2017.66
E, quando se fala em carisma, é natural associá-lo às postulações Max Weber (2005) em sua Teoria das Estruturas de Dominação, em que o sociólogo apresenta os tipos puros de dominação legítima: legal – baseada em regras criadas racionalmente –; tradicional – baseada no conformismo e na tradição –; e carismática – baseada na confiança pessoal, na liderança e autoridade inatas.
[...] o carisma é a qualidade própria da exceção. Ele diz respeito ao líder ungido especialmente para a realização da missão, eleito pelo próprio destino, em um processo cujo fundo último resta essencialmente mítico, em última instância de origem transcendente, divina. Trata-se do pacto da personalidade singular com o
dado desejado além do humano, o desejo de divindade no próprio poder encarnado e
prático. Sua base política fundamental é a convocação e o convencimento da comunidade de que ele é o escolhido, e não algum outro, para a realização da missão, e, segundo Weber, seu poder se confirma apenas em sua realização (AB’SÁBER, 2011, p. 33).
Segundo Weber (2005), o carisma permitiria o exercício de uma forma de poder embasada na influência sobre os outros e isso tinha algo de extraordinário, exatamente aplicado para o contexto de desencantamento do mundo, quando as crenças tradicionais em mágicas e espiritualidade se perdem, em nome da ciência e da racionalização. A intelectualização, por meio da ciência, colocaria o conhecimento acima da crença e da fé.
65 SAFATLE, V. [2013] Disponível em: <https://www.cartacapital.com.br/politica/os-impasses-do-lulismo>.
Acesso em: 02 nov. 2017.
66 UCHÔA, P.; LEIAJÁ. [2017] Disponível em: <http://www.leiaja.com/politica/2017/08/29/caravana-confirma-
Imagem 6: Lula em militância em uma clara aproximação com as minorias desassistidas
Fonte: VI O MUNDO, 2013.67
O carisma de Lula lhe conferia a imagem de político “imantado pelo deslocamento do fetichismo da mercadoria sobre si próprio” (AB’SÁBER, 2011, p. 87, grifo do autor) e, assim, ele escapava de “todo controle público, ou avaliação crítica” (AB’SÁBER, 2011, p. 87). O sociólogo José de Souza Martins (RICCI, 2010) analisou, já em 2002, o discurso de Lula e o classificou como sedutor, devido à aparência de Lula de líder carismático, de alguém que é igual a todos os outros, com um dever social, porém, sendo, então, igual, mas diferente, já que havia sido “escolhido”, quase como “em sacrifício”.
Lula possui traços carismáticos desenvolvidos desde sua época de líder sindical. Nunca houve ingenuidade em relação à produção simbólica da liderança de Lula. [...] O Estado, assim, permanece no lulismo como protagonista da ação pública. O carisma de Lula, portanto, compõe uma estratégia racional de gestão e não meramente emocional e afetiva como se dá na dominação carismática. [...] O arco de alianças é forjado a partir da capacidade de Lula em atrair e seduzir amplas massas sociais e, de outro lado, pela segurança que pode garantir aos agentes econômicos. [...] O carisma é um recurso utilizado à exaustão como um diferencial do lulismo, um ganho para a estabilidade do país. Não deixa de potencializar o vanguardismo de esquerda, na medida em que personaliza esta capacidade de governo ou é veladamente trabalhada como instrumento essencial para a estabilidade do país, até que a pauta reformista se complete. [...] O apelo carismático possui este lugar e papel. Este ingrediente especial do lulismo, fundado na oratória carismática cristã, somado à prática organizativa clássica da esquerda e projeto econômico de caráter liberal, cria um poderoso repertório político, embora insuficiente para desenhar um programa estratégico. Aliás, justamente porque é insuficiente, o carisma é empregado à exaustão (RICCI, 2010, p. 44-45).
67 VIOMUNDO. [2013] Disponível em: <http://www.viomundo.com.br/politica/gustavo-gindre-dilma-e-o-
Imagem 7: Lula em militância e acessível ao contato físico
Fonte: Stuckert/Instituto Lula, 2016.68
68 STUCKERT, R.; INSTITUTO LULA. [2016] Disponível em:
<http://radiojornal.ne10.uol.com.br/audioteca/2016/04/28/lulismo-conseguiu-impedir-enfraquecimento-do-pt- diz-cientista-politico-46259>. Acesso em: 20 nov. 2017.