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PARTIE III : TRAITEMENT DES DIALECTES ARABES

CHAPITRE 6 ANALYSE MORPHOLOGIQUE VERBALE

A existência de um corpo crescente de literatura sobre as OTIC e o seu papel no mundo académico e, de uma extensa investigação sobre a complexidade do processo de transferência de conhecimentos através da Universidade demonstra que este é um tema de grande interesse para as economias.

A literatura sobre os gabinetes de transferência de tecnologia cresceu nos últimos anos, reflectindo um aumento de projectos de transferência de tecnologia nas Universidades, fruto de alterações a nível da legislação Europeia e interesse demonstrado pelos académicos. Desta forma importa referir e analisar as características e elementos que os compõem.

É assim amplamente reconhecido o valor deste tipo de entidade destacando-se uma das suas muitas funções, a qual está ligada com a diminuição das lacunas existentes entre o universo empresarial e o mundo académico. Na sua essência o valor criado pelas OTIC é a conversão do valor criado pelas entidades no seio académico na sua forma de conhecimento, em matéria-prima para o contexto empresarial (Tahvanainen, 2008). Por outro lado, a missão das OTIC é definida como a transferência de resultados das investigações académicas e outras ideias e tecnologias, originárias de uma instituição académica ou centro de pesquisa para uma utilização comercial no mundo empresarial.

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(Guston, 1999). Por vezes a missão das OTIC inclui também o estabelecimento de redes de contactos externas (Jones-Evans et al. 1999).

As Universidades criaram e desenvolveram este tipo de gabinetes de forma a facilitar a comercialização das tecnologias exploradas e criadas pelos grupos de investigadores afectos às mesmas. As OTIC promovem a criação das spin-offs como um meio para atingir determinados objectivos relacionados igualmente com a obtenção de receitas para a Universidade.

Quando a tecnologia não é muito complexa e afigura-se de uma forma incremental por natureza, as OTIC tendem a licenciá-la a uma empresa (Lockett et al 2005).

Todavia, quando a tecnologia contempla uma grande complexidade e se afigura de um formato mais intensivo, as OTIC têm preferência para a transferir essa mesma tecnologia através da criação de spin-offs.

As principais razões prendem-se com o facto deste tipo de tecnologias produzirem um maior impacto no mercado pois conduzem a várias aplicações e várias oportunidades que

per si tornam as spin-offs mais viáveis e sustentáveis no que concerne ao

desenvolvimento de produtos. Por outro lado torna-se difícil “vender” estas tecnologias a empresas já estabelecidas pela sua especificidade e incerteza associadas (Vohora et al, 2004).

Markman et al. (2005b) examinaram as estruturas das OTIC e as suas estratégias ao nível do licenciamento e verificaram que estas conduzem a um aumento da criação de spin-

offs. Estes autores distinguem as actividades e políticas das OTIC em actividades sem

fins lucrativos e com fins lucrativos. Estes autores argumentam que as actividades com fins lucrativos potenciam a formação de alianças e de spin-offs, enquanto que as restantes actividades relacionam-se de uma forma positiva com as incubadoras das Universidades. Outros autores como Lockett e Wright (2005) analisaram o impacto das capacidades e características em termos de insumos das Universidades na formação de spin-off académicas. Estes apresentaram conclusões quanto ao número de empresas spin-off criadas e o valor desembolsado pelas Universidades na criação e manutenção dos seus gabinetes OTIC, realçando uma relação positiva entre estas duas variáveis. Explicam ainda que os indivíduos que fazem parte da estrutura da OTIC desempenham um papel fundamental na estimulação de um espírito empreendedor e na actividade de criação de

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Já Jones-Evans et al. (1999) debruçaram o seu estudo nas ligações deste organismo com as entidades exteriores à Universidade. Ainda no que diz respeito ao estudo das fases do processo de transferência de tecnologia levadas a cabo pelas OTIC, estas estão delineadas no trabalho de investigação de Hoppe e Ozdenoren (2002).

Assim, a primeira etapa inicia-se na revelação da invenção pelo investigador à OTIC. Este organismo avalia a ideia ou o projecto, nesta fase podem ser utilizados consultores externos para apreciação da ideia desenvolvida. O passo seguinte envolve o processo de requisição e registo de patentes, seguindo-se o desenvolvimento da ideia e culmina, na última etapa com criação de uma empresa spin-off e negociação de um acordo de licenciamento quando este existe.

Siegel et al. (2003) distinguem três elementos fundamentais que fazem parte do processo de transferência de tecnologias universidade-indústria: os cientistas ou investigadores, as OTIC e as empresas.

Estes autores demonstram que existem claras diferenças no que diz respeito a motivações, incentivos e culturas organizacionais de cada grupo e, que o papel da OTIC passa por colmatar as diferenças entre as partes interessadas.

Estes autores salientam igualmente o papel que os sistemas de recompensa representam para o envolvimento de cada indivíduo nos projectos. Além de que identificam variáveis que influenciam o processo e que assentam na forma de compensação, nas práticas das equipas que formam as OTIC e nas várias actividades para superar as barreiras existentes. Outros estudos analisam os factores estruturais que os constituem, tais como as limitações de recursos e grande quantidade de procedimentos burocráticos que impedem a celeridade de concretização dos projectos empreendedores (Horng e Hsueh, 2005; Markman et al., 2005) e a utilidade da sua rede de contactos (Markman et al., 2005). Outros autores como Chapple et al. (2005) analisam as OTIC das Universidades britânicas no que concerne à sua performance. Esta investigação baseia-se no estudo do volume anual de acordos de licenciamento, criação de invenções e número total de pesquisas. Estes autores revelaram que os novos licenciamentos estão relacionados de uma forma positiva com a intensidade das pesquisas de cada região e também têm em conta a presença de Escolas na área da Medicina nas Universidades.

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Frequentemente os investigadores apresentam determinadas características muito voltadas para a pesquisa em si, e não detectam nem reconhecem oportunidades de comercialização das suas invenções ou novas tecnologias descobertas.

Desta forma, as OTIC actuam neste âmbito, pois o pessoal que constitui a OTIC está preparado para fazer “a ponte” ou desempenham o papel de “business coaching” entre os inventores/ investigadores e o mundo empresarial, frequentemente através do estabelececimento das mencionadas “networks” (Lockett et al, 2003).

Na sua missão mais elementar, estes gabinetes devem promover os interesses da Universidade na comercialização das suas actividades de investigação.

No que diz respeito ao historial das OTIC existentes no seio da União Europeia, vários países incrementaram, ao longo das últimas décadas este tipo de gabinetes especializados e encarregues de gerir o conhecimento existente nas Instituições Públicas com o objectivo de impulsionar o conhecimento científico (technology push), levando-o até ao mercado.

“Uma das recomendações do comité para a política económica da OCDE é precisamente que deve ser fomentado o aumento e a capacidade de gestão da propriedade intelectual nas instituições científicas, as quais devem ter maior liberdade e mais recursos para a contratação e formação de gestores de tecnologia” (PLANO

TECNOLÓGICO, 2009).

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