4.2 Section efficace absolue d’absorption du styr` ene
4.2.4 Analyse d’erreurs
A enfermagem é reconhecida enquanto profissão na virada do século XIX para o século XX, tendo a figura de Florence Nightingale como a primeira a institucionalizar o ensino nesta área na Inglaterra. Para Santos (2008) é inegável a forte influência exercida por Florence Nightingale na mundialização da profis- são. Há divergências quanto ao seu pioneirismo, mas para o autor, “indubitavelmente foi hospitalar o modelo inicial que cruzou os mares a partir da Inglaterra, inspirado em Florence” (p.15). A partir deste período histórico começam a se formar as bases cien- tíficas da enfermagem moderna.
A prática de enfermagem já era exercida nos domicílios e hospitais, porém não havia ensino sistematizado, sendo o cui- dado aos enfermos feito por religiosas, pessoas caridosas e sem cunho profissional. Padilha e Mancia (2005) identificam que o momento histórico em que Florence Nightingale inicia o movi- mento de profissionalização da enfermagem coincidiu com as transformações no hospital, apontadas por Foucault. O poder exercido no hospital até então nas mãos dos religiosos foi substi- tuído pela figura do médico. Nessa época se estabelece vinculação entre o saber médico e o da enfermagem, porém numa escala que subordina o saber da enfermagem ao saber médico. Essa hierar- quia muito presente no hospital – ainda atual – com o profissional médico ocupando posição de destaque perante outras categorias,
como bem destaca Foucault(1999): “[...] a tomada de poder pelo médico, se manifesta no ritual da visita, desfile quase religioso em que o médico, na frente, vai ao leito de cada doente seguido de toda hierarquia do hospital: assistentes, alunos, enfermeiras, etc”. (p. 110).
Assim, a categoria profissional de enfermagem é associada, desde seu surgimento, à devoção, doação e subordinação, sendo vista como essencialmente feminina e como extensão daquilo que a mulher faz no lar – cuidar - através de seu papel de esposa e mãe. De acordo com Masson (2007) os profissionais de enferma- gem são maioria em relação aos demais profissionais de saúde nas equipes hospitalares e “são majoritariamente mulheres (cerca de 90% de seu quantitativo)” (p. 1). Dados da OMS (2006) evi- denciam que mundialmente há um desequilíbrio no que tange à inserção de homens e mulheres no trabalho em saúde: “tipica- mente, mais de 70% dos profissionais de medicina são do sexo masculino, enquanto mais de 70% dos profissionais de enferma- gem são do sexo feminino” (p. 5).
Cabe dizer que apesar das mulheres sempre terem traba- lhado, via de regra seu trabalho foi invisibilizado, desqualificado, ou pelo menos recebeu menos valorização e visibilidade que o realizado por homens, na medida em que “[...] a especialização de tarefas é sexual; esta sexualização está em estreita rela- ção com dominação masculina e os conflitos que ela acarreta” (DEWERPE, 2001, p. 13).
No caso das profissionais de enfermagem, seu trabalho de
cuidar dos pacientes no hospital recobre-se de desvalorização
também por ser trabalho em certo sentido próximo daquele que a mãe realiza em casa: cuidar dos membros da família quando ado- ecem, algo que deve ser feito em troca de amor, sem o suficiente reconhecimento social (inclusive financeiro) de trabalho, curar estaria mais associado à cientificidade e a imagem masculina, ou
seja, ao médico, corroborando o que diz Hirata (2002) “a concei- tualização da divisão sexual em termos da relação social baseia-se (...) na idéia de uma relação antagônica entre homens e mulheres. A divisão sexual do trabalho é considerada como um aspecto da divisão social do trabalho, e nela a dimensão opressão/dominação está fortemente contida” (p. 280).
Faz-se necessário esclarecermos que dentro da categoria de enfermagem existem três diferentes tipos de profissionais atuando, devidamente regulamentados pelo COFEN e COREN – Conselhos Federal e Regional de Enfermagem, respectivamente. Teríamos, então, de acordo com o grau de escolaridade e forma- ção: as enfermeiras – com curso de graduação em enfermagem; técnicas de enfermagem – com curso profissionalizante de nível médio; as auxiliares de enfermagem – com curso profissionali- zante de nível fundamental completo. Essa distinção é importante pelo fato desta divisão do exercício profissional ser pouco (re) conhecida pela sociedade, bem como no próprio ambiente de tra- balho quando profissionais de demais áreas nomeiam a todos da categoria como enfermeira. Essa divisão do exercício profissional é um dos elementos determinantes quanto ao tipo de atividade exercida, remuneração, relações de disputa ou subordinação e submissão, etc.
No hospital, o trabalho exercido por auxiliares e técnicas de enfermagem é visto como de execução de tarefas mais simples, que exige nível de escolaridade menor do que outras categorias que executam assistência aos pacientes. Suas tarefas são prescritas por outros profissionais de nível superior (administração de medi- camentos, higiene do paciente, verificação de sinais vitais, etc.). Neste contexto, pesquisa realizada por Osório-da-Silva (2002) sobre a divisão do trabalho hospitalar, revelou associação entre a qualificação dos trabalhadores e sentimentos de maior ou menor valorização do trabalho realizado. Quanto aos profissionais de
enfermagem constatou adoecimento psíquico relacionado a esse motivo.
Uma característica marcante no trabalho realizado em hos- pital é encontramos profissionais – a enfermagem não é exceção – trabalhando com vínculos muito diversos, havendo aqueles que mantêm situação trabalhista mais confortável, até outros em situ- ação de grande fragilidade, coerente com o que Harvey (1994) aponta. Assim, há desde os que são funcionários públicos que têm estabilidade no emprego, outros que trabalham em regime de contrato com registro em carteira de trabalho e sem estabili- dade, até os que são vinculados a ‘cooperativas’ que, na verdade, são muitas vezes formas de burlar a legislação trabalhista e man- ter os trabalhadores sem direitos. Além disso, os profissionais de enfermagem, assim como outros profissionais do campo da saúde, devido à baixa remuneração comumente possuem mais de um emprego, refletindo em dupla ou até mesmo tripla jornada; por se tratar de um grupo formado apenas por mulheres devemos considerar também o desgaste gerado pelo trabalho doméstico.