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Analyse des performances globales

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 121-133)

A partir de pesquisas quantitativas realizadas com espectadores, alguns países como o Reino Unido e Finlândia identificaram que “a facilidade no uso da interface é um fator chave para

que o espectador abandone a condição de passivo e faça uso das aplicações interativas”

(PICOLLO e BARANAUSKAS, 2006).

Facilidade de aprendizagem, velocidade na execução de tarefas, baixa taxa de erros, satisfação subjetiva e facilidade para lembrar como realizar uma tarefa após algum tempo, são características de uma interface com boa usabilidade (NIELSEN, 1993).

A interface utilizada para a interação com a TV deve ser apresentada ao espectador de maneira que ele possa compreendê-la facilmente, executar as funções necessárias e possa sen- tir-se satisfeito com o que a aplicação lhe ofereceu (TEIXEIRA e CASELLA, 2008).

De acordo com Teixeira e Casella (2008), “o espectador se sente satisfeito quando a

interface deixa de ser um obstáculo para o conteúdo ou mesmo para a interatividade”. Os

autores destacam ainda, que o desenvolvimento de interfaces para TV interativa pode ser con- siderado duplamente desafiador:

De um lado, porque exige novas competências e domínio apurado das técnicas de produção por parte dos desenvolvedores de conteúdo, que agora devem se preocupar também com o design de interação [...]. De ou- tro lado, o desafio é fazer com que as pessoas tenham a devida percepção de valor em relação aos aplicativos interativos sem que se sintam invadi- dos, pois passarão por uma fase de mudança comportamental da condição de espectadores para usuários e estarão constantemente avaliando os be- nefícios e prejuízos da nova mídia (TEIXEIRA e CASELLA, 2008).

A produção de conteúdo para a TV interativa inclui também o desafio de projetar in- terfaces com boa usabilidade e que sigam normas e diretrizes já estabelecidas para o meio.

2.4.1 Normas e Diretrizes para a Produção de Conteúdo Televisivo

Becker et al. (2006) acreditam que a usabilidade é um dos fatores que podem definir o sucesso de projetos como alfabetização digital e a inclusão digital. Os autores apontam recomendações de usabilidade para a produção de conteúdo para a TV. Também destacam alguns elementos textuais baseados nas considerações a respeito da legibilidade em monitores de televisão que a

BBC (British Broadcasting Corporation) aponta (BBCi, 2005). Entre as considerações feitas pela BBC destacam-se:

 O corpo dos textos, na maioria dos casos, não deve usar tipos menores que 24 pontos;

 Nenhum texto, em qualquer circunstância, deve ter tipos menores que 18 pontos;

 Textos claros em fundos escuros são mais legíveis na tela;

 Textos na tela necessitam de entrelinhas maiores que textos impressos;

 Quanto tecnicamente possível, o espaço entre os caracteres deve ser aumentado em 30%;

 Uma tela completa de textos deve conter o máximo de 90 palavras aproximadamente;

 Os textos devem ser divididos em pequenos blocos para que possam ser lidos ins- tantaneamente.

No Brasil, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) definiu a norma NBR 15.290 (ABNT, 2005) que traça diretrizes gerais a serem observadas para acessibilidade em comunicação na televisão considerando as diversas condições de percepção e cognição dos espectadores. Os serviços de acessibilidade: interpretação em língua de sinais, closed caption, áudio descrição e a dublagem, já são produzidos seguindo tais diretrizes. Essas diretrizes in- cluem, por exemplo, o posicionamento do recurso oferecido na tela da TV, o tamanho do mesmo e os momentos de sincronia.

De modo semelhante à norma ABNT NBR 15.290, o projeto DTV4All (abreviatura inglesa para Digital Television for All) (DTV4All, 2003) visa padronizar, no nível europeu, o acesso a sistemas digitais e audiovisuais traçando diretrizes para o design universal em TVD. O projeto faz recomendações aos organismos industriais e de padronização no que diz respeito ao desenvolvimento de serviços televisivos. No relatório D4.1 deste projeto europeu, seção 5, são definidas diretrizes para a produção, transmissão e utilização de serviços acessíveis para TV. Para a definição dessas diretrizes os pesquisadores realizaram pesquisas quantitativas com stakeholders importantes e diversos testes de usabilidade (KLEIN et al., 2003). Também nesse relatório são indicadas as principais dificuldades e deficiências (visual, auditiva, cogni- tiva, de destreza, letramento, etc.) dos espectadores e como os conteúdos devem ser produzi- dos visando atender a esse público de forma acessível.

Barros (2006) realizou uma busca por diretrizes relativas à produção de conteúdo para TV interativa e identificou seis publicações de grande relevância, entre elas o guia de estilo da BBC (BBCi, 2005) e os princípios de produção para TVi definido por Gawlinski (2003). O autor revisou as diretrizes e selecionou aquelas que se aplicam de forma mais abrangente à TV interativa, considerando que algumas delas não são universalmente aplicáveis. As recomenda- ções selecionadas foram organizadas em três grupos: 1) design para TV (formatos de tela, co- res e tipografia), 2) navegação e, 3) dispositivos de interação (ex.: controle remoto).

Diretrizes de maneira geral podem ser utilizadas como orientação no processo de ava- liação e design de uma interface. As normas e diretrizes citadas foram consideradas nesta tese de doutorado durante o processo de produção e exibição de conteúdos complementares, pois se entende que tão importante quanto oferecer o recurso de apoio, é oferecê-lo com boa usabi- lidade e acessibilidade aos espectadores.

2.4.2 Design Centrado no Usuário versus Produção de Conteúdo para TVi

Sheri Lamont, uma engenheira da Microsoft Corporation especialista em usabilidade para a TV interativa, utiliza a abordagem do Design Centrado no Usuário (DCU) para desenvolvi- mento de aplicações para a TVi. A autora enfatiza que informações sobre espectadores e con- teúdos interativos devem ser levadas em consideração durante o processo de desenvolvimento e que o principal desafio dos programas interativos é envolver os espectadores na interativida- de sem que ela interfira na experiência de visualização do conteúdo principal.

Lamont (2003) definiu oito passos para guiar designers na criação de programas de TV interativos. Esses passos enfatizam a importância de se considerar o impacto cognitivo que o leiaute8 de uma interface tem sobre a capacidade do espectador assistir TV. Os oito passos definidos por Lamont são: 1) escolha o programa de TV que se deseja inserir uma experiência interativa; 2) classifique o programa de TV quanto ao seu gênero (ex.: filmes, programa espor- tivos, etc.); 3) conheça seu público alvo (entenda as necessidades); 4) identifique as razões pelas quais as pessoas assistem ao programa de televisão; 5) identifique o conteúdo interativo (garanta que a interatividade escolhida para enriquecer o programa seja apropriada); 6) esco- lha o leiaute (conteúdo sobreposto ou incorporado); 7) conduza avaliações de usabilidade; 8) inicie ciclos de avaliação de usabilidade.

Para o passo 7, Lamont sugere uma avaliação baseada nas heurísticas de Nielsen (1993), acrescida de novas heurísticas especificamente criadas para a avaliação de programas de TV interativos. As novas heurísticas englobam: interferência: o grau em que o conteúdo interativo ofusca o conteúdo principal; intromissão: a capacidade para interagir com o conteúdo interativo quando ele está totalmente incorporado ao programa de TV; aplicabili-

dade: o grau em que o conteúdo interativo está relacionado com o conteúdo principal.

Diferentemente de Lamont (2003), o pesquisador Chorianopoulos (2004) definiu prin- cípios de design voltados para a aplicação interativa em que o espectador pode produzir seu próprio conteúdo e compartilhá-lo com outros espectadores, contexto da TV Social ou esten- dida. Entre os princípios formulados estão: 1) capacitar o espectador para que ele produza conteúdo; 2) oferecer elementos de entretenimento interativo ou elementos de informações sob demanda que sejam condizentes com o conteúdo principal (infotainment); 3) dar ao espec- tador a possibilidade de participação na autoria do conteúdo; 4) oferecer outras fontes para obtenção e transmissão do conteúdo. Uma interface apropriada para a oferta de conteúdo deve permitir ao usuário personalizar as fontes preferidas de informações adicionais e conteúdo de vídeo; 5) considerar visualização social que pode ocorrer localmente ou remotamente; 6) ofe- recer uma estética familiar e com estruturas visuais que correspondam ao comportamento a ser exigido do espectador; 7) navegação relaxada (permitir a navegação descontraída); 8) con- siderar que os usuários podem ter diferentes níveis de atenção tanto para o conteúdo principal quanto para o conteúdo inserido.

Nesta tese de doutorado, o modelo de design proposto por Lamont (2003) foi utilizan- do para guiar o processo de produção e avaliação do CMCi em programas televisivos, pois esse é o modelo que mais se aproxima das características deste trabalho, tendo em vista que segue a abordagem de design com participação de representantes do público alvo.

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