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Partie 2 : Les données 49

2. Faire parler un questionnaire 61

2.1 Analyse classe par classe 62

Introdução

1 INTRODUÇÃO

Apesar das dificuldades econômicas ocorridas na última década, o Brasil apresentou uma significativa evolução de seu Produto Interno Bruto, o qual saltou de 993 bilhões para 1.321 bilhões de reais no período de 1992 a 2002. Parte deste incremento produtivo deve-se à participação expressiva da atividade agropecuária. Dados atuais revelam que no ano de 2002, o setor agropecuário contribuiu com 8,2% de toda produção interna brasileira1, gerando um crédito aproximado de 117 bilhões de reais.

Dentre as emergentes cadeias produtivas nacionais, merece destaque a cadeia da carne bovina. Além de atender o mercado interno brasileiro, que conta com aproximadamente 174 milhões de habitantes, o Brasil consolidou-se em 2003 como o maior exportador de carne bovina do mundo. Mantido o ritmo atual, até o final de 2004 o país venderá ao exterior mais de 1,5 milhão de toneladas em equivalente-carcaça, posicionando-se à frente de nosso maior concorrente em exportações de carne bovina, a Austrália.

Enquanto o rebanho bovino mundial vem crescendo de forma relativamente lenta, a uma razão média de 0,9% ao ano entre 1961 e 2002, o Brasil experimenta um rápido crescimento de seu contingente, posicionado-se como detentor do segundo maior rebanho bovino (possui 13% da população mundial de bovinos) e do maior rebanho comercial do mundo.

Entretanto, os índices produtivos e reprodutivos ainda carecem de certa melhora. A taxa de abate anual brasileira é da ordem de 23% e a taxa de fertilidade média do rebanho não ultrapassa os 62% (MARQUES, 2003). Apesar de várias

biotecnologias da reprodução animal serem bem dominadas e poderem contribuir para uma elevação dos índices reprodutivos, certos pontos críticos constituem entraves para o aumento da média da produção nacional.

A inseminação artificial, por exemplo, é usada atualmente em apenas 5 a 7% das 73,5 milhões de matrizes em idade reprodutiva do rebanho brasileiro2. Isto significa que no Brasil aproximadamente 69 milhões de fêmeas ainda são acasaladas todos os anos por touros em regime de monta natural. Desta forma, os touros que servem a campo são responsáveis por elevada parcela de contribuição na disseminação do material genético no rebanho nacional.

Como conseqüência dos sistemas de criação estabelecidos no Brasil, os grandes rebanhos bovinos estão localizados nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e mais recentemente Norte, onde os animais recebem com máxima intensidade os efeitos diretos e indiretos do clima.

Apesar de haver predominância populacional de animais zebuínos na pecuária de corte nacional, com o estímulo ao uso do cruzamento industrial na última década, a participação numérica de touros de raças taurinas que servem a campo aumentou consideravelmente e este fator não pode ser desprezado. Essa opção de cruzamento propiciou a progressão do número de touros taurinos jovens adquiridos e usados na produção de carne.

Muitas vezes, os machos de raças de origem européia são criados em condições ideais e, ao atingirem a maturidade sexual, são introduzidos em ambientes adversos e submetidos a condições de elevadas temperaturas. Todavia, sabe-se que para as condições de clima tropical, machos taurinos freqüentemente entram em estresse térmico, o que afeta negativamente seu comportamento 1 FONTE: Anuário Estatístico - Ministério do Desenvolvimento, da Indústria e Comércio Exterior (2003) 2 FONTES: Associação Brasileira de Inseminação Artificial (2003) e Anuário Anualpec (2004).

reprodutivo, diminui sua eficiência reprodutiva, podendo levar à infertilidade do macho, com significativo impacto na fertilidade dos rebanhos. Via de regra, estes problemas reprodutivos nos machos estão associados a um quadro patológico conhecido como “degeneração testicular”.

Segundo trabalhos de Vale Filho e colaboradores (1981), a degeneração testicular é a mais importante causa de subfertilidade e infertilidade em touros que servem a campo no Brasil Central, a qual está diretamente relacionada ao estresse térmico sofrido pelos animais. De fato, o estresse térmico prejudica não somente a normalidade da função testicular, mas também afeta negativamente a capacidade fecundante dos espermatozóides produzidos e põe em risco o desenvolvimento de embriões gerados a partir de gametas anormais.

Apesar de seus efeitos negativos sobre a espermatogênese e sobre a morfologia espermática serem bem conhecidos, o binômio estresse térmico- degeneração testicular tem sido estudado desde a década de 40 sob a óptica de técnicas clássicas de avaliação andrológica. A modernização de equipamentos e de novas técnicas de análise gerou a necessidade de uma abordagem mais moderna do assunto. Desta feita, ainda se conhece muito pouco sobre, por exemplo, os efeitos do estresse térmico e da elevação da temperatura testicular sobre algumas estruturas do espermatozóide, cuja integridade e funcionalidade são cruciais para o desenvolvimento normal da fecundação.

Paralelamente, a somatotropina tem sido usada com sucesso para o incremento do quadro seminal em homens com histórico de insucesso reprodutivo, ocasionando aumento da motilidade espermática em indivíduos astenozoospérmicos após aplicação exógena. Certo efeito positivo do uso da somatotropina já foi observado também em bovinos. Esta informação reveste-se de maior importância

especialmente quando touros de excepcional mérito genético mantidos a campo ou em centrais de inseminação artificial são afetados e demonstram decréscimo na qualidade seminal, justificando os estudos sobre métodos terapêuticos nos casos em que a subfertilidade ou infertilidade do macho foi adquirida. Considerando isso, é interessante a proteção da saúde desses touros melhoradores.

Contudo, raros são os trabalhos sobre os efeitos biológicos da somatotropina exógena sobre a qualidade seminal em animais de produção, especialmente aqueles que tenham passado por períodos de estresse térmico e que culminaram em um quadro de degeneração testicular.

Desta forma, ao aliar técnicas clássicas de avaliação seminal a recentes métodos de avaliação espermática e ao uso da somatotropina, o presente estudo pretende ampliar o conhecimento sobre as conseqüências do estresse térmico testicular em touros e testar uma possibilidade de procedimento terapêutico que poderia ser útil na tentativa de restabelecer o desempenho reprodutivo de animais de reconhecido mérito genético e que apresentem diminuição da fertilidade, desde que esta se caracterize como um problema adquirido.

Objetivos

2 OBJETIVOS

A hipótese principal foi que o estresse térmico testicular tem influência negativa sobre os parâmetros seminais, as características morfológicas espermáticas e as características morfofuncionais associadas aos espermatozóides de touros (integridade de membranas, função mitocondrial e integridade da cromatina) monitoradas por microscopia de epifluorescência. A hipótese secundária levantada foi que a somatotropina recombinante bovina, administrada em 5 aplicações subcutâneas com intervalos de 14 dias, têm influência positiva sobre os parâmetros seminais, a morfologia espermática, a integridade de membranas, a função mitocondrial e a integridade da cromatina de touros submetidos ou não a estresse térmico testicular.

O objetivo geral foi estudar as conseqüências do estresse térmico testicular sobre a espermatogênese de touros taurinos criados a campo e a possibilidade do tratamento desse estresse através do uso da somatotropina recombinante bovina (bST), com acompanhamento por técnicas clássicas de análise seminal associadas ao uso de fluorocromos em microscopia de epifluorescência.

Os objetivos específicos do trabalho foram:

1) Avaliar ao longo de 22 semanas as características de temperatura retal, temperatura da superfície escrotal, perímetro escrotal e consistência testicular de touros submetidos ou não a estresse térmico testicular, tratados ou não com bST.

2) Avaliar os efeitos do estresse térmico testicular e da aplicação de bST sobre a concentração espermática e o pH do sêmen de touros ao longo de 22 semanas.

3) Avaliar os efeitos do estresse térmico testicular e da aplicação de bST sobre as características de movimento de massa, motilidade espermática e vigor espermático de touros ao longo de 22 semanas.

4) Avaliar ao longo de 22 semanas, através do uso de microscopia de contraste de fase, os efeitos do estresse térmico testicular e da aplicação de bST sobre a morfologia espermática de touros.

5) Avaliar ao longo de 22 semanas, através do uso de microscopia de epifluorescência, os efeitos do estresse térmico testicular e da aplicação de bST sobre a integridade de membrana plasmática, a integridade de acrossomo e a função mitocondrial, e estrutura da cromatina de espermatozóides de touros.

6) Comparar ao longo de 22 semanas as populações de espermatozóides potencialmente capazes de realizar a fecundação, provenientes de touros submetidos ou não ao estresse térmico testicular, tratados ou não com bST.

7) Avaliar ao longo de 22 semanas a integridade de estrutura da cromatina pela detecção de fragmentação do DNA em espermatozóides de touros submetidos ou não a estresse térmico testicular, tratados ou não com bST.

Revisão da Literatura