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Anaïs Wion, Centre National de la recherche scienti- scienti-fique, Institut des Mondes Africains

A inclusão de todos os alunos nas escolas de ensino regular é um direito de todo e qualquer cidadão, devendo estas adequarem-se às características dos alunos que a compõem, para que exista igualdade de oportunidades. Só assim poderemos falar de uma escola inclusiva. A criança é um ser em desenvolvimento que, em contacto com os outros, comunica, interage e desenvolve as suas capacidades, tornando-se assim, num membro ativo e participativo da sociedade em que se insere.

No entanto, existem crianças, nomeadamente com Paralisia Cerebral que se encontram limitadas a vários níveis, principalmente a nível motor e de comunicação, (não utilizam a fala como meio de expressão) comprometendo não só o seu desenvolvimento global como também a capacidade de interagir e participar na vida em sociedade (Ferreira, Ponte, & Azevedo, 1999). Neste contexto, convém salientar que uma criança com Paralisia Cerebral está incluída no conceito de Necessidades Educativas Especiais, uma vez que, segundo Nogueira (2009, p. 44) citando Brennan, “ há uma necessidade educativa especial quando um problema (físico, sensorial, intelectual ou social) afeta a aprendizagem, sendo essenciais acessos especiais ao currículo, ou utilizando-se estratégias de aprendizagem especialmente adaptadas para que o aluno possa receber uma educação adequada”.

No entanto, as crianças com Paralisia Cerebral, durante a vivência no jardim-de- infância deparam-se com alguns problemas que vão condicionar o seu desenvolvimento global. Por um lado, vêem o acesso às atividades do currículo limitado, por não conseguirem participar em muitas das atividades curriculares realizadas no jardim-de-infância tal como o restante grupo e quando as executam estão dependentes da ajuda de um adulto, tendo por isso uma participação pouca ativa nas várias atividades. Por outro lado, o facto da criança não comunicar

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70 verbalmente com os colegas, impossibilita-a de interagir com os mesmos e de comunicar as suas necessidades, sentimentos, desejos (Ferreira, Ponte, & Azevedo, 1999).

Estas situações fazem com que grande parte destas crianças vivam muitas vezes experiências negativas, sentimentos de frustração, de incapacidade e de dependência, sentindo que os colegas as subestimam, que não as levam a sério reforçando assim, o seu sentimento de inferioridade, baixa auto estima e consequentemente não investindo na interação, na aprendizagem e no seu desenvolvimento global (Ferreira, Ponte, & Azevedo, 1999).

Desta forma, cabe ao educador de infância, incluir estas crianças, uma vez que é o responsável por proporcionar-lhes interações bem-sucedidas, dado que, tal como todas as outras crianças, estas também tem direito a ter uma educação adequada, através do acesso ao currículo com as devidas adaptações.

Assim para que a criança com paralisia cerebral possa usufruir de uma verdadeira inclusão e interação no jardim-de-infância é fundamental que o educador estimule e proporcione à criança atividades diferenciadas não só que promovam a comunicação e interação mas também que permitam à criança ter uma participação mais ativa nas várias atividades realizadas. Assim o aluno com Paralisia Cerebral passaria a usufruir de momentos que favoreciam a sua aprendizagem e o seu desenvolvimento global e a vivenciar uma verdadeira inclusão.

Para além disto o educador de infância deve, por um lado, e sempre que necessário, utilizar o reforço verbal positivo, ter a preocupação de animar e dinamizar os grupos, incutir nas crianças o respeito pela diferença, propor situações de inter ajuda, entre outros aspetos. Por outro lado o educador deve ter a preocupação de organizar estratégias que facilitem o acesso ao currículo, isto é, que permitam uma verdadeira inclusão e participação da criança com paralisia cerebral do grupo e no grupo em geral.

Neste contexto, o educador de infância tem, não só de compreender as diferenças individuais e identificar as dificuldades e limitações de cada aluno, como também de encaminhar e de realizar, em equipa, as adaptações curriculares e os programas julgados pertinentes, tendo sempre em conta a situação do aluno, destacando mais as suas competências do que as suas limitações, adequando o currículo geral ao conjunto de alunos da sua idade e adaptá-lo a pouco e pouco, até encontrar a resposta mais eficaz para as necessidades do aluno (Nogueira, 2009).

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71 Assim, tendo em conta que a criança com paralisia cerebral comunica apenas de forma não-verbal, é necessário adequar o seu processo de ensino aprendizagem o mais cedo possível, adquirindo estratégias que permitam à criança interagir com o educador de infância, com os colegas do grupo e com a comunidade em geral.

Estas estratégias poderão passar pela implementação e utilização de um Sistema Alternativo e Aumentativo de Comunicação usufruindo, se necessário de meios e tecnologias de apoio adaptadas à sua problemática, para que as suas dificuldades de interação, participação e comunicação com os colegas e adultos sejam atenuadas, influenciando positivamente o seu desenvolvimento em geral (Ferreira, Ponte, & Azevedo, 1999).

Segundo Ferreira, Ponte e Azevedo (1999), as atividades devem ser adaptadas e organizadas fazendo recurso aos sistemas de comunicação, através do uso de símbolos gráficos, de modo a, não só facilitar a participação ativa destas crianças nas atividades como também promover todo o seu processo de aprendizagem, socialização, interação e desenvolvimento global.

Assim, e de acordo com Nogueira “dada a importância da interação no desenvolvimento da criança com Paralisia Cerebral, a utilização de Sistema Alternativo e Aumentativo de Comunicação - SPC – constitui um instrumento facilitador, para que esta possa interagir com o outro e para que possa participar em todas a atividades do jardim-de-infância de forma adaptada” (2009, p. 49).

Desta forma, ao implementar o Sistema Pictográfico para a Comunicação (SPC) pretende-se dar a possibilidade à criança com Paralisia Cerebral de ter acesso ao currículo e participar ativamente nas várias atividades, organizar o seu raciocínio e tornar-se mais autónoma. Para além disto, com o uso deste sistema também se pretende melhorar a qualidade de vida do aluno com Paralisia Cerebral, proporcionando-lhe um maior controlo sobre si mesmo e maior auto estima, dando-lhe a oportunidade de se incluir no jardim-de-infância, na comunidade e na sociedade em geral, investindo no processo de aprendizagem e por sua vez no seu desenvolvimento (Ferreira, Ponte, & Azevedo, 1999).

Assim, depreende-se que a criança com Paralisia Cerebral que desde cedo comece a usar um Sistema Alternativo Aumentativo de Comunicação, conseguindo através dele comunicar com os outros, poderá expressar as suas emoções, sentimentos e desejos e terá acesso a uma linguagem interior, a qual irá favorecer o seu desenvolvimento global.

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72 Contudo, não é só o educador de infância que representa um papel determinante nas aprendizagens dos alunos com Paralisia Cerebral. Se considerarmos que estas crianças também são apoiadas por um educador/professor de apoio educativo, é fundamental existir responsabilidade partilhada na participação e na tomada de decisões, mas principalmente na articulação entre ambos, através de um trabalho de parceria e inter ajuda. Segundo Nogueira (2009, p. 48) “entre o educador do ensino regular e o educador do apoio educativo existem saberes e competências que devem ser partilhadas para que se possam providenciar os meios necessários para uma inclusão de qualidade, na qual se envolveria toda a comunidade educativa”.

Para além deste aspeto, o papel do educador quer do ensino regular quer do apoio educativo, será também o de incentivar e promover a capacidade de interação da criança com Paralisia Cerebral e despertar-lhe o interesse para interagir, comunicar e participar ativamente nas atividades do jardim-de-infância, através do acesso a um currículo adaptado em que o SPC funciona como facilitador do desenvolvimento (Nogueira, 2009).

Em síntese, e porque cada criança é única, com particularidades muito específicas, em contexto de jardim-de-infância, encontram-se crianças com características muito diversas que requerem da parte do educador uma intervenção adequada e se necessário, a utilização de metodologias diversificadas que permitam à criança interagir. Contudo, para que uma criança com Paralisia Cerebral possa demonstrar as suas capacidades comunicativas, possa exprimir as suas emoções e o seu saber, não basta fornecer um Sistema Alternativo e Aumentativo de comunicação, mas também um conjunto de estratégias pedagógicas que permitam que este sistema seja bem-sucedido.