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Enquanto docente do 1.º CEB atenta à evolução acelerada da sociedade contemporânea e respetivo acompanhamento por parte das políticas educativas nacionais e europeias, a temática do regime de docência neste ciclo de ensino tem constituído uma preocupação da investigadora, principalmente ao longo dos últimos dez anos da sua carreira docente, nos quais se deparou com a necessidade de mudança e inovação constante na sua prática letiva e de uma aprendizagem profissional contínua, bem como com a solidão no desenvolvimento da sua profissionalidade, tendo aprendido a valorizar os benefícios da colaboração, da partilha e da articulação efetiva entre pares nesse âmbito.

Deste modo, tirando partido da função desempenhada na liderança de um agrupamento de escolas, no período temporal de desenvolvimento do doutoramento em educação, que facilitava a tomada de decisão, o incentivo, a dinamização e a implementação de projetos inovadores e de mudança das práticas, considerou que seria o momento propício para abraçar este desafio de colocar a investigação académica ao serviço da prática educacional.

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Enquanto adjunta do diretor do agrupamento de escolas, responsável pela supervisão geral da educação pré-escolar e do 1.º CEB, percebeu que se encontrava na posição ideal para dar este passo decisivo rumo a um projeto de mudança, de inovação e de rompimento com o instituído, assumindo a responsabilidade institucional que acarretava e envolvendo-o, com segurança, no “manto” da investigação educacional e da construção coletiva de conhecimento teórico-prático.

Assumindo uma postura enquadrada numa liderança transformacional, que confluiu com a visão do diretor do agrupamento de escolas e contou com o seu apoio, a investigadora motivou o corpo docente para o projeto de mudança e acompanhou de perto, numa IA participativa, todo o processo investigativo, desde a sua génese, conceção e construção, passando pela sua aplicação e reformulação, em constante monitorização e acompanhamento, orientando, equilibrando e ajustando a utopia planeada à realidade, à medida que os resultados obtidos foram sendo analisados e refletidos.

O cenário em que nos situamos enquadra-se concetualmente no âmbito do modelo de organização e desenvolvimento do currículo em equipa educativa, de acordo como é apresentado por Arturo de la Orden (1969), citado por Formosinho e Machado (2008), ao qual denominamos de pluridocência, por conexão concetual.

“o sistema (…), no qual dois ou mais professores se responsabilizam conjuntamente pela planificação, execução e avaliação da totalidade ou de uma parte significativa do programa de instrução de um grupo de alunos, equivalente ao de duas ou mais classes tradicionais.”

(Formosinho & Machado, 2008: 12)

Ficou, assim, fora do âmbito da nossa investigação o regime de monodocência, associado a este nível de ensino, entendido como “a responsabilização de um/a único/a professor/a pela gestão de todo o currículo de uma turma” (Vale & Mouraz, 2014).

Enquadrou-se, concomitantemente, numa conceção de ensino enquanto processo de construção coletiva de conhecimento e de percursos significativos e significantes para a formação dos mais jovens, baseado no envolvimento e comprometimento

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dos seus intervenientes mais diretos no desenvolvimento da ação educativa e na melhoria dos processos de ensino e de aprendizagem (Fullan, 2007). Daí que se constituíram participantes no nosso estudo as docentes, os discentes e os encarregados de educação, sendo previstos os seus níveis de intervenção de acordo com o papel desempenhado no processo educativo, salvaguardando uma participação igualitária na análise, reflexão e tomada de decisões acerca do decurso da investigação (Máximo-Esteves, 2008).

O projeto investigativo desenvolveu-se em três ciclos de IA, cada um deles constituído por três fases, que se encontram sintetizados no quadro 4.1, apresentado no ponto 1 do Capítulo V na Parte II da presente Tese (Anexo I). O primeiro ciclo de IA teve a duração de três meses e meio e englobou todos os procedimentos de criação das condições institucionais, organizacionais e humanas para o desenvolvimento da investigação. Foi neste ciclo inicial que se efetivou a proposta e elaboração do projeto investigativo, a sua legitimação institucional e a sua divulgação à comunidade, bem como a motivação dos participantes para o projeto investigativo e a capacitação das docentes da equipa educativa para os procedimentos investigativos a operacionalizar.

Num primeiro momento, a definição do problema, a pesquisa teórica acerca do objeto de estudo e o esboço do projeto investigativo foram efetuados pela investigadora, a sós, numa etapa preparatória para os subsequentes procedimentos de legitimação. Ao longo deste processo de preparação, foram estabelecidos os devidos contactos com o diretor do agrupamento no sentido da sua aceitação e aprovação da iniciativa de mudança e inovação.

Após a obtenção do seu consentimento, no final do ano letivo de 2014/2015, em junho de 2015, numa reunião do departamento da educação pré-escolar e 1.º ciclo, com todos os docentes titulares de turma presentes, foi lançada a proposta de implementação do projeto investigativo de lecionação em regime de pluridocência (equipa educativa), através da permuta das três disciplinas nucleares da matriz curricular, em articulação com a lecionação das restantes disciplinas por docentes

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de outros níveis e ciclos de ensino, envolvendo um número mais alargado de alunos, correspondente a três turmas.

O assunto foi debatido e surgiram as esperadas resistências à mudança. Contudo, apareceram também vozes concordantes com a necessidade de soluções inovadoras e alternativas para o ensino e, particularmente, aprovadoras da iniciativa proposta. Alguns dias mais tarde, três docentes que iriam lecionar o terceiro ano de escolaridade, com formação especializada nas três disciplinas nucleares da matriz curricular do primeiro ciclo (Português, Matemática e Estudo do Meio), reuniram com a investigadora e aceitaram o desafio.

A partir desse momento, deu-se início, de forma colaborativa e participativa, à elaboração de um projeto, decorrente do plano de tese e adaptado à realidade escolar, para ser apresentado para aprovação em Conselho Pedagógico (CP), no sentido de formalizar internamente o desenvolvimento da investigação.

O projeto foi intitulado de “Professor no Plural”, por sugestão das docentes titulares de turma participantes, tentando captar a essência da sua estrutura organizacional e dos conceitos que o suportavam, ou seja, a conceção de uma organização do trabalho escolar ao nível do 1.º CEB alicerçada na pluralidade na docência e sustentada nos conhecimentos, capacidades e competências profissionais especializadas de uma equipa de docentes, que, em colaboração, interligação e complementaridade poderiam constituir um valor acrescentado à melhoria das aprendizagens dos alunos e à sua preparação para a transição ecológica seguinte. As docentes titulares de turma participantes escolheram igualmente uma figura que pudesse simbolizar a natureza do projeto que se propunha, a fim de se tornar a sua marca idiossincrática em todos os documentos produzidos no âmbito da investigação.

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Figura I.1 – Logotipo adotado pela equipa educativa para simbolizar o projeto “Professor no Plural”.

Na aceção das docentes titulares de turma e da investigadora, esta figura traduzia a “engrenagem bem oleada” que se pretendia instituir entre todos os participantes (docentes da equipa educativa, alunos e encarregados de educação) através do projeto investigativo, na qual cada elemento colaborava e partilhava, com liberdade, responsabilidade e confiança, as suas ideias e opiniões, cuja diversidade beneficiava e engrandecia a construção de conhecimento partilhado e integrado e a melhoria do ensino e da aprendizagem dos alunos.

Foi, então, elaborado um documento institucional que procedeu ao esclarecimento dos pressupostos teóricos e metodológicos da iniciativa e ao seu enquadramento no movimento de mudança educacional e na investigação académica no âmbito da presente tese de doutoramento, enaltecendo a sua pertinência. Neste documento explicitaram-se, ainda, os objetivos do projeto e a sua interligação com o Projeto Educativo do agrupamento de escolas, foi prevista a sua duração (dois anos letivos, com início em 2015/2016) e esclareceu-se a sua operacionalização, com a proposta da distribuição da carga letiva e das disciplinas atribuídas a cada uma das titulares de turma. Foram também previstos os momentos de monitorização e avaliação do

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projeto e, por último, propôs-se a divulgação do mesmo, bem como dos relatórios de monitorização, à comunidade escolar (Anexo II).

De seguida, o projeto “Professor no Plural” foi enviado a CP para aprovação, após a qual se procedeu à formalização do pedido de desenvolvimento da investigação em contexto escolar junto da Direção Geral de Estabelecimentos de Ensino (DGEstE) e da Delegação Regional de Educação do Algarve (DSRAL), sendo tacitamente aceite por estas entidades.

Ainda na segunda fase deste primeiro ciclo de IA, foi constituída a equipa educativa participante, através do convite e da agregação de mais seis docentes às três docentes titulares de turma iniciais. Deste modo, a nossa equipa educativa ficou composta por quatro docentes do grupo de recrutamento 110 (1.º CEB), uma docente do grupo 120 (1.º CEB – Inglês), uma docente do grupo 250 (2.º CEB – Educação Musical), uma docente do grupo 550 (3.º CEB e Secundário – Informática) e duas docentes do grupo 910 (Educação Especial). Realçamos que todas as docentes envolvidas manifestaram motivação e interesse em participar no nosso estudo, perfilhando os pressupostos do mesmo.

O passo seguinte foi a elaboração conjugada dos horários letivos das docentes e dos alunos, bem como a distribuição dos espaços educativos apensos ao projeto investigativo, de forma a minimizar o seu impacto no ambiente escolar e suprimir quaisquer constrangimentos organizacionais que pudesse acarretar. Delineou-se o plano de ação a desenvolver, estabelecendo os momentos de trabalho colaborativo entre a equipa educativa (reuniões semanais), estabelecendo a rotatividade das docentes pelas salas de aula dos alunos (cada turma fixou-se numa sala de aula), organizando os espaços para arrumação dos materiais das diferentes disciplinas, calendarizando os momentos de recolha e tratamento dos dados e elaborando as devidas planificações anuais de desenvolvimento do currículo.

Em setembro de 2015 decorreu a terceira fase deste ciclo de IA, na qual se efetuou a divulgação da investigação aos restantes participantes (alunos e encarregados de educação) e à comunidade escolar, através da realização de reuniões sectoriais

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com docentes, com pessoal não docente, com discentes e encarregados de educação.

Foi elaborado, pela investigadora, um panfleto informativo sobre o projeto investigativo, destinado ao esclarecimento e motivação dos alunos e dos encarregados de educação (E.E.) para o processo de mudança a implementar, que foi entregue na reunião inicial de ano letivo, realizada a 16 de setembro, na qual participaram todas as docentes da equipa educativa, a investigadora, os alunos e os E.E. das três turmas envolvidas (Anexo III).

No panfleto constavam todas as informações relevantes sobre a investigação, desde os seus objetivos e os pressupostos teóricos de suporte até às mudanças a operar na organização do trabalho escolar, passando pela metodologia de investigação a desenvolver, a duração prevista para o estudo, as técnicas e os instrumentos de recolha de dados a utilizar e o nível de participação que se solicitava aos alunos e aos E.E.. Este documento serviu um duplo propósito, constituindo-se como “protocolo de cooperação” e como garantia do compromisso e da responsabilidade assumida pela investigadora perante os participantes e a confidencialidade de todos os dados recolhidos.

A reunião em plenário destinou-se à intervenção da investigadora para apresentação e esclarecimento de todos os aspetos fundamentais da investigação, para elucidação das dúvidas colocadas pelos E.E., para a apresentação formal da equipa educativa e para o estabelecimento de linhas comunicação entre estes participantes e a investigadora (reuniões de análise e reflexão conjunta ao longo do projeto).

Registaram-se manifestações favoráveis por parte de bastantes E.E., enquanto outros evidenciaram algum “choque” e ansiedade perante a mudança. Não obstante, não se registou nenhuma oposição direta ao desenvolvimento do estudo, nem qualquer recusa em participar. Os alunos presentes manifestaram imenso entusiasmo perante a mudança que lhes foi apresentada, o que contribuiu decisivamente para a aceitação plena registada.

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Enquanto se desenrolava este processo de legitimação da investigação, foi elaborado o Plano de Tese apresentado perante a comunidade académica e o conselho científico, tendo por referência o objeto de estudo, as questões de partida e a pesquisa bibliográfica efetuada pela investigadora, conjugando o plano de IA delineado conjuntamente com a equipa educativa.

O segundo ciclo de IA, que decorreu ao longo do ano letivo de 2015/2016, baseou- se no desenvolvimento do plano de ação delineado e deu início à etapa mais aliciante e motivadora de qualquer investigação, quer para a investigadora, quer para os restantes participantes, uma vez que consistiu na aplicação prática da mudança idealizada. Nesta etapa começou o contacto direto com a realidade em estudo, a conjugação da teoria com a prática, a aplicação dos instrumentos de recolha de dados, a análise, tratamento e interpretação dos dados recolhidos e a construção de conhecimento contextualizado acerca das problemáticas que deram origem ao estudo.

A atividade letiva nas três turmas participantes desenrolou-se em regime de pluridocência, tal como previsto, e as docentes constituíram uma equipa educativa coesa e colaborante, uma pequena comunidade de aprendizagem profissional, reunindo semanalmente para analisar e refletir conjuntamente na, sobre e para a ação, para planificar colaborativamente as ações futuras, para partilhar e concertar estratégias e metodologias de ensino, para aferir os resultados da ação educativa implementada e para efetuar as reformulações necessárias, de acordo com as necessidades sentidas.

Estas dinâmicas assentaram no aproveitamento e integração das experiências, competências, capacidades e especializações individuais das docentes em prol da melhoria do ensino ministrado e, consequentemente, da aprendizagem e desenvolvimento integral dos alunos (Fullan, 2007; Bolívar, 2012).

Ao longo deste ciclo de IA, o nível de colaboração, coesão e confiança entre as docentes participantes foi-se gradualmente elevando e o seu comprometimento, empenho e motivação foi notório, principalmente no que concerne às docentes titulares das turmas, que assumiram um papel preponderante na articulação de

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todas as dinâmicas envolvidas no projeto, constituindo-se como o seu núcleo operacional. De igual modo, registou-se um aumento significativo na proximidade entre todos os participantes do estudo, potenciado pelas diversas atividades de envolvimento dos E.E. na vida escolar realizadas pelas docentes.

Neste segundo ciclo de IA teve início a recolha dos dados, de forma sistemática e contínua, e sua análise e tratamento em simultâneo, de acordo com a evolução da investigação, permitindo a reflexão e triangulação dos mesmos em tempo real e possibilitando que todas as decisões, ajustes e alterações ao plano inicial fossem sustentadas em dados concretos, fiáveis e congruentes com as opções tomadas. No final da primeira semana de aulas foi aplicado um pequeno questionário aos alunos (Anexo IV), viabilizando o acesso às suas reações iniciais sobre o projeto investigativo e revelando algumas sugestões destes participantes para o desenvolvimento da ação. Foi também recolhido um documento redigido pelas docentes titulares de turma no qual revelavam as suas motivações para participar na investigação (Anexo V).

Ao longo do ano letivo, foram realizadas seis sessões de observação participante nas reuniões semanais de análise, reflexão e planificação da equipa educativa e duas nas sessões de análise e reflexão conjunta da investigadora com os E.E.. Estas observações permitiram a monitorização do processo investigativo e aceder a dados significativos referentes ao ambiente vivido e às interações estabelecidas entre estes grupos de participantes, para além de possibilitarem a desocultação das suas representações face ao projeto investigativo e o levantamento de sugestões para a sua melhoria intermédia.

Concomitantemente, efetuou-se a recolha e análise documental dos diários de bordo da equipa educativa (registos síntese das reuniões semanais – Anexo VI) e das grelhas de resultados dos alunos (Anexo VII), que facilitaram o acompanhamento das tarefas colaborativas desenvolvidas pelas docentes, no caso dos primeiros, e da evolução dos resultados escolares dos alunos ao longo do processo, no que respeita às segundas.

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No início do segundo período letivo, realizaram-se as entrevistas individuais às docentes titulares de turma que aprofundaram as motivações individuais para a sua participação na investigação e analisaram o desenvolvimento da mesma até àquele momento, revelando as dificuldades sentidas, as mudanças mais marcantes e os seus efeitos, os pontos fortes do estudo e alguns aspetos a melhorar no plano de ação.

Enquanto decorria o ciclo de IA e a recolha dos dados, foram produzidos, pela investigadora, documentos síntese da análise e tratamento dos dados, que foram analisados e refletidos com a equipa educativa contribuindo para a realização de pequenos ajustes na ação.

A segunda fase deste ciclo de IA, que coincidiu com o final do ano letivo, efetuou- se uma recolha de dados abrangente e alargada, na qual todos os grupos de intervenientes participaram, porquanto se pretendeu realizar uma reflexão retrospetiva acerca do ciclo investigativo que terminava, abarcando a sua multidimensionalidade, e propor uma análise prospetiva das possibilidades operacionais para o ciclo seguinte.

Esta recolha englobou a aplicação de um questionário aos E.E. (Anexo VIII) e duas entrevistas grupais, uma aos alunos (Anexo IXa) e outra à equipa educativa (Anexo Xa), e permitiu a concretização de um balanço global da ação investigativa e a construção de uma visão holística do seu desenvolvimento.

No final do segundo ciclo de IA, a investigadora e a equipa educativa procederam à análise, reflexão e triangulação das sugestões de melhoria para o terceiro ciclo de IA, facultadas por todos os participantes, no sentido de reformular o plano de ação e de elaborar o plano para o terceiro ciclo de IA. A reformulação mais significativa foi que, neste segundo ano letivo de investigação, de acordo com o consenso alcançado, foram fixadas as disciplinas às salas de aula, passando a ser os alunos a transitar de umas para as outras, de acordo com o horário letivo. Assim, na terceira e última fase deste ciclo de IA, foi constituída a equipa educativa para o ano letivo de 2016/2017, que manteve a composição original perdendo

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apenas um elemento por questões relacionadas com a distribuição de serviço docente, e foram preparadas as condições organizacionais, estruturais e humanas para a continuidade da investigação. Foram elaborados os horários letivos das docentes e dos alunos e efetuou-se a distribuição dos espaços escolares, com a atribuição de salas específicas para cada uma das disciplinas nucleares, nas quais se desenvolviam também as restantes disciplinas da matriz, de forma articulada e concertada.

O terceiro ciclo de IA decorreu ao longo do ano letivo de 2016/2017 e teve início em setembro de 2016 com a divulgação do segundo plano de IA aos alunos e E.E. participantes no estudo e à restante comunidade escolar, através de reuniões sectoriais. A partir desse momento, operacionalizou-se o plano de ação previsto, desenvolvendo-se a prática letiva em pluridocência, com a rotatividade dos alunos pelas salas de aula das disciplinas.

Neste ciclo de IA foram mantidas as reuniões semanais da equipa educativa para análise, reflexão e planificação colaborativa da prática letiva, para partilha e ajuste de estratégias e metodologias de ensino e para monitorização dos resultados escolares dos alunos, fortalecendo a colaboração, a coesão e a confiança entre a equipa educativa de forma determinante. Seis destas reuniões foram observadas participativamente e permitiram certificar o ambiente “familiar” que se cimentou entre as docentes e a abrangência da interação vivida no grupo, revelando a instituição de uma liderança pedagógica partilhada nesta equipa educativa.

Conservaram-se igualmente todas as dinâmicas consideradas proveitosas pelos participantes no sentido da prossecução dos objetivos do estudo, da monitorização do decurso da investigação, do desenvolvimento integral harmonioso dos alunos e da construção conjunta de conhecimento, tais como as atividades de integração dos E.E. na vida escolar, as reuniões de pais com a presença de todas as docentes da equipa e o contacto direto de todos com a investigadora e com os resultados intermédios obtidos.

A recolha, a análise, o tratamento e a triangulação dos dados neste ciclo de IA, tal como no anterior, foi sistemática, contínua e em simultâneo, atendendo ao decurso

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da investigação, permitindo a tomada de decisões consciente, atempada e fundamentada. Não obstante, a diversidade da recolha dos dados foi menos acentuada que no segundo ciclo de IA.

Além das seis sessões de observação participante realizadas às reuniões da equipa educativa, ao longo do terceiro ciclo de IA apenas se efetuou a recolha e análise documental dos diários de bordo da equipa e dos resultados escolares dos alunos, sendo que a análise e reflexão efetuada aos documentos síntese produzidos a partir do seu tratamento permitiram a monitorização da ação e dos seus efeitos.

Não houve lugar à observação participante das sessões de análise e reflexão conjunta com os E.E. uma vez que estes participantes sugeriram a interrupção destas sessões no final do segundo ciclo de IA, em virtude de se sentirem tranquilos em relação à natureza da investigação, não considerando necessária a sua realização.

No final da segunda fase do terceiro ciclo de IA, coincidente com o final do ano letivo, desenvolveu-se então a última recolha de dados e a mais significativa para a prossecução dos objetivos a que nos propusemos com o nosso estudo. Este momento envolveu todos os participantes e consistiu na aplicação de um segundo

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