Segundo a ISACA (2007a), um modelo de maturidade procura, no geral, identificar: O desempenho atual da empresa;
Sua posição com relação ao mercado (benchmarking);
Metas da empresa para sua evolução em termos de maturidade; O caminho necessário a percorrer;
Com o objetivo de permitir a identificação de informações neste sentido, o MAnGve Maturity
Model (M3) representa seu conhecimento em Governança Ágil em TIC por meio de estágios de
maturidade. Estes estágios são representados por níveis, onde cada um destes busca compor uma etapa evolutiva de maturidade. Cada nível é composto por um conjunto de processos, os quais caracterizam um determinado estágio de maturidade.
Foram definidos cinco níveis de maturidade para o modelo proposto. Estes níveis variam do nível 1 (Inicial) ao nível 5 (Em Otimização). Para atingir um determinado nível de maturidade é necessário que a organização seja submetida à avaliação de um conjunto de processos. O Quadro 36 apresenta sucintamente os níveis de maturidade definidos para o modelo proposto.
Quadro 36 - Níveis de Maturidade.
Nível de Maturidade Descrição
1 Inicial
2 Parcialmente Gerenciado
3 Gerenciado
4 Estratégico 5 Em Otimização
Fonte: Adaptado de: (ISACA, 2007a; SEI, 2006b).
Os dados coletados durante execução do processo de pesquisa, especialmente a partir da revisão ad hoc de literatura e da revisão sistemática da literatura (conforme desenho de pesquisa apresentado na Figura 1), contribuíram para identificar os processos e respectivos níveis de maturidade do modelo proposto (Figura 36). Estes processos e seus respectivos níveis foram analisados detalhadamente, a fim de identificar os resultados esperados mais coerentes para sua composição (seção 4.2).
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Figura 36 - Representação dos processos em seus níveis de maturidade. Fonte: Elaboração Própria.
A representação por estágios de maturidade estabelece um caminho predeterminado para a melhoria. No caso em particular do MAnGve Maturity Model (M3), este caminho é estabelecido, de maneira sistemática, seguindo uma abordagem holística para tratamento da Governança Ágil em TIC e partindo do nível de maturidade 1 ao nível 5. Para tal, é necessário que os resultados esperados de cada um dos processos que compõem o determinado nível sejam satisfeitos.
Esses processos são agrupados por nível de maturidade, indicando quais processos devem ser efetivamente implementados para que a organização atinja a determinada maturidade desejada. Por exemplo, para o nível de maturidade 2 foram dispostos um conjunto de processos para o modelo proposto. Uma vez atingido o nível de maturidade 2, a organização pode desprender seus esforços no cumprimento dos resultados esperados dos processos do nível 3 e assim por diante. A seguir, os níveis do MAnGve Maturity Model (M3) são apresentados em maior riqueza de detalhes.
Nível 1 - Inicial
O nível 1 do MAnGve Maturity Model (M3) é definido como Inicial. Neste nível as organizações podem apresentar evidências para uma boa Governança Ágil em TIC, porém de maneira ad-hoc. Isto quer dizer que neste nível as organizações não são necessariamente caracterizadas pela ausência total de iniciativas para Governança Ágil em TIC, mas que estas, quando existentes, são realizadas de maneira não sistemática e aleatória, dificultando assim seu avanço em maturidade. Este nível também é caracterizado pelo considerável esforço exercido, uma vez que a maioria das iniciativas são realizadas de maneira independente umas das outras.
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Aspectos gerais para uma boa Governança Ágil em TIC podem até estar presentes, mas acabam sendo tratados de maneira ad hoc. Neste caso, é difícil prever os resultados ou aprender com as experiências vivenciadas pela organização.
Nível 2 - Parcialmente Gerenciado
O nível 2 do MAnGve Maturity Model (M3) é definido como “Parcialmente Gerenciado”. Neste nível a organização começa a estruturar suas capacidades básicas para uma boa Governança Ágil em TIC. Estas capacidades básicas estão especificadas através dos seguintes processos para o modelo proposto: Gerenciar Serviços de TIC (GST), Gerenciar Portfólio de TIC (GPT), Gerenciar Agilidade na Gestão (GAG), Gerenciar Fornecedores da TIC (GFT), Gerenciar Qualidade das Entregas (GQE), Gerenciar Cultura Ágil (GCA) e Gerenciar Segurança da Informação (GSI).
Estes processos devem ser preparados para lidar com os possíveis desafios iniciais para adoção de uma boa Governança Ágil em TIC. Desta forma, uma estrutura consistente para suporte ao Gerenciamento Ágil em TIC começa a ser institucionalizada. Esta estrutura deve possuir foco no cumprimento dos requisitos da Governança Corporativa. Para tal, devem ser definidos, mantidos e difundidos um conjunto de políticas e estruturas que promovam o alinhamento entre a Gestão de TIC e a Governança Corporativa perante toda organização, visando o não comprometimento da agilidade organizacional. Neste contexto, a Gestão de TIC também deve começar a considerar mudanças como um componente natural do ambiente de negócios, buscando adaptar-se a novos fatores originados de seus ambientes e de novas necessidades decorrentes da natureza de seu negócio.
Ainda neste nível os serviços de TIC começam a ser preparados para um gerenciamento mais ágil. Para tal, os serviços devem ser identificados, definidos e catalogados, seguindo uma abordagem sistemática e adaptativa. Os acordos de nível de serviços, por sua vez, devem ser definidos através de um design simples e baseado em refinamentos contínuos. A Segurança da Informação bem como a cultura de agilidade também começam a ser institucionalizadas.
Por fim, uma preocupação em garantir que os fornecedores da TIC apoiem efetivamente o atendimento às necessidades organizacionais, começa a ser institucionalizada. Para tal, faz-se necessário a identificação e valorização dos fornecedores como parceiros estratégicos, junto a implementação de requisitos de qualidade que cumpram seu papel, sem comprometer a agilidade organizacional. Como consequência, torna-se possível perceber neste nível uma maior institucionalização de uma cultura em agilidade, além de uma melhora na qualidade das entregas da TIC. A Figura 37 apresenta os processos e seus resultados esperados para o nível 2 do
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modelo de maturidade proposto. A notação gráfica utilizada nesta figura se baseia em (FARIAS JÚNIOR, 2014).
Figura 37 - Processos e Resultados Esperados do Nível 2. Fonte: Elaboração Própria.
Nível 3 - Gerenciado
O nível 3 do MAnGve Maturity Model (M3) é definido como “Gerenciado”. Neste nível, as capacidades básicas para uma boa Governança Ágil em TIC conseguem ser estruturadas. Desta forma, os processos do nível 2 do modelo de maturidade proposto são institucionalizados e novas capacidades iniciam sua institucionalização. Estas novas capacidades estão especificadas pelos seguintes processos do modelo de maturidade proposto: Gerenciar Relacionamentos com a TIC (GRT), Gerenciar Time Organizacional (GTO), Gerenciar Atividades Financeiras (GAF), Gerenciar Riscos Relacionados (GRR) e Garantir Tomadas de Decisão (GTD).
Desta forma, a cultura de valorização das pessoas (colaboradores, fornecedores e demais
stakeholders) começa a ser reforçada. A gestão de riscos recebe especial atenção e um
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gerenciamento financeiro relacionado às atividades de TIC começa a ser melhor estruturado. Também são iniciados direcionamentos para que as decisões relacionadas à TIC sejam realizadas da maneira mais ágil e em consonância com as estratégias e objetivos estratégicos organizacionais. Para tal, as partes interessadas passam a ter suas necessidades sistematicamente mapeadas para promover uma boa Governança Ágil em TIC. Além disto, ainda neste nível, a estrutura para Gerenciamento Ágil de TIC torna-se ainda mais consistente buscando o cumprimento dos requisitos da Governança Corporativa. Para tal, as pessoas passam a ser reconhecidas como elementos-chave para a Gestão nas organizações.
No que diz respeito ao Portfólio de TIC, as alterações em seus investimentos começam a refletir sobre o conjunto de serviços, ativos e recursos de TIC. De maneira semelhante, o Gerenciamento das atividades financeiras relacionadas à TIC, passa a adotar uma abordagem de ajustes contínuos buscando adaptação sistemática aos momentos vivenciados pela organização. Para tal, deve ser estabelecido um orçamento para TIC que seja simples, transparente e completo. Um modelo simples para alocação de custos de serviços de TIC também é sugerido.
Ainda neste nível, a gestão do time organizacional passa a receber atenção especial. Neste sentido uma cultura de agilidade passa a ser difundida perante toda organização, um melhor gerenciamento de habilidades e competências passa a ser realizado, há uma minimização de dependências entre funções críticas de trabalho e um incentivo a participação criativa com valorização das pessoas passa a ser formalizado.
Além disto, são promovidos relacionamentos saudáveis entre a TIC e seus stakeholders buscando um melhor alcance dos objetivos estratégicos organizacionais. Para tal, devem ser negociadas as disponibilidades dos stakeholders, estabelecendo também um padrão de comunicação. As parcerias estratégicas também devem ser claramente firmadas. Como resultado, relacionamentos entre a TIC e seus stakeholders passam a ser melhor gerenciados.
Os relacionamentos com os fornecedores são reforçados através de uma abordagem mais humanista e colaborativa, tornando as partes interessadas cada vez mais satisfeitas com a qualidade das soluções de TIC. Neste sentido, os serviços de TIC passam a estar alinhados com a real capacidade da TIC e as necessidades organizacionais. A Segurança da Informação bem como a cultura de agilidade continuam sendo institucionalizadas.
Por fim, a mitigação de riscos relacionados à TIC passa a ser realizada através de uma abordagem adaptativa e integrada com a estratégia de gestão de riscos corporativa. A Figura 38 apresenta os processos e resultados esperados para o nível 3 do modelo de maturidade proposto.
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Figura 38 - Processos e Resultados Esperados do Nível 3. Fonte: Elaboração Própria.
Nível 4 - Estratégico
O nível 4 do MAnGve Maturity Model (M3) é definido como “Estratégico”. Neste nível, os processos para uma boa Governança Ágil em TIC já se encontram consolidados (processos que compõem os níveis 2 e 3) e a estratégia para a TIC passa a ser melhor gerenciada, promovendo transparência e melhor definição de uma Arquitetura Empresarial para a organização. Para tal, este nível foca na institucionalização dos seguintes processos: Garantir Transparência da TIC (GTT), Gerenciar Arquitetura Organizacional (GAO), Gerenciar Estratégia para TIC (GET) e Monitorar Sistemas de Controle (MSC).
Desta forma, os sistemas de controle internos e externos da organização passam a ser monitorados com maior agilidade e continuidade, permitindo a maximização do potencial das oportunidades e a minimização de perdas associadas aos riscos de TIC.
Neste nível, os direcionamentos para que as decisões relacionadas à TIC sejam realizadas de maneira ágil e em consonância com os objetivos estratégicos organizacionais são reforçados.
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Para tal, os mecanismos de Governança aplicados, são avaliados quanto ao seu alinhamento estratégico organizacional e capacidade em suportar agilidade.
A transparência da TIC também ganha destaque neste nível. Informações relacionadas a conformidades, objetivos, estratégias e desempenho da TIC, passam a ser sempre disponibilizadas de maneira simples e transparente, sendo sistematicamente aperfeiçoadas para sua maior efetividade na organização.
Ainda neste nível, a gestão de TIC assume uma postura mais ágil, estabelecendo procedimentos que visam garantir o cumprimento das políticas e estruturas de agilidade. É fornecida uma visão holística do atual ambiente de TIC, sua direção futura e iniciativas necessárias para sua evolução, considerando estruturas empresariais com foco em respostas ágeis e eficientes para alcance dos objetivos estratégicos organizacionais. Para tal, devem ser elaboradas estratégias simples para a TIC, com valorização das pessoas, preparada para ajustes contínuos e derivando metas a partir das iniciativas organizacionais.
Uma arquitetura organizacional, por sua vez, é definida e sistematicamente avaliada através de simples abstrações que representem as diferentes áreas que compõe a organização e suas inter-relações.
O Portfólio de TIC passa a estabelecer uma real visão de seu desempenho e os recursos humanos da organização passam a ser sistematicamente avaliados quanto a sua suficiência para alcance das metas relacionadas a uma boa Governança Ágil em TIC. Os serviços de TIC e níveis de serviço passam a atender às necessidades organizacionais atuais e futuras com maior controle. A gestão dos fornecedores de TIC é aprimorada através de um controle mais contínuo aos riscos que os relacionam. Como resultado, as implantações das soluções de TIC passam a ser mais previsíveis. A cultura de agilidade continua sendo disseminada na organização.
Por fim, neste nível, os ambientes de controle internos e externos passam a ser sistematicamente monitorados, buscando identificar ações de melhoria e/ou garantia de conformidades com leis, regulamentos e exigências contratuais aplicáveis. Para tal, as iniciativas de controle são planejadas e executadas levando em consideração o equilíbrio entre as exigências que precisam ser cumpridas e a agilidade que se faz necessária diante da competitividade nos negócios. A Figura 39 apresenta os processos e seus resultados esperados para o nível 4 do modelo de maturidade proposto.
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Figura 39 - Processos e Resultados Esperados do Nível 4. Fonte: Elaboração Própria.
Nível 5 - Em Otimização
O nível 5 do MAnGve Maturity Model (M3) é definido como “Em Otimização”. Este último nível possui foco em melhoria contínua, promovendo otimizações nos processos já implantados (processos dos níveis 2, 3 e 4) e um maior incentivo à inovação. A prospecção, seleção e avaliação de novas tecnologias e paradigmas para apoio a uma Governança Ágil em TIC ainda mais efetiva, também recebe especial atenção neste nível de maturidade. Para tal, são institucionalizados os seguintes processos: Garantir Otimização de Recursos (GOR), Garantir Otimização de Valor (GOV) e Gerenciar Inovações Tecnológicas (GIS).
Neste nível, com o objetivo de garantir a otimização de recursos relacionados à TIC, princípios ágeis de gestão de recursos passam a ser adotados e uma análise das necessidades atuais e futuras destes recursos é sistematicamente realizada.
Otimizações relacionadas ao valor da TIC para o negócio também são foco deste nível. Neste sentido, a priorização de ativos de TIC, principalmente os que promovam conquistas rápidas com
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base nos objetivos estratégicos organizacionais, passa a receber especial atenção. O portfólio de TIC passa também a ser sistematicamente avaliado buscando otimização de real entrega de valor a um custo razoável. A cultura de agilidade da organização também é mantida e melhorada sempre que possível.
Por fim, este nível busca otimizar a vantagem competitiva, baseado no gerenciamento de soluções construídas com agilidade e incentivo a inovação. Para tal, sugere-se a geração de valor agregado através do avanço em inovação, a execução de prospecções sistemáticas no ambiente externo e o fortalecimento de uma cultura de agilidade e inovação em toda a organização.
Uma visão do modelo de maturidade MAnGve Maturity Model (M3) completa é ilustrada na Figura 40. Esta figura inclui seus processos, resultados esperados e respectivos níveis de maturidade. A aplicação do modelo de maturidade proposto busca promover uma adoção sistemática e gradual de Governança Ágil em TIC nas organizações.
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MAnGve Maturity Model HUMBERTO ROCHA DE ALMEIDA NETO
Figura 40 - Modelo MAnGve Maturity Model (M3) versão 2.0. Fonte: Elaboração Própria.
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MAnGve Maturity Model HUMBERTO ROCHA DE ALMEIDA NETO