Chapitre 3 PROPRIETES MAGNETIQUES DES COUCHES MINCES ET
3.2 Alliages amorphes Fe-Dy en couches minces
No caso da FAMV1 o relato da experiência como família de acolhimento é narrado pela cuidadora no espaço da entidade de acompanhamento. No momento esta família acolhe duas crianças, tendo já recebido um total de quatro.
A FAMV1, quando iniciou o AF era constituída por um casal e três filhos, sendo um deles uma jovem acamada, com deficiência, que viria a falecer mais tarde. O cuidador e o filho mais velho trabalham a tempo integral, o primeiro como empregado fabril e o segundo como cabeleireiro. O filho mais novo estuda. A cuidadora sempre trabalhou como cabeleireira em tempo-parcial e ocupava grande parte do dia, em casa, a cuidar da filha dependente. Após o falecimento da filha, a cuidadora sentia-se desocupada, “sem nada para fazer”, pelo que receber um bebé em AF lhe deu muito ânimo, “As minhas amigas disseram Já não é a Z de há oito dias". Agrada-lhe ter a casa
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Esta designação reporta-se às famílias de acolhimento cuja seleção, formação e acompanhamento é da responsabilidade da Fundação Mundos de Vida.
com várias pessoas, quer sejam familiares, quer sejam amigos, inclusivamente dos filhos, gosta “muito de andar com as pessoas todas de volta”.
A ideia inicial de acolher uma criança por via do AF partiu do filho mais velho que viu um anúncio promovido pela Fundação Mundos de Vida. A criança fotografada para o cartaz teve especial impacto no jovem rapaz, que “adora os pretinhos”. A iniciativa levou-o a obter o contacto da instituição e pedir à mãe que procedesse ao contacto, insistindo várias vezes até conseguir uma resposta positiva. Apesar de a mãe ter concordado com a proposta de acolher uma criança, entendeu que seria um projeto a médio prazo em detrimento da velocidade que tomou. Após a auscultação de todos os elementos do agregado familiar, a alegria era generalizada, “ficaram todos contentes” para se candidatarem a FA.
Quando a família foi contactada para averiguar a disponibilidade para acolher a primeira criança mantiveram o compromisso e “ficaram logo todos em euforia”. Apesar de desconhecer as características da criança com quem ia partilhar a intimidade, a cuidadora ao ser informada que era uma criança muito agitada, desvalorizou e mostrou- se experiente e competente para lidar com um comportamento desafiante, “ tenho um hiperativo em casa, é mais um que vai”. A família aplica as regras e estratégias que já bem conhece, pela experiência educativa com os próprios filhos, mostrando que educar é uma tarefa que fazem com gosto e afeto. Não obstante receber crianças com características desafiantes e pouco desenvolvidas para a idade, sabe ser criativa e alcança resultados que a satisfaz, sentindo reconhecimento da parte dos técnicos.
No primeiro contacto com a família de origem de uma das crianças que ia acolher, a empatia criada de imediato, permitiu à cuidadora compreender o receio da jovem mãe em entregar o filho a outra família, e tranquilizou-a, explicando que o seu papel era o de ajudar o seu filho e inclusivamente à própria mãe. A cuidadora ajuda as famílias de origem em diferentes vertentes, aconselhando, dando bens alimentares, encaminhando para tratamentos médicos, e mediando conversas. Coopera inclusivamente após a cessação dos AF. A FAMV1 entende que deve proteger a criança dos incumprimentos dos pais, por isso desculpabiliza-os e cria subterfúgios para lidar com as fragilidades da família da criança que acolhe.
Após o primeiro acolhimento, recebeu mais três crianças (desde um bebé, até uma jovem de 12 anos, “foi mesmo na queima” dos onze anos que tinham pré-definido
como idade máxima), chegando a ter três crianças acolhidas em simultâneo. Ser FA é um projeto a manter no futuro, há “energia para ter mais crianças (…) enquanto puder ser FA, vou ser, não me dou sozinha.”, sem evidenciar sinais de cansaço.
Toda a família auxilia nas tarefas domésticas e nos cuidados às crianças que acolhem, nomeadamente no apoio ao estudo, nas brincadeiras e na supervisão. Os filhos e a família alargada são recursos importantes para os cuidadores. As crianças acolhidas são sinónimo de alegria, “um ar, livre, um ar fresco” para toda a família, pelo que são tratadas como se pertencessem efetivamente à família. As crianças apesar de deixarem de ser acolhidas pela FAMV1, mantem contacto telefónico e visitam a FA em muitos momentos festivos.
A relação com os diferentes serviços do sistema de proteção infantil (CPCJ, instituição de acolhimento residencial e órgãos de segurança pública) é de parceria, mostrando-se sempre disponível para colaborar, mesmo após a cessação do AF. Verificam-se situações de discordância com as opiniões técnicas, nomeadamente aquando do retorno da criança à família de origem, por considerar que não estavam reunidas as condições básicas, provocando-lhe “um aperto no coração”. Em relação ao desempenho da equipa de acompanhamento da FA, entende que “está a trabalhar muito bem, mesmo muito bem.”
O afeto, as mensagens de carinho que as crianças vão transmitindo, mesmo depois da cessação do AF, e o contributo para a evolução e desenvolvimento, são motivos para tornar a experiência do acolhimento compensadora. A cuidadora resume as vivências como FA a “uma experiência inesquecível”, “só nos enriquece a nós.”
As despesas com o AF não são sentidas como um peso. O único aspeto negativo que foca é a fuga de uma das crianças, que não obstante o “desgosto”, a FA auxiliou os serviços a localizar a criança, e manteve uma relação de confidente e amiga com a criança até à atualidade. A cuidadora considera que a relação dos filhos com as crianças acolhidas é de fraternidade, não havendo lugar a ciúmes. Os filhos atualmente são jovens adultos e auxiliam e incentivam os pais a continuaram a ser FA.
Aquando da cessação do AF, a saída da criança de casa da FA não é vista como uma angústia, uma vez que mantém o contacto e que têm outras pessoas com quem mantem relações de afeto. Afirma que outras pessoas verbalizam que sofrem no
momento da cessação e que alegando esse motivo muitas prescindem de ser FA. Desde que iniciou o AF, a FAMV1 teve sempre crianças acolhidas, está sempre ocupada e preenchida.