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Objetivou-se nesta pesquisa analisar a importância das convenções e do capital social no desenvolvimento da agricultura familiar, especificamente, no que diz respeito ao efeito desses dois elementos na estruturação de um modelo conceitual-empírico para agricultura familiar, assentada e não assentada, do estado do Mato Grosso do Sul. Para tanto, selecionou-se, por conveniência, uma amostra formada por sete assentamentos rurais, uma gleba agrícola e uma colônia de produtores orgânicos, compondo um estudo de múltiplos casos.

Os dados coletados evidenciaram que a maioria dos assentamentos analisados: não dispõe de infraestrutura adequada; apresentam significativa evasão de lotes e rotatividade de famílias; possuem parte significativa dos produtores familiares em grave estado de endividamento; possuem produtor es que são depen den tes de “atravessadores” para inserir seus produtos no mercado; há produtores assentados que não fazem o planejamento das atividades e não conhecem a realidade do mercado no

qual pretendem se inserir, ou que estão inseridos; por fim, têm a incipiência de capital social e a quase ausência de relações baseadas em convenções.

Indiscutivelmente, os resultados constatados evidenciam que existe baixo desenvolvimento dos assentamentos rurais participantes da pesquisa. Se, por um lado, os assentamentos pesquisados apresentaram dados que apontam par a um baixo padr ão de desenvolvimento socioeconômico, por outro, verificou- se que a Gleba Santa Terezinha possui uma realidade distinta dos assentamentos, ou seja, os produtores não estão endividados e contam com uma infraestrutura produtiva, operante e rentável, a qual gera uma renda agrícola que satisfaz suas necessidades, que, em alguns casos, permite um bom padrão de vida.

Considerando todas as variáveis de impacto no contexto da amostra pesquisada, propõe-se, neste trabalho, um modelo conceitual-empírico que incide sobre um conjunto de relações econômicas e sociais essenciais para a inserção sustentável dos agricultores familiares nos FIGURA 1 – Modelo para auxiliar a obtenção de melhores resultados na agricultura familiar

mercados locais e na sociedade com um todo, considerando a geração de renda suficiente para manter as famílias fora da pobreza rural. Modelo esse que pode ser considerado de desenvolvimento efetivo.

Com relação às limitações do trabalho, é possível elencar três delas. A primeira, e possivelmente a mais relevante, refere-se à falta de outros estudos empíricos que tenham buscado desenvolver modelos para agricultura de base familiar com o mesmo foco de análise que norteou a presente pesquisa. Essa falta não só impossibilita a discussão sobre os modelos, como também inibe a possibilidade de comparação dos resultados alcançados. A segunda limitação incide sobre a possibilidade de generalização dos resultados, visto que as análises foram realizadas sobre uma amostra reduzida, se comparada ao número total de assentamentos rurais existentes em Mato Grosso do Sul. Essa limitação torna-se ainda mais contundente na medida em que ocasiona o risco de se fazerem considerações teóricas com uma base de dados que não seja totalmente representativa.

A última limitação a ser destacada refere-se ao fato de a maior parte das informações terem sido conhecidas a partir da per cepção do en tr evistado. Algun s pesquisador es podem question ar essa opção metodológica, visto que o entrevistado pode incorrer em erros ao fazer sua análise. No entanto, justifica-se a opção metodológica adotada uma vez que não seria plausível realizar tal estudo sem dar a palavra ao entrevistado, que é quem melhor conhece a sua realidade.

Por fim, a partir das conclusões tecidas nesta pesquisa, bem como das contribuições geradas e das limitações expostas, entende-se que trabalhos futuros poderão ater-se a duas vertentes, a saber: ampliação da base amostral considerando-se um número maior de casos da agricultura familiar, e, uma análise que venha incluir a questão extensão rural, por ser esse, como apontam os resultados, um agente importante para a consolidação do desen volvim en to econ ômico dos pr odutor es familiares.

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