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Annexe VIII : Mots du FAAF Test classés par ordre de difficulté

2.1. Pertinence des items présents dans la liste testée

Com base no que abordamos sobre esse conceito, a partir do referencial psicanalítico, podemos afirmar que em todo o ato agressivo há uma mensagem, pois ela é dirigida a alguém, a algum objeto. À medida que o sujeito se constitui, ele vai se dirigindo aos que estão ao seu redor, constituindo também a noção de que existem os outros com os quais vai se relacionar. Quando o eu se posiciona, a partir da agressividade, está evidenciando a possibilidade de entrar em contato com esse outro a quem é dirigido tal gesto. E aí se encontra a diferença da violência para a agressividade. Por ser dirigido a alguém, esse ato é movido por pulsão e não por instinto. A mola propulsora do homem é a pulsão, a qual não provém da essência de um indivíduo, mas é social. Ela evidencia-se a partir do desejo do sujeito, que se formula alienado

ao desejo do outro. Ouve-se muito falar sobre pessoas que agem por instinto. Instinto, como foi abordado no primeiro capítulo, é regido por uma necessidade e não se encontra no registro dos laços sociais, não considera o outro, não há perspectiva de alteridade.

Dolto (1999), em seu texto “A agressividade da criança pequena” (1981) faz a seguinte afirmação sobre o significado de violência: “Para mim, a violência poderia ser assim definida: ‘É quando não se diz ou não se diz mais.’ Então lançamo-nos um contra o outro, corpo a corpo...” (DOLTO, 1999, 138). Na violência, não há palavras, não há linguagem e, portanto, não estabelece laço social. Para a autora, quando uma criança pequena agride a outra é um indicativo de que está interessada em manter contato com esta outra criança, porém não tem outro recurso no momento para se expressar de outra forma.

Um aspecto que permite tal consideração é referente à etimologia da palavra agressividade, mencionada no primeiro capítulo. A palavra “agressivo” vem do latim: “gradior” que significa movimento para frente, sendo que referente ao verbo agredir, também no latim, “ad” significa “na direção de” e “gradí” remete a “ir, caminhar”. Entendendo a agressividade enquanto movimento da constituição do eu, compreende-se a dimensão do significado etimológico dessa palavra. Quando algo está no campo da agressividade, está dirigindo-se a alguém, está caminhando em direção a alguma coisa. Portanto, há um objeto definido e, então, o reconhecimento de uma alteridade.

No contexto da educação infantil, pode-se dizer que a agressividade é inevitável. O eu está se constituindo, uma formação de posição discursiva está se organizando em relação aos outros, ou seja, dentro de uma rede social. Os seus ruídos, como afirma Sousa (2000), são os atos agressivos. É a agressividade que se desprende, segundo Oliveira (2006), “[...] da atividade de formação de unidades de representação desenvolvida pelo eu sob pressão da pulsão e com base em suportes de linguagem” (OLIVEIRA, 2006, p. 91). Entendemos que é a partir dessa agressividade que se constitui um pólo de enunciação e, portanto, um pólo de

iniciativa, de criação, frente às inúmeras limitações e renúncias que se colocam como condição para a vida em sociedade.

Pensar na possibilidade de uma educação que abra espaço para a agressividade, enquanto traço estruturante do eu, pode trazer que tipo de implicações?

Pensamos que a educação infantil que pudesse ler ou escutar, nas manifestações agressivas das crianças, um processo de estruturação poderia, simplesmente, estar contribuindo com essa constituição. Contudo, para isso, seus ideais e seus pressupostos, historicamente construídos, passariam a ser questionados. A noção de criança naturalmente boa e a própria concepção de equilíbrio e racionalidade calcada no ideal pedagógico são abalados com tal mudança de olhar.

É certo que a selvageria, a barbárie deve continuar a ser combatida e enfrentada pelos homens. A civilização, de acordo com Freud (1930), empenha-se com grandes esforços para conter os impulsos destrutivos dos homens. Na educação infantil, constata-se essa passagem do pequeno homem primitivo ao civilizado, à medida que vai se subordinando às limitações do convívio social. Colocar em linguagem, em representações simbólicas o que é da ordem da destrutividade é um ato civilizado. A criança, como mencionamos anteriormente, não consegue colocar em palavras, em dizer, mas é a partir do brincar que exerce a sua humanidade, que sai do estatuto de natural e de selvagem. Ao entendermos a agressividade como palavra a ser decifrada também podemos ver na criança a formação de um sujeito pleno de desejos, diferentemente do bom selvagem a ser domesticado e treinado.

“Quando se vê uma criança pequena que morde outra, a derruba, esses comportamentos são ‘humanizados’ pelas palavras dos adultos que procuram expressar o sentido inteligente dessas manobras” (DOLTO, 1999, p. 140). A autora ainda explica que tais comportamentos não podem ser considerados bons ou ruins, pois são experiências de uma vida de relações. Cabe ao adulto mediar essas experiências, emprestando sentidos através de

palavras, como se fosse uma espécie de tradução. Daí podemos inferir sobre a função do educador frente às manifestações agressivas, quando se passa a conceber a agressividade como uma mensagem a ser lida, escutada.

A escola e, principalmente, o professor de educação infantil é colocado em um lugar de alteridade, sendo convidado a participar desse processo de individuação desse sujeito. Talvez por tais motivos, a agressividade traz tantos questionamentos à educação. As crianças, através da agressividade, convocam os profissionais, a partir de uma falta, a princípio falta de saber, a implicarem-se, a envolverem-se. Quando nos referimos ao professor de educação infantil, estamos nos dirigindo a ele num sentido mais amplo, ou seja, ao discurso pedagógico do qual este profissional está sendo representante. Considerando a educação um ato social, isto é, um processo apoiado basicamente na capacidade relacional do homem, lanço a seguinte indagação: é possível conceber um ato educativo que negligencie a questão da agressividade, deixando um lugar de alteridade ficar no vazio?

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Quando iniciamos uma pesquisa, definimos objetivos, delimitamos um foco e vamos desenvolvê-la, através de caminhos que supomos que nos darão respostas para a questão inicial. Ao pesquisarmos sobre a agressividade, instigados principalmente pelo questionamento de professoras de educação infantil em relação a esta temática, não tínhamos noção de onde chegaríamos, ou seja, quais seriam os resultados deste trabalho. Tínhamos, como dados iniciais, um mal-estar apresentado pelos profissionais de educação em relação às manifestações agressivas de seus alunos. Outro elemento que nos chamava a atenção referia- se ao fato de que as tentativas de proibir tais manifestações ou mesmo as brincadeiras de conteúdos agressivos eram infrutíferas. Como referencial teórico básico, tínhamos algumas leituras psicanalíticas que apontam para a agressividade como elemento essencial da estruturação do eu. A partir desses fatores, delimitou-se a questão inicial: quais seriam as concepções de agressividade apresentadas no discurso escolar e suas implicações no processo educativo? Entendemos que escutar as professoras de educação infantil a respeito do tema seria uma forma profícua para alcançar o objetivo central. O estudo teórico sobre o conceito agressividade, bem como dos pressupostos básicos que norteiam a educação infantil, contribuiu para o entendimento e análise do discurso apresentado pelas educadoras.

Ao realizar esta pesquisa, percebemos o quanto o estudo sobre a agressividade é visto com interesse, principalmente no campo da educação. Esse interesse trouxe estímulo, pois o compreendemos como uma justificava da pertinência da discussão que pretendíamos realizar. Contudo, também trouxe uma inquietude, a qual, por vezes, resultou em momentos de perplexidade e, em outras vezes, de produtividade. Talvez, tais reações tenham se apresentado porque nessa atenção despertada parecia estar implícita uma possibilidade de formulação de respostas e soluções para a questão da agressividade que, a princípio, somente se evidenciava pelo seu caráter negativo.

Desde o início, parecia claro que o objetivo seria estabelecer uma análise sobre as concepções de agressividade no âmbito da educação infantil e, portanto, a finalidade não era encontrar uma solução para extinguir a agressividade, nem ao menos indicar meios de se lidar com as manifestações agressivas das crianças. Mesmo assim, ao falar em agressividade nesse âmbito, logo essas expectativas se apresentavam em relação à pesquisa. Dessa forma, já se configuravam indícios de como esse conceito era tomado pelo discurso das professoras.

A primeira confirmação de que o tema seria bem acolhido no campo da educação foi a receptividade da Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Panambi/RS em relação à proposta de discussão acerca da agressividade, com as professoras de educação infantil, através dos encontros de grupo. O assunto foi considerado apropriado e pertinente, por ser bastante atual e por ser motivo de várias inquietações e de um certo mal-estar entre os profissionais de educação infantil.

A experiência dos encontros foi enriquecedora, pois as educadoras manifestaram uma necessidade em falar sobre o tema em questão. Analisando as falas geradas nos encontros, percebemos o quanto o debate foi animado e dinâmico. Essa falta de saber a respeito da agressividade desencadeia tamanha inquietude, a qual propiciou que muito se construísse em torno da questão, circundando-a e definindo seus alcances e limitações.

O desenvolvimento da questão da agressividade na obra freudiana também indica o quanto esta concepção foi sendo modificada. Num primeiro momento, Freud relutou em aceitar as idéias que concebem o homem possuidor de tendências destrutivas. Contudo, no decorrer de sua obra, vai sugerindo que essas tendências fazem parte do psiquismo, mas que são controladas devido à educação e à subordinação cultural às quais o homem é submetido. Segundo suas conclusões, o homem teria optado por abdicar de sua plena liberdade em troca de uma parcela de segurança.

A aceitabilidade das normas do social também se dá na subjetivação de cada um. Quando o pai possibilita que o filho deixe de ser apenas aquilo que complementa a mãe, a criança deixa de ser assujeitada, e passa a ser sujeito desejante. Com sua função castradora, coloca as regras as quais o sujeito precisa submeter-se para seguir a vida em sociedade. Em vista disso, pode-se afirmar que a dissolução do complexo de Édipo seria o momento primordial de instauração de valores, princípios e ideais que compõem uma herança simbólica, compondo assim o supereu. O supereu seria a instância responsável pelo julgamento das ações, atitudes e vontades do sujeito, de acordo com os valores que foram lhe constituindo.

A pulsão de morte é outro conceito da obra freudiana que colabora com a discussão sobre agressividade. A pulsão de morte é um indicativo de que as tendências destrutivas podem ser fomentadas por uma busca pelo estado anorgânico, sem vida, com o mínimo de tensões. Por esse motivo, Freud conclui que há algo além do princípio do prazer, o que permite a repetição de situações desagradáveis ou mesmo a projeção de moções destrutivas ao mundo exterior. Contudo, posteriormente afirma que as duas classes de pulsões (de vida e de morte) encontram-se entrelaçadas, permitindo que cogitemos a idéia de que exista a pulsão, sendo desnecessária a separação em pulsões. A pulsão é o que move o ser humano e, diferentemente do instinto, ela está calcada nos laços sociais.

Ao mesmo tempo em que o homem se constitui no social, depende do outro para sua estruturação, é difícil para o homem a vida em sociedade. Percebemos isso, principalmente, a partir do texto freudiano de 1930, “Mal-estar na civilização”. A renúncia às satisfações e o autocontrole imposto pelos valores sociais impõem limitações que causam um mal-estar, o qual os homens estão constantemente querendo aplacar: através de religiões, de ideologias, da ciência, da toxicomania. Esse mal-estar gerado é inevitável, pois o próprio autor questiona-se sobre como seria a vida em sociedade sem suas regras, sem suas limitações.

As concepções de Lacan acerca da agressividade também são norteadoras, pois considerando a agressividade como uma tendência da constituição do eu, permite a compreensão de que à medida que o sujeito vai delimitando seus contornos em torno do que é o eu e o que é o outro, vive um certo transitivismo. Confunde a sua imagem com os semelhantes que estão a sua volta. Enquanto a criança encontra-se constituindo seu espaço, seu eu luta para não ser aniquilado por esse outro, ao qual está alienado. A agressividade passa a ser decorrente desse momento de constituição da unidade da imagem corporal.

Na educação infantil, as crianças se encontram em um período de constituição do seu eu. Nessa faixa etária, apesar de já terem sido inscritas na cultura, após o corte, já mencionado, exercido pela função paterna, é com o complexo de Édipo que passam a internalizar as leis da vida em sociedade. A educação infantil também contribuiria no exercício dessa função paterna, sendo uma medida, na vida da criança, voltada à socialização do pequeno ser humano.

A retomada de autores clássicos ligados à educação de crianças foi interessante para compreender o nascimento da educação infantil. Destacamos Rousseau, pela sua ênfase aos cuidados e à assistência dos adultos em relação às crianças. Esse autor considera tais cuidados como essenciais para o desenvolvimento adequado do bom selvagem, visando à formação de um bom cidadão. Como selvagens, as crianças estariam intimamente relacionadas à natureza

e, portanto, teriam uma pureza inata. Essa concepção de criança deixa suas marcas, inclusive na atualidade, pois a concepção de natureza infantil ainda permanece em muitas manifestações do discurso de professores. A partir dessas leituras, supomos que esse pensamento possa trazer alguma dificuldade para os educadores conceberem a agressividade como parte da vida infantil, pois a infância seria relativa ao natural e à docilidade.

Há outros discursos que constituem a educação infantil, como as teorias do desenvolvimento e as leis desenvolvidas para regularizar e padronizar essa área do ensino. Estando entre o “cuidar e o educar” a escola tem um papel de auxiliar ou de viabilizar grande parte do processo de civilização do ser humano, construindo uma forma específica de ser humano, de ser criança.

A criança da atualidade nem sempre se apresenta correspondendo aos antigos ideais historicamente construídos. Elas participam do mundo dos adultos, não mais sendo puras como eram descritas anteriormente, indicando que não há uma única forma de ser criança. Vários discursos se inter-relacionam, entrelaçam-se e vão definindo particularidades de acordo com o seu tempo, com a sua realidade. A visão que se tem de criança também influencia o modo como a agressividade infantil é concebida.

As leituras psicanalíticas acerca da educação indicam um outro olhar sobre o sujeito da infância O sujeito apresentado pela psicanálise difere muito daquele que constitui o ideal pedagógico, pois ele não é completo, não tem o total autocontrole, não é estritamente racional. O processo educativo não é algo totalmente lógico e exato, havendo limitações que são impostas pelos processos inconscientes, tanto do lado do aluno como do professor. Dessa forma, concluímos que há limites na intervenção dos adultos em relação à educação das crianças. Essas limitações vieram à tona nos encontros com as professoras de Educação Infantil.

Sobre a visão que se tem de agressividade e, concomitantemente, de criança, a partir da falas das professoras nos grupos focais, podemos dizer que não foram opiniões unânimes, pois se evidenciaram divergências de idéias entre as educadoras, o que indica que o discurso pedagógico não é tão homogêneo, mas formado por uma variedade de discursos sobrepostos e interligados. Além disso, o senso comum, a partir das experiências de vida das professoras, corroborou suas definições.

A concepção de que a criança é pura por natureza, passível de ser corrompida pelas influências do meio, é cara para as professoras. Com a mesma intensidade, uma das vias apresentadas pela maior parte das educadoras refere-se à influência dos pais, da família, na agressividade das crianças. Em vista desse posicionamento, não se vê possibilidades de implicação por parte das professoras nesse contexto, pois se tudo depende da família, a escola não teria o que fazer em relação a essa problemática. Também foi abordada pelas profissionais a idéia da agressividade ser uma fase do desenvolvimento. Consideram que essa etapa deveria ser superada a partir da evolução e adequação. Haveria um modelo padronizado de desenvolvimento e o papel do professor seria contribuir nesse progresso com a finalidade de atingir o ideal, banindo a agressividade. Outro viés trazido pelas professoras é a agressividade como forma de expressão. Não tendo acesso completo à linguagem, a criança expressar-se-ia a partir de manifestações agressivas, como um modo de defesa.

A tentativa de controle por parte da escola e realizada pelas professoras foi uma das alternativas mais expressas de como lidar com a agressividade. As profissionais da educação infantil demonstram uma preocupação efetiva em relação ao seu papel frente aos seus alunos. Já que não recebem das famílias o apoio que consideram necessário para o pleno desenvolvimento das crianças, acreditam que precisam fazer algo por seus alunos, no caso, visando ao controle da agressividade. Essas medidas se referiram ao uso da literatura, ao conversar com as crianças lhes trazendo exemplos, encaminhando para outros profissionais,

proibindo brincadeiras de conteúdos agressivos e outras buscando interagir mais com seus alunos.

Através dos relatos das professoras, a exclusão seria uma das implicações referentes ao modo como concebem a agressividade, advindas das próprias crianças em relação aos colegas que se manifestam a partir de atitudes agressivas. Outra conseqüência apresentada nos grupos focais se refere ao controle, o qual passa a ser feito a partir de uma formalização, representada pela ritualização das atividades diárias que fazem parte do cotidiano da educação infantil, bem como da normatização: regras e normas atribuídas para as mais simples tarefas realizadas na escola. Contudo, houve também falas de educadoras que procuram interagir de outro modo com seus alunos ditos agressivos, isto é, através do diálogo, do interesse pela realidade de vida da criança, do querer compreender o que há além dessa agressividade manifesta. Aí vemos uma possibilidade de a agressividade ser escutada pelo discurso pedagógico e não apenas ser controlada ou banida.

Compreendemos que a agressividade pode ser entendida como uma mensagem a ser decifrada, como algo a ser escutado pelo outro. A agressividade, possuindo um objeto determinado, está direcionada a algo ou a alguém, ou seja, considera a existência de uma alteridade. Através da teoria psicanalítica, concebemos a agressividade como um movimento do processo de constituição do eu, onde uma formação discursiva encontra-se em organização, estabelecendo um pólo de onde alguém se enuncia.

Quais as conseqüências geradas ao processo educativo pelo fato desse aspecto da agressividade não ser levado em consideração? No âmbito da educação infantil, principalmente, a agressividade estará sempre presente e de forma muito explícita. O eu está se estruturando num determinado laço social. Ao mesmo tempo em que estão sendo definidas suas bordas, depara-se com limitações, imperativos e renúncias que fazem parte da vida em sociedade. Como o homem é um ser social, depende do outro para se constituir, com a

agressividade, também está fazendo um movimento em direção ao outro, demonstrando o quanto a alteridade é necessária para sua estruturação. Se a agressividade é considerada violência, impede-se a possibilidade de ser estabelecido um laço, de manter uma comunicação com seu possível interlocutor. Dessa forma, o professor deixaria de ocupar um lugar de alteridade, permitindo que a mensagem enviada pela criança não fosse recebida.

Portanto, ao chegar ao final dessa pesquisa, formulamos questões que, talvez, possam constituir o cerne de novos trabalhos. O discurso escolar, assim como ele se configura, tem poucas possibilidades de considerar a agressividade decorrente do processo de estruturação do eu. Ainda há uma forte ligação entre os conceitos agressividade e violência, bem como a idéia da pureza infantil. Seriam necessárias mudanças de concepção. Então, tratar-se-ia de uma mudança de discurso? É possível supor uma modificação neste discurso? Se houvesse esta possibilidade, como isto aconteceria? Supondo que, no âmbito da educação infantil, a agressividade fosse entendida como movimento de estruturação do eu e, portanto, de iniciativa e de criatividade, a escola lidaria de outra forma com a agressividade. Ao reconhecer uma diferenciação entre violência e agressividade, pensamos que o foco não estaria mais no controle dessas manifestações, mas no sentido de buscar entendê-las, ou seja, de procurar escutar uma mensagem emitida pela criança, de poder suportar “os ruídos do

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