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PAPERS DISTRIBUTED BUT NOT PRESENTED

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Os camarões de água doce do gênero Macrobrachium Spence Bate, 1868 tem distribuição espacial pan-tropical (DE GRAVE; CAI; ANKER, 2008; VALÊNCIA; CAMPOS, 2007). Das espécies que possuem ampla distribuição geográfica, podemos citar a espécie Macrobrachium jelskii. Aespécie foi descrita, inicialmente, como

Palaemon jelskii por Miers (1877), coletado pelo naturalista Konstanty Jelski em 1965 na localidade-tipo no rio Oyapock (Oiapoque), Guiana Francesa e, encontrado em simpatria com M. amazonicum. Uma ampla gama da literatura defende a distribuição natural de M. jelskii, nas bacias do rio Amazonas e Orinoco (BASTOS; PAIVA, 1959; COLLINS, 2000; HOLTHUIS, 1950, 1966). Porém, algumas literaturas são muito abrangentes quanto à distribuição citando a América do Sul como distribuição natural (COELHO; RAMOS-PORTO, 1985; MAGALHÃES et al., 2005; MELO, 2003; RODRÍGUEZ, 1981).

Muitas espécies congêneres, que apresentam distribuições geográficas extensas na América do Sul, como M. jelskii, demostraram estruturação genética entre clados bacias costeiras e continentais, mas com baixas distâncias gênica entre grupos (CARVALHO; PILEGGI; MANTELATTO, 2013; VERGAMINI; PILEGGI; MANTELATTO, 2011). Todavia, algumas espécies com ampla distribuição geográfica levam ao questionamento sobre a ocorrência natural em algumas áreas, como a espécie M. amazonicum (Heller, 1862), devido as ações governamentais de transferência de espécimes de peixes e crustáceos. Gurgel e Oliveira (1987) afirmam que entre 1933 e 1985 o Departamento de Obras Contra a Seca (DNOCS) introduziu M. amazonicum (Heller, 1862), M. acanthurus (Wiegmann, 1836), M. jelskii e outras 39 espécies de peixes nos açudes, rios e riachos do nordeste brasileiro, para incentivar a atividade de pesca comercial e de subsistência das comunidades do semiárido. Relatam ainda, que ao capturarem as matrizes de M. amazonicum perceberam que foram ineficientes em triar os espécimes de M. jelskii que

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co-habitavam o mesmo habitat, sendo estes introduzidos juntamente com o camarão- canela. No entanto, os mesmos autores afirmaram que os camarões M. jelskii já era nativa das bacias do Nordeste brasileiro. Mas, nenhum estudo prévio ou material referencial é citado, e, portanto, sua ocorrência prévia inconclusiva.

Excetuando-se os indícios de introdução não-natural, as relações evolutivas de organismos de água doce podem ser reflexo de conexões pretéritas entre bacias, por paleo-canais nas regressões do nível do mar durante o Pleistoceno (TURCHETTO- ZOLET et al., 2012), ou aos ajustes neotectônicos (e. g. captura de cabeceiras) (ALBERT; REIS, 2011). Estudos dos crustáceos continentais, no Nordeste brasileiro, podem elucidar se a ocorrência de algumas espécies é natural ou resultado da intervenção antrópica. Com isso, pode-se validar o estado da arte da diversidade das bacias do nordeste brasileiro que representam um vale no conhecimento biológicos e eco-evolutivo. Deste modo, é possível entender os processos que possam ter influenciado a diversidade biológica em uma escala de tempo recente (e. i. composição de comunidades), como uma escala de tempo geológica (i. e. linhagens evolutivas), devido a eminente transposição de águas da bacia do rio São Francisco para as bacias do Nordeste Médio-Oriental: dos rios Jaguaribe, Piranhas-Açu, Apodi-Mossoró e Paraíba do Norte (GRANT et al., 2012; MEADOR, 1992; PITTOCK; MENG; CHAPAGAIN, 2009). Com isso, linhagens isoladas podem ter seu fluxo gênico reestabelecido, (BLANCO et al., 2009; PERES et al., 2012), o que pode resultar na perda de adaptações locais, e, consequente, a perda da diversidade (BELLAFRONTE et al., 2010; GRANT et al., 2012).

Abordagens utilizando dados moleculares tem progredido consideravelmente, e contribuído para a compreensão de processos de dispersão, vicariância e especiação inerentes a diversificação de linhagens evolutivas, possibilitando o desenvolvimento de métodos e técnicas para caracterizar geneticamente os taxa (FREELAND, 2005; TENEVA, 2009). Como marcador molecular mitocondrial (mtDNA), podemos destacar o gene Citocromo Oxidase I (COI), caracterizado pelo amplo polimorfismo intraespecífico, elevada taxa de mutação e herança uniparental, utilizado em diversos estudos, incluindo filogeografia, reconstrução de história demográfica e diversificação (LEITE, 2012).

Apesar da utilização do versátil do gene mitocondrial COI em uma miríade de resoluções filogenéticas e filogeográficas, dados genéticos devem ser manuseados e inspecionados com cuidado, ressaltando presença de pseudogenes no processo de

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amplificação e sequenciamento. Também conhecidos como DNA mitocondrial nuclear (NuMts), estes caracterizam-se por serem cópias não funcionais de sequências mitocondriais incorporadas ao genoma nuclear (BALDO et al., 2011; BENSASSON et al., 2001; KIM; LEE; JU, 2013; LEITE, 2012; LOPEZ et al., 1994).

Esta transferência de genes mitocondriais ao DNA nuclear, em procariontes, pode ocorrer através de transferência direta ou mediada por RNAs (viral) (D'ERRICO; GADALETA; SACCONE, 2004; FRÉZAL; LEBLOIS, 2008; SONG et al., 2008; WILLIAMS; KNOWLTON, 2001). No caso de eucariontes, pode ocorrer durante a reprodução, em que pode haver uma falha na eliminação das mitocôndrias paternas durante a fecundação (i. e. introgressão), havendo a formação do zigoto com mitocôndrias maternas e paternas (HAZKANI-COVO; ZELLER; MARTIN, 2010). Quando transferidos para o núcleo, o gene mitocondrial perde sua função original, e torna-se um pseudogene, passando a acumular mutações (GAZIEV; SHAIKHAEV, 2010; STRUGNELL; LINDGREN, 2007).

Os pseudogenes são difíceis de serem identificados pelas semelhanças estruturais com o gene original, mas podem não ter códon de terminação, íntros ou regiões controle, e assim não traduzem proteínas funcionais (D'ERRICO; GADALETA; SACCONE, 2004; GERSTEIN; ZHENG, 2006). Estes ocorrem em maior frequência em procariotos, originados por erros no processo de transcrição, mas podem ser detectados em vários grupos de eucariotos (ARTHOFER et al., 2010; BENSASSON et al., 2001; DEN TEX et al., 2010; RICHLY; LEISTER, 2004; SUNNUCKS; HALES, 1996; TIMMIS et al., 2004).

A integração de uma cópia de um gene mitocondrial ao genoma nuclear é evidente em mais de 70 espécies de crustáceos, dentre eles decápodes dos gêneros Austinograea Hessler & Martin, 1989 (KIM; LEE; JU, 2013), Cardisoma Latreille in Latreille, Le Peletier, Serville & Guérin, 1828 e Geryon Krøyer, 1837 (SCHUBART, 2009), Cherax Erichson, 1846 (NGUYEN; MURPHY; AUSTIN, 2002), Orconectes Cope, 1872 (SONG et al., 2008), Alpheus Fabricius, 1798 (WILLIAMS; KNOWLTON 2001; WILLIAMS et al., 2001), Lysmata Risso, 1816 (BAEZA; FUENTES, 2013) e Macrobrachium (LIU; CAI; TZENG, 2007). Apesar de apenas um trabalho reportar tal fenômeno, existe uma gama expressiva de estudos filogenéticos e filogeográficos com camarões do gênero

Macrobrachium (GUERRA et al., 2014; MACIEL et al., 2011; PILEGGI;

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MANTELATTO, 2011) que possivelmente tenham se deparado com isto ou não tenham atentado para esta singularidade.

Deste modo, o presente estudo visou entender a estruturação genética, verficou a distribuição geográfica do M. jelskii no Nordeste brasileiro é natural ou foi um evento de introdução por ação antrópica. Além disso, reportou a presença de NuMts e suas implicações aos estudos que utilizem dados moleculares.