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Fernanda Christmann1

Willian Henrique Cândido Moura2

Doutora em Estudos da Tradução pela Universidade Federal de Santa Catarina e em Ciências da Comunicação pela Universidade do Minho. Mestra em Estudos da Tradução também pela Universidade Federal de Santa Catarina (2014) e Bacharel em Secretariado Executivo Trilíngue com habilitação em Português, Inglês e Espanhol pela Universidade Estadual de Maringá (2011). Desenvolve pesquisas na área de tradução, comunicação intercultural, representação cultural, análise crítica do discurso, socio-semiótica visual e estudos de gênero. É pesquisadora do Grupo de Investigação em Gênero, Artes & Estudos Pós-coloniais (GAPS) no Centro de Estudos Humanísticos da Universidade do Minho (CEHUM/UMinho) e bolsista pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) no projeto “Mulheres, artes e ditadura: os casos de Portugal, Brasil e países africanos de Língua Portuguesa”.

Laís, estamos gratos por sua participação nesta entrevista e gostaríamos de saber, primeiramente, como foi sua trajetória acadêmica, até seu ingresso no mestrado e no doutorado na PGET. Qual o motivo que a levou a fazer pós-graduação na área

1 Possui graduação em Administração com Habilitação em Marketing (FACC - 2007), Biblioteconomia (UFSC - 2017), mestrado no Programa de Pós- Graduação em Estudos da Tradução - PGET/UFSC e cursa doutorado Programa de Pós-Graduação em Estudos da Tradução - PGET/UFSC. 2 Mestrando da Pós-Graduação em Estudos da Tradução da Universidade Federal de Santa Catarina (PGET-UFSC). Cursa a Especialização em Tradução Audiovisual de Espanhol da Universidade Estácio de Sá. É graduado em Letras: Português e Espanhol pela Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS). Com bolsa do CNPq, desenvolve pesquisa sobre Tradução Audiovisual, Dublagem, Legendagem e Tabus Linguísticos. É tradutor e revisor de textos.

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dos Estudos da Tradução, uma vez que sua primeira graduação foi em Secretariado Executivo na Universidade Estadual de Maringá?

A matriz curricular do curso de Secretariado Executivo Trilíngue da Universidade Estadual de Maringá inclui, nos quatro anos de curso, disciplinas obrigatórias em Língua Portuguesa e Língua Estrangeira. Isso me permitiu, ao longo de toda a minha formação, ter contato com diferentes tipos de texto em inglês e espanhol (as línguas nas quais decidi me especializar/habilitar).

No último ano de curso, tive disciplinas específicas sobre tradução, com destaque para a tradução técnica, que é aquela mais utilizada no dia a dia de profissionais do secretariado.

A partir desse primeiro contato com a tradução, busquei pesquisar, ler e descobrir mais sobre outras modalidades tradutórias e foi então que me interessei profundamente pela interface tradução e comunicação a partir de textos da mídia, da publicidade, do marketing internacional, entre outros textos multimodais como filmes, games etc.

Para mim, a chave foi compreender que tradução e comunicação estão totalmente relacionadas se quisermos falar de um mercado dinâmico, competitivo e globalizado. Acho que esse insight me fez querer me aprofundar nos Estudos da Tradução.

Em seu doutorado, você realizou Estágio Sanduíche na Universidade do Minho, o que acabou propiciando sua dupla titulação por meio da Cotutela. Poderia descrever a relevância, tanto para sua pesquisa quanto para sua vida pessoal, de ter participado do Sanduíche e da Cotutela em Portugal? Pode nos explicar como ocorreu esse processo?

A importância da experiência está sobretudo na possibilidade de troca e compartilhamento de experiências, dúvidas, metodologias com outros alunos, professores e pesquisadores, não só de Portugal, mas de outras partes da Europa.

79 Os diálogos possíveis a partir da experiência de intercâmbio acadêmico além de enriquecerem as pesquisas, os currículos e as bagagens profissionais, acabam por abrir portas para outras parcerias entre as instituições de ensino, desdobrando uma oportunidade, inicialmente individual, para outros futuros alunos e professores.

Relativamente ao processo, posso dizer que foi bastante burocrático, pois vejo que as instituições de ensino do Brasil e de Portugal têm algumas semelhanças no que diz respeito à burocratização de centralização dos serviços. Além disso os processos devem seguir as normas específicas de cada instituição envolvida, portanto, estas devem ser detalhadamente estudadas.

Sua tese de doutorado teve como objetivo analisar como profissionais de secretariado são culturalmente representados/as no Brasil e na Inglaterra. De que forma estar em Portugal auxiliou em sua pesquisa?

Portugal tem extrema relevância no meu contexto de investigação especialmente pelo conhecimento e especialização da Professora Silvana Mota Ribeiro na área da semiótica social e das análises visuais feministas.

Estar em Portugal em contato direto com a orientadora do exterior me possibilitou discutir e refletir sobre aspectos que talvez me passariam despercebidos durante as análises. Esse contato, as discussões, a participação em eventos com a mesma temática da minha pesquisa, assim como a consulta a referências que não tinha acesso no Brasil, foram fundamentais para a construção da tese.

Logo após obter o título de doutora, você retornou a Portugal para atuar como pesquisadora do Grupo de Investigação em Gênero, Artes & Estudos Pós-coloniais (GAPS) no Centro de Estudos Humanísticos da Universidade do Minho (CEHUM/UMinho). Poderia nos descrever um pouco sobre esse grupo e de que forma a experiência que você adquiriu na PGET contribui com as pesquisas?

80 O GAPS integra os Estudos de Gênero e Estudos Feministas a diferentes áreas científicas, cujas pesquisas se debruçam sobre diferentes práticas de representação e linguagens artísticas num diálogo interdisciplinar, como: Literatura, Artes Visuais, Teatro, Performance e Cinema.

Durante meu percurso na PGET tive algum tipo de contato com essas diferentes áreas. Ainda que nem todas incidissem diretamente em meus objetos e objetivos de estudo, os eventos, congressos, seminários (especialmente os Seminários de Pesquisa em Andamento) permitiram que eu olhasse para essas diferentes áreas através das lentes e da perspectiva (teórica e prática) da tradução.

Considerando que o objetivo da minha tese de doutorado foi observar práticas de representação a partir da interface entre os Estudos da Tradução, da Comunicação e dos Estudos de Gênero, vejo que desenvolvi uma visão inter(e multi)disciplinar que é um ponto-chave para minha atuação no GAPS.

Você também desenvolve pesquisas na Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) no projeto Mulheres, artes e ditadura: os casos de Portugal, Brasil e países africanos de Língua Portuguesa. Nesse âmbito, onde os Estudos da Tradução se encaixam no projeto?

O projeto Mulheres, artes e ditadura: os casos de Portugal, Brasil e países

africanos de Língua Portuguesa é financiado pela Fundação para a Ciência e

a Tecnologia (PTDC/ART-OUT/28051/2017) e incide sobre diferentes áreas para dar visibilidade ao trabalho produzido por mulheres nas artes visuais, literatura, no cinema, documentário, teatro e na performance. Os Estudos da Tradução, como área e disciplina interdisciplinar, podem ser utilizados no estudo de qualquer uma das áreas mencionadas, seja no destaque das obras que foram traduzidas por mulheres nos períodos ditatoriais, seja no destaque aos trabalhos censurados ou na adaptação de obras, nos reflexos desse período ao mercado editorial e nas práticas tradutórias da época, por exemplo.

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Em sua apresentação no VII SEPGET você abordou a Interdisciplinaridade e Internacionalização na Pós-Graduação em Estudos da Tradução. Como você visualiza a internacionalização da PGET e quais ações você sugeriria aos discentes, com o intuito de ampliarem suas participações nesse processo, tendo em vista sua experiência em outro país e o título obtido com a Cotutela?

Vejo que a PGET e a UFSC estão cada vez mais reconhecidas no exterior, sendo citadas como referência de qualidade e excelência no que se refere aos cursos de pós-graduação e das pesquisas realizadas. Isso, consequentemente, demonstra avanços nos processos de internacionalização.

Entretanto, como mencionei em minha apresentação no VII SEPGET, penso que ainda existe a necessidade de maior conhecimento, tanto por parte dos discentes quanto dos órgãos internos das instituições de ensino no Brasil e no exterior, sobre o processo burocrático, as possibilidades e os benefícios da internacionalização.

Penso, então, que o ideal seria um trabalho conjunto entre os pós- graduandos, professores e órgãos internos da universidade para melhor compreensão dos processos e normas, bem como para o estabelecimento de contatos e parcerias com instituições, pesquisadores e profissionais no exterior. Isso geraria benefícios tanto para as IE quanto para os professores e pesquisadores envolvidos.

Para encerrar nossa entrevista, gostaríamos de saber como você descreve a área de Estudos da Tradução no Brasil e em Portugal e de que forma você acredita que ela possa se desenvolver no futuro? Pensa que existem diferenças significativas com relação ao foco das pesquisas nesses dois países? Quais subáreas dos Estudos da Tradução você enxerga como sendo as mais promissoras e por quê?

82 Como mencionei na minha apresentação no VII SEPGET e também já pontuei aqui, vejo que o futuro, não só dos Estudos da Tradução, mas de grande parte das disciplinas e pesquisas acadêmicas, está nas abordagens interdisciplinares, isto é, que promovam diálogo com outras áreas do conhecimento. Nesse ponto, penso que os Estudos da Tradução no Brasil estão numa constante evolução desde a década de 1990. Entretanto, penso que, especialmente agora, há uma demanda, tanto no Brasil quanto em Portugal, por pesquisas e trabalhos que foquem na relação das novas mídias e tecnologias (o que inclui inteligência artificial, tecnologias educacionais e engenharia do conhecimento) ao ensino e às práticas de tradução no mundo moderno. Para mim essas temáticas serão cada vez mais relevantes e promissoras.

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ENTREVISTA COM