• Aucun résultat trouvé

4.2 Algorithme de couplage pour XTOR-K

5.1.2 Adaptation en g´eom´etrie torique

Nos tópicos anteriores apresentamos a economia de Ribeirão Preto e Sertãozinho a partir de suas respectivas balanças comerciais. A diversidade econômica apresentada por Ribeirão Preto, principalmente, seu papel central na gestão do agronegócio, foi defendido nesse trabalho como o principal elemento que justifica a sua qualificação quanto cidade média de limiar superior. Entretanto, gera reflexo em outros setores da economia, como o de comércio e serviços, representados aqui pelos shopping centers.

Segundo Santos (2009), uma das causas do início do período do meio técnico-científico-informacional foi o desenvolvimento de novas formas econômicas, a disseminação de novas formas de consumo pelo território, sejam elas materiais ou imateriais.

[...] amplia-se o consumo no Brasil. A gama de artigos de consumo aumenta enormemente. A expansão do consumo da saúde, da

educação, do lazer, é paralela à do consumo das batedeiras elétricas, televisões, e de tantos outros objetos, do consumo das viagens, das idéias, das informações, do consumo das esperanças, tudo isso buscando uma resposta concentrada, que leva à ampliação do fenômeno da urbanização, sobretudo porque, ao lado do consumo consuntivo, que se esgota em si mesmo, criam-se no mundo agrícola formas novas de consumo produtivo. Quer dizer, a um consumo consuntivo que se amplia, corresponde, também, uma ampliação de consumo produtivo, através dessa incorporação de ciência e informação ao território rural. (SANTOS, 2009, p. 54).

Ao analisarmos, anteriormente, o caso de Sertãozinho e das indústrias de metal-mecânica, também falávamos de consumo. Nesse caso, o consumo produtivo que cria uma demanda heterogênea entre os subespaços:

O consumo produtivo cria uma demanda heterogênea segundo os subespaços. Os equipamentos mercantis tendem a ser diferentes. O consumo produtivo rural não se adapta às cidades, mas, ao contrário, adapta-as. A arquitetura dos diversos subsistemas é, desse modo, diversa. Há, na realidade, superposição dos efeitos do consumo consuntivo e do consumo produtivo, contribuindo para ampliar a escala da urbanização e para aumentar a importância dos centros urbanos, fortalecendo-os, tanto do ponto de vista demográfico quanto do ponto de vista econômico, enquanto a divisão do trabalho entre cidades se torna mais complexa. (SANTOS, 2009, p. 55).

Enquanto que, o consumo consuntivo, que traremos nesse tópico cria uma demanda de heterogênea entre os estratos de renda:

O consumo consuntivo cria uma demanda heterogênea segundo os estratos de renda, mas comparável segundo as mesmas possibilidades de demanda. A arquitetura do sistema urbano tende a se reproduzir; o que varia é a distância entre os núcleos do mesmo nível, que dispõem de equipamentos mercantis compráveis. Essa distância será tanto maior – e a acessibilidade aos bens e serviços tanto menor – quanto maior for a demanda local, tendendo a ser menor a distância entre os núcleos provedores e a acessibilidade, portanto, igualmente maior. (SANTOS, 2009, p. 55).

Assim, para analisarmos a importância do consumo consuntivo no aumento da complexidade das funções urbanas de Ribeirão Preto, selecionamos os

shopping centers pela variedade de opções oferecidas que exercem centralidade

regional.

Os shopping centers são tomados enquanto canais de circulação em que se articulam diferentes escalas geográficas, desde a local à internacional. Nesses espaços de comércio e serviços, percebemos alguns pontos interessantes do comportamento desses setores,

enquanto elementos explicativos das interações espaciais entre as cidades, principalmente da rede regional de influência destas cidades médias. Nesta rede, a localização destes empreendimentos, pelo menos no que se refere ao tamanho e à complexidade de comércios e serviços, são exclusividade das cidades médias, mas parte do sucesso que estes empreendimentos vêm tendo nestas cidades a análise deve ser estendida no âmbito da rede regional. Desde a implantação até as estratégias de vendas leva-se em consideração a rede de influência destas cidades médias. Os shopping centers são um dos conteúdos da centralidade, da influência e da constituição das funções e papéis na escala regional. (CATELAN, 2012, p. 84- 85).

Segundo o site da prefeitura Municipal de Ribeirão Preto,

[...] o município de Ribeirão Preto é tipicamente urbano, suas principais atividades estão centradas no comércio e na prestação de serviços. No entanto, o dinamismo dessas atividades sofre grande influência das atividades produtivas que se desenvolvem ao seu redor. (PREFEITURA MUNICIPAL DE RIBEIRÃO PRETO70, 2013, grifo nosso).

A capacidade de Ribeirão Preto de resposta ao mercado quanto à diversificação do consumo produtivo teve reflexo no consumo consuntivo que gerou uma reorganização da economia e do território com intensas transformações socioespaciais. O principal fator para a consolidação da agroindústria foram os investimentos advindos do Programa Nacional do Álcool (Proálcool), em 1974. Com esses investimentos novas empresas e indústrias se instalaram na região e o reflexo desse dinamismo econômico foi à inversão do capital industrial na multiplicação das áreas de consumo. Segundo Elias (2003, p.190),

Ao levar em conta o alto nível de renda média apresentado pela região, muito superior à do país como um todo, e que o consumo consumptivo varia exatamente de acordo com os estratos de renda da população, o crescimento do setor terciário foi realmente extraordinário nesses últimos 35 anos. Por isso, o desenvolvimento de importantes complexos agroindustriais extremamente dinâmicos, um expressivo crescimento populacional e a existência de uma população de alto poder aquisitivo, embora relativamente pequena perante a população total, acabaram por propiciar o surgimento de inúmeras casas de comércio e de estabelecimentos que oferecem serviços especializados os mais modernos, antes restritos às principais capitais do país. Tudo isso multiplicou e tornou mais complexos os fixos e fluxos na região, determinando nova

70

PREFEITURA MUNICIPAL DE RIBEIRÃO PRETO. Apresenta informações sobre o município. Ribeirão Preto. Disponível em: < Disponível em:<http://www.ribeiraopreto.sp.gov.br>. Acesso: 25/07/2013>. Acesso em: 25 jul. 2013.

configuração espacial, como de resto ainda continuam a fazê-lo atualmente.

Dessa forma, o município passa a se destacar também pela sua diversidade nas novas e modernas formas de consumo, cujo principal signo é o shopping center, templo moderno de consumo (SANTOS, 2012). Entretanto, esse dinamismo econômico foi restrito à parcelas da população; a renda mais elevada ficou concentrada nas mãos dos grandes empresários e é na área onde essa parcela da população reside que ocorre o desenvolvimento de atividades específicas, acentuando as desigualdades e a segmentação socioespacial, gerando uma reorganização de parte da atividade terciária para atender a demanda da população com maior poder aquisitivo, mudando hábitos e costumes e “atendendo aos novos padrões de consumo de massa, a fim de facilitar o processo de monopolização e oligopolização da economia” (ELIAS, 2003, p. 205).

O consumo vem sendo abordado por diferentes áreas do conhecimento, devido a sua relevância para os dias atuais. Na sociologia, Bauman (1998, p. 55/56) considera o consumo como responsável pelo mal-estar da pós- modernidade.

A sedução do mercado é, simultaneamente, a grande igualadora e a grande divisora. Os impulsos sedutores, para serem eficazes, devem ser transmitidos em todas as direções e dirigidos indiscriminadamente a todos aqueles que os ouvirão. No entanto, existem mais daqueles que podem ouvi-los do que daqueles que podem reagir do modo como a mensagem sedutora tinha em mira fazer aparecer. Os que não podem agir em conformidade com os desejos induzidos dessa forma são diariamente regalados com o deslumbrante espetáculo dos que podem fazê-lo. O consumo abundante, é-lhes dito e mostrado, é a marca do sucesso e a estrada que conduz diretamente ao aplauso público e à fama. Eles também aprendem que possuir e consumir determinados objetos, e adotar certos estilos de vida, é a condição necessária para a felicidade, talvez até para a dignidade humana.

Na Geografia, Santos (2012, p. 47-55) afirma que o excesso de consumo deixa o indivíduo vulnerável em seus direitos, tornando-se um consumidor mais-que- perfeito.

A grande perversão do nosso tempo, muito além daquelas que são comumente apontadas como vícios, está no papel que o consumo veio representar na vida coletiva e na formação do caráter dos indivíduos. [...].Vivemos dominados pelo consumo selvagem, indefesos quanto às manipulações de indústrias e de intermediários,

inermes diante das práticas de “obsolescência original”, que enganam fraudulentamente o comprador com a apresentação de produtos deliberadamente destinados a durar muito pouco. Simplesmente não temos, diante de tais abusos, maneira nenhuma de coibi-los.

Atualmente, Ribeirão Preto conta com quatro shopping centers, o Ribeirão Shopping, o Novo Shopping, o Shopping Santa Úrsula e o Iguatemi Shopping. A presença desses empreendimentos aumenta a centralidade do município na escala interurbana e complexifica sua estrutura interna. Apresentaremos, a seguir, a variedade oferecida por esses empreendimentos que causam um aumento das interações espaciais regionais e aumento da complexidade do papel desse município na sua rede urbana. No que tange à complexificação de sua estrutura urbana, não enfrentamos este desafio nesta pesquisa, embora o tema compareça como acessório nesta discussão.

O Ribeirão Shopping71 foi o primeiro a ser construído em Ribeirão Preto,

inaugurado em 1981, ele se encontrava em uma antiga fazenda de cana-de-açúcar e afastado da cidade. A construção desse Shopping Center foi reflexo, segundo ELIAS (2003):

[...] do crescimento populacional que se processa na região de Ribeirão Preto e o alto poder aquisitivo de parte da população, o setor comercial varejista realça-se em crescimento relativo, em comparação ao atacadista que, por sua vez, decorre do desenvolvimento da agroindústria e da expansão das culturas agrícolas modernas. A evolução do consumo de produtos modernos e sofisticados, inerentes às novas formas de produção, distribuição e consumo, evidencia o significativo poder de compra do mercado regional, propiciando a instalação dos centros comerciais associados às formas modernas de distribuição de mercadorias, cujos signos principais são os supermercados e os shopping centers.”

Em 2012, apresentava uma área bruta locável de 48.846 m², área construída de 105.357 m², sete lojas âncoras e 232 lojas satélites. Mas para atingir essas características, foram necessárias várias expansões. Esse shopping chama atenção pelas diversas expansões realizadas, a primeira ocorreu em 1987 e contou com a inauguração do Carrefour, o primeiro hipermercado da região. A segunda expansão, em 1989, trouxe o McDonald’s. Na terceira expansão foi inaugurado um parque de

71 RIBEIRÃO SHOPPING. Apresenta informações sobre o empreendimento. Ribeirão Preto. Disponível em:< http://www.ribeiraoshopping.com.br/>. Acesso em 10 jan. 2015.

diversões interno - Divertlândia e a uma ampliação da praça de alimentação. Em 1997, ocorreu a IV expansão na qual o público pode contar com um cinema da empresa UCI (United Cinemas Internacional) - o Multiplex, que contava com 11 salas.

Anterior à sua quinta expansão, em 2002, houve a implantação de um complexo comercial com a inauguração do Hotel Íbis e em 2005 com o edifício comercial Ribeirão Office Tower. Esses fatores fizeram com que a região ao entorno do shopping center se tornasse atrativa para a implantação de condomínios verticais e horizontais e edifícios de escritórios. Inspirado nessa ampliação econômica da área ocorreu, em 2008, a quinta expansão marcada pela modernidade e mudança de conceito, com uma nova Alameda Gourmet com restaurantes de alto padrão, escadas rolantes (Foto 36) no estacionamento para facilitar o acesso dos frequentadores e a inauguração de grandes lojas como: Zara e Fnac .

Foto 36 - Ribeirão Shopping. Escadas rolantes que ligam o shopping ao