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Une adaptation aux changements climatiques dissimulée dans les documents d’urbanisme

Audrey Dameron 1

B. Une adaptation aux changements climatiques dissimulée dans les documents d’urbanisme

Para definirmos criatividade é necessário termos em consideração múltiplos agentes, bem como, diversos pontos de vista, valores e interesses associados aos dias de hoje e das futuras gerações. A criatividade é um conceito complexo e multidisciplinar. Trata-se da capacidade de, não só encontrar um caminho para a resolução dos problemas emergentes, como também de inventar e produzir novas ideias para fins comerciais e ainda de criar novas oportunidades bastante atrativas e apropriadas aos tempos que correm, assumindo-se como uma característica que contribui para o crescimento de potencial e valor de uma determinada atividade, empresa, sector, sociedade e por aí adiante.

Segundo A. Mateus (2016), a criatividade pode ser definida como a capacidade de construir de uma forma original ou inovadora uma resposta a uma necessidade, apresentando-

se, portanto, como um processo que permite inovar e conceber novos produtos e serviços, através da (re)utilização de recursos endémicos de características infinitamente renováveis quando interligados com o uso da criatividade. A criatividade está relacionada com gestão do uso saudável do conhecimento, bem como, com a capacidade de imaginação e originalidade, tendo como intuito, idealizar novos conceitos, ideias, noções, modelos, estratégias, processos, produtos e serviços que se adaptem às necessidades e desejos emergentes e que solucionem os problemas da atualidade.

Para que a criatividade seja exercida com sucesso, os indivíduos que executam funções de uso criativo devem manter uma interação dinâmica com o contexto ambiental, social, cultural e político da região onde se inserem, estimulando as capacidades e os recursos locais, bem como, gerando novas oportunidades e ainda solucionando obstáculos e ameaças identificados de forma transversal a toda a sociedade. Estes indivíduos, através do uso da criatividade como instrumento central do seu pensamento e dos seus processos, têm a capacidade de criar potencial e valor a qualquer objecto ou matéria em que operem, transformando os problemas em algo rentável, vantajoso e altamente competitivo.

Não existe nenhuma definição esclarecedora que defina criatividade englobando todas as dimensões que esta influencia, nem mesmo se é uma característica humana ou se um processo no qual são utilizadas ideias para gerar novas ideias. Mesmo assim, é possível identificar os seus efeitos, quer nas artes, quer nas ciências ou nas economias devido à crescente manifestação e geração de ideias originais e disruptivas, bem como, o aparecimento de novas formas de interpretar o mundo, seja na forma escrita, visual, auditiva ou tecnológica.

A criatividade é um elemento chave para as indústrias e atividades de uma sociedade e, consequentemente, para a economia de uma região, uma vez que, todos os sectores económicos de uma sociedade, desde as áreas de idealização e produção até às áreas de distribuição e venda de produtos e serviços, dependem da criatividade para se manterem competitivos no mercado atual e futuro com o maior sucesso possível. A criatividade pode ser elucidada como o processo pelo qual os recursos de uma determinada região são (re)criados ou (re)idealizados para algo mais valioso, quer sejam obras de arte, produtos culturais, criações práticas, invenções científicas ou inovações tecnológicas (RICHARDS:2009).

Em conformidade com as conclusões extraídas da Conferência das Nações Unidas sobre o Comércio e Desenvolvimento, a criatividade vem contribuir para o empreendedorismo, para a promoção da inovação, para o aumento da produtividade e para o crescimento do poder económico (UNCTAD:2008), sendo que, as suas práticas e o seu

potencial encontram-se em todas as sociedades e regiões, podendo surgir ou ser aplicada em qualquer lugar do planeta e sobre qualquer campo.

Todos os seres humanos são considerados seres criativos, uma vez que, qualquer indivíduo pode solucionar problemas e criar novas soluções de forma criativa. Assim, a criatividade é considerada um factor intrínseco e fundamental do ser humano que deve ser trabalhado tanto a nível individual, como colectivo, desafiando todas as matérias já conhecidas, testadas e apreendidas, visto que, a criatividade está associada a termos como originalidade, imaginação, inspiração e capacidade de invenção que, quando estimulados, geram ideias essenciais para o desenvolvimento social, político, cultural, ambiental, tecnológico e económico das regiões.

A criatividade tem que ver com o modo de pensar e agir e requer certas posturas e atitudes que se associam fortemente ao pensamento das novas gerações, tais como, curiosidade, abertura, flexibilidade lógica, contestação pelo que já existe, capacidade de reavaliar e repensar “fora da caixa”, ser interdisciplinar, deter aptidões pessoais e interpessoais, não contar nada como garantido, ter a capacidade de fazer ligações autênticas e vantajosas abrindo novas possibilidades, pensar de forma diferente e divergente, arriscar, entre muitas outras.

Com isto, e com o facto da criatividade possuir a capacidade de formular novas ideias e novas soluções de forma transversal a todos os processos, desde a idealização até ao consumo de um produto e/ou serviço novo ou significativamente melhorado face a versões anteriores, pela primeira vez na história, a criatividade, aliada à inovação, assume-se como uma das principais fontes de desenvolvimento económico e factor de sucesso das sociedades e empresas em que atua.

As sociedades mais contemporâneas e que registam maiores níveis de sucesso nos últimos anos têm vindo a implementar e a criar espaços e condições atraentes e altamente inspiradoras para que, os seus cidadãos, bem como, os seus visitantes, tenham a possibilidade para pensar, planear e agir com base no uso da criatividade, solucionando problemas e criando novas oportunidades bastante benéficas e competitivas com maiores níveis de eficácia, tendo como objectivo, desenvolver a economia, gerar riqueza e criar emprego. Segundo o estudo realizado pela IBM, a criatividade é a qualidade mais importante para o sucesso (IBM:2010), chegando mesmo a ser considerada por muitos, como um recurso crucial e uma arma vital para o aparecimento, continuidade e longevidade de qualquer negócio.

Apesar de nem sempre ser necessário utilizar factores criativos para resolver os problemas emergentes, o que importa para as sociedades da atualidade é deter uma elevada percentagem de população com níveis de criatividade vantajosos entre os seus cidadãos devido ao uso da sua lógica de pensamento, assim como devido às suas mentalidades predispostas a reavaliar e a redefinir novos conceitos sempre que necessário. Desta forma, a implementação e a prática de processos associados a estas novas mentalidades, gerados em grande parte através dos lugares e dos espaços criativos, afectam a capacidade de sobrevivência e de adaptação das regiões perante o futuro e ainda contribuem para a atração e retenção da creative class – principais utilizadores da criatividade a nível profissional sendo cruciais para o desenvolvimento da economia de uma região devido à sua elevada capacidade de criatividade e de inovação.

Nas últimas décadas, o peso da economia da maioria das sociedades tem vindo a transitar das atividades agrárias para as atividades de características criativas, cujo conhecimento e a capacidade de imaginar são tidos como factores chave para o sucesso das novas indústrias e atividades criativas. Passamos de uma economia baseada no vulgar e no mono-produto para uma economia transformada pelo design thinking, pelo learn-by-doing, pelo uso da criatividade e da inovação e pela diversificação e personalização nos produtos e serviços, bem como, nas estratégias e processos. Hoje, as regiões e as empresas dão mais importância ao pensamento e às mentalidades criativas, visto que, respondem com maior êxito e eficácia aos problemas emergentes.

A sociedade pós-industrial, a era que estamos a viver neste momento, baseia-se cada vez menos na força muscular dando mais relevância à informação, ao conhecimento, à criatividade e ao poder do uso do cérebro de forma consciente. Estamos perante uma nova era, a era criativa, onde a criatividade é o factor primordial desta nova economia. Pelo mundo fora, os antigos centros industriais, armazéns, estações, fábricas, mercados, quartéis militares, entre outros edifícios abandonados ou devolutos, têm vindo a ser transformados em centros culturais e criativos, funcionando como espaços de incubação, de experiência e de colaboração, atraindo grandes empresas e profissionais criativos – membros da classe criativa.

Deste modo, as regiões devem implementar medidas para usos criativos e inovadores, apoiando a dinamização de centros criativos tanto através do sector público como do privado, com vista, a ampliar as possibilidades oportunidade para solucionar e resolver qualquer problema ou obstáculo através do potencial criativo dos indivíduos, uma vez que, os centros criativos são lugares que possuem todos os requisitos necessários, tanto a nível de hard como

outras oportunidades e benefícios para os territórios, contribuindo para o sucesso e crescimento das mais variadas regiões e empresas existentes no planeta, sendo que, para que a criatividade empenhe todo o potencial de sucesso numa região, a identidade, a tradição, a história, os símbolos, o artesanato e os recursos culturais e naturais do destino devem ser tidos em consideração e trabalhados em prol do seu aumento de valor.

A criatividade é então um método que explora todos recursos endógenos de um território, contribuindo para o seu crescimento e aumento da sua valorização de forma exponencial devido ao grau de autenticidade e exclusividade capitalizado, contribuindo bastante para a economia e desenvolvimento regional. Assim, hoje em dia, as sociedades devem empenhar-se em oferecer condições físicas, sociais, políticas, ambientais, económicas e culturais que satisfaçam os desejos e as necessidades dos melhores criativos e talentosos do mundo, tendo como intuito, atrair, manter e desenvolver pessoas criativas e capital intelectual, uma vez que, são um dos recursos mais críticos para obter sucesso no futuro através do uso da criatividade.

2.1.2 A crescente valorização da inovação no mercado atual e futuro