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Dans le document Paris, le 20 septembre 2013 - n°159/H030 (Page 21-26)

No início do século XX, a opinião pública tinha acesso a informações através do meio de comunicação impresso: o jornal (PROST, 2009). Com o passar das décadas, a tecnologia possibilitou a popularização dos meios audiovisuais como o cinema, o rádio e a televisão. A Igreja tratou de legislar sobre essas novas mídias, demarcando os seus benefícios e também os seus malefícios. Nesse sentido, o jornal Lar Católico, funcionando como porta- voz da Igreja Católica, construiu algumas representações acerca dos conteúdos veiculados tanto pelo cinema quanto pela televisão.

O discurso emanado pelo jornal justificava a viabilidade de uma prática censora, efetuada com o objetivo de evitar que a sociedade se desestruturasse diante do contexto da modernidade. Era preciso orientar os fiéis no sentido de moldarem suas ações a partir de uma perspectiva cristã, construindo a civilização pretendida pela Igreja. Assim, a Igreja

empreendia certa censura, voltando suas forças contra o cinema principalmente, pois entendia que esse meio de comunicação poderia deseducar aos jovens. Mais tarde, a partir das décadas de 70 e 80, a televisão também se constituiu em um alvo de interdição.

Desde a sua invenção, passando pela popularização da arte cinematográfica, a Igreja identificou nas suas produções um discurso que poderia contrariar o seu projeto de família e sexualidade feminina. Os seus poderes eram temidos devido à sedução que exerciam nos espectadores, veiculando imagens, ideais e histórias que entravam facilmente no imaginário do público.

Assim, o clero brasileiro começou a dispensar maiores atenções às produções cinematográficas, que no início do século XX já eram em sua maioria importadas dos Estados Unidos, país que começou a se destacar nesse setor já no período mencionado (RIBAS, 2009). Nas primeiras décadas do século XX, o cinema significava um divertimento e o oferecimento de histórias e narrativas para o público espectador. Mais do que isso, ele oferecia representações da modernidade, instaurando novos hábitos e comportamentos para homens e mulheres, demarcando os seus corpos e instaurando modelos de beleza (RIBAS, 2009).

Dispondo de um caráter eminentemente pedagógico, e, portanto, de forte apelo entre o público, o cinema era temido pelo clero, pois parecia construir as suas próprias representações sobre o comportamento feminino. As mulheres, principais alvos do projeto católico para se inserir na família, deveriam ser advertidas pelo catolicismo acerca dos perigos das películas, principalmente quando eram colocadas em uma situação ambígua em relação ao homem.

Assim, a presença da mulher nos filmes aparece como uma inquietação para a “boa imprensa”. Um artigo sobre o tema tem início se perguntando: “a mulher, coração da família, lâmpada viva do lar, como é tratada pelo cinema?”. Em seguida constata que o tratamento que é dado às mulheres não corresponde a suas vocações divinas, uma vez que a o sentimento maternal é pouco valorizado nessas obras e tampouco a atuação essencial da mulher no âmbito do lar não é enaltecida pela sétima arte.

A mulher raramente aparece como senhora rodeadas por aqueles dons interiores concedidos pela natureza, fazendo-a dona do coração do homem. Pelo contrário, a mulher é avaliada em razão dos seus dotes exteriores, de seus atrativos físicos, de sua capacidade de satisfazer a cobiça do sexo oposto.52

Portanto, o jornal não se satisfazia com os modelos femininos apresentados, que segundo ele colocavam a mulher em um papel desprivilegiado, como um objeto de consumo do homem. Existe uma condenação em relação à representação de uma mulher sexualizada, já que para o catolicismo essa dimensão não deve ser estimulada e valorizada no indivíduo, principalmente no gênero feminino. A representação das mulheres não se coadunava com aquela pretendida pela Igreja, a de esposa e mãe.

Na concepção do jornal, a sociedade deveria ser alertada a respeito da desestruturação que ocorreria caso algo não fosse feito algo para recuperar a imagem feminina ministrada pelo cinema e distribuída para o grande público. Assim, o jornal utiliza-se de um discurso pedagógico53, narrando situações que poderiam acontecer no cotidiano, de modo a se aproximar do leitor, garantindo que a mensagem fosse bem interpretada e interiorizada pelos leitores.

Como exemplo, pode ser citada uma história que tem como contexto a sala de aula, onde um professor indagou quais eram as impressões dos seus alunos sobre o cinema. Assim, um deles definiu o que aprendeu com os filmes que assistiu: “eu no cinema aprendi uma verdade importante, que ninguém nunca havia me ensinado: aprendi que Deus criou a mulher para o prazer do homem e, portanto, eu amando, não creio estar fazendo nenhum mal.”54.

Através dessa história, o jornal pretendia demonstrar que o cinema pode ser prejudicial para crianças e adolescentes, ensinado aquilo que as famílias cristãs não desejavam: o desenvolvimento de uma sexualidade sem entraves. O problema aqui identificado, como já foi dito, não é somente a questão da inferioridade da mulher, pois nas próprias representações femininas desenvolvidas pelo catolicismo ela ocupa esse espaço. Na verdade, a grande inconveniência que aparece no discurso do aluno fictício é o fato da subordinação feminina se desenvolver no campo sexual e não no familiar, apresentando a mulher enquanto um indivíduo que tem a intenção de ser sexualizado para atrair a atenção masculina. O homem estaria no seu direito de se sentir atraído, a mulher é que não deveria seduzir.

Outro aspecto que pode ser abordado através da mencionada história refere-se à função educacional que o cinema exerce para a juventude. O Lar Católico demonstrou uma preocupação com esse fato, pois os filmes que veiculavam representações sociais duvidosas e valores com os quais a doutrina cristã não concordava poderiam ser consumidos pelos mais

53 O discurso pedagógico é aquele no qual o emissor do discurso tem por finalidade ensinar, orientar, sem ensejar

o questionamento. No caso do Lar Católico,percebe-se a estruturação desta modalidade de discurso, com o religioso, de modo a normatizar as condutas de gênero, estabelecidas pela natureza. (ORLANDI, 1987).

jovens, alterando a sua formação. Por isso, nos anos 50 alguns colaborados do jornal defendem que seja implantado um sistema de classificação, para que os pais pudessem controlar aqui que os filhos estavam assistindo. Parecia evidente para eles que

[...] um povo que tolera, impassível e sonolento, semelhante erosão, que não encara de frente a educação da criança e do moço, um povo que suporta sem reação o domínio de tantas agencias de dissolução, como o mau cinema [...] a Censura oficial sobre os nossos filmes é fraca. (CARVALHO, 1954)55.

Esse discurso pode ter sido apropriado de diversas maneiras. No entanto, foi possível encontrar indicativos de que alguns pais se sentiram na obrigação de instrumentalizar melhor os seus filhos para que eles fizessem melhores escolhas acerca dos filmes. A preocupação da relação entre cinema e jovens pode ser identificada a partir de alguns relatos encontrados na coluna Intercâmbio com os Leitores. Assim, um pai pretende se orientar sobre esse tema: “tenho uma filha solteira que se interessa demais pelo cinema. Sabe de algum livro que a orientasse cristamente para saber discernir melhor os valores.”56

A ideia de que o jovem deve fazer bom uso do cinema, selecionando os filmes, permanece na década de 70. Sobre esse tema, o colaborador frequente do jornal Pe. Zezinho (que se dedicava especialmente a tratar da juventude, dando conselhos para melhorar a relação entre as gerações) emitiu a sua opinião. Pe. Zezinho considerou que o cinema era uma arte extraordinária, podendo funcionar como um veículo de educação e uma forma de diversão honrada. No entanto, percebe-se que ela ainda mantinha um discurso de condenação sobre a utilização desse meio de comunicação, que na sua concepção, nunca valorizava o aprimoramento dos jovens, transmitindo para eles um mundo arraigado de ódio e maus costumes: “O cinema, não tenham dúvidas, poderia ser uma escola eficiente. Mas ultimamente as aulas de ódio, sexo sujo e vingança tomaram conta dele.”57.

Um dos primeiros pronunciamentos oficiais emitidos pela Santa Sé remonta ao ano de 1936, quando o Papa Pio XI elaborou a encíclica Vigilanti Cura (PIO XI, 1936). Tal encíclica se destinava a fornecer instrumentos para os bispos orientarem e vigiarem seus fiéis no sentido da inconveniência de determinados filmes. A questão principal a ser verificada seria referente à moral embutida nos filmes. Na encíclica, o papa reconheceu que o cinema

55 CARVALHO, A. B. O povo está provocando sua auto-destruição! Lar Católico, p.4, Juiz de Fora, 14 fev.

1954.

56 INTERCÂMBIO COM OS LEITORES. Lar Católico, Juiz de Fora, p.3, 1 out. 1967.

tinha um poder incrível na modernidade, sendo uma forma de divertimento muito aceita pela população:

Por outro lado, não se encontra hoje meio mais potente do que o cinema para exercer influencia sobre as multidões [...]. O poder do filme está no fato de que ele fala por meio da imagem viva em concreta. Esta é recebida com gosto e sem fadiga pela alma, mesmo que seja rude e primitiva [...] O cinema é na realidade uma lição direta que, para o bem e para o mal, ensina a maioria das pessoas por razões mais concretas que abstratas. (Pio XI apud PUNTEL, 1994, p.37).

Segundo Joana Puntel, o documento termina com o apelo do papa para que os bispos recomendem ao seu povo que evitem ver filmes que ofendam a fé cristã e ainda aconselha sobre a necessidade de se estabelecer parâmetros de classificação para os filmes.

Anos depois dessa encíclica, foi promulgado um novo documento que emitia a opinião da Igreja Católica sobre os meios de comunicação. A Miranda Prorsus de Pio XII (1957) falava sobre o cinema, o rádio e a televisão. Nessa encíclica, o papa atentou para a grandeza dos avanços tecnológicos que envolviam esses meios. Advertiu, porém que os organismos nacionais deveriam trabalhar em consonância com o catolicismo, de modo a orientar o público que acompanhava as obras cinematográficas. O Lar Católico atendeu aos pedidos dos papas e procurou, ao longo da sua existência, criar colunas específicas para classificar, comentar e se preciso condenar a moralidade dos filmes, tentando influir de alguma forma na escolha dos fiéis a esse respeito.

Na década de 50, o jornal tinha uma coluna específica para tratar do cinema, denominada No mundo do Cinema, na qual se questionava os padrões morais das películas produzidas, se descrevia o enredo e se indicavam os melhores filmes, tanto no padrão técnico quanto no moral. Na década de 60, essa coluna específica desapareceu, mas ainda persistiu a preocupação de regular os filmes mais indicados para cada idade, em um espaço dedicado a se discutir os bens de consumo (Figura 6 e Figura 7).

Figura 6. Classificação de filmes elaborada pelo Lar Católico, para melhor advertir as famílias a respeito do conteúdo da produção

Fonte: Lar Católico58

Figura 7. Espaço reservado para recomendações de livros e filmes

Fonte: Lar Católico59, 12 jan. 1964

58 LAR CATÓLICO. Juiz de Fora, p.5, 10 jan. 1954. 59 LAR CATÓLICO. Juiz de Fora, p.4, 12 jan. 1964.

Com o passar do tempo, o jornal perdeu o hábito de classificar e indicar filmes de acordo com a sua moral, passando somente a comentar sobre o enredo dos filmes. Porém, seus colaboradores nunca deixaram de se pronunciar acerca da sétima arte, mencionando sobre a moral sexual contida nas películas, mas também tratando de outros temas. Verifica-se que nos anos 80, com a emergência de ideais dentro da teologia que defendiam a conscientização a respeito das desigualdades sociais como um modo mais eficaz de superá-las (Teologia da Libertação), o Lar Católico abriu espaço para opiniões mais politizadas sobre os filmes.

Assim, no ano de 1982 e com o editorial ainda controlado pelo Verbo Divino, emergiu a ponderação sobre um filme baseado na peça teatral de Geanfrancesco Guarnieri,

Eles não usam Black Tie. A partir do texto, pode-se verificar que uma parcela da Igreja já se

encontrava comprometida com a conscientização do oprimido. O enredo do filme retratava os embates entre os sindicalistas e seus patrões, enfatizando os conflitos que os trabalhadores teriam que enfrentar para manter vivas as suas ideologias. As posições ideológicas, longe de serem criticadas no jornal, foram elogiadas.

O que chama a atenção neste filme de Leon Hirszman é o espírito de luta de seus personagens. É a consciência que eles tem dos seus passos. É o fato de errarem e acertarem . De serem homens lutando por seu próprio destino e liberdade. Embora divergentes em seus pontos de vista, cada um a seu modo, buscavam os caminhos da transformação social, das mudanças necessárias para que todos gozem dos mesmos direitos. 60

A partir dos anos 70, emergiu outro foco de preocupação para a Igreja brasileira no plano dos meios de comunicação: a televisão. A chegada desse meio de comunicação ao Brasil ocorreu cerca de 20 anos antes de o Lar Católico identificá-lo enquanto um problema para o seu projeto de defesa da família e dos bons costumes. Agora não somente o cinema seria um veículo de condução de imagens que poderiam corromper os jovens e família, através dos apelos eróticos, mas também a televisão, no entendimento dos colaboradores e redatores, poderia desempenhar um forte papel nesse sentido.

Em 1950 a televisão foi implantada no Brasil, devido à ação do jornalista e empresário Assis Chateaubriand. De início, o acesso a esse meio de comunicação era dificultado por conta dos elevados preços dos aparelhos transmissores. Mas estratégias foram empreendidas pelo público para facilitar o seu acesso ao aparelho, como por exemplo, assistir

aos programas na casa de vizinhos e amigos. Com o tempo, o televisor se torna um artigo cada vez mais popular, devido ao seu barateamento. Entre as décadas de 60 e 70, a presença da televisão nas casas da classe média cresceu gradualmente (HAMBURGER, 1997), sendo possível até mesmo para os grupos menos favorecidos adquirirem tal produto. Em geral, a televisão é colocada na sala de estar e, entorno dela, a família se reúne para dispor de momentos de lazer e informação.

A partir da década de 70, a indústria de comunicação voltada para a produção televisiva se consolida com o surgimento de novas emissoras e passa a ser uma presença marcante no cotidiano das famílias. Durante a década de 80, o número de aparelhos por domicílio saltou em várias regiões do país, com a permissão de que as redes emitissem sinais abertos para serem captados por antenas parabólicas e satélites (HAMBURGER, 1997).

O Lar Católico, através de um artigo assinado por Aldo Colombo, indicou que a disseminação do aparelho televisivo pela sociedade brasileiro possibilitou que na década de 80 a sua utilização estivesse em pleno vigor. Segundo o colaborador, o dado que mais lhe causava preocupação se referia ao número de horas que o brasileiro dedicava à televisão: a dona de casa gastava 6,7 horas diárias e as crianças em torno de 4 horas. O autor compara esse índice com a quantidade de horas em que o adulto passava nas missas e em convívio com a família, respectivamente uma hora por semana e 15 minutos por semana. Assim, na sua acepção, a televisão roubava o tempo do convívio familiar e religioso para oferecer um divertimento que em nada acrescentaria à formação do telespectador.

A questão da formação do telespectador foi continuamente retomada, sempre desvalorizando a atuação da televisão nesse sentido. Havia um consenso acerca da capacidade de entretimento desse meio de comunicação e do pouco que ela fazia no sentido de promover a cultura e os valores espirituais61.

Na década de 80, os questionamentos sobre os benefícios da televisão recrudescem, pois se acreditava que as mensagens que ela transmitia incitavam ao consumismo, desestimulando a criação de um censo crítico que levaria a uma maior reflexão sobre os verdadeiros valores (os valores cristãos). Os valores cristãos seriam subvertidos pela televisão, quando esta colocava em risco a moral e a representação feminina ideal. A veiculação de imagens dos corpos sexualizados das mulheres em programas de televisão, segundo os colaboradores, colocavam essa mulher enquanto um objeto de consumo62.

61 SCHNEIDER, R. Gosto de Sonhar. Lar Católico, Juiz de Fora, p.9, 10 abr. 1983. 62 BARROS, N. Consciência Crítica. Lar Católico, Juiz de Fora, p.8, 1 maio1983.

A televisão se transformou, tal como afirmavam os colaboradores, em uma grande propagadora de informações que se tornaram acessíveis, gradativamente, a uma porcentagem maior da população. Assim, ela adquiriu status de instância educadora, já que mobilizava assuntos antes ministrados pela escola, família e Igreja. O produto que ela ofereceu de maior consumo foi a telenovela (HAMBURGER, 1997). A telenovela consiste em uma narrativa pautada em aventuras e histórias românticas, que buscam representar o cotidiano das classes médias urbanas das cidades mais desenvolvidas do país. A novela evidenciou os padrões vigentes de sexualidade, interação entre os gêneros e organização familiar, que em dados momentos desagradou alguns segmentos da Igreja.

A televisão, principalmente por meio das novelas, capta, expressa e alimenta as angústias e as ambivalências que caracterizaram essas mudanças, se constituindo em um veículo privilegiado da imaginação nacional, capaz de propiciar a expressão de dramas privados em termos públicos e dramas públicos em termos privados. (HAMBURGER, 1997, p.458).

Até a década de 70, o beijo representou a sexualidade máxima veiculada nas novelas (HAMBURGER, 1997). A partir disso, ocorreram transformações significativas na maneira como as novelas passaram a representar as mulheres, as relações sexuais e familiares.

Flertando com o universo proibido do incesto, do prazer, do sexo antes do casamento, livre de filhos e obrigações legais, da separação como saída para casamentos infelizes, com a legitimidade de segundas uniões, com vida profissional e independência financeira para a mulher, com tecnologias reprodutivas, as novelas foram sucessivamente atualizando representações da mulher, das relações amorosas e da família. (HAMBURGER, 1997, p.472).

Os elementos que caracterizam os folhetins forjaram nossas representações sobre a sexualidade, família e gênero, que demarcavam uma contradição muito evidente em relação ao que determinava a doutrina católica para esses temas. Assim, o Lar Católico, com o apoio dos seus colaboradores, se esmerou em criticar esse tipo de produção televisiva e os discursos que dela emanavam.

A televisão é grande educadora, ou melhor, deseducadora dos nossos tempos [...] Os valores que ela prega não são nada educativos. É a violência, é o erotismo é o consumismo. Nas novelas, praticamente todos os tipos são desajustados. O padre da novela é uma caricatura do verdadeiro padre e a esposa é leviana, infiel. Os adolescentes são revoltados. O casamento dura menos que um vestido, a fidelidade é considerada superada e assim por diante.63 (grifo nosso).

Esse discurso evidenciou o descontentamento da Igreja em relação ao modo como foi representada nas telenovelas, estando presente em um enredo fictício através de um padre caricaturado. A novela foi interpretada como o grande vilão presente nesse meio de comunicação, pois na concepção do jornal, os seus enredos confundiam os valores das pessoas. Existia também uma tentativa de interdição moral sobre o discurso da novela, que apresentava uma mulher contrária ao ideal de feminilidade defendido e mantido pelo catolicismo ainda na década de 80.

Percebe-se a manutenção de um vocabulário típico dos anos 50, “a mulher leviana”, para designar e julgar as condutas femininas. Também transparece uma preocupação com a educação dos jovens, uma vez que a novela foi interpretada como um veículo que divulgava modelos pouco favoráveis para a juventude. A questão das relações matrimoniais é abordada nas novelas de uma maneira diferente da desejada por católicos mais fervorosos, pois os casamentos são desfeitos facilmente na ficção, o que para o autor do artigo, poderia dar uma falsa impressão para a sociedade.

Lamentavelmente na televisão aparece mais aquilo que prejudica do que aquilo que favorece os lares. Os maus exemplos das novelas, dos filmes eróticos, dos programas sensuais e das piadas com duplo sentido, entram pelos olhos, pelos ouvidos e coração. Nunca se apresenta uma família modelar, que, graças a Deus

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