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Courtenay House, London United Kingdom

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movimento evangélico que enfatiza a experiência emocional da conversão como sinônimo de conversão e está presente em várias denominações. Evangélico é o movimento teológico que remonta aos pré- reformadores e enfatiza a volta à Bíblia como única regra de fé e conduta. O movimento evangelical é fruto dos reavivamentos, sendo considerado adversário de liberalismo e modernismo. Pelo visto, o uso do termo "evangélico" deveria a rigor designar apenas os adeptos dessa corrente, que se espalhou através das Alianças e que se caracteriza pelo espírito conservador, mas acabou se estendendo aos que descendem, direta ou indiretamente, da Reforma Protestante. Os desdobramentos do movimento evangélico serviram de base, ao mesmo tempo, para o movimento ecumênico e para o movimento conservador e fundamentalista. No Brasil, depois de uma atribulada trajetória, também o nome "evangélico" tomou-se consagrado para todos os cris­ tãos não-católicos.

40 O protestantismo deve muito de sua expansão ao advento da imprensa, criada no século XV, propiciando a expansão pela Europa das idéias de Lutero através dos seus escritos (Campos, 1997, 248).

trabalho missionário passou a constituir a preocupação precipua das Igrejas, quer direta­ mente, quer por meio de "sociedades interdenominacionais" (BOISSET, 1971, 112).

Os migrantes que aportavam na América do Norte, particularmente nos EUA, leva­ vam, além de um espírito aventureiro, sua experiência religiosa (CAMPOS JÚNIOR, 1995,

13), o que resultou na implantação de luteranos alemães e suecos, reformados alemães e holandeses, anglicanos, presbiterianos, batistas, metodistas e quaeres, entre outros41. Como definiu Weber, tratava-se de “religiões de salvação” (AUBRÉE, 1996, 78), do protestantis­ mo histórico, dirigido mais a indivíduos do que a massas e empenhado na construção de um indivíduo responsável. Desde 1620, partidários do puritanismo na Inglaterra, em função de perseguições empreendidas pela Igreja oficial, já emigravam para a América do Norte (MENDONÇA e VELASQUES, 1990, 13), mas a imigração só se tomou mais sistemática depois de passado o período dos pioneiros (BOISSET, 1971 115).

Em fimção da própria diversidade dessa imigração, o protestantismo americano des­ envolveu uma prodigiosa diversificação denominacional - o denominacionalismo: a denomi­ nação era uma associação voluntária, uma igreja desestabilizada, composta por pessoas que a ela aderiam espontaneamente e de acordo com suas preferências e convicções pessoais, representando um contraponto ao monolitismo e à postura coercitiva da Igreja Anglicana (MENDONÇA, 1984,45 e 46). Cada denominação sugeria que o grupo referido era apenas membro de um grupo maior, identificado por um nome particular, e reconhecia sua respon­ sabilidade pela totalidade da sociedade.

No início do séc. XVIII, a efervescência religiosa e o puritanismo tinham declinado muito nas colônias americanas, para o que certamente pesaram as lutas políticas com a In­ glaterra, que desembocaram na Guerra da Independência, e o avanço do processo de secu- larização, que vinha no bojo do Iluminismo (MENDONÇA, 1984,48 a 51). A essa situação somava-se o caráter elitista das Igrejas, ainda carregadas de um calvinismo ortodoxo, que nutria em sua teologia o princípio da incapacidade humana perante a soberania total de Deus, tomando muito rigorosa a exigência de experiência religiosa para a admissão de seus membros. A demanda por novas formas teológicas e eclesiais abriu caminho para os movi-

41 Zea afirma que, enquanto na Iberoamérica, marcham juntos o colonizador e o evangelizador, na América do Norte, o colonizador é, ao mesmo tempo, pastor (ZEA, 1978, 138-142). Enquanto os missionários católi­ cos, franciscanos e jesuítas incorporam os indígenas quase pela força, mediante batismos massivos, os pas­ tores puritanos não querem saber de indivíduos que não se incorporem livremente a suas igrejas, "que não tivessem sido chamados". O receber ou não o chamado passa a ser o sinal, não da suposta igualdade entre os homens, mas de sua desigualdade. Os índios, surdos ao chamado, eram obstáculos a serem removidos, eram parte da terra que se haveria de explorar (Ver ZEA, 1978).

mentos de avivamento do fervor religioso que foram surgindo em diversos locais, aproxi­ madamente de 1730 a 1770, e que acabaram configurando o primeiro Grande Desperta- mento do protestantismo americano (MENDONÇA, 1984, 49).

Foi nesse período que o metodismo penetrou na América, procurando, ao lado de outros grupos, como os presbiterianos, oferecer aos fiéis o tipo de mensagem que conside­ rava necessário para a propagação da fé (CAMPOS JÚNIOR, 1995, 13). Sua expansão ocorreu na esteira da conquista e colonização do sudoeste dos EUA, pois, ao abolir apara­ tos litúrgicos e formalidades cúlticas, adaptava-se melhor às condições sociais vigentes.

Os metodistas utilizavam-se de pregadores itinerantes, que percorriam os acampa­ mentos (camp meetings) - locais de orações e leituras bíblicas, marcados por grandes ajun­ tamentos de pessoas - e acreditavam na perenidade da promessa de derramamento do Espírito Santo e no aperfeiçoamento por obra da graça divina. Para se chegar à santificação, era necessário muita oração, algo como um dom proveniente de Deus (CAMPOS JUNIOR, 1995, 16), ocorrendo nas reuniões muitas manifestações de êxtase.

Na primeira década do séc. XIX, nova onda avivalista ergueu-se entre as várias de­ nominações, caracterizando o segundo Grande Despertamento de 1858 (MENDONÇA

1984, 51), que alimenta a possibilidade do homem atingir seus objetivos por meio da graça de Deus (CAMPOS JÚNIOR, 1995,19).

Imbuídos da missão divina de levar a fonte da verdade (a Bíblia) a todos os povos que a desconheciam e do sentimento nacional expansionista, os metodistas, batistas e pres­ biterianos estadunidenses empreenderam, no século XIX, missões evangelizadoras, chegan­ do ao Brasil a partir de 1870, posteriormente às dinâmicas de reavivamento. O advento do progresso na sociedade norte-americana indicava, para os membros dos ramos protestantes, a iminência do reino de Deus, colocando como plataforma de pregação dos avivalistas o milenarismo (CAMPOS JÚNIOR, 1995, 19). As empresas missionárias que surgiam nesse momento de expansão do capitalismo mundial orientavam suas atividades pela idéia de que o progresso nacional era resultado das bênçãos de Deus. O período missionário perdurou até a primeira guerra.

O movimento de santidade (holiness) ocorrido nos países de língua inglesa42 na se­ gunda metade do século XIX, sob a influência cultural do Romantismo, veio democratizar o conceito wesleyano de santificação: ao invés da busca demorada, a experiência rápida e

42 Segundo Campos Júnior (CAMPOS JÚNIOR, 1945, 21), o movimento de santificação holiness surgiu nos EUA em meados do séc. XIX.

disponível a todos chamada batismo no Espírito Santo (FRESTON, 1994, 110). Esse mo­ vimento, além de penetrar muitas denominações, produziu uma franja separatista de peque­ nos grupos, fortemente marcados pela expectativa da volta iminente de Cristo (adventismo) e pela centralidade teológica da glossolalia43, entre os quais se foram estruturando os pri­ meiros movimentos pentecostais. Para Mendonça (MENDONÇA e VELASQUES, 1990, 87), os pentecostais foram os verdadeiros herdeiros do reavivamento norte americano, mantendo a ênfase no emocionalismo e a disposição de itinerância evangélica, embora se possa perguntar se sua institucionalização não lhes fez perderem seu caráter de movimento.

O foco mais preciso do movimento pentecostal foi a Escola Bíblica de Topeka (EUA), onde Charles Pahram defendia o falar em línguas como um dos sinais indicativos da santificação, denominada por evangelistas e teólogos do movimento de santificação (holi­ ness) de batismo do Espírito Santo (MENDONÇA e VELASQUES, 1990, 47). Pahram fundou um lar de curas e o colégio bíblico, no qual propôs a seus alunos que buscassem na Bíblia uma evidência para o batismo do Espírito, ao que eles responderam com a glossola­ lia. Mas faltava uma experiência, que veio na passagem de ano de 1901, quando uma aluna de Parham, durante uma vigília em Azuza Street Mission (Los Angeles), falou em outras línguas (CAMPOS JÚNIOR, 1995,22). Era o começo do pentecostalismo.

Em 1906, W. Seymour, pregador negro e aluno de Parham44, da seita holiness, con­ vencido de que a glossolalia sinalizava o batismo do Espírito Santo, passou a promover reuniões sucessivas em Los Angeles, na rua Azuza, freqüentadas predominantemente por negros e pautadas por cânticos alegres e informais e orações simultâneas em voz alta (CAMPOS JÚNIOR, 1995, 23). Para ele, havia três estágios na vida espiritual do pente­ costal: a conversão (Ia bênção), a santificação (2a bênção) e o batismo do Espírito Santo (3a bênção), cujo sinal era o dom de línguas.

Nos dois primeiros anos, foi em tomo desse grupo pentecostal que os brancos inu­ sitadamente se iniciaram na nova experiência (ROLIM, 1985, 69).45 No entanto, os brancos

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Consiste em falar em línguas estranhas. A leitura bíblica literal de "Atos dos Apóstolos" gerou a crença de que o mesmo fenômeno ocorrido com os apóstolos no Dia de Pentecostes - o “batismo de fogo” do Espí­ rito Santo - poderia se repetir entre os fiéis, abrindo-lhes a possibilidade do desenvolvimento de dons caris­ máticos, como cura, profecia, glossolalia e libertação, em função da fé do converso (MACHADO, 1996,45). 44 Segundo Freston (FRESTON, 1994, 110), Parham só permitia que negros ouvissem suas aulas do lado de fora da porta.

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Tanto que, numa dessas reuniões, esteve presente o pastor batista branco W. Durham, que atuava em Chicago, mas acreditava, diferentemente de Seymour, que o batismo do Espírito Santo era uma segunda bênção (CAMPOS JÚNIOR, 1995, 25). Um dos membros de sua igreja - o sueco Daniel Berg - fundaria em Belém do Pará, juntamente com Gunnar Vingren, a Assembléia de Deus.

começaram a se separar dos negros por volta de 1908. Os pentecostais brancos adotaram um linha bem diferente da dos pentecostais negros, enfatizando o batismo do Espírito, com glossolalia, os dons de cura e de falar em línguas estranhas e reduzindo sua experiência ape­ nas ao campo do sagrado (ROLIM, 1985,70 e 71). Os pentecostais negros não dissociavam sua religiosidade das lutas sociais (CAMPOS JÚNIOR, 1995, 23 e 24); acreditavam num Deus implicado na história (ROLIM, 1985, 70), parceiro dos oprimidos.

A partir de 1910, o pentecostalismo, originalmente concebido como uma renovação das igrejas existentes, foi se solidificando em grupos independentes, separados por querelas doutrinárias (FRESTON 1994, 111) e passou a se expandir de forma contínua através de seus muitos missionários. Os brancos que haviam recebido a ordenação na "Igreja de Deus em Cristo" (predominantemente negra) saíram para fundar a Assembléia de Deus, quase exclusivamente branca (FRESTON 1994, 111). O fenômeno glossolálico em si não era a novidade do movimento, mas sim a elaboração doutrinária que lhe dava uma centralidade teológica e litúrgica.

No Brasil, a inserção do protestantismo norte-americano só ocorreu a partir do sé­ culo XIX, em um período marcado pelo liberalismo46 (BOBSIN, 1984, 6), que reivindicava a tolerância religiosa. No plano ideológico e religioso, o catolicismo e a ideologia sustenta­ dora da escravidão sofriam, naquele momento do século XIX, desafios de movimentos reli­ giosos e filosóficos procedentes do exterior (BOBSIN, 1984, 5). A abertura para o mundo anglo-saxão, para o cobiçado surto de modernização e progresso, significava abertura para o universo protestante (MENDONÇA e VELASQUES, 1990, 73).

Embora, até o fim do Império, já se tivessem estabelecido no Brasil todas as grandes denominações protestantes clássicas (anglicanos, luteranos, episcopais - anglicanos norte- americanos -), as distinções entre elas eram de natureza secundária, uma vez que se nivela­ vam pela oposição teológica ao catolicismo (MENDONÇA, 1984, 11 a 22 e MENDONÇA e VELASQUES, 1990, 11 a 59).

O primeiro impulso de ingresso de protestantes no país tinha sido de natureza imi­ gratória e decorrera da abertura dos portos brasileiros ao comércio inglês (1810) e do in­ centivo à imigração européia, particularmente alemã (luteranos), poucos anos depois

46 Os primeiros protestantes norte-americanos que vieram para o Brasil remontavam à Guerra da Secessão,