• Aucun résultat trouvé

Activité « Distribution »

Marché du GPL

IV. Métiers d’Afriquia Gaz

IV.2. Activité « Distribution »

No estudo ainda foi incluída essa variável direcionada especificamente aos funcionários e professores e que também poderia ter sido estendida aos alunos, uma vez que eles naturalmente em suas falas apontavam as suas expectativas e os seus projetos de vida. Curiosamente entre os alunos foi onde se percebeu a maior preocupação destes em dizer o que esperavam do futuro e quais condições a cidade oferecia para esse projeto de vida.

Grande parte dos entrevistados não era da região e não tinha pretensões de ficar por lá depois de formados. Alguns apresentavam declaradamente a intenção de utilizar o vestibular como um ritual de entrada na universidade, para posteriormente buscar a sua colocação no contexto de origem, onde as dificuldades de acesso se mostravam mais acentuadas. Essa

132

tendência também foi notada entre alguns funcionários.

De maneira geral, nessa categoria de análise que investigava as condições locais de desenvolvimento profissional e crescimento pessoal novamente aparece a questão estrutural da cidade como determinante da oferta não satisfatória de possibilidades de educação para os filhos dos funcionários e do acesso precário a serviços de saúde de qualidade. Ao mesmo tempo, os funcionários e professores que se mudaram definitivamente para a cidade, reconhecem a oferta desses serviços, não na mesma proporção e variações que são oferecidos nos grandes centros, mas reconhecem a possibilidade de se criar alternativas para o enfrentamento dessas condições.

(T1) “Infelizmente a cidade em termos de escola, família, ainda está um pouco complicado aqui. Profissionalmente, eu fiz o concurso já pensando em ficar aqui mesmo na cidade e espero que desenvolva partindo do desenvolvimento da cidade, possa fixar família, eu não sei se dependendo do tempo, eu vou querer continuar aqui, se vou fazer outro concurso, por enquanto eu tiver solteiro minha vida profissional vai estar se desenvolvendo e adiantando. A gente apesar de tudo tem algumas facilidades. Em termos de aprendizagem tem algumas facilidades, tem a possibilidade de se capacitar, coisa que em outros cargos públicos não é oferecido. Em termos profissionais, intelectual, qualidade, aqui se oferece uma coisa muito boa nesse sentido.”

(D2) “No momento, eu que vim de uma cidade maior sinto dificuldade com algumas coisas, não tem um cinema, que eu adoro cinema, mas já existe um projeto para revitalização para colocar o cinema para funcionar, o shopping do artesão, já vai ser um ponto turístico para a cidade, hoje meus filhos fazem inglês aqui, achavam que não ia ser possível isso aqui, não temos no nível de qualidade de uma cidade grande, mas temos.”

No contexto da interiorização as cidades possivelmente têm se tornado atrativos interessantes, por oferecer possibilidades de empregos públicos estáveis e possibilidades de aperfeiçoamento, cada vez mais concorridos nos grandes centros. Esta é a maneira como parte dos entrevistados, professores e funcionários têm legitimado a sua experiência de trabalho, como capaz de oferecer a possibilidade de ressignificar a sua carreira, desenvolvendo atividades mais ligadas a comunidade e aproveitando as oportunidades de melhoria não apenas do ponto de vista financeiro, mas como em termos de oportunidades de qualificação.

(D1) “A universidade aqui em Sumé, está me proporcionando um tipo de experiencia que eu não tinha antes de trabalhar diretamente com a comunidade. Claro que eu trabalhava com gente, por que eu trabalhava com alunos, mas em trabalhar em alguma coisa que vai favorecer a comunidade.”

(T3) “O meu projeto de vida é em Campina Grande. Profissionalmente aqui é bastante interessante, é um campus novo, tem bastante coisa que pode ser explorada. Por uma questão logística, a gente ficar aqui gasta bem mais, tem aluguel, transporte, combustivel, alimentação, uma parcela do nosso salário fica aqui em Sumé e a gente tem a nossa vida pessoal em outro lugar que o restante desse salário tem que segurar uma estrutura em outra cidade que você não pode trazer. Então você tem uma vida meio que dupla.”

133

As diferenças culturais também são apontadas como indícios de inadaptação ou até mesmo sofrimento, como a divisão entre vida para o trabalho e vida para as relações afetivas mais próximas (esposa(o), filhos(as), namoradas(os)), ocupando boa parte da vivência social do sujeito, restando pouco tempo e até mesmo poucos recursos provenientes do salário, para a família e para as atividades pessoais, ocasionando uma "vida meio que dupla" (T3).

Uma das entrevistadas, proveniente de outro estado da federação, onde as relações se davam, segundo ela, de maneira mais impessoal, relata inadaptação à forma de estabelecimento de relações típicas dos pequenos lugares, onde há uma relação quase que familiar entre os membros da comunidade, carecendo de referências familiares a fim de se estabelecer uma empatia entre os indivíduos.

(D3) “O transporte é precário, é dificil também comer na rua. Os restaurantes oferecem sempre a mesma comida engordurada em todos os lugares, é muito dificil morar em Sumé. É dificil morar aqui. Muitos problemas: as casas não têm janelas, as casas daqui não têm janelas! A prestação de serviços é muito dificil. Gentileza no atendimento? Essas coisas não tem aqui! Só depois que você conhece as pessoas, aí elas até que amansam. Se você for só num lugar eles não te atendem bem. Você tem que ser de alguém. Fulano de fulano. Senão não te atendem. Quem é você? Tem que ter referencial. Na cidade grande, como eu cresci, morava em São Paulo em todos os lugares, banco, açougue, todo lugar, eu era bem tratada. Não tinha esse personalismo, não tinha isso, não precisava eu ser de ninguém, eu chegava lá, comprava, resolvia minhas coisas”.

A perspectiva se mostra inversa na fala de pessoas da cidade de Sumé que trabalham no campus. Nesse sentido, a experiência de trabalho e as possibilidades futuras de aperfeiçoamento profissional, além do aproveitamento do esforço de formação, são apontados como fatores positivos.

(T2) “De inicio eu to satisfeita sim. Eu passei para a vaga que tem muito a ver com a minha área de formação que é contábeis. Eu estudei isso, eu sou daqui da cidade. O que eu aprendi está sendo aplicado aqui. Pretendo fazer mestrado. Consegui fazer especialização à distância, que futuramente se tiver aqui no campus seria bem melhor.”

De maneira geral, tanto funcionários quanto professores, tendem a destacar como positiva a possibilidade de crescimento profissional, oportunizada pela criação de um campus universitário com uma proposta nova e em um lugar onde a comunidade tende a positivar em alto grau a presença daqueles como colaboradores fundamentais para algo que demandou o engajamento de toda comunidade, desde pessoas comuns, lideranças políticas, movimentos sociais e setores do comércio. Por outra via, a preocupação de parte desses funcionários e também dos alunos é se inserir na esfera do serviço público ou vencer o ritual do vestibular e pleitear a transferência para centros de origem ou lugares onde as suas expectativas de vida sejam melhor contempladas, sendo esse um momento transitório.

134