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Activité antioxydante des polyphénols dans les aliments

II. Espèces réactives oxygénées - Stress oxydant

III.1. Activité antioxydante des polyphénols dans les aliments

Desde 1955, a região e a população de Goiás vivenciaram conflitos e paradoxos com a aproximação da construção de Brasília-DF, frente aos tumultos e dramas que ocorreram com o desdobramento do processo de desapropriação das terras para a construção da futura capital, consolidado pela “Comissão Goiana de Cooperação para a Mudança da Capital da República”.40

Segundo Luiz R. Magalhães:41

A aproximação do cenário e da odisséia da construção de Brasília permite-nos vislumbrar outras narrativas. Outros dramas. Outras tramas reveladoras de graves conflitos. Conflitos que ficaram abafados pelo filtro oficial da história da região e da construção de Brasília.

36 GIDDENS, Anthony. A transformação da Intimidade: sexualidade, amor e erotismo nas

sociedades modernas. São Paulo: Enesp, 1993.

37 ROCHA. Maria José Pereira e BICALHO. Elizabete. Luta e resistência de mulheres em Goiás

(1930 – 1993). Goiânia: Editora UCG, 1999.

38SOUZA, Maria Dalva Borges de Lima Dias de. Violência, poder e autoridade em Goiás. Tese

(Doutorado) – Universidade de Brasília, Distrito Federal. 1999.

39 VASCONCELLOS, Lauro de. Santa Dica: encantamento do mundo ou coisa do povo.

Goiânia: editora da UFG, 1991.

40 DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO - SEÇÃO 1 - 08/01/1953, P. 347. LEI Nº 1.803, DE 5 DE

JANEIRO DE 1953. Criação da Comissão de Localização da Nova Capital.

41 MAGALHÃES, Luiz Ricardo. A terra como lugar (a questão fundiária no Distrito Federal

Diante desse contexto, pude entender que para aqueles que comungavam da perspectiva oficial – políticos e técnicos da Comissão – a terra representava um simples fator de mercado. Porém, em contrapartida, esse fato teve outras representações para as populações tradicionais e comunidades locais dessa região do Planalto Central. De onde é possível destacar que:

A „terra‟ não se reduzia a um simples fator de mercado. (...) a terra apresentava-se como depositária de representações identitárias extremamente complexas com amplos desdobramentos sobre a dinâmica das lentas elaborações culturais da região do Planalto Central.42.

Por certo, tal situação engendrou uma dualidade de valores a partir da criação do território do Distrito Federal, o que pode ter ocasionado uma paulatina negação do status da identidade regional existente anteriormente, vindo a se produzir uma outra concepção de região e de identidade para moradores(as) nativos(as) do Goiás, que segundo esse mesmo autor:

Apresentavam-se como exteriorizações de uma luta de representações entre o que se concebia como moderno e o seu contrário, o arcaico, o tradicional, o outro, enfim. A nova região (o DF), portanto começava a definir-se pela negação do status existente anteriormente. Precisava, para ser aceita, de uma autoridade reconhecida nos dois mundos em confronto para exercer o poder por si”.43

Frente a toda essa conjuntura, pude entender que as pessoas e os grupos locais passaram a ser vistos e a se verem diante de dois movimentos opostos, ou incluíam-se na conquista de um novo status e identidade, a partir do apelo cívico da nova Capital Federal, ou resistiam como sertanejos (as) e verdadeiros (as) “representantes da antiga região, de transmitir às novas gerações os contextos culturais temporariamente banidos”.44 Diante desse

olhar é possível observar que:

42 MAGALHÃES, Luiz Ricardo. A terra como lugar (...) Op. Cit., p.05. 43 Idem, ibidem, p.06.

A própria oposição ao que agora se estabelece como dominante pode favorecer ao reconhecimento da região, pois se apresenta como algo relevante na divisão entre as propriedades objetivas (território, costumes, concepções religiosas, danças, memórias, etc.) e as subjetivas (sentimento de pertença) ou representações que contribuem para a própria divisão. Este é o contexto de uma afirmação legítima.45

Como consequência deste cenário, muitos desdobramentos podem ter contribuído para o aforismo que serviu de base ao comportamento das mulheres que viveram a cultura do silêncio nessa região, o que por certo está associado à carga das restrições a que foram submetidas, com a presença do modelo imputado pelas concepções modernas de gestão dos recursos e do próprio tempo, como analisa Pedro Célio Borges46 e Magalhães.47

Situação que se aplica àquelas que hoje, raramente, desempenham o ofício de parteiras. Por certo, engendrou as formações discursivas que influenciaram a prestação de cuidados e a disponibilidade das parteiras dessa região, a partir dos aspectos vinculados aos padrões culturais, incutidos pela religião, tradição e conservadorismo, que certamente se somam com a dificuldade e ou falta de acesso aos equipamentos públicos de saúde.

Diante dessa percepção cabe registrar que a criação do Conselho Administrativo da RIDE – COARIDE48 teve como finalidade estruturar a ação

pública para os estados de Goiás e Minas Gerais e para seus municípios abrangidos pela nova Capital Federal e superar as consequências produzidas pelo processo de ocupação da região.

Aponta para proposições que torna possível perceber como o processo de ocupação tem provocado desequilíbrios econômicos e sociais

45 MAGALHÃES, Luiz Ricardo. A terra como lugar (...) Op. Cit..

46 BORGES, Pedro Célio Alves. Ruralismo, síndrome de periferia e Estado

– mitos políticos e identidade regional em Goiás. Tese (Doutorado) – Universidade de Brasília, Distrito Federal, 1998, p. 62.

47 MAGALHÃES, Luiz R. A terra como lugar (...) Op.cit., p.13.

48 O COARIDE - Conselho Administrativo da Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito

Federal e Entorno, criado pela Lei Complementar nº 94, de 19 de fevereiro de 1998 e regulamentado pelo Decreto nº 2.710, de 04 de agosto de 1998, alterado pelo Decreto nº 3.445, de 04 de maio de 2000, na estrutura do Ministério da Integração Nacional. Esse conselho é composto por representantes do Governo Federal, do Distrito Federal e dos Estados e Municípios que integram essa região, presidida pelo Ministro de Estado da Integração Nacional.

entre o Distrito Federal e seus municípios vizinhos, que absorveram grande parte do contingente populacional que se deslocou para a região, mas permanecem carentes de infra-estrutura e equipamentos sociais.