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Monika Nalewajek

E- CONSUMERS AGAINST THE RISK OF A FAILEd PuRCHASE

4. Actions taken by e-consumers aiming at the perceived risk limitation

A análise dos dados coletados possibilitou entender a trajetória da Empresa na incorporação da sustentabilidade ambiental e da mentalidade enxuta para os seus canteiros de

obras. Para contextualização e entendimento de como foi realizado esse processo, apresenta-se abaixo brevemente, o histórico de aplicação das duas abordagens pela Empresa A, com os marcos importantes e a fotografia do estado atual.

Os primeiros passos da Empresa A rumo a uma construção mais ambientalmente sustentável foram dados em 2005. Segundo a Coordenadora Lean & Green, neste ano, a construtora implementou o Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos em seus canteiros com a intenção inicialmente de cumprir a Resolução 307/2002 do CONAMA, que versa sobre o assunto. Apesar de já se enxergar à época que essa ação traria benefícios ambientais, o motivo pela incorporação do Plano foi mais voltado para a adequação à normativa. Com essa ação, a Empresa A buscou reorganizar o sistema de deposição de entulho em canteiros de obras e otimizar o processo de destinação final, reciclagem e reaproveitamento do material.

Em 2009, a Empresa A idealizou o programa interno denominado Compromisso Verde. Encabeçado pelo presidente da empresa, o programa, que se mantém até hoje, objetivava plantar uma muda de planta nativa em espaços públicos para cada metro quadrado de terreno adquirido. Esse projeto foi considerado pela Empresa como o marco inicial na incorporação da sustentabilidade ambiental corporativa, e esse foi o momento em que a filosofia green ganhou expressividade antes de chegar aos canteiros de obra.

Em 2010, com a decisão do Diretor Técnico de buscar a certificação LEED Novas Construções para um de seus lançamentos, iniciou-se a implementação mais efetiva de práticas ambientais em canteiros de obras. Para este empreendimento pioneiro buscou-se a certificação LEED Certified (primeiro nível do LEED), Procel Edifica nível A e ainda foi realizado o inventário de emissões de gases carbônicos. Com o fim da obra, quatro anos depois, e com as certificações LEED e Procel alcançadas, iniciou-se o processo de disseminação de boas práticas ambientais para outros canteiros da Empresa. Os resultados positivos do projeto piloto fundamentaram na empresa o interesse em construir de forma mais “verde”, proativamente buscando implementar novas práticas em cada novo projeto com o intuito de diminuir os impactos ambientais.

Atualmente, a Empresa A tem práticas ambientais padronizadas de baixo custo e de fácil manutenção para implementação em todos os seus canteiros. O Manual Green da Empresa,

publicado em 2015, é o documento que reúne essas práticas. Baseado no Manual, apresenta-se algumas dessas práticas no Quadro 7.

Quadro 7 – Empresa A: práticas ambientais aplicadas em canteiros de obras

Práticas ambientais em canteiros de obras

Utilização do manual de compras sustentáveis Reutilização de água não potável

Uso de equipamentos economizadores de água Controle mensal do consumo de água

Priorização de luz e ventilação naturais Utilização de lâmpadas econômicas

Ventiladores e aparelhos de ar-condicionado com selo nível A do Procel Iluminação de ambientes fechados com garrafas pet que captam luz natural Controle mensal do consumo de energia

Controle mensal do controle de combustíveis

Plano de gerenciamento de resíduos de construção conforme Resolução 307/04 Utilização de índice de produção de resíduos sólidos

Coleta seletiva em áreas administrativas Sistema lava-rodas

Sistema lava-bicas

Transporte inbound e outbound apenas por empresas com licenciamento ambiental Proteção contra poeira em suspenção

Fonte: o autor

Além das práticas apresentadas no Quadro 7, algumas outras estratégias ambientais utilizadas são, as já mencionadas, certificação LEED, certificação Procel Edifica, a aderência às resoluções do CONAMA, o inventário de emissão de gases carbônicos, assim como a Certificação Ambiental Fator Verde (certificação concedida pela Prefeitura de Fortaleza para construções sustentáveis) e as recentes aplicações pontuais de análises de ciclo de vida.

Segundo a Coordenadora, esse conjunto de práticas e estratégias ambientais utilizadas e aplicados pela Empresa A relacionam-se com os aspectos ambientais apresentados no Quadro 8 – .

Quadro 8 – Empresa A: aspectos ambientais relacionados às estratégias e práticas ambientais na

Grupos de

aspectos Aspectos ambientais

Estratégias e práticas ambientais na Empresa A Recursos (RE)

Consumo de recursos (inclui perda incorporada e embalagens) X

Consumo e desperdício de água X

Consumo e desperdício de energia X

Incômodos e poluição (IP)

Geração de resíduos perigosos X

Geração de resíduos sólidos X

Emissão de vibração

Emissão de ruídos X

Lançamento de fragmentos X

Emissão de material particulado X

Risco de geração faíscas onde há gases dispersos

Desprendimento de gases, fibras e outros X

Renovação do ar

Manejo de materiais perigosos X

Resíduos (RS)

Perda de materiais por entulho X

Manejo de resíduos X

Destinação de resíduos (inclui descarte de recursos renováveis) X

Manejo e destinação de resíduos perigosos X

Queima de resíduos no canteiro X

Infraestrutura do canteiro de obras (IC) Remoção de edificações X Supressão de vegetação X Risco de desmoronamentos X

Existência de ligações provisórias (exceto águas servidas) Esgotamento de águas servidas

Risco de perfuração de redes

Geração de energia no canteiro X

Existência de construções provisórias X

Impermeabilização de superfícies X

Ocupação da via pública X

Armazenamento de materiais X

Circulação de materiais, equipamentos, máquinas e veículos X Manutenção e limpeza de ferramentas, equipamentos, máquinas e veículos X

Fonte: o autor

Já a história do lean na Empresa A começou em 2004, com um contato inicial em evento setorial. Também com iniciativa puxada pelo Diretor Técnico e apoiado pela diretoria, a implementação iniciou-se com a busca por estabilidade básica da produção por meio da substituição de planejamento baseado na teoria do PMI (Project Management Institute) pelo

planejamento e controle da produção hierarquizado. Incorporou-se a linha de balanço e o Last Planner System nos planejamentos de longo, médio e curto prazo. O resultado foi a maior estabilidade dos processos e a possibilidade de se promover melhorias que se mantivessem com o tempo.

Com a assistência de professores acadêmicos, embasamento em cursos, palestras, artigos científicos, etc., gradualmente, diversas outras ferramentas foram sendo aplicadas nos canteiros de obras da Empresa A. As primeiras delas foram os kanbans de estoque e argamassa, que trouxeram conceitos do sistema puxado de produção para o dia a dia dos canteiros. Em seguida, o andon foi adotado, com intuito de sinalização de paradas e problemas nas frentes de serviços. As sucessivas melhorias de resultados fizeram com que a implementação de outras ferramentas se intensificasse.

O que começou como a aplicação de ferramentas, aos poucos foi se incorporando como filosofia e metodologia de gestão. A busca pela diminuição de desperdícios produtivos foi intimamente relacionada a metas de diminuição de resíduos sólidos, representado pelo indicador centímetros de resíduo por metro quadrado de área construída e utilizado desde a implementação do Plano de Gestão de Resíduos Sólidos. Mais recentemente, como parte da expansão da aplicação de lean por toda a empresa, já existem implementações em áreas administrativas.

Atualmente, a Empresa A possui um variado leque de ferramentas e conceitos aplicados em canteiros de obras. O Quadro 9 apresenta algumas dessas ferramentas que são apresentadas e explicadas no Manual lean e descritas pelos entrevistados.

Quadro 9 – Empresa A: ferramentas enxutas aplicadas em canteiros de obras

Ferramentas enxutas em canteiros de obras

Obeya Room

Linha de balanço para planejamento de longo prazo Retirada de restrições para planejamento de médio prazo Reuniões de planejamento de médio prazo com empreiteiros Percentual de planos completos para planejamento de curto prazo Identificação de causas de problemas para curto prazo

Sinalização de estoques mínimos com kanbans para matéria prima

Pedidos de produção de argamassa com kanbans e quadro de gerenciamento Pedidos de entrega de materiais com kanbans

Quadro 9 – Empresa A: ferramentas enxutas aplicadas em canteiros de obras (cont.)

Ferramentas enxutas em canteiros de obras

Andon e formulário de causas de paradas Poke-yokes

Projeto de layout de canteiro

Planejamentos semanal de fluxo de materiais Programação de uso de equipamentos

Demarcação e sinalização de locais de trânsito de pessoas e materiais Transporte de materiais realizada por pallets

Melhorias pontuais por meio de kaizens Relatórios A3

Análise de causa raiz de problemas 5S

Fonte: o autor