The long road to recovery
Goal 6: Actions are Based on Appropriate Evidence, Outcomes Are Measured and Research is Advanced
Problemas de localização cujas variáveis de decisão incluem o tamanho de instalações são ditos problemas de localização capacitados e podem ser vistos como problemas de expansão de capacidade (Luss, 1982). No planejamento de capacidade de fábricas, a localização é em geral uma variável importante. Se a produção é destinada para outros locais distantes da fábrica, haverá um custo de transporte. O problema é determinar a localização ótima, o tamanho ótimo da expansão e o momento ótimo para expandir de forma a minimizar os custos de investimento e transporte. Segundo Dias e Captivo (2001), um problema de localização dinâmico capacitado é basicamente um problema de expansão de capacidade na medida em que busca identificar a localização de instalações ao longo de períodos de tempo, aumentando a capacidade disponível total a fim de atender a uma demanda crescente. Manne (1967), Erlenkotter (1967) e Freidenfelds (1981) são alguns exemplos de estudos de expansão de capacidade com múltiplas localidades, considerando o horizonte de planejamento infinito. Rao e Rutenberg (1977) e Fong e Srinivasan (1986), consideraram em seus estudos um horizonte de tempo finito. O modelo de Dias e Captivo (2001) considera a localização de novas instalações e expansões de instalações já existentes.
Com o rápido desenvolvimento tecnológico e a globalização dos mercados, decisões de investimentos passaram a ser consideradas em um contexto de alta incerteza e intensa competitividade. Novas correntes da literatura que abarcam tais fatores em seus arcabouços teóricos passam a ser utilizadas na modelagem de problemas de expansão de capacidade de produção, conforme será visto nas seções seguintes. 2.1.5. Teoria de opções reais
Normalmente decisões de investimentos em capacidade são realizadas diante de grandes incertezas e condições de irreversibilidade. Se o investimento não afetar outros projetos ou a demanda de mercado, a teoria de opções reais pode ser aplicada diretamente para determinar o tempo ótimo de investimento.
Na teoria de investimentos irreversíveis (Dixit e Pindyck, 1994), a opção de investimento é análoga à opção americana de compra de uma ação na bolsa de valores, na qual o ativo fundamental da opção real é o valor presente do investimento e o preço da opção é igual ao custo irreversível do investimento. Portanto, a opção real tem as mesmas
propriedades de uma opção financeira e a estratégia ótima é selecionar o momento e o porte do investimento que maximiza o valor da opção real. Em outras palavras, quando um investimento é irreversível e a demanda é incerta, o ato de investir implica na perda da opção de investir em qualquer momento do futuro. Contudo, o mais conhecido resultado desta emergente literatura é a invalidação da regra de análise de investimento do valor presente. Esta regra afirma que todo investimento é atrativo se o valor presente do seu fluxo de caixa é não negativo. Se existe uma incerteza quanto ao valor futuro de um ativo, existirá, em contrapartida, um custo de oportunidade de investir hoje neste ativo. Este custo refere- se ao que se chama de “opção de esperar”. Assim, a regra de decisão é investir quando o valor do investimento excede o custo de sua realização por um valor potencialmente grande. A analogia à teoria de opções de mercados financeiros é, portanto, direta. Por isso, esta abordagem passa a ser chamada de teoria de opções reais, por se tratar de opções de ativos reais. O nome opções reais foi cunhado por Myers (1977).
A partir de meados da década de 80 e inicio da década de 90, o conceito de irreversibilidade combinado com a incerteza começa a ser introduzido aos modelos de expansão de capacidade com os trabalhos de McDonald e Siegel (1985), McDonald e Siegel (1986), Pindyck (1988), Dixit (1989), Pindyck (1991) e Dixit (1991).
McDonald e Siegel (1986) e Pindyck (1988) estão entre os primeiros estudos a utilizar o arcabouço conceitual do método dos ativos
contingentes (“contigent claims”)1 para determinar o valor da opção de
postergar um investimento irreversível em face da incerteza. McDonald e Siegel (1986) mostraram que mesmo com níveis moderados de incerteza, o custo de oportunidade de investir, ou seja, o valor da opção de esperar pode ser alto e regras de investimento que ignoram tal valor podem conduzir a decisões grosseiramente erradas. Pindyck (1988) estende o modelo de Mcdonald e Siegel analisando a opção de investir em capacidade irreversível, assumindo que é endógena ao modelo, diante de uma incerteza no preço do produto. O autor mostra que embora a margem esperada do capital cresça com a incerteza, o aumento da incerteza faz crescer o valor da opção de esperar em uma proporção ainda maior, de modo que o efeito líquido resultante é um nível de
1 Método dos Ativos Contingentes é um método para avaliação de opções reais que se baseia na construção de uma carteira de ativos financeiros, neutra ao risco, que replica o valor do ativo real. Ver Dixit e Pindyck (1994) para um maior detalhamento do método.
capacidade ótimo mais baixo quando comparado a um modelo sem o componente da incerteza.
O arcabouço teórico de opções reais recebeu contribuições de diversos autores, entre eles Trigeorgis e Mason (1987), Dixit (1989), Dixit e Pindyck (1994), Bar-Ilan e Strange (1996), Trigeorgis (1996), Dangl (1999), Novaes e Souza (2005) e Huang (2009). Dixit (1989) considerou decisões relacionadas ao momento de entrada e saída de uma empresa do mercado.
Os livros de Dixit e Pindyck (1994) e Trigeorgis (1996) são importantes referências da literatura de opções reais, assim como, o livro de Hull (2006), que foca na análise de derivativos financeiros, tais como, ações e opções, mas não trata de ativos reais. O livro de Copeland e Antikarov (2001) trata especificamente de problemas de opções reais usando árvores de decisão.
Modelos de expansão de capacidade combinados com a teoria de opções reais se proliferaram a partir de então e seus benefícios tem sido reconhecidos por pesquisadores não só do ramo financeiro, mas também têm feito muitos adeptos nas áreas de pesquisa operacional e engenharia econômica. Segundo Wu et al. (2005) a teoria de opções reais é particularmente relevante para o planejamento da capacidade porque combina incerteza com decisões gerenciais e oferece uma visão dinâmica das decisões de operação e de investimento da empresa.
São encontradas na literatura várias aplicações em indústrias de capital intensivo, tais como no setor de geração e distribuição de energia, entre os quais destacam-se, Gardner e Rogers (1999), Oren (2001), Grenadier (2002), Murto e Keppo (2002), Aguerrevere (2003), Keppo e Lu (2003), Muroaka e Oyama (2004), Madlener et al. (2005), Hlouskova et al. (2005), Greening et al. (2007), Yang et al. (2008) e Siddiqui e Maribu (2009), e na área de infraestrutura Garvin (2005).
Em um estudo detalhado sobre regulamentação de segmentos de infraestrutura, Guthrie (2006) destaca a relevância da teoria moderna de investimentos, colocando a irreversibilidade do investimento no centro de sua análise, que inclui também outras características do comportamento de uma empresa monopolista em um ambiente regulamentado.
Birge (2000)afirma que na medida em que decisões operacionais tenham um objetivo de maximização (ou minimização), a teoria de opções reais pode ser utilizada para avaliar as decisões de risco. Fazendo a conexão entre o efeito da expansão de capacidade em uma empresa e o preço de uma opção de compra, o autor mostra que riscos podem ser incorporados em modelos de planejamentos através de ajustes de
capacidade. No estudo, é apresentado um modelo que integra formas de riscos financeiros em um problema de investimento em capacidade linear.
Em geral, a teoria de opções reais pode ser utilizada em uma grande variedade de aplicações que envolvem decisões operacionais.
A opção real pode ser de expandir capacidade, postergar capacidade (Pindyck, 1988), abandonar um projeto (Myers e Majd, 1990), parar temporariamente a produção (McDonald e Siegel, 1985), ou transferir à produção em uma cadeia de suprimentos diante de riscos inerentes a dinâmica do mercado internacional, ou seja, taxa de câmbio, custos locais de produção, preços e demanda local, etc., tal como apresentados em Kogut e Kulatilaka (1994) e Cohen e Huchzermeier (1998).
Dangl (1999) estende a teoria de opções reais apresentada em Dixit e Pindyck (1994) desenvolvendo um modelo que determina simultaneamente o tempo ótimo de investimento e o nível ótimo de capacidade. No referido modelo, o projeto de expansão uma vez instalado não se permite expansões. Resultados numéricos do estudo indicam, ao contrário de resultados de modelos com investimentos incrementais (Pindyck, 1998), que a capacidade ótima instalada aumenta significativamente com a incerteza e isto traz como consequência a postergação de investimentos até níveis mais altos da demanda. Nos modelos com investimentos incrementais (Pindyck, 1988), por outro lado, a estratégia de investimento é contrária. Nestes modelos, a incerteza reduz a quantidade ótima de capacidade instalada. A tendência de super dimensionar um projeto considerado no modelo de Dangl (1999) pode ser interpretada como um efeito de decisões do tipo “uma vez e para sempre”.
Segundo Wu et al. (2005), existe uma crescente integração entre a teoria de opções reais e a literatura de gestão da operação, especialmente na indústria de alta tecnologia. Nos últimos anos empresas de alta tecnologia estão aplicando a teoria de opções reais para definir suas estratégias de investimentos e operações, ou seja, para determinar o momento e o porte dos ajustes de capacidade.