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6  Entreprise-projet de simulation

6.1  Les acteurs d'un projet de simulation

Os diários reflexivos de leitura representaram, sem dúvida, um importante e valioso instrumento de coleta de dados. Os sujeitos da pesquisa-ação que desenvolvemos foram muito participativos durante as ações de letramento literário, gerando uma vasta gama de material gravado e de transcrições das falas realizadas ao longo das interpretações das histórias contadas, totalizando mais de cinco horas de gravação.

Diante da quantidade e extensão do material coletado, fizemos um recorte daquilo que foi mais representativo para essa pesquisa, entre falas dos alunos e seus textos escritos. Entre os textos escritos, selecionamos três exemplos, cuja autoria foi dos sujeitos A6, A9 e A25. Quanto ao material oralizado, serão mencionadas as falas proferidas pelos sujeitos A9, A11 e A16, também no total de três inserções.

No primeiro encontro, muitos alunos manifestaram a surpresa por ver como os africanos agiam em coletividade, mas uma fala proferida após a leitura da história

O

baobá e eu

, em especial, surpreendeu pela representação exótica que os alunos normalmente têm da África. Ao ser perguntado sobre o que havia aprendido com aquela história, o sujeito de pesquisa A11 disse a seguinte frase: “Eu achava que o baobá era só um mito do Pequeno Príncipe”. A fala demonstrou, claramente, o desconhecimento dos alunos sobre a realidade africana, comprovado ainda pelos sujeitos que também disseram não saber que a árvore de fato existia. A história lida desmistificou a ideia de que o baobá seria apenas uma invenção, e os alunos perceberam que seu caráter sagrado é muito respeitado pelos africanos, ao longo das gerações.

No segundo encontro, em que foram produzidos diários escritos, foi possível perceber como se deu o diálogo dos sujeitos leitores com o texto literário. As histórias lidas foram, respectivamente,

A pele nova da mulher velha

, de Daniel Munduruku, e

O

homem que carrega a morte nas costas

, de Júlio Emílio Braz. Três dos diários representam bem como as histórias lidas mexeram no imaginário dos estudantes. Mantivemos a escrita fidedigna dos textos, inclusive com desvios gramaticais. Vamos aos exemplos:

Diário reflexivo - Sujeito A6

O primeiro texto foi bom, mas o segundo é bem mais interessante. O primeiro não

chamou minha atenção, as pessoas ficavam desprezando a senhora, costumamos ver

pessoas respeitando os mais velhos. Já o segundo gostei, pois todos riram do irmão da

noiva e no final perceberam que ele estava certo, se ele tivesse deixado de lado que o

marido de sua irmã tinha duas bocas, ela teria sida devorada.

Os dois títulos despertaram minha vontade de ler. Na primeira história, eu

mudaria o final, pois não gosto de ficar solitária. E no segundo eu não mudaria nada.

Diário reflexivo - Sujeito A9

Quando ouvi o título “A pele nova da mulher velha ” pensei que ela tinha o

espírito ou a mente jovens, apesar de seu físico envelhecido. Fiquei surpresa ao ver que

as “peles” tanto nova, quanto velha, na história, eram como uma roupa. Pessoalmente,

não gostei da história, mas a achei bem interessante. Pelo fato de que as pessoas da tribo

não gostavam dela só por ela ser velha, ainda que deviam existir outros idosos na aldeia

e por ela voltar a ser velha. Por outro lado, achei interessante pelo fato de que ela

conseguiu (ainda que por pouco tempo) o que queria e o título atravessa ou supera as

expectativas. Se eu fosse modificar a história eu faria que ela continuasse a ser jovem e

voltaria a ser feliz.

Já com o título “O homem que carregava a morte nas costas ”, eu achei que ele

carregava a morte de uma pessoa próxima, como que culpado. Achei de certa forma

horrível ele literalmente carregar a morte nas costas, ou seja, por trás do homem havia

um demônio, a morte. Não gostei do conto por causa do final trágico e por me lembrar

uma outra história que me trouxe pesadelos.

Gostei da aula e para mim foi o conhecer de uma nova história.

D iá rio re fle x iv o - S u jeito A 25

As histórias são curtas, porém muito interessantes, ao ler o título, tive uma idéia

totalmente diferente do que realmente se tratava, ao ler o título, imaginei algo voltado

aos sentimentos das pessoas e não às suas aparências.

No primeiro texto, vale destacar, a diferente forma de acreditar e respeitar

pessoas novas e velhas. No segundo, o termo “a morte nas costas ”, se refere a segunda

boca do homem, capaz de causar a morte.

As histórias são diferentes do que eu pensei ao ler o título, porém, foram ainda

mais legais do que eu esperava, sem contar que ao prestarmos bastante atenção, a

finalidade são moralizantes.

É p o ssív e l p e rc e b e r, p o r m e io d a le itu ra d o s d iário s, c o m o os su je ito s d ia lo g a ra m co m as h istó ria s d e m a n e ira s d istin ta s. C a d a u m fe z a sso c ia ç õ e s co m d ife re n te s id e ia s ou situ a ç õ es p a rtic u la re s, c o lo c a n d o -se n o lu g a r d as p e rso n a g e n s. N o te x to d o su je ito A 6, p o r e x e m p lo , h á o d e sejo d e m u d a r o fin al d a h istó ria p a ra q u e a v e lh a n ã o fic a sse so zin h a, sen d o q u e e ssa é u m a situ a ç ã o d a q u al o su je ito d e p e sq u isa a firm a ta m b é m n ã o g o star. É co m o m e n c io n a R ild o C o sso n (2 0 1 2 ), ao d e fe n d e r q u e n o te x to lite rá rio p o d e m o s ser o u tro s, o u v iv e r c o m o o u tro s, sem d e ix a rm o s d e ser n ó s m esm o s. J á n o d iário d o su jeito A 9 o c o n to lid o le m b ro u u m a situ a ç ão d e sa g ra d á v e l d e u m p e sa d e lo , le v a n d o o le ito r a n ã o g o sta r d a h istó ria , a o c o n trá rio d o su je ito A 2 5 , q u e se su rp re e n d e u ao e n c o n tra r h istó ria s m a is “ le g a is” d o q u e esp erav a. Isso e x p re ssa c o m o o a to d a le itu ra c o m u n ic a -se co m o in d iv íd u o em in stâ n c ia s m a is p ro fu n d a s d o q u e se p o d e su p o r e q u e os d iário s re fle x iv o s re v e la m fa c e ta s im p o rta n te s a re sp e ito de c o m o p o d e h a v e r e ssa c o m u n ic aç ã o .

J á as fala s d o s su je ito s A 1 6 e A 1 9 fo ra m p ro fe rid a s n o te rc e iro e n c o n tro , a o fin al d a le itu ra d as h istó ria s Depois do dilúvio, d e D a n ie l M u n d u ru k u , e Aguemon, d e C a ro lin a C u n h a. E ssa s h istó ria s fo ra m m u ito v á lid a s p o r co lo car, d e u m a fo rm a le v e e sem p resc riç õ e s, q u e stõ e s q u e e n v o lv ia m d ife re n te s c o n c e p ç õ e s relig io sa s. S o b re e sse asp ecto , os a lu n o s p e rc e b e ra m o fa to d e h a v e r, e n tre os a fric a n o s e in d íg e n a s, d ife re n te s d iv in d a d e s lig a d a s à n a tu re z a e a n im a is co m c a ra c te rístic a s d iv in as. P o r m a is q u e isso p a re c e sse e stra n h o à c o sm o v isã o d o s alu n o s, eles re la ta ra m q u e o re sp e ito às d ife re n te s re lig iõ e s e p o n to s d e v ista d e v e se r p rio riz a d o . A s fa la s tra n sc rita s a se g u ir d e m o n stra m isso : “ ca d a u m te m u m a h istó ria e n ã o sig n ific a q u e e stá e rra d o , os m ito s fo ra m in te re ssa n te s p a ra m o stra r isso (1 6 )” e “ a p re n d i q u e os a fric a n o s e in d íg e n a s tê m v á rio s d eu ses, e d iv erso s p o v o s re tra ta m d e fo rm a s d ife re n te s a m e s m a h istó ria (A 9 )” . E ssa s fa la s fo ra m cap az e s d e m o stra r q u e a p ro p o sta d e in te rv e n ç ã o fez co m q u e os a lu n o s re v isse m p re c o n c e ito s so b re as c u ltu ras a fric a n a e in d íg e n a , o q u e e ra u m d o s o b je tiv o s d e ste tra b a lh o , m o stra n d o q u e a in te rv e n ç ã o su rtiu o e fe ito e sp e ra d o n e sse sen tid o .

A d e m a is, a a n á lise d o q u e stio n á rio fin al a p re se n ta o u tro s d e ta lh e s so b re o re su lta d o d as a ç õ e s d e le tra m e n to lite rá rio p ro p o sta s.