O assentamento dispõe, de uma infra-estrutura na escola, com um prédio, o qual tem divisão interna em que funcionam apenas uma sala de aula e um pequeno cômodo, que funciona como cantina. Nessa escola, há um banheiro. A casa tem uma grande varanda que serve como área de lazer para a criançada. A demanda da educação infantil e da 1a fase do Ensino Fundamental é mantida pela prefeitura de Patos, a que fornece material escolar, merenda e o salário dos educadores. As aulas funcionam nos três turnos, em turmas multiploseriadas, que se dividem em uma de Alfabetização e 1ª ano da fase de Ensino Fundamental, outra do 2º ao 4º ano do Ensino Fundamental e uma turma de jovens e adultos que funcionou no turno da noite, através do programa de Alfabetização Solidária MEC-MST, até 2005.
As duas professoras e o professor de EJA são do próprio assentamento; moram ali desde o início da luta; uma delas, no momento da pesquisa, estava trabalhando a serviço da comunidade e havia sido classificada no concurso para professor, mas não fora chamada para assumir como efetiva, pois, no governo passado, havia sido contratada como professora temporária. No entanto, com a mudança de prefeito, esperava receber dois meses de salário atrasado e ser recontratada como professora temporária; estava com uma filha de dois meses e não parou de trabalhar. Veja-se a seguir a figura:
Os planejamentos foram feitos com o coordenador do setor de educação, que afirmou ter realizado mais ou menos sete, contando com os encontros do movimento, que são feitos por setor, e as/os professoras/os participam .
Os temas a serem discutidos na escola partem dos problemas ambientais percebidos pelas/os assentadas e assentados, que participam de planejamento em Patos, e pela Secretaria de Educação, os quais não recebiam nesse órgão formação para trabalhar com EA, segundo resposta a essa questão, do secretário adjunto de educação Osman Batista dessa cidade, em entrevista gravada no dia primeiro de março de 2005.
Não temos conhecimento nem que haja nos treinamentos ou mais capacitação que queiram dar recursos, nem existe de nenhuma espécie para a EA. Eu posso até lhe afirmar com sinceridade. Até acredito que a leitura é pouca nesse contexto.
Ele fez uma análise da EA, na região de Patos, e nas áreas do sertão e constatou, pouco ou nada ter sido discutido com relação a essa problemática. A partir desta pesquisa, há uma preocupação em se trabalhar essa temática:
Eu não vejo nenhum avanço nesse contexto na região de Patos; é lamentável dizer isso aí, o que nos temos são alguns professores que talvez tenham tentado, mas na zona rural as coisas também não andam boas, agora eu já posso dizer que há uma preocupação da secretaria neste momento em trabalhar uma metodologia voltada para trabalhar, por exemplo, o campo na questão ambiental.
Percebo que os prefeitos e as secretarias de educação dos municípios, enquanto órgãos responsáveis pela política educacional, pouco têm investido na educação rural. As professoras e professores pediram mais infra-estrutura como: carteiras, birô, material didático, e uma escola com melhores condições físicas, ao prefeito e ao secretário de educação, que estiveram presentes no curso de Formação, no dia onze de abril de 2005, para entregar uma mini tv e rádio, que ganharam da receita federal e doaram às escolas rurais.
Nesse dia, também estiveram presentes dois representantes da Secretaria do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, apresentando- a sua secretaria reaberta recentemente, já depois de minha entrevista como o subsecretário de educação. Eles se comprometeram a realizar um trabalho integrado junto à educação e fazer visitas às escolas, para divulgar, no dia, junto com as professoras, o calendário com datas comemorativas e a semana de 25 a 29/ 2005,
com uma programação específica para trabalhar a valorização da Caatinga, culminando no dia 28, dia da EA e da Caatinga.
No município de Santa Terezinha fui aluna do ensino básico, em 1972, e quase nada mudou com relação à pouca seriedade com que o ensino rural é tratado há muitos anos. Isso provoca um descaso para com a natureza. Um crime ambiental chamou-me à atenção na cidade de Santa Terezinha: ao voltar a residir na zona rural, bem próximo à cidade, pois ficava mais perto das áreas de assentamento da pesquisa, vi que uma das primeiras providências do prefeito ( um médico), eleito em 2005, foi mandar derrubar todas as árvores da praça principal e outras plantas da cidade, com quase vinte anos de existência, as quais faziam sombra para a população e, especialmente, para os alunos que ficavam na praça esperando o transporte para Patos. Ele mandou plantar figueiras, naquela praça da cidade. Essa foi uma iniciativa que deveria ser analisada e discutida nas escolas .
Dois meses depois, uma professora disse que, em dezembro, haveria curso sobre EA, nesse município. Visitei a secretaria e os professores, pois há entre o grupo duas que trabalham em um assentamento que não é acompanhado pelo MST e, por esse motivo, não continuamos o acompanhamento. Falamos de nossa pesquisa e nos colocamos à disposição para ajudar, por ser o meu município de origem e perceber que muito ainda precisava ser feito para melhorar a educação rural.
Nesse município, já houve um curso de Instrumentalização de Multiplicadores em Educação Ambiental, em maio de 2000, ministrado pela Universidade Aberta do Nordeste ( JFC,UECE,UVA,UFRN, ESAM, agora é UFERSA - Universidade Federal Regional do Semi- árido, FUM,UFPE,UFPB,UFBA,UFRPE,FUFPI,UFS). Só que, dos trintas professores e professoras presentes no planejamento, no dia vinte e seis de fevereiro de 2005 e fizeram o curso, só cinco se lembraram de que há cinco anos participaram de um curso de vinte horas sobre EA o que pode demostra com isso pouca continuidade do tema e de cursos neste município.
Mas, segundo alguns do grupo, pouco também tem sido colocado em prática nas escolas sobre a temática. Esses cursos de formação em EA precisam também ser contínuos, pois existem novos conhecimentos, novas leis, muitas informações que precisam ser discutidas e trabalhadas permanentemente nos cursos de formação, caso contrário, isso passa despercebido, como no exemplo acima citado.
A educação do MST, na Paraíba e em outros Estados, também vem trazendo a EA para suas áreas de assentamento, via produção individual e coletiva, via saúde e via associações, entre outras. Em suas escolas, alguns passos estão sendo avançados, a exemplo da escola do assentamento Patativa do Assaré, em que as crianças já estão liderando campanhas sobre como cuidar do meio ambiente, através de apresentações de peças de teatro de bonecos, levantando discussões com os pais e a comunidade em geral, assunto que será registrado no decorrer do trabalho.
Vencer a pouca escolarização é uma luta permanente nos assentamentos. O trabalho de educação é uma atividade política importante para o processo de produção e reprodução que considera o conhecimento partindo deste realidade.
A escola, no movimento, é parte integrante da vida e do conjunto da organização das famílias em seu planejamento e administração. Ela tem, entre seus objetivos, o de desenvolver a consciência crítica dos alunos, através de conteúdos que os levem à reflexão, partindo da sua realidade, ampliando sua visão de mundo, para questionar o discurso oficial desde o acampamento, com as escolas itinerantes, e continua com o ensino básico. Nessa demanda de escolarização alternativa no meio rural, o MST tem criado, com o apoio das instituições de ensino, vários cursos no decorrer dos anos, como em 1990, em Braga, no Rio Grande do Sul, o primeiro curso do magistério; em 1991, em Hulha Negras - Rio Grande do Sul, o Projeto de Educação de Jovens e Adultos - EJA, contando com a presença de Paulo Freire em sua abertura.
Diante desse contexto, percebo que a educação das áreas de assentamento está, em alguns sentidos, bem mais avançada no tocante à EA. Mas o processo é lento e existem, da parte do movimento e dos professores e professoras, ações que marcam e diferenciam as escolas do MST das outras escolas também na forma de participação e intervenção deles nos cursos, perguntando mais e reivindicando seus direitos e tentando cumprir com seus deveres.
Para a construção de um novo saber, é necessário que se considere o desenvolvimento teórico baseado na revisão participativa e contínua das práticas, com a intenção de construir sujeitos políticos, refletindo sobre o ato educativo e a criação de espaços de democracia cidadã.
CAPÍTULO IV
DESVELANDO A EDUCAÇÃO AMBIENTAL NOS ASSENTAMENTOS