5.4 . Maint aining T rust s
5.9. Act ive Direct ory T rust for Legacy Linux Client s
O indivíduo capturado em vida livre poderá ser enviado ao cativeiro ou translocado para uma nova área. A destinação para o cativeiro elimina o animal para a conservação in situ, uma vez que este indivíduo não transmitirá mais sua informação genética e deixará de cumprir sua função ecológica. Por outro lado, quando o animal é translocado, deve-se identificá-lo e monitorar suas atividades após a translocação, pois ele pode eventualmente retornar a sua área de origem ou continuar predando animais domésticos na nova área (Capítulo 9, este volume, Conover 2002). Adicionalmente, deve-se considerar que outro indivíduo da mesma espécie pode ocupar a área desabitada e vir a ocasionar o mesmo problema.
Em situações onde se opte pela translocação, também deve ser levada em consideração a possi- bilidade de introdução de patógenos, especialmente vírus e bactérias, em um local onde originalmente não ocorriam, especialmente quando o indivíduo em questão utilizava área com alta densidade de animais domésticos. Esta introdução pode ocasionar impactos negativos sobre a população da espécie na área para onde o indivíduo seria translocado, como também pode afetar outras espécies. Por outro lado, o indivíduo introduzido também pode ser afetado por patógenos que estejam circulando na área para onde seria translocado. Desta forma, a translocação deve ser um procedimento muito bem planejado, considerando diversas variáveis.
Considerações finais
A captura de carnívoros selvagens em ocorrências de predação é um assunto extremamente contro- verso. A primeira dificuldade é identificar o animal problema e sua transferência nem sempre implica na resolução do problema. Outro fator que deve ser considerado é o comportamento do animal translocado na nova área. Muitas vezes ele continua com o mesmo comportamento de predação e pode mudar a espécie doméstica alvo. Vale lembrar que qualquer procedimento de captura de animais silvestres deve ser autorizado pelo órgão ambiental competente (IBAMA, ICMBio ou Órgãos Estaduais de Meio Ambiente).
Somente o trabalho conjunto de uma equipe que conhece a espécie, o comportamento do animal e a área indicada para sua soltura, podem determinar a intervenção em casos de predação. As técnicas preventivas de ataque, manejo de animais domésticos e carnívoros selvagens no próprio local da ocorrência
Figura 3. Captura de carnívoros com a utilização de cães farejadores no Pantanal, MS.
Figura 4. Procedimento de anestesia de onça-parda, com a utilizacão de uma arma de propulsão à gás comprimido.
tendem a ter maior sucesso na resolução do problema. O monitoramento efetivo de animais transferidos e análise dos dados coletados são necessários para avaliar o impacto de eventuais translocações. Em qualquer procedimento que envolva carnívoros, principalmente os felídeos de grande porte, é fundamental uma equipe treinada e com experiência para intervir nestes casos (Figura 5).
fonte: http://is.gd/1oBCpi
A translocação (ou relocação) consiste no processo de captura e transferência de animais silvestres, pelo homem, de uma localidade para outra dentro da sua área de distribuição (IUCN 1998). É importante diferenciar a translocação de outras formas de movimentação artificial de animais silvestres, como a intro- dução e a reintrodução, terminologias estas muitas vezes utilizadas erroneamente. Introdução é a soltura intencional ou acidental de animais silvestres de vida livre em uma área onde a espécie não ocorre natural- mente, ou fora da distribuição geográfica conhecida para a mesma (IUCN 1987, Nielsen 1988). O termo reintrodução pode ser empregado em diferentes contextos, quando referente a indivíduos ou espécies. Reintrodução de indivíduos é a soltura, geralmente intencional, de animais silvestres que foram, por algum motivo, retirados da Natureza, por tempos variáveis, e depois retornados, de preferência à mesma área de origem, na esperança de que sejam reintegrados à população. Quando aplicada à uma espécie, a reintro- dução pode ser utilizada para restabelecer uma espécie em uma área onde ela ocorria naturalmente, mas de onde foi localmente extinta, como resultado de atividades humanas ou catástrofes naturais.
A translocação pode ser empregada em diferentes situações, com objetivos distintos. Quando aplicada a populações ameaçadas, a translocação pode ser utilizada como uma técnica direcionada a um adensamento ou revigoramento populacional (restocking) em populações que tenham sido reduzidas a níveis abaixo do qual se possa esperar uma recuperação espontânea, natural. Em situações de conflitos entre o ser humano e diferentes espécies de mamíferos carnívoros, a translocação é uma técnica frequentemente sugerida por proprietários rurais ou membros de comunidades rurais como uma forma de remover (ou transferir) o problema. Nessa situação, a translocação consiste na captura de indivíduos considerados “animais-problema” em áreas de conflito e seu transporte para posterior soltura em outras áreas, normalmente distantes da área de captura, e com menor potencial de conflitos com humanos, com a intenção de solucionar ou minimizar o conflito em uma determinada área. A translo- cação pode ser empregada também como medida mitigatória em resgates de empreendimentos (e.g. construção de barragens hidrelétricas) ou quando animais silvestres invadem áreas urbanas.
A movimentação artificial de animais silvestres vem sendo feita no país, na maioria dos casos, sem nenhum critério técnico e, quase que invariavelmente, sem nenhum tipo de monitoramento desses animais após a soltura. Isso acontece quando da apreensão e soltura de animais silvestres que foram confiscados pelas autoridades responsáveis; no simples retorno à natureza de “animais de estimação” pelos seus proprie- tários, independente da origem desses animais; ou na translocação de animais que causam problemas a propriedades rurais e adentram áreas urbanas. Dessa forma, situações emergenciais geralmente acabam sendo tratadas como uma rotina errônea, acreditando-se estar fazendo o melhor pelo animal, mas impondo riscos consideráveis ao próprio indivíduo e às populações silvestres onde o mesmo está sendo inserido.
De uma maneira geral, a translocação de fauna silvestre requer planejamento cuidadoso, conhecimento, e experiência dos profissionais envolvidos no processo, além de tecnologia e financiamento apropriados. Alguns fatores devem ser levados em consideração antes do processo de translocação propriamente dito ser iniciado. O conhecimento da biologia da espécie, genética, demografia, comportamento, epidemiologia, requerimentos ambientais, além dos custos e da possibilidade de conflito com humanos devem ser ponderados (Miller et al. 1999). Devem ser considerados ainda os riscos epidemiológicos, de introdução de patógenos, e o efeito genético e demográfico na população residente na área da soltura (Miller et al. 1999).
Os carnívoros, em geral, apresentam a tendência de aumentar sua locomoção logo após a soltura, o que pode ser explicado devido: (i) ao comportamento intrínseco dos carnívoros de retornarem ao seu território original (homing behaviour); (ii) ao evitamento intra-específico com indivíduos residentes, forçando os animais para ambientes marginais onde se encontram fazendas e áreas urbanas (Athreya