Pelo Termo de Referência do GTP/APL, agente local é figura importante na metodologia e sua função e definido como um elemento capaz de estimular a cooperação e a interação dos agentes locais. Este poderá estar atuando no arranjo ou sua presença poderá ser induzida pela Política Nacional para a Promoção de APL (BRASIL, 2007).
Motta e Hansen (2003) afirmam que:
o incremento de competitividade dos aglomerados via ações coletivas dependem da ação de agentes que planejem, executem e coordenem estas ações, e estes agentes podem ser tanto privados quanto públicos. Assim, se os agentes de um
aglomerado não forem capazes de estabelecer mecanismos de governança que estimulem o estabelecimento de tarefas compartilhadas entre si, as empresas estarão se aproveitando apenas parcialmente dos benefícios da aglomeração. As ações conjuntas deliberadas, nesse sentido, e as formas de governança que as sustentam, exercem papel fundamental para a inserção produtiva virtuosa dos produtores localizados (MOTTA e HANSEN, 2003, p. 27).
Considerando a experiência deste autor no projeto e pesquisa, fica claro que a figura do agente local é fundamental para se garantir a governança do APL, a eficácia das ações através da profissionalização da gestão do APL, a elevação do grau de confiança mútua e interinstitucional, o aumento do número de ações cooperadas e sua efetividade; para garantir, em suma, segundo Maximiano (2004), as funções administrativas essenciais: Planejamento, Organização, Execução e Controle das atividades sistêmicas de organização: empresas individuais ou aglomeradas.
As vantagens advindas dessa função seriam percebidas principalmente pela articulação interinstitucional constante, pelo acompanhamento das ações planejadas e sua efetiva consecução, pelo registro histórico das ações e evoluções dos índices – principalmente do VA/PO – e pela dedicação integral que essa função prevê e que contribuiria sobremaneira para o bom desenvolvimento e integração das ações a que o pólo se proporia.
Rede de empresas refere-se às articulações, formais ou informais, entre indivíduos, grupos ou organizações da sociedade civil que visam a realizar reivindicações, trocar experiências e informações, somar recursos, formular projetos e promover ações públicas em geral (PASSADOR, 2005). Não prescindem, portanto, de um articulador representante da governança do aglomerado, no caso.
interesses e protetor dos investimentos realizados e esforços realizados. Articulador dos interesses dos empresários, parceiros e outros atores locais nas diversas esferas do Estado e das instituições de apoio a aglomerados; aglutinador, desses mesmos interesses em direção a objetivos comuns previamente acordados; e protetor dos investimentos e esforços, no sentido de que ele atua realizando ‘follow-ups’ constantes sobre ações e acordos – cooperados, preferencialmente – com vistas a que esses investimentos e esforços realizados (consultorias, treinamentos, cursos, missões e outros) sejam, de fato, incorporados à gestão das empresas ou ao comportamento gerencial dos empresários e de seus colaboradores. Para tanto deverá acompanhar essas iniciativas do ponto de vista quantitativo e qualitativo, a fim de monitorar o desempenho das empresas do pólo e avaliar a evolução dos índices.
Segundo Neves (2006), articulação de agentes corresponde a estabelecer conexões entre os atores estratégicos e contribuir para que as conexões em rede funcionem bem. Projetos que requerem interação de diferentes agentes com papéis distintos necessitam geralmente que, ao menos um desses agentes, esteja preparado para a função específica: aglutinar esforços e contribuir para sua melhor orientação, a fim de garantir que a participação de todos ocorra conforme o esperado e que contribuam para que operem em conjunto de maneira positiva, evitando situações isoladas ou até mesmo divergentes.
Este papel aglutinador requer uma visão holística, facilidade de acesso aos outros agentes, autoridade para o exercício de crítica e autocrítica permanente, disposição conciliadora, capacidade de entender a realidade e postura flexível para buscar caminhos alternativos em caso de insatisfação (NEVES, 2006).
O agente local deve exercer um papel gerencial, cuidando da coordenação do APL e de seus interesses. Embora não esteja acima dos demais, ele pode liderar o processo ou assumir o papel de aglutinar os agentes e cuidar para que operem em conjunto. A formação de vínculos baseados em confiança é um processo gradual que exige sensibilidade e capacidade de negociar de maneira que se consigam acordos satisfatórios para os todos os envolvidos. Também requer, segundo Neves (2006), a capacidade de perceber esforços que podem estar sendo conduzidos de maneira fragmentada e que poderiam ser revistos quanto à sua forma.
É natural que projetos de médio e longo prazo possam sofrer desgastes e descompassos durante sua implementação, causados por inércia, interesses divergentes, falta de acompanhamento ou até dificuldades em envolver os agentes de forma a provocar sua ação. Cabe ao articulador provocar a reação das pessoas e instituições, estimulando conexões que dificilmente ocorreriam sem um esforço proativo; monitorar o funcionamento do conjunto e perceber chances de promover maior cooperação e convergência na direção dos objetivos planejados e não a outra. O surgimento de conflitos é normal, porém têm que ser cuidadosamente conduzidos a fim de não provocar rusgas permanentes que possam vir a desagregar o grupo (NEVES, 2006).
Este autor, embasado na experiência vivida no APL de VGS, acredita que, em contando com a atuação de um agente local o grau de articulação do APL estaria muito mais avançado, articulado e, conseqüentemente, o envolvimento dos atores na elaboração do PDP seria muito mais efetivo gerando um plano muito mais abrangente e factível; pois seria muito maior o grau de governança corporativa do arranjo.