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Absorption et diffusion de la lumière par des nanoparticules d’or : considérations

No domínio mental, as escolhas de processo incidem de forma mais proeminente sobre o participante Lula. Identificamos este participante no papel de experienciador em 13

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Não faremos aqui uma distinção entre os tipos de avaliação. A abordagem de Fairclough (2003) para com o sistema de avaliatividade é sucinta e se restringe a três tipos possíveis de realização: afirmações avaliativas (realizadas por processos relacionais), afirmações com modalidade deôntica (o que é necessário/obrigatório), avaliações afetivas (realizadas por processos mentais) e valores assumidos (não apresentam marcadores de avaliação explícitos). O autor considera que o uso de avaliações no discurso diz muito sobre como o sujeito se compromete com os valores expressos, considerando o que é desejável ou indesejável, bom ou ruim.

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ocorrências, ao passo que o PT é codificado para esse papel em apenas três ocasiões, e Roberto Jefferson e o governo somente em duas cada um. Vejamos alguns recortes com relação a esses participantes.

(49) Alvejado pela acusação de comprar deputados com mesada de 30. 000 reais [Circunstância de razão], o PT [Experienciador] vê [Processo Mental Perceptivo] desmoronar seu discurso ético [Fenômeno] (...)

(50) O que o PT [Experienciador] não entendeu [Processo Mental Cognitivo] é que será impossível e inútil tentar espantar a crise atual com palavreado vazio, como se a platéia fosse formada por uma massa de imbecis [Oração projetada].

(51) Ora,a quem [Experienciador] interessa [Processo Mental Desiderativo] queos deputados do PL e do PP votem a favor dos projetos do governo [Oração projetada]?

No recorte (49), o processo “vê” constroi a percepção de um fenômeno experienciado

pelo PT. Essa experiência de mundo retrata uma das principais consequências de escândalos políticos: o comprometimento da credibilidade e da confiabilidade. Assim, a escolha do participante fenômeno responde, num primeiro momento, à necessidade de representar uma experiência que possa refletir a realidade de mundo sentida pelo PT. Essa escolha pode, também, estar informando ao leitor o que realmente importa saber sobre a notícia divulgada. Por estar inserida no lead 53 da reportagem “O PT assombra o Planalto”, a experiência esclarece, em ordem de importância, que o PT é alvo de denúncias de suborno e que, em consequência disso, seu discurso ético (ou sua política de confiança) está se desmoronando. Essas informações são, de fato, detalhadas ao longo da reportagem.

A escolha do processo “não entendeu” em (50) se faz de modo a situar outra

experiência de mundo na consciência do partido. Uma característica constitutiva dos

processos mentais é a projeção de uma ideia enquanto “uma unidade singular de significado”

(MARTIN e ROSE, 2003, p.75). Observa-se, neste recorte, que a ideia projetada é uma experiência relacional em que para uma ação material do PT é conferida os atributos

“impossível” e “inútil”. A seleção do verbo “entender” na forma negativa para essa

experiência relacional indica, de certa forma, uma desaprovação daquilo praticado pelo PT. Se observarmos bem, veremos que a oração projetada já foi anteriormente analisada no item

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O lead é a parte introdutória da notícia e carrega a função de fornecer ao leitor as informações básicas sobre o tema que será discutido no texto. Nesse sentido, o lead deve responder às seguintes perguntas: “O que?”,

“Quem?”, “Quando?”, “Onde?”, “Como?” e “Por quê?”. Para que essa informação tenha êxito a linguagem

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4.1.4. Introduzi-la como um conteúdo de consciência em que o PT é codificado como experienciador mostra-se como uma tentativa de mostrar que embora o partido seja um ser pensante, não entende, não racionaliza as ações tomadas para amenizar os custos da crise política.

No recorte (51), embora o Experienciador não seja identificado de forma explícita, o contexto discursivo da representação construída para o escândalo confere ao PT esse papel. O

processo mental “interessa” expressa o interesse do partido no apoio político de deputados do

PP e PL ao votarem em projetos do governo. PP e PL foram, de acordo com o Supremo Tribunal Federal, dois dos quatro partidos corrompidos pelas mesadas de R$ 30.000. Chama atenção a forma interrogativa de apresentar a experiência. Visto que o próprio jornalista responde a pergunta logo em seguida, isso ajuda a produzir um efeito de legitimação da experiência como incontestável (interessa ao PT que deputados do PP e PL votem a favor dos projetos do governo), além de delinear uma aproximação efetiva com o leitor.

Nas duas ocorrências em que o governo é codificado como experienciador, a representação da experiência está fundamentada no modo como ele aprecia as suspeitas da existência do mensalão. As escolhas dos processos mentais nos recortes (52) e (53) abaixo trazem dois fenômenos à consciência do governo: sentir-se satisfeito com o arquivamento de investigações sobre denúncias de pagamento de mesadas no Congresso e a opção por um caminho ridículo diante da revelação do escândalo, respectivamente. Diante dessa organização representacional, entendemos que o governo é representado como ser racional que tem consciência das ações que toma e que, por isso, é representado como cúmplice do esquema do mensalão.

(52) (...) o caso foi arquivado na Câmara. E o governo [Experienciador] se deu [Processo Mental

Cognitivo] por satisfeito [Fenômeno].

(53) Além disso, na semana passada [Circunstância de tempo], o governo [Experienciador] tentou tomar distância do mensalão, mas escolheu [Processo Mental Cognitivo] um caminho risível

[Fenômeno].

Nas duas ocorrências em que Roberto Jefferson é representado no domínio mental, ele é codificado como experienciador de um único tipo de processo: admitir.

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(54) Ele [Experienciador] também admitiu [Processo Mental Cognitivo], querealmente pressionara Lídio Duarte, então presidente do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB), a extorquir uma gorda mesada ao PTB dos clientes da estatal [Oração projetada].

(55) Jefferson [Experienciador] admitiu [Processo Mental Cognitivo] que mentira quando desqualificara uma reportagem publicada por VEJA em setembro de 2004, na qual se informava que a bancada do PTB estava irritada com o governo por razões financeiras [Oração projetada].

No recorte (54), o deputado reconhece que exerceu pressão sobre um diretor de uma estatal de modo a arrecadar verbas para seu partido, o PTB. A oração projetada revela que Jefferson também é agente da ação de pressionar (um processo intermediário entre os domínios material e verbal). Em (55), o deputado reconhece que havia mentido ao negar qualquer envolvimento financeiro entre seu partido e o PT (mais exatamente, Jefferson negou que o PT havia comprado o apoio do PTB por 10 milhões de reais). Na oração projetada, Jefferson também é codificado como agente do processo verbal. Em virtude desse papel que desempenha, Jefferson é o único dos envolvidos no escândalo a admitir a existência de um amplo e organizado esquema de suborno que operava no governo. Conforme informamos na análise de processos verbais envolvendo Roberto Jefferson, sua estratégia diante da revelação do escândalo é a confissão pública das transgressões cometidas - o que pode tanto esvaziar sua reputação como despertar a simpatia dos outros. Essa inclusão do deputado no domínio mental responde a uma necessidade do discurso de VEJA: revelar que a peça-chave no escândalo do mensalão sabia de várias práticas irregulares arraigadas no governo PT, dentre elas a prática do mensalão.

Vejamos como o presidente Lula é representado nas escolhas de processos mentais.

(56) O presidente Lula [Experienciador] queria [Processo Mental Desiderativo] uma resposta mais firme [Fenômeno] e irritou-se com a decisão do PT de manter Delúbio Soares no cargo de tesoureiro [Oração comportamental].

(57) Lula [Experienciador] está decidido [Processo Mental Desiderativo] a recolocar seu governo nos trilhos, ainda que seja preciso voltar a cortar na própria carne [Oração projetada]. Quer [Processo

Mental Desiderativo] recuperar sua autoridade [Oração projetada].

(58) Lula [Experienciador] quer [Processo Mental Desiderativo] aproximar-se da oposição

[Oração projetada], com a qual Dirceu queimou todas as possibilidades de dialogar. Para tanto, o presidente [Experienciador] cogita [Processo Mental Cognitivo] trazer para o governo ou colocar em cargos vitais gente com bom trânsito nas hostes oposicionistas [Oração projetada].

(59) Para enfrentar os tormentosos dias que virão [Circunstância de propósito], o presidente Lula [Experienciador] também quer [Processo Mental Desiderativo] o que todo presidente sempre quer [Fenômeno]: reforçar sua base de apoio no Congresso Nacional [Oração Projetada].

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Essa sequência de recortes mostra como os jornalistas representam as experiências de mundo da consciência do presidente com base na expressão de dois tipos específicos de processo mental: o desiderativo e o cognitivo. Esses dois tipos de processo trazem desejos e ideias à consciência do experienciador. Nos recortes acima, os desejos e as ideias apreciadas pelo presidente Lula dizem respeito aos efeitos causados pelo escândalo. O aspecto a ser analisado nos recortes experienciais acima é o motivo das escolhas desses processos mentais.

O processo “querer” está presente em todos os recortes, onde expressa, de um modo

geral, o desejo do presidente em recuperar a reputação de sua governabilidade. Em (56),

“queria” indica a representação do desejo de uma ação mais eficaz por parte do PT, quando

decidiu desmentir as acusações de Jefferson e manter o tesoureiro Delúbio Soares no cargo. Em (57), há dois processos desiderativos que trazem à mente do presidente a vontade de recuperar a reputação sua e a de seu governo. No recorte (58), para o desejo de aproximar-se

da oposição o presidente “cogita” tomar uma atitude. Já em (59), o jornalista marca, de forma

explícita, o que está por detrás da vontade do presidente em reforçar sua base de apoio no Congresso. Chama atenção a escolha opcional da circunstância de propósito, a qual sinaliza aquilo mais constante em escândalos políticos: acusações, alegações de irregularidades e novas revelações. É justamente para poder suportar isso que o presidente deseja reforçar sua base de apoio no Congresso. Mais do que uma informação adicionada ao processo desiderativo, esse elemento circunstancial busca estruturar a realidade do escândalo.

Entendemos que essa organização da realidade de mundo da consciência do presidente Lula é uma forma de controle do conhecimento. As escolhas lexicogramaticais de transitividade e de léxico são categorias linguísticas que ajudam a sugerir de qual perspectiva particular a realidade do escândalo está sendo construída. Entre as opções de representação, Lula é o participante que recebe maior visibilidade no domínio mental. E isso não ocorre por acaso. A representação de estados de sentir do participante Lula busca mostrar que a construção do escândalo passa necessariamente pelo que o presidente pensa e deseja. Os

processos mentais desiderativos e cognitivo acima são “ações” apreciativas sobre o mundo da

consciência do presidente. Ao atribuir significados ao que o presidente pensa e deseja, os jornalistas não só recriam a realidade do escândalo na mente no presidente, mas, também, indicam como essa realidade deve ser consumida pelo leitor. Isso porque essas escolhas lexicogramaticais simplesmente não refletem uma realidade já-existente e pronta para ser consumida. Ao contrário, elas decodificam, categorizam e organizam uma realidade.

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