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Absence de risque d’effets coordonnés

Dans le document Décision 10-DCC-198 du 30 décembre 2010 (Page 52-57)

CHAPITRE 3. ANALYSE CONCURRENTIELLE

E. Absence de risque d’effets coordonnés

Para obter os dados o pesquisador precisa fazer a entrada no campo, ou seja, no cenário escolhido para observação do fenômeno, o que requer planejamento, cuidado e paciência, pois deste primeiro contato vai depender o sucesso do trabalho. Não existem normas pré- estabelecidas sobre como agir em cada momento específico do estudo, mas o sucesso do mesmo requer conhecimento entre o pesquisador e seus informantes. Esta etapa preparatória pode durar um tempo variado, o que vai depender da acessibilidade ao campo, do nível de conhecimento anterior do campo e do grau de participação do pesquisador. O conhecimento prévio deste cenário é condição necessária para se dar início à coleta das informações (AMÉZCUA, 2000).

Nesta etapa preliminar é recomendável que o pesquisador estabeleça relações cordiais com os informantes; é importante, como referem Monticelli, Quevedo e Reyna (2008), fazer aliados. Para isso, a empatia é uma característica fundamental, isto é, o pesquisador deve colocar-se no lugar do outro, facilitando assim a compreensão e a interação com os informantes. É igualmente fundamental que se estabeleça uma relação de confiança, o que permitirá que o pesquisador se sinta mais confortável, caso venha a enfrentar situações mais delicadas. Outra postura adequada é a de colaboração, o que faz com que o pesquisador se torne mais próximo dos seus informantes.

Segundo Amézcua (2000), ao entrar no campo o pesquisador sofre um choque cultural denominado “síndrome do forasteiro”, que tende a aumentar, à medida que as diferenças culturais entre observador e observado se tornam mais visíveis, o que é atenuado apenas pela

integração e pelo aprendizado da cultura do outro (étnica).

O pesquisador deve explicar aos informantes o que vai fazer; os objetivos e a metodologia do estudo, a duração do trabalho e como as informações serão utilizadas. Para isso precisa de autorizações e pensar nas questões éticas (privacidade, confidencialidade, anonimato, permissões para publicar e outros).

Em busca de autorizações e em respeito às exigências do hospital escolhido como local para realização do estudo, e antes que o projeto de pesquisa fosse encaminhado para o Comitê de Ética em Pesquisas com Seres Humanos (CEP), o mesmo passou por análise prévia da Comissão de Ética em Pesquisa do Departamento de Tocoginecologia da Universidade a que o hospital pertence. Faz parte dos trâmites burocráticos da instituição que cada unidade-sede do estudo avalie e emita parecer sobre o mesmo, sendo que tal parecer deve estar apensado ao projeto de pesquisa que, posteriormente, deverá ser encaminhado ao CEPE. Nessa etapa, tive várias reuniões com o professor-chefe do Departamento de Tocoginecologia e com os integrantes dessa comissão, quando realizei a apresentação formal do projeto e esclareci pontos referentes à metodologia do estudo.

A partir da aprovação pelo CEP, em vinte e seis de outubro de 2010, passei a realizar visitas semanalmente, em horários variados, conforme fosse conveniente para encontrar-me com pessoas consideradas chave para o funcionamento das unidades escolhidas; estas pessoas eram os enfermeiros gerentes e assistenciais, os secretários, os médicos pré-natalistas e o chefe do serviço médico. A coleta de dados propriamente dita foi efetivada somente após essa pré-inserção.

No primeiro momento, realizei visitas aos dois cenários do campo, já com o intuito de fazer o primeiro contato com as pessoas acima citadas e também para observar a rotina do serviço. Pretendia também, nesse momento, apresentar-me e expor os objetivos do estudo a ser realizado, além de observar e compreender o funcionamento do serviço.

Nesse período tive reuniões com a gerente do serviço de enfermagem da maternidade com as enfermeiras da UAC e do PNAR. Em ambas as ocasiões, realizei apresentação formal do projeto, sempre enfatizando os objetivos, a metodologia e os aspectos éticos do estudo.

Durante as minhas incursões prévias ao PNAR tive inúmeras conversas informais com a equipe de enfermagem e também com alunos e residentes de medicina, sempre me colocando como pesquisadora, expondo em linhas gerais o estudo a ser realizado, enfatizando aspectos metodológicos e éticos, e esclarecendo sobre suas possíveis

participações, como sujeitos do estudo, além da necessidade de obter o consentimento formal, caso fosse necessário. Essa forma de contato foi escolhida, após conversar com as enfermeiras do PNAR, porque nessa época os funcionários estavam em meio a uma paralisação e não era viável realizar uma reunião formal para minha apresentação. O fato de já haver sido funcionária do hospital e conhecer a maioria das funcionárias facilitou muito o meu entrosamento no serviço. Em nenhum momento houve recusa dos profissionais e estudantes em relação às suas participações, mesmo eu deixando claro que não haveria problemas, caso não desejassem ou não quisessem participar. Todos foram receptivos e gentis. Nas minhas visitas ao PNAR obtive informações divergentes sobre qual o dia da semana mais indicado para encontrar as gestantes hipertensas. Procurei conversar com diversas pessoas da equipe médica, de enfermagem e também como pessoal técnico- administrativo, na tentativa de compreender como funcionava o PNAR, o encaminhamento das gestantes e a marcação de consultas. Nessa ocasião também fiz contato com os gestores da Secretária Municipal de Saúde para obter maiores esclarecimentos sobre o encaminhamento das gestantes de risco a partir das Unidades Básicas de Saúde para os serviços de referência do município.

Durante duas manhãs e duas tardes permaneci na recepção do ambulatório, conversando com os funcionários e observando o fluxo do atendimento das gestantes. Por fim, entendi que o atendimento no PNAR era organizado conforme as especialidades, em diferentes dias da semana. Constatei que o número de atendimentos em cada turno era autorizado pelo professor responsável, que o aprazamento das consultas era definido conforme necessidade clínica de cada gestante e que as gestantes hipertensas eram atendidas preferencialmente às quintas-feiras pela manhã. A partir daí passei a fazer minhas observações nesse local, sempre nesse dia da semana.

No mesmo período fiz algumas visitas também à UAC, para familiarizar-me com o funcionamento do serviço. Como pretendia apresentar o projeto a todas as funcionárias do serviço de enfermagem, conversei com a enfermeira gerente e decidimos que seria melhor acompanhar algumas trocas de plantão, aproveitando que nesse momento se encontravam no local, funcionários de diferentes turnos do serviço de enfermagem, para fazer uma breve apresentação do projeto de pesquisa e também informar os aspectos éticos relativos à sua possível participação como sujeitos do estudo. Essas apresentações foram realizadas sempre com o acompanhamento de uma das enfermeiras com quem a gerente conversou previamente. A

receptividade por parte da equipe foi sempre positiva, obtendo eu consentimento de todos para que as considerassem possíveis sujeitos do estudo. Sempre fiz questão de salientar que elas eram livres para recusar-se a participar como informantes, sem que isso implicasse algum tipo de represália.

Nessa fase inicial, muitas vezes permaneci “apenas sentada” no posto de enfermagem ou na EIC, observando o ir e vir do pessoal e muitas vezes as pessoas se aproximavam e faziam perguntas sobre minha permanência na unidade, sobre a pesquisa e também sobre minha vida pessoal, uma vez que eu conhecia muitas delas, da época em que havia trabalhado no hospital. Nessas conversas, algumas vezes me senti explicando quais eram os objetivos da pesquisa, o que era a observação participante, o que era uma entrevista, e outros detalhes do projeto, de forma bastante animada e informal.

Após essa primeira etapa, em janeiro de 2011, iniciei o período de observação, de forma mais sistemática. Minha permanência nas unidades foi em média quatro vezes por semana, em torno de três horas, alternando os turnos e incluindo finais de semana e feriados, sendo que sempre às quintas-feiras, eu permanecia no PNAR.

Na UAC, logo percebi quais eram as funcionárias da enfermagem que tinham preferência por realizar os cuidados na EIC e que elas obedeciam a uma escala “extraoficial”, decidida em acordo com a enfermeira responsável no início de cada turno, conforme a demanda das enfermarias de Alojamento Conjunto e as demais atividades da UAC. Existiam as que preferiam fazer sempre os cuidados dos recém- nascidos, aquela que fazia apenas a medicação, aquela que cuidava de atividades mais burocráticas, como realização de exames, encaminhamentos, verificação do senso e da dieta e aquelas que “atendiam” à EIC. Todas ficavam satisfeitas, embora fossem comuns as reclamações referentes à sobrecarga de serviço e a falta de pessoal na unidade.

Inúmeras vezes tive que fazer a apresentação do projeto de forma individual, para estudantes e residentes que surgiam como informantes em potencial, quando eram escalados para realizar suas atividades na EIC, sempre salientando os aspectos éticos e a liberdade de participação.

De forma geral, quando chegava à unidade, passava pela secretaria para verificar se havia alguma gestante hipertensa na EIC. Em caso positivo, guardava meus pertences em local apropriado e, munida de meu diário de campo e caneta, dirigia-me ao lavatório. Na sequência, passava pelo posto de enfermagem, com o objetivo de apresentar-me à enfermeira responsável pelo turno e então me dirigia à EIC, onde

permanecia sentada em um banquinho, fazendo minhas observações e conversando com as gestantes. Nos dias em que havia mais de uma gestante na EIC eu procurava aumentar o tempo de permanência e observação, para que pudesse tornar-me mais próxima delas. Caso não houvesse nenhuma gestante hipertensa internada, permanecia no posto de enfermagem, interagindo com os funcionários, ou me dirigia ao PNAR.

Sempre procurei não alterar a rotina de trabalho da equipe e raríssimas vezes fui interpelada a respeito de ajuda para a realização de algum cuidado. No período inicial da minha permanência na EIC observei que as funcionárias da enfermagem pareciam sentir-se um pouco constrangidas com a minha presença, mas com o passar do tempo elas passaram a tratar-me como alguém “da casa” e algumas vezes me faziam perguntas e solicitavam auxílio no desempenho de suas atividades e, até mesmo, algumas diziam estar contentes quando eu ia ao hospital durante finais de semana e feriados, pois tinham algo diferente para fazer.

Dans le document Décision 10-DCC-198 du 30 décembre 2010 (Page 52-57)