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Évaluation de la performance de l’installation de lagunage

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P erformances épuratoires de l’installation de lagunage

6.3 Résultats et discussion

6.3.2 Évaluation de la performance de l’installation de lagunage

Foi a partir de 1960 que Paulo Freire47 desenvolveu uma proposta revolucionária de alfabetização através da qual, para além da mera aquisição da linguagem escrita, a partir da realidade vivencial dos educandos e do diálogo permanente, busca-se a leitura e a compreensão crítica do mundo, para poder transformá-lo.

Paulo Freire ressalta a necessidade de uma reflexão crítica sobre a prática educativa. Sem essa reflexão, a teoria pode virar apenas discurso; e a prática, ativismo e reprodução alienada. É importante que o professor não seja demasiado convicto de suas certezas e que todo novo conhecimento pode superar o já existente, sendo necessário ao professor (a) sempre exercer o hábito da pesquisa (capacitação profissional e promoção social para evitar tornar-se obsoleto), para poder saber o que

47 Paulo Reglus Neves Freire, conhecido mundialmente como um grande educador, pensador, filósofo e militante da Educação. Inconformado com as injustiças sociais, Paulo Freire fez da educação um instrumento político de combate ao autoritarismo e de luta em favor da democracia. Dedicou sua vida a criticar toda e qualquer forma de opressão e tirania e questionou o método de ensinar e aprender impostos pelas classes dominantes como instrumento de manutenção do status quo. Sua trajetória de vida - contribuição teórica, reflexão sobre a prática, propostas de políticas públicas especialmente para a área educaciona l - fizeram com que se tornasse referência mundial para intelectuais, profissionais de diversos campos do saber, atores sociais, educadores comprometidos com as causas populares, com a educação pública de qualidade e com a luta por uma sociedade mais justa e igualitária.

ainda não sabe e comunicar as novidades aos alunos (as), fazendo que a curiosidade dos mesmos transite da ingenuidade do senso comum à "curiosidade epistemológica" (FREIRE, 2004, p.29), carregada de criticidade. O ato de ensinar deve exigir o desenvolvimento deste senso crítico no aluno48.

Expressão corriqueira do autor é "justa raiva " (FREIRE, 2004, p.40) cujo papel altamente formador na educação. Uma raiva que protesta contra as injustiças, contra a deslealdade, contra a exploração e a violência. Podemos definir esta "justa raiva" com um desconforto ou incômodo que sentimos diante de situações de desigualdades.49

O docente deve também ensinar a pensar certo. E é somente "quem pensa certo, mesmo que às vezes pense errado, quem pode ensinar a pensar certo" (FREIRE, 2004, p. 27). O autor acredita que ensinar exige rigorosidade metódica e o dever do educador democrático é reforçar a capacidade crítica do educando, sua curiosidade, sua insubmissão.

A docência em si deve ser desenvolvida de um testemunho severo de decência e de transparência, já que nela há uma característica fundamentalmente humana: o caráter formador. Dessa forma, o docente deve utilizar a corporeidade das palavras como exemplo. (FREIRE, 2004, p.34).

Faz parte do pensar certo a "disponibilidade ao risco, a aceitação do novo e a utilização de um critério para a recusa do velho" (FREIRE, 1997, p.35). Também está presente no pensar certo a rejeição a qualquer tipo de discriminação. E quando se ensina a pensar certo, deve-se tratar o pensar certo como algo que se faz e que se vive enquanto dele se fala com a força do testemunho e a coerência.

48 Entre a ingenuidade e a criticidade há uma superação, em que a curiosidade ingênua muda de qualidade, mas não de essência. O educador tem o papel de desenvolver a curiosidade crítica, insatisfeita e indócil dos (as) alunos(as) - é a "criticização da curiosidade" (FREIRE, 2004, p.31).

49 Porém, o termo "raiva" pode soar demasiado forte e indevido a estas sensações; por sempre incorrer, como ressalta o próprio autor, em raivosidade e odiosidade.

Freire (2004) destaca a importância de propiciar condições aos educandos, em suas relações uns com os outros ou com o (a) professor (a), de ensaiar a experiência de assumir-se como uma pessoa social e histórica, que pensa, se comunica, tem sonhos, que tem raiva e que ama. Isto despe o agente pedagógico e permite que se rompa a neutralidade do mesmo (a). Ele acredita que a educação é uma forma de intervenção no mundo, que não é neutra, nem indiferente, mas que pode implicar tanto no desmascaramento da ideologia dominante como mantê-la.

O autor também ressalta o quanto pode representar um determinado gesto do professor na vida de um aluno e da necessidade de refletirmos seriamente sobre isso, já que nas escolas fala-se exclusivamente do ensino dos conteúdos e não há uma ampla compreensão do que é educação e do que é aprender: "Ensinar exige respeito aos saberes do educando" (FREIRE, 2004, p.30) e aos seus interesses e realidade também.

A construção de um saber junto ao educando depende da relevância que o educador dá ao contexto social, à tradição da comunidade com a qual ele trabalha para conseguir aproximar os conteúdos da realidade vivida, compondo um diálogo aberto com o aluno, que mostra a "razão de ser" do conhecimento, colaborando portanto com o interesse ou curiosidade epistemológica.

Quando Freire (2004, p. 40) verbaliza que "ensinar não é transferir conhecimento", ele retoma em sua fala a necessidade dos educadores criarem as possibilidades para a produção ou construção do conhecimento pelos alunos, num processo em que o professor e o aluno não se reduzem a condição de objeto um do outro. Insiste que “[...] ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para sua própria produção ou a sua construção" (FREIRE, 2004, p. 47), e que o conhecimento precisa ser vivido e testemunhado pelo agente pedagógico.

Isso reforça o pensamento do autor no que se refere a condição humana de existência como seres inacabados em constante processo de educação e construção do

conhecimento, talvez numa tentativa de conclusão. “[...] sua incloncusão é próprio da experiência vital. Onde há vida, há inacabamento.“ (FREIRE,2004, p.50). Esse entendimento estimula a pesquisar, ao conhecimento e a tentativa de mudança. O indíviduo se apodera do saber e passa a ser sujeito e não apenas objeto da sua história, e toda história é possível de ser mudada.

Os seres humanos devem ser respeitados por sua autonomia. Assim, uma auto- avaliação dos alunos pode ser recurso pedagógico utilizado dentro da prática docente. Freire é enfático ao dizer que o respeito à autonomia e à dignidade de cada indivíduo é um imperativo e não um favor que se pode ou não conceder uns aos outros. Deixa claro que a transgressão da ética deve ser entendida como uma ruptura com a decência, uma transgressão à natureza humana, uma imoralidade inconcebível (FREIRE, 2004, p. 59).

Portanto, ensinar exige a convicção de que a mudança é possível, pois a história deve ser vista como uma possibilidade e não uma determinação. Para que se mude, todos devem ser esperançosos, ou seja, ter esperança de que podem ensinar e produzir junto com os alunos para resistir aos obstáculos à nossa alegria. Mas para cobrar e lutar ideologicamente por mudanças e respeito profissional, o educador não pode ver a prática educativa como algo sem importância.

O professor deve estimular a curiosidade dos discentes, sem inibi-la. Essa atitude estimula sua própria curiosidade. Sabemos que a curiosidade é fundamental para despertar a imaginação, a intuição, a criticidade, a capacidade de transcender e de transformar.

A “Pedagogia da Autonomia” (FREIRE, 2004, p.94-6) deve privilegiar experiências que estimulem a tomada de decisões, de responsabilidades e de liberdade. Essas ações podem ser promovidas se o professor ao ensinar tiver liberdade e autoridade (FREIRE, 2004, p.104), em que a liberdade deve ser vivida em plenitude com a autoridade.

Na sua percepção de que os seres humanos são programados para aprender, para ensinar, para conhecer e para intervir a prática educativa se apresenta como um exercício de desenvolvimento da autonomia de professores e alunos, não somente transmitindo conhecimentos, mas redescobrindo, construindo e ressignificando estes conhecimentos, além de irem além de suas realidades pessoais, sociais e emocionais.

Essa capacidade que Freire apregoa, quando frisa que as pessoas através da criticidade podem e devem intervir na realidade em que se encontram, transformando-a para atender suas necessidades e anseios; esse fazer coletivo nos remete a Brecht e à idéia que o autor tinha acerca do teatro como um trabalho de “todos” com vistas a mudanças sociais.

6.5 A Articulação Brecht, Boal e Freire: Uma Abordagem das Mazelas

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