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Évaluation de la Lettre de Liaison de Sortie

Apesar da importância da inovação tecnológica para o desenvolvimento econômico, a história industrial brasileira não se mostra favorável a essa tendência. O protecionismo vigente durante o processo de substituição de importações, adotado como medida de desenvolvimento nacional, e a falta de concorrência associada a ele, é considerado um dos principais determinantes do baixo esforço inovador das firmas privadas nacionais, dado que o mercado era consideravelmente fechado (ZUCOLOTO e TONETO JUNIOR, 2005).

Assim, devido ao modelo de industrialização dependente da atração de empresas multinacionais, a indústria brasileira possuía pouca capacidade de inserção internacional até fins dos anos 80. Consequentemente, quando ocorreu a abertura comercial, o Brasil já havia estabelecido uma estrutura industrial estagnada e sem incentivo à inovação e à diferenciação de produtos (DE NEGRI, SALERMO e CASTRO, 2005). Adicionalmente, entre 1980 e 1994, o País sofreu um período de distúrbio macroeconômico, durante o qual poucas fábricas novas conseguiram se estabelecer, bem como foram introduzidas escassas técnicas inovadoras de produção (CASTRO, 2003).

Nos últimos anos, apesar de a indústria brasileira estar entre as maiores e mais diversificadas dos países em desenvolvimento, as exportações de produtos nacionais ainda possuem baixo teor tecnológico, sendo ainda altamente caracterizadas por commodities intensivas em mão de obra e recursos naturais. Enquanto que as commodities primárias representam cerca de 40% do total de exportações, os produtos de média intensidade tecnológica representam 18% da pauta e os de altas e médias intensidades tecnológicas pouco mais de 30% do total exportado pelo país (DE NEGRI, SALERMO e CASTRO, 2005).

A industrialização brasileira seguiu uma dinâmica tradicional de aproveitamento de economias de escala e de aglomeração, e concentração das atividades produtivas. Sendo assim, apesar dos mais de 5 mil municípios brasileiros, apenas 250 deles representam cerca de 70% do pessoal ocupado e mais de 85% do valor adicionado e das exportações da indústria. No caso das firmas tecnológicas, a concentração se mostra mais evidente, 98% do total do valor da transformação industrial das firmas que inovam e diferenciam produtos

são realizados nos 250 municípios de maior atividade industrial (DE NEGRI, SALERMO e CASTRO, 2005).

A partir daí, considerando que a firma compete no mercado, via preço ou via diversificação, De Negri, Salermo e Castro (2005) classificaram as empresas brasileiras em: firmas que inovam e diferenciam produtos, correspondendo a 1,7% do total de empresas na indústria brasileira em 2000; empresas especializadas em produtos padronizados, que correspondiam a 21,3%; e firmas que não diferenciam produtos e têm produtividade menor, obedeciam a 77,1%.

Contudo, estas últimas correspondiam a apenas 11,5% do faturamento e a 38,2% da mão de obra ocupada na indústria, enquanto que as firmas correspondentes à primeira categoria representavam 25,9% do faturamento industrial e 13,2% do emprego gerado. É importante destacar ainda que o estudo aponta que a escolaridade média do trabalhador nas firmas que inovavam e diferenciavam produtos é significativamente maior do que nas demais empresas.

Além disso, o tempo de permanência médio do trabalhador em um emprego também era maior nessas firmas. Verifica-se, ainda que as empresas brasileiras da indústria que inovavam e diferenciavam produto geravam postos de trabalho de maior qualidade, pois possuíam mão de obra mais qualificada, com maiores salários e com mais estabilidade no emprego (DE NEGRI, SALERMO e CASTRO, 2005).

No Brasil, as empresas com elevado número de funcionários (acima de 500) representaram aproximadamente 92% de todo o investimento em P&D interno e externo observado na indústria em 2005 (ALVES e DE NEGRI, 2009). Viotti, Baessa e Koeller (2005) constataram que a taxa de inovação da indústria brasileira é significativamente menor do que a da indústria dos países europeus.

No caso brasileiro, tanto nas firmas especializadas em produtos padronizados quanto nas que não diferenciavam produtos e possuíam produtividade menor, o processo de inovação estava intensamente relacionado à difusão tecnológica realizada, principalmente, por meio da inovação de processo. Observa-se que 78% das empresas que realizaram inovação de processo, entre as especializadas em produtos padronizados apontaram a inovação de outra empresa como o principal responsável. Nas firmas que não

diferenciavam produtos e possuíam produtividade menor, essa proporção era de 88,3%,e nas que inovavam e diferenciavam produtos, menos da metade das inovações de processo, 47,5%, eram realizadas por outra firma.

Em relação à inovação de produto, nas firmas que inovavam e diferenciavam produtos, 95% das inovações foram realizados pela própria empresa, por outra empresa do grupo ou em cooperação. Para as firmas especializadas em produtos padronizados, esse percentual cai para de 88,5%, e para as firmas que não diferenciavam produtos e possuíam produtividade menor, ele era de 78,1% (KOELLER e BAESSA, 2005).

Ao verificar a distribuição setorial no País, destaca-se que nas empresas que inovavam e diferenciavam produtos predominavam atividades de montagem, as quais correspondiam a 76% das exportações desse tipo de empresa. Além disso, essas firmas estão concentradas nos setores mecânico, químico e eletrônico, que totalizavam 61,6% da indústria brasileira. Ademais, 83,4% das firmas especializadas em produtos padronizados se aglomeravam nas indústrias de processo (KUPFER e ROCHA, 2005).

O Brasil se distingue dos outros países em desenvolvimento, uma vez que se insere nas exportações de produtos de média intensidade tecnológica, a partir de inovação de produto. Além disso, ele se destaca, ao exportar produtos de alta intensidade tecnológica através das inovações de processo, apesar de essas serem dependentes da incorporação de máquinas e equipamentos e de outros componentes, que não são produzidos internamente (DE NEGRI, 2005).

Ao comparar o Brasil com um grupo de países da OECD, observa-se que o esforço tecnológico industrial nacional é limitado na maioria dos setores, sendo a diferença maior nos setores intensivos em tecnologia. Destaca-se ainda que um dos determinantes do baixo esforço tecnológico realizado pela indústria de transformação nacional é a essa diferença entre a estrutura produtiva brasileira e a estrangeira (ZUCOLOTO e TONETO JUNIOR, 2005).

Estudo divulgado pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial - IEDI (2011) destaca que o perfil da ciência e tecnologia no Brasil apresenta várias deficiências em relação à média da OCDE. Entre elas estão: a baixa intensidade do P&D, o baixo nível de recursos humanos na área de ciência e tecnologia, o baixo desempenho da

produção de patentes e o reduzido nível de empresas executando inovação de produtos e/ou colaborando na realização de inovação. Apesar disso, o País apresenta uma crescente produção científica e um alto número de doutores per capita.

Ao comparar dados de gastos de P&D e de capital humano do Brasil com um grupo de países da OCDE, Furtado e Carvalho (2005) revelam diferenças estruturais nos padrões de esforço tecnológico dos setores. Além de o País realizar menos esforços tecnológicos que os países desenvolvidos, estas diferenças se evidenciam ainda mais nos setores de alta intensidade tecnológica em relação aos de média e baixa tecnologia, seguindo a classificação da OCDE. Tal fenômeno caracterizaria maior homogeneidade setorial das intensidades de P&D na indústria brasileira.

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