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Étude de la pertinence des descripteurs et des régions

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des descripteurs

3.5 Étude de la pertinence des descripteurs et des régions

O bebê depende dos cuidados de pessoas mais experientes para que não sucumba no desamparo físico e psíquico. Para Mendes e Seidl-Moura (2009), as interações afetivas são

entendidas então como contextos privilegiados na sobrevivência e no desenvolvimento emocional de bebês. Essas interações afetivas não ocorrem apenas com bebês e adultos, mas podem ocorrer na interação com outras crianças (Moura, 2012; Amorim, Anjos & Rossetti-Ferreira, 2012; Costa & Amorim, 2015; Amorim & Rossetti-Ferreira, 2008). Os bebês, em atividade social comum, relacionam-se e se comunicam com outras crianças, mesmo sem linguagem verbal, já que os bebês possuem vários recursos comunicativos (olhar, estender a mão/braço, engatinhar, sorrir, recuar, buscar colo, pegar, empurrar, entre outras) (Amorim, 2012) e alta capacidade comunicativa e interativa a partir das expressões emocionais (Ferreira, 2013).

Para compreender as interações de bebês em contextos de acolhimento institucional se pensou relevante adentrar o espaço das emoções e trocas afetivas como formas comunicativas utilizadas pelos bebês nesses espaços.

Autores como Cohn e Tronick (1987), além de Kaye e Fogel (1980), revelam que as emoções e comunicações emocionais, no caso de bebês, têm uma organização mais definida do que se imaginava e depende, em grande parte, das interações que o bebê estabelece em seu entorno. Ferreira (2013) descreve, nesse sentido, a complexidade com que o bebê pode expressar suas emoções ao longo do primeiro ano de vida, por meio de expressões faciais (como o sorriso, choro, irritação, incômodo, modos de olhar), corporais (movimentos de corpo, cabeça, pernas e braços, de forma coordenada ou não) e pelas vocalizações (grunhido, gemido, grito).

De acordo com essa autora, o bebê tem, em seu primeiro ano de vida, um predomínio de manifestações emocionais que desencadeiam nos parceiros reações que se desdobram podendo satisfazer suas necessidades primordiais. O parceiro ativo nesse cuidado, uma vez requerido pelo bebê, cumpre a função de interpretar essas manifestações emocionais. Assim, aqueles atribuem significados a estas reações e tentam satisfazer as necessidades que aparecem por meio dessas expressões (Galvão, 2008). Dessa forma, pode-se dizer que há na interação, a possibilidade de uma comunicação afetiva entre parceiro e bebê, de construção de relação afetiva e é por meio dessas interações e manifestações que a criança passará a ter acesso ao universo simbólico de sua cultura.

Galvão (2008) afirma que existem construções teóricas clássicas sobre as emoções. Segundo a autora, muitas delas trazem uma lógica mecanicista, sem condições de compreensão e apreensão da emoção na sua complexidade. Analisando esse campo, a autora destaca que a abrangência e as inúmeras fontes epistemológicas existentes que explicam que as emoções têm trazido muitas (in)definições ao longo da história, em que se destacam concepções de cunho idealista, dualista ou mesmo naturalista no bojo de suas construções conceituais.

Usualmente, as emoções têm sido estudadas a partir de um referencial de um funcionamento neurovegetativo que, concomitante a isso, agrega-se à produção de expressões na face, na postura e

execução dos gestos. A partir destes, demonstram-se expressões de bem-estar ou mal estar (Galvão, 2008); ou, como descrito em sua forma mais ampla, como "sensações agradáveis e desagradáveis que, de alguma forma marcam o corpo e manifestam-se através dele" (Magiolino, 2010, p.44). Porém, Galvão ressalta a importância de estudar as emoções para além de seus componentes biológicos, numa perspectiva relacional e contextualizada (Galvão, 2008).

Assim, dentre as várias proposições existentes, numa perspectiva histórico cultural, com ênfase nas contribuições de Henri Wallon, a emoção passa a ser discutida em sua função socialmente organizadora, que influencia e transforma a atividade, o comportamento e o desenvolvimento da pessoa, a depender dos contextos em que se dão as interações humanas (Galvão, ibid). Compreender, por certo, as emoções sob esse enfoque histórico-cultural é "compreendê-las em seu processo de mudança ao longo da história humana" (Magiolino, 2010, p.41), é fazer menção às suas possibilidades ativas e processuais de se desenvolverem (ou não), frente aos contextos de relações onde os sujeitos estão imersos.

Amorim (2012) afirma, nessa lógica, que a emoção "é a base da afetividade que se desdobra, passando a ser vinculada a processos relacionais e culturais (...), sendo base para a própria constituição do ser humano" (p. 306). Assim, estudar o desenvolvimento sob esta ótica significa estudar "o processo de constituição do sujeito, de suas características, em um movimento permanente que resulta das pautas de interação das quais ativamente participa" (Zanella et al, 2006, p.26).

Conforme citado por Amorim (2012):

"No dialogismo das relações, no jogo de papéis/contra papéis, isso atribui ao bebê diferentes formas de lidar com aquela emoção, a mesma devendo ser evitada, exacerbada ou usada como moeda de negociação. A própria manifestação da emoção (e de outros recursos) é, portanto, construída nas práticas sociais, através de intensa negociação segundo-a-segundo entre o bebê e o outro, em que o bebê tem papel ativo, contribuindo junto com o outro para circunscrever alguns dos percursos e da própria constituição (p.171).

Assim, no caso da interação da criança com o outro que cuida, há oportunidades, em decorrência destas trocas, de a criança reconhecer expressões que sinalizam mensagens de afeto, alegria, tristeza, raiva, entre outras expressões emocionais, além de perceber e antecipar comportamentos emocionais de outras pessoas, atribuindo a estes, significados (Mendes & Seidl- Moura, 2009).

Estes trabalhos apontam para o desenvolvimento de estudos que demonstram formas do bebê interagir e se comunicar, em diferentes contextos. Dessa maneira centrar-se-á nas interações de bebês com outras crianças. Mais especificamente, o foco será dado às interações envoltas por práticas de cuidados entre as mesmas, dentro de contexto de acolhimento institucional.

CAPÍTULO 3 - O CUIDADO NAS INTERAÇÕES DE CRIANÇAS

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