III.2 Sélection d’une approche mathématique
IV.1.2 Étude de la forme des solutions
Para compreender melhor as concepções de avaliação das aprendizagens que subjazem às práticas docentes estudadas, analisaram-se os resultados obtidos com enfoque nas estratégias que os educadores de infância participantes usavam para avaliar as aprendizagens das crianças na EPE. Neste sentido, recolheram-se dados sobre as técnicas e instrumentos de avaliação utilizados, e os momentos e os intervenientes do processo de avaliação das aprendizagens.
Técnicas e instrumentos de avaliação das aprendizagens
A análise dos resultados obtidos relativamente às técnicas e instrumentos de avaliação usados pelos educadores de infância, corrobora a análise dos resultados já apresentados relativos às concepções de avaliação das aprendizagens como medida, uma vez que é referido na entrevista a utilização de uma grelha de observação aplicada no final do ano lectivo, com inúmeros itens cujo objectivo é verificar se a criança os atinge ou não.
33 Recorda-se o já mencionado no capítulo 2 (metodologia) onde se menciona que o guião das conversas com as crianças tinha questões orientadoras semelhantes aos guiões das entrevistas aos educadores e pais, mas mais focadas nas questões de natureza mais prática e experiencial. Assim, e remetendo à grelha de análise I, os resultados obtidos no que se refere às crianças participantes no estudo centram-se ao nível da categoria ‘Estratégias para avaliar as aprendizagens’ (sub-secção que se apresenta de seguida) e não nas restantes categorias.
No final do ano há então uma grelha de observação da Instituição para cada idade […] Grelhas que vêm só para preencher cumpre, não cumpre (Entrevista a C.).
As grelhas apresentam itens de observação que são preenchidos com uma cruz no “cumpre” ou “não cumpre”. Os itens são organizados por áreas: motricidade, pessoal/social, audição e fala, coordenação olho-mão, realização e raciocínio prático. (…) baseados na Escala de Desenvolvimento Mental de Ruth Griffiths (1960) – Griffiths, 1970. Os itens que constam nas grelhas de observação são diferentes consoante a idade da criança para quem a grelha é dirigida. (…) A grelha termina com um espaço em branco intitulado “comentários da educadora”. O espaço equivale a meia página A4 e termina com um espaço para a assinatura da educadora” (Diário de investigação – Registo da análise das grelhas de avaliação, Fase II).
Alves (2004) relaciona a concepção behaviorista da avaliação das aprendizagens com a recolha de informação através de instrumentos que satisfaçam as exigências de validade e de objectividade, como é o caso das grelhas de observação. Esta relação é observada nos resultados obtidos dada a relevância e importância que os educadores participantes parecem colocar na utilização da grelha de observação.
Para avaliar as aprendizagens das crianças, os resultados obtidos evidenciam que os educadores de infância, além da utilização de grelhas de observação, também recorrem:
a) à construção e utilização de tabelas de comportamento onde classificam o bom, o mau e o comportamento mediano da criança através de símbolos de diferentes cores:
Observei, à hora de preparação para a sesta (lavar mãos, caras, dentes e deitar), a educadora dizer: “hoje têm todos bolinhas verdes”. Ao questionar a (educadora) sobre isso ela referiu-me que as crianças se comportavam muito mal na preparação da sesta e uma estratégia foi dizer que ia começar a classificar o comportamento deles, dando verde se fosse bom, amarelo se fosse mais ou menos e vermelho se fosse mau” (Diário de investigação – Notas de campo relativas à observação das práticas de E., Fase II).
Isso das bolinhas (…) desenvolvimento de competências sociais (…) há três cores, há bolinha vermelha, há bolinha verde e há bolinha amarela (…) à criança no final da actividade, pergunto (…) e é engraçado que eles nesta altura já conseguem atribuir a si próprio uma cor (…) Está na sala (a tabela do comportamento diário), está e os pais têm acesso a ver (…)vemos o geral do dia porque essas bolinhas podem alterar-se (Entrevista à L.). b) à observação de várias situações de aprendizagem sem no entanto fazerem o seu registo: As crianças serão avaliadas através da observação directa numa actividade espontânea ou provocada (Relatório de avaliação do Projecto Curricular de Grupo do ano lectivo 2007/2008 de E.).
Observava esporadicamente mas confesso que não, não registava (Entrevista à S.).
c) à realização de reuniões entre educadores e entre educadores e pais onde abordam alguns aspectos do processo de aprendizagem que consideram relevantes:
Em reunião do corpo pedagógico falamos um bocadinho. Às vezes até comparamos situações de crianças que… situações semelhantes ou nós estamos a falar dum problema que achamos que temos na sala, como é que as coisas já tiveram, como é que se resolveram, qual foi a evolução (Entrevista à C.).
Quando era importante falar sobre algum aspecto relacionado com a criança (…) marcava uma hora, uma data, para falar fundamentalmente… Temos uma hora de atendimento. (…) Essa reunião demorava uma hora, hora e meia e eu falava daquilo que eu achava e eles (os pais) falavam das preocupações deles (Entrevista à P.).
Questionados os pais e as crianças participantes sobre o conhecimento que tinham das técnicas e instrumentos de avaliação das aprendizagens usados pelos educadores de infância, e cruzando os resultados obtidos com os oriundos da análise aos educadores (cuja análise comparativa deu origem à figura 4.3.), torna-se evidente, pela comparação dos marcadores (de cor azul, verde e amarela) da figura, que estes ao longo do processo de avaliação das aprendizagens valorizam fontes diversas de recolha e partilha de informação sobre a criança.
0 25 50 75 100 125 150 175 200 225 0 1 2 3 4 5 6 7 Indicadores de análise U n id ad e d e en u m er aç ão
Educadores de Infância Pais Crianças
(iii) Utilização de uma tabela para classificação de comportamentos (i) Observação como
estratégia avaliativa (sem recurso ao registo) (iv) Análise dos trabalhos realizados (v ) Partilha a informação recolhida em conv ersas informais
(v i) Realização de reuniões (ii) Recurso a uma grelha de observação no fim do ano lectiv o
Figura 4.3. Resultados obtidos relativos às técnicas e instrumentos de avaliação das aprendizagens utilizados
nas práticas pedagógicas durante a fase II da investigação.
Uma análise comparativa dos resultados apresentados relativos ao discurso dos educadores de infância e dos pais participantes na investigação (marcadores de cor azul e de cor verde, figura 4.3.), evidencia que os pais têm conhecimento da utilização da grelha de observação no final do ano, uma vez que a mesma é-lhes facultada. Contudo, parecem privilegiar, como meio de obtenção de informação sobre o processo de avaliação das aprendizagens da criança, as conversas informais que têm com os educadores e com as crianças ao longo de todo o ano lectivo. Esta é uma dimensão nova de análise que surge no discurso dos pais quando comparado com o discurso dos educadores (onde tal aspecto não é focado).
Quando chego para vir buscar a [minha filha] a [educadora] diz-me sempre o que é que fez, como é que ela se portou, o que é que fez, diz-me sempre. (…) Ela quando fala comigo, tenta ser o mais sintética possível, não é, fala do comportamento, fala que a [criança], por exemplo, tem muita facilidade em captar as informações, (…) que é um pouco distraída. (…) E a própria [nome da filha] também me diz (…) conversamos imenso. À hora do jantar por norma o meu marido pergunta-lhe sempre como é que foi o dia dela e, então, ela diz o que é que faz e o que é que deixa de fazer (Entrevista a P2).
A gente conversa com ela (a educadora) e ela logo diz, pronto, os critérios dela, se está bem, se está mal. (…) Também lhe pergunto sempre como é que foi o dia, como é que não foi. Se não for naquele dia pergunto no dia a seguir (…) [A criança] vai sempre dizendo ou ao fim do dia perguntamos o que é que ela fez, o que não fez, o que aprendeu, o que não aprendeu (…) porque vamos falando sempre, não há surpresas (Entrevista a P3.)
Outra dimensão que a análise dos resultados apresentados relativos aos discursos dos pais acrescenta no que se refere às técnicas e instrumentos de avaliação das aprendizagens é a análise dos trabalhos realizados. Evidências recolhidas permitem inferir que os trabalhos das crianças são vistos como mais uma forma de obter informação sobre o percurso de aprendizagem dos seus filhos:
Conforme vou entrando pelos corredores também vejo logo o que é que andaram a fazer (Entrevista a P13). Quando vejo os desenhos, o que é que ela fez, como é que não fez, se pinta melhor, se pinta pior (…) A única coisa que eu vejo é os desenhos que ela faz, a maneira como ela se expressa mesmo em casa a pintar e a falar (Entrevista a P8).
Cruzando a análise dos resultados obtidos relativos ao discurso das crianças (marcadores de cor amarela, figura 4.3.) com os obtidos através dos discursos anteriores (pais e educadores), poder-se-á constatar que existem evidências de que as crianças mencionam as técnicas e instrumentos em que participam e que lhes estão mais próximo, como é o juízo de valor que os educadores tecem sobre os trabalhos que realizam e as conversas que observam entre os educadores e os pais:
Porque faço tudo (sempre bem) (…) (e a educadora) Diz muito giro. (…) Umas vezes eu pinto um bocadinho de fora. E o que é que a [educadora] diz? Diz “[nome da criança] se calhar pintaste de fora” e eu digo “se calhar pintei”. (…) Quando está mal, as pinturas desaparecem (Conversa com C3).
E mostras à [educadora] (o trabalho), e a [educadora] diz alguma coisa? Sim. O que é que ela diz? Diz que fizeste muito bem. E ficas todo orgulhoso quando ela diz que fizeram muito bem? (a criança diz que sim com a cabeça). E quando fazes menos bem, acontece fazeres os trabalhos não tão bem? Acontece. E o que é que acontece? Diz que não está muito bem e depois faço bem (Conversa com C16).
E o que é que elas (mãe e educadora) conversam? Se eu portei-me bem, se eu fiz os trabalhos muito bem feitos e a [educadora] diz que sim (Conversa com a C7).
Os resultados obtidos registam também evidências no discurso de duas crianças sobre a utilização da tabela de classificação de comportamento e sobre a leitura que fazem do seu preenchimento:
Aprendo a portar bem, e a portar mais ou menos e a portar mal e mais ou menos a voltar. (…) Disse que eu portei-me muito bem e que a (educadora) me deu uma bola verde (Conversa com a C1).
Há quatro cores de bolas: verde é muito bem, amarelo é assim-assim, laranja é mau e vermelho muito mau (Conversa com a C15).
De uma forma geral, e no que se refere às técnicas e aos instrumentos de avaliação das aprendizagens utilizados, a análise dos resultados apresentados regista que educadores, pais e crianças valorizam aspectos diferentes (figura 4.3.):
1. Os educadores de infância, em primeira instância, valorizam a grelha de observação que usam no final do ano lectivo, em segunda instância a utilização de uma tabela de classificação de comportamentos das crianças e em terceira instância, de forma muito pouco expressiva, a realização de reuniões para partilha e interpretação da informação recolhida sobre o processo de aprendizagem da criança;
2. Os pais, por contraste aos educadores, valorizam a partilha de informação através das conversas informais que têm com estes, aspecto não mencionado pelos educadores de infância. Outro aspecto que referem, também com algum significado, é o recurso à grelha de observação e a análise realizada aos trabalhos elaborados pelas crianças.
3. O olhar das crianças participantes na investigação distingue-se dos pais e educadores na medida em que valoriza, em primeira instância, a análise dos trabalhos por si realizados. Aproxima- se do olhar dos pais, por oposição à dos educadores, ao valorizar também de forma muito expressiva a partilha de informação recolhida entre pais e educadores através de conversas informais.
Momentos do processo de avaliação das aprendizagens
Quando questionados sobre os momentos do processo de avaliação das aprendizagens, os educadores e pais participantes na investigação corroboram o facto da avaliação das aprendizagens ter um momento específico definido pela Instituição que consiste na entrega aos pais da grelha de observação preenchida no final do ano lectivo. Já as crianças não mencionam este aspecto nos seus discursos, uma vez que não participam nele.
Intervenientes do processo de avaliação das aprendizagens
A análise dos resultados obtidos permite extrair dados que indicam, sob o ponto de vista dos educadores e pais participantes no estudo, quais os intervenientes no processo de avaliação das aprendizagens. Relativamente aos discursos dos educadores participantes no estudo, os resultados obtidos apontam como intervenientes a psicóloga da insttituição, os auxiliares de acção educativa, as crianças e os pais. Contudo, os resultados obtidos inerentes ao período de observação evidenciam indícios de que o processo de avaliação das aprendizagens contava apenas com cada
educadora como interveniente, sendo a psicóloga quem construía as grelhas de observação e os pais os receptores da informação proveniente desse momento de observação sob a forma de grelha. Isto parece revelar que os intervenientes mencionados pelos educadores nos seus discursos efectivamente faziam parte do processo, mas sem exercer qualquer papel activo ou influência nas decisões inerentes ao processo avaliativo da criança. Esta evidência recolhida aquando do período de observação nesta fase de investigação parece estar igualmente presente na análise dos resultados obtidos relativos às entrevistas aos pais das crianças, quando estes mencionam que não participam nem intervêm no processo de avaliação das aprendizagens (como se evidencia nos excertos seguintes) mas que vão obtendo informação através dos educadores e dos seus filhos em conversas informais e, esporadicamente, através da psicóloga.
Não, não conheço as formas como ela (a educadora) avalia, não. (…) Normalmente, é a [educadora] que diz às vezes estão a fazer isto, estão a fazer aquilo e mais ou menos (Entrevista a P1).
Como faz a avaliação não sei. (…) Nem tão pouco participo nela (Entrevista a P10).
Para mim a avaliação é aquela folhinha que a (educadora) manda no final do ano juntamente com a (a psicóloga) em que me faz uma avaliação como é que ela está (…) Não, tirando a grelha não (tenho conhecimento das aprendizagens realizadas) (Entrevista a P11).
É de salientar que embora os resultados obtidos revelem evidências de que os pais referem não participar neste processo, também é visível que os mesmos mencionam recolher informação relevante sobre as aprendizagens dos filhos com o objectivo de os ajudar a progredir/evoluir:
Eu avalio, pessoalmente, eu avalio (…) avalio cada passo que ele (criança) dá (…) Sim, comigo, para mim (Entrevista a P1).
Se eu souber que elas estão a dar as estações do ano procuro reforçar e falarmos [mãe e filha] também um bocado sobre isso (Entrevista a P4).