A obtenção de dados relacionais, a sua homogeneização e tratamento, aplicados aos fluxos verificados em cada infraestrutura portuária, constituiu uma componente temporalmente extensa na presente pesquisa. A existência dos dados relacionais, bem como a possibilidade de obtenção dos mesmos, foi alicerçada no desenvolvimento da JUP e da JUL, que são fontes de dados principais. Embora a disseminação dos dados portuários esteja amplamente difundida, não está totalmente ou suficientemente desagregada.
Outro aspecto importante que determina a utilidade deste estudo, está relacionado com a obtenção de toda a informação disponível acerca dos fluxos portuários. Para além do tempo despendido na obtenção de bases de dados desagregadas para cada uma das três infraestruturas portuárias (Lisboa, Setúbal e Sines), a obtenção de dados de fluxos afectos aos hinterland nacionais são de carácter reservado, porque são de natureza comercial, e não estão disponibilizados. Esta informação foi transmitida tardiamente e esta indisponibilidade de dados limita a análise adequada do
hinterland do Sistema Portuário do Arco Metropolitano de Lisboa. No entanto, embora condicione a
investigação, não limita o desenvolvimento da metodologia de análise e posterior simulação. Área
Metropolitana de Lisboa
1.Alcochete 2.Almada 3.Amadora
4.Barreiro 5.Cascais 6.Lisboa
7.Loures 8.Mafra 9.Moita
10.Montijo 11.Odivelas 12.Oeiras
13.Palmela 14.Seixal 15.Sesimbra
16.Setúbal 17.Sintra 18.Vila Franca de Xira
Alentejo Litoral
19.Alcácer do Sal 20.Grândola 21.Odemira
22.Santiago do Cacém 23.Sines Região de
Leiria
24.Batalha 25.Leiria 26.Marinha Grande
27.Pombal 28.Porto de Mós 29.Alvaiázere
30.Ansião 31.Castanheira de Pera 32.Figueiró dos Vinhos 33.Pedrógão Grande
Oeste 34.Alcobaça 35.Alenquer 36.Arruda dos Vinhos
37.Bombarral 38.Cadaval 39.Caldas da Rainha
40.Lourinhã 41.Nazaré 42.Óbidos
43.Peniche 44.Sobral de Monte Agraço 45.Torres Vedras
Lezíria do Tejo 46.Almeirim 47.Alpiarça 48.Azambuja
49.Benavente 50.Cartaxo 51.Chamusca
52.Coruche 53.Golegã 54.Rio Maior
55.Salvaterra de Magos 56.Santarém
Médio Tejo 57.Abrantes 58.Alcanena 59.Constância
60.Entroncamento 61.Ferreira do Zêzere 62.Mação
63.Ourém 64.Sardoal 65.Sertã
66.Tomar 67.Torres Novas 68.Vila de Rei
69.Vila Nova da Barquinha Alentejo
Central
A análise de fluxos, bem como a utilização de dados relacionais, já é usada em diferentes estudos sendo possível, inclusivamente, diferenciar diferentes níveis de espaços de fluxos e mesmo de dados relacionais. Repare-se, por exemplo, nos três níveis de espaços de fluxos ( com destaque para as infraestruturas e para os nós e pontos centrais de uma rede) bem como nos dados relacionais obtidos nestes espaços de fluxos (ver Tabela 4.6) (Li 2018).
Tabela 4.6 : Sumário de níveis de espaços de fluxos e dados relacionais Fonte: T. Li et al. (Li 2018)
Os dados foram obtidos a partir de várias fontes e de organismos públicos, de acordo com a Tabela 4.7.
O destaque inicial é dedicado ao Instituto Nacional de Estatística, ao Instituto da Mobilidade e dos Transportes e ao IPTM, onde o acesso às bases de dados é feita através das páginas “Web”, onde o trabalho de análise já efectuado, especificamente no INE é importante e útil. O ano de referência desta investigação é 2013, e tendo sido esta escolha já justificada, reforça-se que foi o ano com o maior impulso das transacções no sector marítimo-portuário nos últimos dez anos, o que demonstra a importância e o impacto que estas oscilações podem ter no território.
A existência de bases de dados “on-line” não substituiu a necessária colaboração dos recursos humanos dos Departamentos e Gabinetes de Estudos, Planeamentos e Estatísticas das fontes indicadas, e em particular, das Administrações Portuárias de Lisboa, Setúbal e Sines. A obtenção, tratamento e homogeneização das diferentes bases de dados obtidas directamente das instituições atrás indicadas revestiu-se de uma dimensão temporal bastante alargada. A natureza da informação obtida e a sua sensibilidade comercial deve ser considerada para compreender as dificuldades existentes em acedê-las. No entanto, é de salientar que se nas Administrações Portuárias de Setúbal e Sines existiu a disponibilidade para aceder às bases de dados, o mesmo não sucedeu com a Administração Portuária de Lisboa.
Levels of space of flows Relational data Representative studies 1st level
Infrastructure
Flow of traffic Smith and Timberlake (2002), Derudder et al. (2005), Taylor et al. (2007), Van Nuffel et al. (2010), Luo et al. (2011)
Flow of
telecommunication
Moss and Townsend (2000), Townsend (2001), Rutherford et al. (2004), Hall and Pain (2006) 2nd level
The nod and hub
Firm branches of advanced producer services
Beaverstock et al. (1999, 2000, Taylor (2001), Taylor et al. (2001, 2002), Derudder et al. (2005), Derudder and Taylor (2005), Derudder and Witlox (2005), Derudder (2006), Taylor (2006), Pain (2008), Taylor and Aranya (2008), Taylor et al. (2010), Tang and Zhao (2010), Zhao and Tang (2010), Yin et al. (2011)
Firm branches of all industrial sectors
Alderson et al. (2004, 2007), Wall (2009), Tang and Zhao (2010), Zhang (2010), Lv (2012), Tang and Li (2014a, b), Zhu et al. (2014)
Flow of news and information
Taylor (1997), Tang and Zhao (2009a, b), Xiong et al. (2013, 2014), Liu and Zhang (2014) Flow of business Hall and Pain (2006)
Commodity chains Rossi et al. (2007) 3rd level
The elite space
Spatial distribution and flow of elite labor force
Beaverstock et al. (2000, 2004), Beaverstock (2007)
Página 112 de 192 Da Regionalização do Sistema Portuário do Arco Metropolitano de Lisboa Note-se igualmente que a não obtenção dos dados relativos aos fluxos de mercadorias, relativos portanto às cadeias de valor globais, é uma problemática afirmada por diversos autores, constituindo inclusivamente uma fragilidade nos diferentes sistemas de planeamento (do territorial ao económico) (Amador 2017). O mesmo problema é identificado em 2017, pelo então Presidente da Comunidade Portuária de Sines (CPSI) Eng.º Jorge D’ Almeida, do qual se retém a importante afirmação:
“Um dos problemas em Portugal é a falta de informação a nível de fluxos portuários, não só por razões institucionais, mas também tecnológicas. Infelizmente, temos a ideia que essa informação é privada e não pode ser divulgada, mas somos o único pais no mundo a pensar assim. Em Espanha, quem quiser tem acesso à informação. E é muito mais produtivo que essa informação seja pública, pois permite a optimização das cadeias de negócio. Não se pode atrair carga para Portugal se não se conhecem os fluxos de carga. A tecnologia permite ter toda a informação, falta que mude apenas a mentalidade.”(D'Almeida 2017)
Tabela 4.7 : Fontes para a obtenção dos dados estatísticos Fonte : Autor
Deste modo, a reunião de elementos para o desenvolvimento da caracterização de fluxos de carga foi obtida através da divulgação pública de dados a que cada Administração Portuária é obrigada e, em seguida, através do contacto directo com cada Administração Portuária. A informação solicitada pretendia analisar o fluxo de cargas portuárias em quatro escalas territoriais distintas: ( i ) Hinterland – Cargas e Descargas com origem/destino em território terrestre Nacional ou
Ibérico.
( ii ) Foreland Nacional – Cargas e Descargas entre portos Nacionais;
( iii ) Foreland Ibérico – Cargas e Descargas entre portos Espanhóis; e, finalmente
( iv ) Foreland Internacional – Cargas e Descargas internacionais;
Com origem nas consultas desenvolvidas, obtiveram-se os dados relativos aos movimentos de carga, no ano de 2013, dos portos de Setúbal e Sines. Estes movimentos de carga têm carácter inter-portuário internacional e nacional, contudo nunca responderam de forma total às solicitações atrás apesentadas. Com efeito, enquanto o porto de Lisboa não forneceu quaisquer tipos de bases de dados, os portos de Setúbal e de Sines colaboraram de forma bastante activa sem, no entanto,
Fontes de base estatística Origem (Web) Data de Consulta
Site de consulta
Instituto Nacional de Estatística Janeiro 2014
http://www.ine.pt
Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos, I.P. Janeiro 2014 http://www.imarpor.pt/informacao_tecnica/estatisticas.htm
Administração do Porto de Sines, SA Janeiro 2014
http://www.portodesines.pt/pls/portal/go
Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra, SA Janeiro 2014
http://www.portodesetubal.pt/setubal_e_sesimbra_estatisticas_portuarias.htm
Administração do Porto de Lisboa, SA Janeiro 2014
http://www.portodelisboa.pt/portal/page/portal/PORTAL_PORTO_LISBOA/ESTATISTICAS
Administração dos Portos do Douro e Leixões, SA Janeiro 2014
http://www.apdl.pt/estatisticas/navios2
Instituto da Mobilidade e dos Transportes, I.P. Fevereiro 2014
atingir o nível de detalhe desejado, devido aos compromissos de sigilo comercial. Neste contexto, os dados relativos ao hinterland nacional nunca foram totalmente acedidos.
O trabalho desenvolvido pela Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra é de salientar no âmbito da comunicação dos dados e da política de transparência usada para a construção dos seus Relatórios Estatísticos que é muito positiva e esclarecedora e com um nível de detalhe ímpar na comunicação online. O relatório da Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra, SA56, para a movimentação de mercadorias no ano de 2013, exemplifica o modelo de
trabalho que serviu para solicitar às restantes Administrações Portuárias as bases de dados necessárias. A matriz de tratamento de dados utilizada neste estudo foi adequada através da matriz de dados do Relatório Estatístico mencionado.
O processo de homogeneização e sistematização dos dados geográficos procura uma aplicabilidade mais adequada ao sector portuário e logístico, mas também busca análises territoriais mais específicas e de grau mais fino. Os níveis de análise observados nos diversos documentos consultados estão limitados geograficamente à Nomenclatura das Unidades Territoriais para Fins Estatísticos (NUTS) que abrangem territórios espacialmente mais alargados.
Neste contexto, é adoptado o sistema UN/LOCODE57, da Organização das Nações Unidas
(ONU) para a indicação de trocas comerciais e de localização de transportes. O sistema UN/LOCODE (United Nations Code for Trade and Transport Locations) corresponde à norma ISO 3166, que lista o nome abreviado dos países em Inglês, e desdobra em unidades territoriais menores os países indicados. Portugal é apresentado como PT e seguidamente é desdobrado em 814 unidades territoriais onde, por exemplo, Lisboa é PT LIS, Setúbal é PT SET e Sines é PT SIE. A vantagem natural da adopção deste modelo é a adequação natural a um sistema internacional que tem como base as trocas comerciais e transportes e a perspectiva de assumir um grau mais fino de informação base para a localização geográfica.
Na situação nacional e europeia, onde imperam as NUTS, a adopção desta norma UN/LOCODE conduz a um grau de detalhe mais profundo e potenciador da compreensão das realidades regionais e locais.
Em termos comparativos, o sistema UN/LOCODE (ISO 3166) divide Portugal em 814 unidades territoriais enquanto a NUTS III, a subdivisão mais baixa do sistema, refere trinta regiões, das quais vinte e oito correspondem a agrupamentos municipais do território continental.
Embora a divisão administrativa do território nacional contemple a existência de unidades territoriais menores, por exemplo os Municípios e as Freguesias, não existem bases de dados associadas aos fluxos de mercadorias que correspondam a estas mesmas unidades. A utilização da norma ISO 3166 para a análise dos fluxos de mercadorias, identificando e estruturando os dados nacionais sobre as 814 unidades territoriais permite um maior detalhe.
No que respeita à homogeneização e sistematização de dados relativos ao tipo de carga e à natureza da mercadoria salienta-se que a mesma obedece às regras já estabelecidas pelas diferentes entidades consultadas. Um maior cuidado na homogeneização e sistematização de dados por tipo de carga e natureza da mercadoria começa a existir e é comum às diferentes entidades consultadas. No que respeita à natureza da mercadoria seguem-se as Nomenclaturas Uniformes de Mercadorias para as Estatísticas dos Transportes.
56 http://www.portodesetubal.pt/files/2013/anexo_pais_acond_12_2013.pdf