Chapitre 4 - Approche proposée pour la mise en place d’une fonction ou d’un processus
4.6 Étape 4 – Suivre les métriques - Amélioration continue
Da edição escolhida da Folha de S.Paulo, detivemo-nos, portanto, nas notícias, independentemente de ocuparem a página inteira ou apenas o seu rodapé. Nos textos noticiosos dos oito cadernos, observamos as formas lingüísticas que nos interessavam. Selecionamos os verbos de opinião – um total de setenta e quatro – e, a seguir, transcrevemos tais verbos, um a um, recortando um contexto verbal mínimo que incluía necessariamente os discursos a que remetiam. Mais precisamente, importava-nos o enunciado completo, chamado por nós de “enunciado-alvo”, ou seja, aquele que continha, obrigatoriamente, um verbo de
opinião e o discurso de outrem a que remete. Foram também transcritos, para compor um
contexto enunciativo mais amplo, os enunciados completos, imediatamente anteriores e posteriores a esse enunciado-alvo, como mostrado no exemplo abaixo,
[Daiana, de 8 anos] Corre o tempo todo o risco de perfurar as mãos dentro de
um saco plástico preto.
A maioria das crianças diz que trabalha para ajudar a mãe, não por acaso o personagem mais grandioso na maioria das histórias. O pai quase sempre vai embora com outra e deixa a criançada a expensas da mulher (Folha de S.Paulo, 3 de fevereiro
de 2001, caderno Cotidiano, p. C1, grifo nosso),
em que:
- “A maioria das crianças diz que trabalha para ajudar a mãe” é o enunciado-alvo, pois comporta verbo de opinião e o discurso citado;
- “trabalha para ajudar a mãe” é o discurso citado a que o verbo faz menção. Nesse caso, o discurso de outrem está citado na forma indireta;
- “[Daiana, de 8 anos] Corre o tempo todo o risco de perfurar as mãos dentro de um
saco plástico preto” é o enunciado completo imediatamente anterior ao enunciado-alvo;
- “O pai quase sempre vai embora com outra e deixa a criançada a expensas da
mulher” é o enunciado completo imediatamente posterior ao enunciado-alvo.
Apenas quando julgamos necessário, ultrapassamos o limite indicado de enunciados transcritos. Essa necessidade esteve sempre associada ao fato de dependermos, para a compreensão do recorte de enunciados feito, da informação contida em enunciados anteriores ou posteriores aos próprios enunciados imediatamente anteriores ou posteriores aos enunciados-alvo.
Chegamos a transcrever um total de 421 enunciados-alvo (o número de enunciados-alvo é maior do que o número de verbos de opinião, tendo em vista a recorrência de certos verbos) e a mesma quantidade de enunciados completos anteriores e posteriores a tais enunciados- alvo. À seleção quantitativa e à transcrição dos verbos de opinião, seguiu-se um pré- levantamento qualitativo. Cercamos os verbos de várias “perguntas”, as quais acreditávamos poderem indicar pistas importantes sobre as características dos verbos selecionados e sobre o caminho para onde dirigir nossa atenção e análise. Essas “perguntas” foram agrupadas em tabelas, para facilitar nosso trabalho de levantamento.
Deste modo, compunham nossas tabelas de análise os seguintes itens: 1) Verbo de opinião
Indicação do verbo encontrado – “dizer”, “afirmar”, “prometer”, “citar”... –, num total de setenta e quatro verbos diferentes, cuja lista aparece no próximo capítulo.
2) Número de ocorrências
Indicação da quantidade de aparecimentos de cada verbo. Juntos, os setenta e quatro verbos apareceram 421 vezes.
3) Forma de remissão ao discurso de outrem
Anotação do número de vezes que cada verbo apareceu em discurso direto, indireto e indireto livre.
4) Tempo verbal
Indicação da quantidade de ocorrência dos tempos verbais (presente, pretérito e futuro) para cada verbo.
5) Modo verbal
Indicação da quantidade de ocorrência dos modos indicativo e subjuntivo para cada verbo.
6) Formas nominais
Indicação do aparecimento de cada verbo no gerúndio, particípio ou infinitivo. 7) Voz do verbo
Indicação das ocorrências de voz ativa, passiva ou reflexiva.
8) Posição do verbo de opinião em relação ao discurso de outrem
Verificação da posição do verbo em relação ao discurso citado: se o introduzia, o seguia ou o dividia ao meio.
9) Interpretação/classificação do verbo de opinião, segundo o Manual
Separação dos verbos em “mais neutros” e de “carga positiva” ou “carga negativa”, de acordo com denominação do Manual da redação. Em geral, os verbos tidos como “mais neutros” são “dizer”, “afirmar”, “responder”, “perguntar”, “declarar” e “falar”. Os demais são tidos como de cargas “positiva” ou “negativa”.
10) Fonte da informação
Identificação da fonte da informação, à qual se confere a responsabilidade pelo conteúdo do discurso citado. Observamos, em cada enunciado-alvo, como a fonte aparece mencionada: pelo nome próprio, pelo papel social (médico, ministro, enfermeiro, jornalista etc.), como instituição (Igreja, Estado, universidade etc.), por um epíteto (uma qualidade dada à fonte, uma explicação sobre ela: o maior contrabandista do Brasil, o negociador brasileiro no exterior etc.), como documento (ata, registro, carta etc.), como indeterminada (ninguém se diz interessado), como generalizada (todos eles, os ministros, os trabalhadores etc.) ou classificada simplesmente como fonte (a fonte disse, avaliou, afirmou...).
11) Editoria do jornal
Indicação da editoria (caderno) na qual cada verbo apareceu. Como dissemos, as editorias estudadas foram: Brasil, Mundo, Ilustrada, Cotidiano, Dinheiro, Ciência, Esporte e Acontece, além da capa.
12) Lugar de aparecimento
Anotação da freqüência com que cada verbo apareceu, considerada a posição que ocupou no texto noticioso: no próprio corpo do texto, na linha-fina (chamada da notícia, que vem logo acima do título, complementando-o e que só aparece nos principais textos veiculados, ou seja, nos textos que abrem a página), na legenda (rápida explicação que acompanha as fotos), no título ou, ainda, no box (quadro que acompanha o texto, normalmente com números ou informações de destaque não disponíveis nesse texto, complementando-o ou resumindo-o).
Ao preencher as tabelas e analisar os diversos tipos de ocorrência, identificamos os itens que nos trariam os elementos mais significativos para a análise. São eles: o aparecimento dos verbos nas diferentes editorias (item 11), a fonte da informação que é referida pelo verbo (item 10) e a quantidade e forma de aparecimento dos verbos que o Manual chama de “mais neutros” e de “carga positiva” ou de “carga negativa” (item 9). Sobre tais itens falaremos no capítulo seguinte. Os demais foram deixados de lado, pois, embora pudessem iluminar diferentes aspectos do uso dos verbos de opinião, não houve tempo para abordá-los nos limites deste trabalho.