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1. CHAPITRE 1 - ÉTAT DE LA QUESTION

1.3. É TUDES SYNCHRONIQUES

Como referido anteriormente, o domínio de aplicação das técnicas de Engenharia Natural é essencialmente construtivo, apresentando como soluções construtivas para a estabilização e proteção do solo assim como no controlo da erosão, tendo a capacidade de se adaptarem a qualquer domínio construtivo quer seja meios terrestres, fluviais ou costeiros. Contudo, este capítulo apenas fará referência às técnicas de Engenharia Natural aplicadas na recuperação de taludes em meios terrestres, uma vez que se enquadra no âmbito do trabalho e das intervenções a serem propostas para a área de estudo.

As intervenções em meios terrestres colocam desafios muito diversificados em termos da sua gestão e da promoção dos seus valores e funções naturais. Estes desafios assumem- se, por um lado, na prevenção e correção da degradação dos solos e da instabilidade dos taludes, e por outro, na preservação e recuperação da funcionalidade natural do espaço, garantindo maior segurança e eficácia dos usos existentes do território, sejam eles humanos ou naturais. No caso particular da recuperação de taludes, os problemas associados prende-se essencialmente com a erosão superficial e os movimentos de massa, como por exemplo, os deslizamentos e aluimentos de terras e a realização de escavações.

A seleção das técnicas construtivas mais utilizadas e adequadas para a recuperação de taludes será feita de acordo com os principais objetivos das intervenções, tendo em conta as

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classificações a seguir descritas, e as suas funções, já que para cada tipo de construção correspondente existe uma função definida e uma área específica de aplicação. Nesta seleção, teve-se também em consideração o clima do local, considerado um dos principais fatores condicionantes no sucesso das intervenções, as condições do solo e o risco de erosão dos taludes.

Segundo Schiechtl (1973), as Técnicas de Engenharia Natural são classificadas em quatro grupos:

1.

Técnicas de cobertura e proteção do solo, são um conjunto de técnicas destinadas à cobertura do solo, promovendo uma rápida proteção contra a degradação e erosão superficial do solo.

2.

Técnicas de estabilização do solo, são técnicas que pretendem reduzir ou eliminar as forças mecânicas existentes no solo, permitindo a estabilização e proteção do terreno, com base na aplicação de espécies lenhosas que tenham a capacidade de emitir raízes adventícias, de modo a permitir uma armação e estabilização do terreno, melhorando consideravelmente a drenagem do solo.

3.

Técnicas construtivas combinadas, são técnicas que, ao contrário das anteriores, conjugam o uso de materiais vivos com materiais inertes, onde os materiais inertes atuam como estabilizadores até que as plantas, através das suas raízes, sejam capazes de realizar essa função; neste sentido, a combinação de materiais vivos e inertes aumenta a eficácia e o sucesso das medidas de intervenção.

4.

Técnicas construtivas complementares, são técnicas que complementam as técnicas construtivas anteriormente referidas, mas que não desempenham uma função específica de estabilização ou de proteção, como é exemplo a plantação de espécies lenhosas, com o objetivo de acelerar o desenvolvimento da sucessão e do coberto vegetal, a transplantação de espécies existentes no local, a construção de estruturas de drenagem, entre outras técnicas.

Em suma, da análise anteriormente efetuada às técnicas e métodos naturais mais utilizadas na recuperação de taludes em meio terrestre, com o recurso à bibliografia específica e diversificada sobre estudos e projetos já realizadas na Europa e em Portugal, foi possível elaborar a tabela 5, onde apresentam de uma forma sucinta, exemplos das técnicas mais representativas da Engenharia Natural aplicadas na proteção e estabilização de taludes, agrupadas de acordo com as suas funções de intervenção.

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TABELA 5. Exemplos das técnicas naturais mais utilizadas na recuperação de taludes (adaptado de Gray et al, 1996 e Fernandes et al, 2011).

Técnicas de Proteção e Cobertura do Solo

Técnica Campo de Aplicação Vantagens Desvantagens Período de

Execução

Sementeira

Cobertura superfície do solo de áreas onde é necessária uma rápida proteção contra a erosão

 Execução simples;

 Rápido revestimento.

 Se apenas forem utilizadas espécies herbáceas, a função de proteção do solo será apenas superficial.

Época vegetativa

Hidrossementeira

Sementeira de forma

mecânica para a cobertura superficial de taludes e margens fluviais, onde seja

necessária uma rápida

proteção do solo contra a erosão

 Processo rápido e eficaz que diminui a mão-de-obra;

 Elevada taxa de germinação e cobertura homogénea;

 Permite a execução de

sementeiras em zonas de difícil acesso.

 Acesso limitado da máquina de execução;

 Resultado pouco eficaz em zonas áridas e períodos secos;

 Período de execução. Início da época vegetativa Sementeira com mantas orgânicas ou geotêxteis Proteção superficial de taludes suaves

 Execução simples e rápida;

 Proteção imediata;

 Exerce uma ação filtrante.

 Durabilidade limitada com o tempo.

Época vegetativa

Técnicas de Estabilização do Solo

Técnica Campo de Aplicação Vantagens Desvantagens Período de

Execução Entrançados com

vegetação

Proteção e estabilização do solo de taludes e margens fluviais

 Execução simples;

 Proteção e estabilização imediata;

 Estrutura flexível e permeável.

 Necessita de uma elevada quantidade de material;

 Necessita de manutenção com o passar dos anos,

Durante o repouso vegetativo Paliçadas para sustentação de terras Proteção e estabilização do solo de taludes com declives suaves

 Execução rápida e simples;

 Estabilização imediata;

 Requer pouca escavação.

 Apenas eficaz em taludes suaves;

 Difícil aplicação em substratos rochosos.

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Faixas de vegetação com plantas em torrão

Proteção e consolidação de taludes com algum declive

 Estabilização imediata;

 Possível de ser aplicado em locais fortemente declivosas.

 Necessita de uma elevada quantidade de plantas;

 Elevado custo da obra.

Época vegetativa

Técnicas Construtivas Combinadas

Técnica Campo de Aplicação Vantagens Desvantagens Período de

Execução Muros de pedra seca

com vegetação

Proteção longitudinal e transversal de taludes e margens fluviais de zonas em erosão

 Construção flexível, duradoura e permeável;

 Possível e aconselhado a utilização de material local.

 Construção em altura limitada;

 A utilização de material pedregoso não característico do local aumenta o custo da obra.

Repouso vegetativo Gabiões com vegetação Proteção longitudinal e transversal de taludes e margens fluviais de zonas em erosão e de elevada inclinação

 Execução rápida e simples;

 Estabilização imediata;

 Estrutura flexível e permeável;

 Possível e aconselhado a utilização de material local.

 Necessita de muito material pedregoso;

 A utilização de material pedregoso não característico do local aumenta o custo da obra.

 Artificialidade da estrutura.

Repouso vegetativo

Terra reforçada com geotêxtil e vegetação

Proteção de taludes e margens fluviais de elevada inclinação, sujeitos a deslizamentos

 Elevada durabilidade;

 Estrutura permeável e flexível;

 Aplicável em locais com fortes inclinações e espaços limitados;

 Construção por módulos

permitindo diferentes formas e adaptação ao terreno.

 Elevado custo da obra;

 Material inerte aplicado não é biodegradável. Repouso vegetativo Muro de vegetação em madeira tipo “Cribwall” Estabilização de taludes e margens fluviais com algum declive

 Estabilização imediata e robusta;

 Estrutura flexível;

 Baixo custo de manutenção.

 Construção em altura limitada;

 Necessidade de utilizar meios mecânicos para a sua execução.

Repouso vegetativo

Grade de vegetação em madeira

Proteção de taludes muito declivosos e eventualmente em margens fluviais

 Estabilização imediata;

 A vegetação exerce uma ação drenante;

 Requer de pouca escavação;

 Efeito estabilizador contínuo.

 Método de construção intensiva;

 Difícil aplicação em substratos rochosos.

Repouso vegetativo

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25 3.3. CASOS DE ESTUDO DE PROJETOS DE ARQUITETURA PAISAGISTA ONDE FORAM

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