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Zoom sur les gisements de minéraux industriels

V.2 Identification des gisements potentiellement exploitables

V.2.4. Zoom sur les gisements de minéraux industriels

Para Stuart Hall, “as identidades culturais são aqueles aspectos de nossa identidade que surgem do nosso „pertencimento‟ a culturas étnicas, raciais, linguísticas, religiosas e acima de tudo, nacionais.” (2005, p. 8). Em sua análise sobre a questão da identidade cultural na modernidade, Hall argumenta que essas concepções de identidade estão mudando. Passamos de sujeitos centrados em nosso núcleo interior para sujeitos que se projetam em identidades culturais do mundo exterior. Agora, estamos diante de um processo de fragmentação, formando um sujeito “pós-moderno, conceptualizado como não tendo uma identidade fixa, essencial ou permanente.” (HALL, 2005, p. 12).

De acordo com o autor, o global e o local se entrelaçam e acabam formando cidadãos multiculturais. Ele denomina esse fenômeno de pós-moderno global. Conforme descreve Hall:

Os fluxos culturais, entre as nações, e o consumismo global criam possibilidades de “identidades partilhadas” – como “consumidores” para os mesmos bens, “clientes” para os mesmos serviços, “públicos” para as mesmas mensagens e imagens – entre pessoas que estão bastante distantes umas das outras no espaço e no tempo. (HALL, 2005, p. 75).

Hall segue fazendo uma nova constatação, em que afirma que isso não quer dizer a substituição do local pelo global, mas sim, uma nova forma de intermediação entre essas duas identidades da cultura. O fenômeno da globalização pode ter trazido, inclusive, um fortalecimento das identidades locais. Uma espécie de reação de grupos que se sentem ameaçados por culturas diferentes das suas.

Oliven é outro autor que também traça um paralelo entre a questão das identidades em um mundo globalizado. Para ele,

Uma das razões pelas quais a problemática da nação e da tradição permanece sendo extremamente atual num mundo que tende a se tornar uma “aldeia global” se deve ao fato de as pessoas continuarem a nascer num determinado país e região, a falar sua língua, a adquirir seus costumes, a se identificar com seus símbolos e valores, a torcer por sua seleção nacional de esporte, a respeitar sua bandeira, a serem convocados para defender as fronteiras da pátria e morrer pela honra nacional. (2006, p. 35).

Mesmo vivendo em uma nova realidade, de um mundo globalizado e sem fronteiras, a questão da identidade regional pode ser considerada um ponto crucial na discussão sobre o tema da Aids, principalmente quando se tratam de enfermidades infectocontagiosas.

Sontag, em sua análise sobre a Aids como metáfora, acredita que “a crise da AIDS aponta para o fato de que vivemos num mundo em que nada de importante é regional, local, limitado; em que tudo que pode circular acaba circulando, e todo problema é – ou está fadado a tornar-se – mundial.” (2007, p. 149). Com a afirmação, a autora defende a ideia de que a Aids não era uma doença dos africanos e nem estava restrita ou era exclusiva a uma região. Ela esclarece que: “os peritos denunciam a estereotipagem do aidético e do continente onde, segundo se imagina, ela teve origem, enfatizando que a AIDS afeta populações muito mais amplas do que os grupos de risco iniciais e ameaça o mundo inteiro, não apenas a África.” (2007, p. 148).

Nesse aspecto, pode-se afirmar que uma das identidades propagadas pela Aids foi a discriminação. Sontag afirma que “nos Estados Unidos, a AIDS é cada vez mais uma doença da população urbana de baixa renda, particularmente negros e hispânicos”. O discurso patriota e moralista encontrou, na epidemia da Aids, um inimigo a ser combatido. Sontag falava sobre o medo da sexualidade como um novo registro na sociedade. Segundo ela, “a fobia do câncer nos ensinou a temer o meio ambiente poluente; agora temos medo de pessoas poluentes, conseqüência inevitável da ansiedade causada pela AIDS”. (2007, p. 134).

Outra característica da identidade construída da Aids, conforme a autora salienta, é a culpa. Um sentimento que acompanha os infectados, fazendo parte da rotina de seus

portadores. Sontag acredita que “contrair AIDS equivale precisamente a descobrir que se faz parte de um determinado „grupo de risco‟”. (2007, p. 97). A autora segue sua comparação afirmando que “a doença expõe uma identidade que poderia ter permanecido oculta aos vizinhos, colegas de trabalho, familiares e amigos”. Em sua narrativa, ela acredita que naquele primeiro momento, os portadores expunham uma identidade que nem sempre era revelada, fazendo parte do grupo mais atingido pela doença nos seus primeiros anos: o dos homossexuais masculinos. Contrair o vírus da Aids era um experiência que isolava, discriminava e até mesmo causava perseguições a seus portadores. Sontag faz ainda a inquietante declaração:

A transmissão sexual da doença, encarada pela maioria das pessoas como uma calamidade da qual a própria vítima é culpada, é mais censurada do que a de outras – particularmente porque a AIDS é vista como uma doença causada não apenas pelos excessos sexuais, mas também pela perversão sexual. (Refiro-me, é claro, aos Estados Unidos, onde atualmente se afirma que a transmissão heterossexual da doença é extremamente rara e improvável – como se a África não existisse.) (2007, p. 98)

A autora também acredita que em uma epidemia como a de Aids a prevenção desempenha um papel muito importante. Porém, Sontag observa que “as campanhas que visam evitar a propagação de doenças encontram muitas dificuldades quando se trata de doenças venéreas”. (2007, p. 135). Ela enfatiza que, para o governo dos Estados Unidos, a abstinência era a melhor forma de se proteger: “julga-se que falar sobre preservativos e agulhas esterilizadas equivale a sancionar e incentivar relações sexuais ilícitas e o uso de drogas proibidas.” (2007, p. 136).

Sabemos que a Aids veio acompanhada de um sintoma ainda mais aterrorizante que os próprios males da doença: o preconceito, o medo e a culpa fizeram com que seus portadores sofressem ainda mais. Conforme relatam Malta e Bastos, “a epidemia de HIV no Brasil afetou basicamente, em seu período inicial, homens que faziam sexo com outros homens e pessoas que receberam sangue e hemoderivados, nas principais áreas metropolitanas do Brasil”. (2012, p. 942). Segundo eles, o índice de transmissão entre os homens (homossexuais) se sustentou ao longo dos anos. Porém, os autores seguem constatando que “mais recentemente, o HIV vem se disseminando, fundamentalmente, através da transmissão sexual, resultando inicialmente em um crescente números de novos casos de Aids entre as mulheres”. (2012, p. 942). Além disso, os autores também reiteram que “assim como em outros países, o HIV, no Brasil, vem afetando de forma progressiva as camadas mais pobres de municípios de menor porte e os bolsões de miséria das grandes metrópoles”. (2012, p. 942).

Os dados levantados pelos pesquisadores só reforçam a importância da prevenção. E é justamente por isso que as campanhas publicitárias são fundamentais para o controle da epidemia. Um desafio que deveria ser cumprido com total responsabilidade pelos governantes e com total empenho pelos profissionais da área de marketing e publicidade, na busca do entendimento social, priorizando a informação relevante e transformadora, e evitando qualquer forma de discriminação.

4 MARKETING SOCIAL E CAMPANHAS DE HIV/AIDS

No capítulo anterior, em que discutimos a questão da regionalização da saúde e a formação de identidades, vimos que a prevenção é um fator de extrema importância para o controle de epidemias. Até agora, o Brasil foi um país que se destacou na área do tratamento, através de políticas que garantiram o direito à gratuidade das medicações destinadas para as pessoas portadoras do HIV e da Aids. Mas também sabemos que o preconceito tornou as vítimas ainda mais vulneráveis. O que vamos analisar neste capítulo é justamente como a publicidade poderia atuar, enquanto ferramenta de comunicação e persuasão, provocando uma transformação social.