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ZARI MIRA 08 •

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Os elementos biográficos da história do arquiteto já foram abordados em inúmeras teses de doutorado e dissertações de mestrado, principalmente em território colombiano, como as de Urrea (2014); Peñate (2010); Quintana Guerrero (2016); Riaño (2014); Costa (2017); Frandiño (2013) entre outras. Para este capítulo, as utilizaremos como substância para a composição de uma resumida introdução sobre ele, de forma a apresentar alguns elementos significativos que auxiliaram na sua formação.

Rogelio Salmona nasce em 1927 na cidade de Paris, filho de pai judeu nascido na Grécia e de mãe francesa (QUINTANA GUERRERO,

2016; URREA, 2014; PEÑATE, 2010) que devido aos desdobramentos da 1ª Guerra Mundial se mudam para Colômbia em 1931. Instalam-se, primeiramente, na cidade de Barranquilla porto do Caribe e em 1933 encontram sua morada definitiva em Bogotá, nos bairros de classe média alta de Teusaquillo, Santa Teresita e Palermo que estavam em formação naquele momento (URREA, 2014).

Foi educado em um colégio Liceu, “fundado por colombianos que haviam residido na França e desejavam dar continuidade à educação de seus filhos de forma semelhante a francesa”5 (URREA, 2014, p. 42). Ainda na escola, teve o primeiro contato com literatos, filósofos e artistas franceses, como Henri Lefebvre e Jacques Rancière, que estiveram presentes na sua formação e o acompanharam ao longo de sua trajetória.

Rogelio Salmona ingressa na Faculdade de Arquitetura da Universidade Nacional da Colômbia no ano de 1945 onde teve aula com duas referências significativas, profissionais e acadêmicas do país, os arquitetos Leopoldo Rother e Bruno Violi (URREA, 2014). Rother era

5 Texto original: “La formación escolar de Salmona se inició hacia los seis años en el Liceo

Francés. Era un colegio laico y mixto, fundado por colombianos que habían residido en Francia y querrían continuar con una educación semejante para sus hijos” tradução da autora.

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alemão, ex-aluno da Bauhaus, tendo migrado para a Colômbia devido aos acontecimentos da 1ª Guerra Mundial; um de seus grandes projetos foi a Cidade Universitária da Universidade Nacional da Colômbia. Já Violi, arquiteto italiano, também se aloca em Bogotá devido aos indícios do início da 2ª Guerra Mundial, para trabalhar no Ministério de Obras Públicas da cidade e logo se junta a Rother para trabalhar no projeto do Campus Universitário.

Neste mesmo período, iniciavam-se os rumores da realização de um Plano Urbanístico para a cidade de Bogotá. O denominado Plano Piloto Regulador pretendia planejar a cidade para o futuro e teve como grande idealizador Le Corbusier. Em 1947, ocorreu a primeira visita das cinco que o mestre franco-suíço realizou em Bogotá para a elaboração do Plano (URREA, 2014). Por sua fluência em francês, Salmona o acompanhou como tradutor em suas atividades, esse contato introduziria novas dinâmicas na sua vida (QUINTANA GUERRERO, 2016; URREA, 2014; PEÑATE, 2010) 6.

Um ano depois, ainda no contexto bogotano, um incidente viria a causar um descrédito nos jovens arquitetos próximos a se formar na

6 Segundo as teses de Quintana Guerrero, 2016; Urrea, 2014; Peñate, 2010, foi através de

um jantar na casa de Salmona que surgiu o convite de trabalho para estagiar no Ateliê de Le Corbusier na Ruè de Sevres em Paris.

Universidade Nacional. Jorge Eliécer Gaitán, conhecido líder popular, foi assassinado em nove de abril de 1948 num incidente conhecido como El Bogotazo7. Este fato culminou em um período de insegurança e de

extrema revolta da cidade, onde houve a destruição de praticamente todo o centro histórico. Levando à evasão de um grande número de habitantes, em sua maioria estudantes em busca de melhores oportunidades de vida e emprego. Salmona era um destes estudantes, que recorre ao oportuno contato realizado no ano anterior com Le Corbusier. Algumas palavras de Salmona, em entrevista concedida a Garavito (1998, apud URREA, 2014, p.62) evidenciavam esse momento:

“Fui para Europa imediatamente depois de 9 de abril. Meu pai me mandou com uma carta para Le Corbusier – destruíram Bogotá – com a ideia de que entrava para estudar Belas Artes em Paris e para trabalhar em seu ateliê. Eu, que sabia apenas pegar em um lápis, me vi de imediato no ateliê de arquitetura mais importante do momento”.8

7O incidente do El Bogotazo repercutiu em todo o país através de grandes comoções de

movimentos sociais e destruição generalizada. A tensão social e a política iniciaram um período de extrema violência na Colômbia até meados dos anos 1950 (LÓPEZ, 1994, p.301)

8 Texto original: “Me fui para Europa inmediatamente después del 9 de abril. Mi padre me

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Assim, Salmona inicia seu trabalho no ateliê da Rue de Sèvres em 19489 (QUINTANA GUERRENO, 2016). Urrea (2014) apresenta alguns croquis do arquiteto referenciando os projetos com os quais contribuiu, dentre eles estão a Fabrica Duval (1948), o Plano de Bogotá (1949), Chandigarh (1951-53) e a Casa Jaoul (1952) 10, Quintana Guerrero (2016) também sintetiza os documentos e projetos elaborados pelo arquiteto no tempo que permaneceu trabalhando na Rue de Sèvres.

No período do pós-Segunda Guerra Mundial, o ateliê contava em grande parte com colaboradores latino-americanos, como o também colombiano Germán Samper, o uruguaio Carlos Gómez Gavazzo, o argentino Conrado Sondereguer e os chilenos Emilio Duhart e Guillermo Jullian.

a estudiar Bellas Artes en París y trabajar em su taller. Yo, que apenas sabía coger un lápiz, me vi de pronto, en el taller de arquitectura más importante del momento” tradução da autora.

9 Permaneceria no ateliê da Rue de Sèvres por seis anos, se demitindo em 1954 (Urrea,

2014; Peñate, 2010).

10 Os projetos mencionados constam na tese de doutorado URREA (2014, p. 80)

documentados nos anexos 1 e 3 da tese, que correspondem ao Livro Negro do atelier de Le Corbusier e das cartas/ certificados expedidos a Rogelio Salmona durante o ano de 1950.

Além da realidade pragmática vivenciada no ateliê, Salmona aproveitou sua estadia em Paris para buscar outras atividades acadêmicas, uma vez que não havia concluído sua formação de arquiteto na Colômbia. Assim, na Universidade Sorbonne frequentou as aulas teóricas em sociologia da arte ministradas por Pierre Francastel, entrando em contato com um grupo de intelectuais no qual eram mais recorrentes as discussões e reflexões sobre manifestações artísticas, políticas, questões sociais e espaciais, dentre eles – além do sociólogo de arte – estão Françoise Choay e Iannis Xenakis (URREA, 2014).

Durante o período que permaneceu em Paris, Salmona organizou viagens ao longo do continente europeu, muitas vezes acompanhado dos colaboradores do ateliê de Le Corbusier ou de Pierre Francastel. É possível perceber, nos croquis dessas viagens publicados por Téllez (2006), a recorrência da representação de alguns desenhos, como os conjuntos urbanos das cidades italianas retratados em detalhe com alturas e tipologias diferentes, e também alguns elementos que se destacavam na paisagem urbana, como as torres dos templos religiosos. Além disso, arquiteturas historicamente significativas que foram visitadas por ele, como a Capela Santa Maria del Fiori de Brunelleschi em Florença e Alhambra em Granada, no sul da Espanha (comunidade autônoma da Andaluzia), seguem sendo frequentemente mencionadas em trabalhos

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de pesquisa como Urrea (2014) e Peñate (2010), além de livros como o de Téllez (2006) como referências para prática profissional posterior do arquiteto.

Após deixar o ateliê em 1954, Salmona tem uma curta experiência trabalhando junto aos arquitetos Jean Nicolás Esquillán, Gilbert Lacombe e Jean Prouvé no projeto do Centro das Novas Indústrias e Tecnologias, o CNIT no La Défense em Paris, para auxiliar no desenho da cobertura em abóboda de concreto (URREA, 2014; PEÑATE, 2010). Prouvé havia trabalhado com Le Corbusier na Unite d' Habitation em Marseille (PEÑATE, 2010).

Salmona retorna a Bogotá em 1957 e se depara com uma cidade bem diferente daquela deixada por ele. O crescimento populacional e a demolição de grandes quadras urbanas davam vida a extensas e largas avenidas, privilegiando os automóveis, certamente modificaram de forma substancial o território bogotano. Construções modernas adaptavam a linguagem europeia e norte-americana em projetos de bairros habitacionais periféricos, na cidade que já não comportava, de forma suficiente, todos os seus habitantes.

Nos primeiros anos de seu retorno a Bogotá “Salmona é alojado com sua família de maneira provisória em uma das casas adaptadas

para professores na Universidade de Los Andes”11 (URREA, 2014, p.216). A relação que estabeleceu com Pierre Francastel se expandiu para além do período que residiu em Paris. E, por meio de um vínculo realizado entre a Universidade Sorbone e a Universidade de Los Andes12 seus primeiros anos de regresso foram financiados através de um trabalho de compilação de imagens para o curso de História da Arte e Arquitetura de Francastel13 (URREA, 2014).

Salmona, em pouco tempo, é convidado pela Universidade de Los Andes e pela Universidade Nacional a lecionar cursos de história da arquitetura (URREA, 2014). No final da década de 1950, Salmona começa sua prática, o primeiro projeto é um edifício de apartamentos dúplex encomendado por uma amiga de sua mãe.

11 Texto original: “Rogelio Salmona, de regreso a la ciudad, es alojado con su familia de

manera transitoria, en una de las casas adaptadas para profesores en la Universidad de los Andes” tradução da autora.

12 Universidade onde Salmona irá validar sua graduação como arquiteto.

13 “Patrocinado pela Escola da Sorbonne e pela Universidade de Los Andes que financiou

parte do trabalho, Salmona começa a reunir sistematicamente uma documentação fotográfica sobre temas de arquitetura, foram classificados cerca de 5000 documentos”. (URREA, 2014, p. 226)

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Ao longo de sua carreira Salmona vai compondo suas arquiteturas e forma um conjunto de arquiteturas relevantes no cenário colombiano. Em 2007, o arquiteto faleceu e deixou o escritório, hoje também sede da fundação que leva seu nome, sob a responsabilidade de Maria Elvira Madriñan, sua esposa.

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