2.3 INSTALLATION IMMERSIVE : « EXPANDED PHÔS GRAPHEIN »
2.3.4 WORK-IN-PROGRESS INTUITIF
O término de uma amizade é uma realidade. As amizades terminam por diversos motivos e de variadas maneiras e como tal, as crianças lidam de diferentes formas, indo desde a aceitação ao desespero. Todavia, pode considerar-se que perder amigos é uma dolorosa experiência para as crianças, sendo difícil prever a maneira como determinada criança irá reagir (cf. Rubin, 1982).
Sullivan mencionado por Rubin (1982) concluiu através de uma investigação sobre as separações entre amigos que as mudanças frequentes podem influenciar negativamente a vida das crianças, assim como quaisquer mudanças durante o período de separação podem causar, o que autor designa por handicaps sociais.
Segundo Rubin (1982), as reações graves à mudança, podem ser entendidas como reações de desgosto face à perda de amigos mais próximos, alguém de quem dependia para companhia e auxílio, sendo as respostas mais normais, os sentimentos de solidão, de depressão, de instabilidade e de irritação, tanto pelo amigo que se afastou, como pela criança que sofreu a própria mudança.
Quando uma amizade chega ao fim, a criança possui uma sensação de impotência, perplexidade e frustração, apresentando uma tendência natural de culpabilizar o outro. Perante esta situação, de acordo com Cordeiro (2006), é fundamental refletir sobre o porquê do término.
No entanto, nem sempre as mudanças possuem efeitos tão negativos sobre as crianças, pois apesar de terem perdido algum (s) amigo (s), podem continuar a pensar e falar dele (s), fazendo um esforço para manter essa amizade através de cartas, telefonemas e visitas. Outras crianças podem considerar essa mudança como uma oportunidade de travarem novas amizades num local novo, demonstrando uma boa
capacidade de recuperação. Neste sentido, tanto os pais como os agentes educativos, devem ter em consideração que esta separação de amigos e a necessidade de estabelecer amizades num novo mundo social, é sempre um processo árduo para qualquer criança de qualquer faixa etária, assim como o é para qualquer adulto (Rubin, 1982).
Rubin (1982) afirma ainda que mais importantes do que as separações resultantes das mudanças são as roturas de amizades que as crianças provocam entre si. Estas roturas são normalmente o resultado de um afastamento sucessivo entre as crianças devido a uma consciência sobre o facto de serem capazes ou não de provocar a mesma satisfação um ao outro. Estas mudanças nas amizades são inevitáveis e compreensíveis, pois ao longo do tempo a criança cresce e desenvolve-se, acabando por transformar continuamente as suas necessidades, aptidões e interesses, provando que,
“o próprio facto de as amizades terem fases de expansão e de
declínio prova que em cada fase de crescimento as crianças necessitam de qualquer coisa de diferente da parte dos seus amigos e que, portanteo, têm de encontrar um novo amigo de vez em
quando” (Benjamin Spock in Rubin, 1982, p. 110).
Apesar destes finais de amizade serem aspetos normais e fundamentais no desenvolvimento das crianças, estas roturas não deixam de ser momentos delicados de ultrapassar, pois utilizando o exemplo que Rubin (1982) escolheu para ilustrar esta situação, o final de uma amizade é como o término de um casamento ou namoro, onde raramente é apresentado um aspeto plenamente recíproco, podendo neste caso sofrer tanto a criança rejeitada, como a que rejeita.
O autor supramencionado, constata que lidar de um conflito deste género com sensibilidade é problemático para a capacidade social das crianças, sendo em muitos
casos a melhor solução, “continuar a amizade, mas a um nível mais baixo de intensidade” (p. 112), pois a ideia de ter um amigo que a rejeita, que já não partilha do
mesmo interesse em brincar com ela, para crianças mais pequenas pode ser algo incompreensível e acima de tudo doloroso.
Nenhuma explicação ou preparação torna uma rejeição fácil de gerir; no entanto, é importante que as crianças tenham contacto com este tipo de sentimentos e de situações, que as ajudam a lidar com estas roturas de um modo mais fácil (cf. Rubin,
recorrer a jogos, assim como aos rituais das crianças, nomeadamente às brincadeiras em
grupos, pois “quando as crianças usam rituais como estes, evidentemente que estão a
brincar ao travar e quebrar as amizades” (Idem, 1982, p.115), o que permite às crianças
“dominarem as suas disputas e ao mesmo tempo preparar-se para as roturas verdadeiras
que mais tarde irão ocorrer” (p. 115).
Segundo Rubin (1982), os pais por vezes desvalorizam a importância destas perdas, particularmente em crianças mais pequenas, acabando por minimizar estas situações e sentimentos, assegurando à criança que não há problema e que irá encontrar
um outro novo amigo, acabando por revelar a ideia errónea de que “os jovens amigos são semelhantes a peças estandardizadas, que se podem substituir” (p. 115). Neste
sentido, Myron Brenton transmite um conselho aos pais, que parece também pertinente que os educadores o sigam, incentivando-os a falar dos sentimentos e emoções em questão, assim como deve dar a entender que compreende a situação:
“como é duro perder um amigo, que nessas circunstâncias o facto
de se sentir triste, zangado, magoado ou rejeitado é perfeitamente normal, que a amizade tem algumas coisas boas e algumas coisas
más e que nenhum dos aspectos deve ser desprezado… As crianças
devem ser ajudadas a convencer-se de que com o tempo irão encontrar outros amigos – mas que não devem esperar que um
novo amigo vá “substituir” o anterior” (Rubin, 1982, p.115).
Tal como referido anteriormente, estas perdas são necessárias e normais no crescimento e desenvolvimento das crianças, e como tal, os sentimentos relativos a perdas não devem ser depreciados, embora na maioria das vezes, as crianças se mostrem
capazes de “transformar essas perdas em ganho, em experiências que canalizam os seus interesses e os seus ganhos sociais por vias produtivas e gratificantes” (Idem, 1982, p.