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A Economia Solidária vem como uma tentativa de solução para o alto índice de desemprego que assola a economia formal a partir de 1980, aumentando de intensidade na década de 90. A Economia Solidária é assim definida por André Ricardo Souza:

A economia solidária é essencialmente um movimento social que se pretende organizador de formas igualitárias e democráticas de produção, consumo, poupança e crédito. Tem como idéia básica a recuperação do chamado cooperativismo autêntico, iniciado na Europa do séc. XIX e que se orienta pelos princípios da autogestão. É constituído tanto pelas unidades de produção econômica, sejam elas cooperativas ou não, quanto por entidades e indivíduos que lhes dão apoio técnico, financeiro e, sobretudo, político (SOUZA apud DAL RI, 2010, p. 161).

São várias as denominações para esse tipo de movimento de transformação econômica, tais como: economia popular solidária, economia social, sócio-economia solidária, economia do trabalho, economia humana, economia de reciprocidade (SOUZA,

2003, p, 46), sendo ora apreciada do ponto de vista social, ora do econômico, ora do político, ora do ideológico:

Muitos autores interpretam a economia solidária como forma de resistência dos setores populares à crise no mundo do trabalho e ao quadro de exclusão social. Entre eles, vários enxergam, além do caráter emergencial e imediato, também um potencial de transformação social e entendem a economia solidária não só como uma necessidade material mas também como uma opção ideológica, Alguns argumentam inclusive que se trataria de economia alternativa ao modelo capitalista. Segundo as diferentes abordagens, esse caráter alternativo pode ser entendido como resposta da tradição socialista de base associativa e autogestionária ao colapso do socialismo real (uma economia socialista), ou pode ser analisado dentro do contexto de formas mais recentes de resistência social por meio da organização da sociedade civil, ou ainda pode levar em conta que a economia dos setores populares se contrapõe à economia capitalista porque envolve setores do trabalho e não do capital (daí os termos economia popular e economia do trabalho, muito usados na América Latina) (SOUZA, 2003, p. 46-7).

Os empreendimentos solidários, segundo lemos no site do Ministério do Trabalho e Emprego, pautam-se por algumas diretrizes, cooperação, autogestão, solidariedade e dimensão econômica:

a. Cooperação: existência de interesses e objetivos comuns, a união dos esforços e capacidades, a propriedade coletiva de bens, a partilha dos resultados e a responsabilidade solidária. Envolve diversos tipos de organização coletiva: empresas autogestionárias ou recuperadas (assumida por trabalhadores); associações comunitárias de produção; redes de produção, comercialização e consumo; grupos informais produtivos de segmentos específicos (mulheres, jovens etc.); clubes de trocas etc. Na maioria dos casos, essas organizações coletivas agregam um conjunto grande de atividades individuais e familiares.

b. Autogestão: os/as participantes das organizações exercitam as práticas participativas de autogestão dos processos de trabalho, das definições estratégicas e cotidianas dos empreendimentos, da direção e coordenação das ações nos seus diversos graus e interesses, etc. Os apoios externos, de assistência técnica e gerencial, de capacitação e assessoria, não devem substituir nem impedir o protagonismo dos verdadeiros sujeitos da ação.

c. Dimensão Econômica: é uma das bases de motivação da agregação de esforços e recursos pessoais e de outras organizações para produção, beneficiamento, crédito, comercialização e consumo. Envolve o conjunto de elementos de viabilidade econômica, permeados por critérios de eficácia e efetividade, ao lado dos aspectos culturais, ambientais e sociais.

d. Solidariedade: O caráter de solidariedade nos empreendimentos é expresso em diferentes dimensões: na justa distribuição dos resultados alcançados; nas oportunidades que levam ao desenvolvimento de capacidades e da melhoria das condições de vida dos participantes; no compromisso com um meio ambiente saudável; nas relações que se estabelecem com a comunidade local; na participação ativa nos processos de desenvolvimento sustentável de base territorial, regional e nacional; nas relações com os outros movimentos sociais e populares de caráter emancipatório; na preocupação com o bem estar dos trabalhadores e consumidores; e no respeito aos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras (BRASIL, 2011)

Da leitura desses vetores evidencia-se a importância do caráter de autogestão das empresas, pois nela estão implícitas as ideias de propriedade coletiva; de trabalho solidário, sem patrões nem empregados; de divisão igualitária de resultados financeiros; de divisão de responsabilidades, ou seja, da implementação de processos decisórios de caráter coletivo; de dinâmicas de assembleias; de comunhão de interesses, objetivos e esforços; de respeito mútuo; de participação ativa de todos e de toda a comunidade; enfim, a questão vai além de uma mudança de estrutura econômica, ela atinge mais profundamente o indivíduo, implicando numa transformação de visão de mundo.

Enfim, como uma reação a uma situação econômica problemática, a economia solidária atua em duas vertentes:

De um lado, surge como uma tentativa de reerguer empresas falidas ou projetos comprometidos economicamente e, neste caso, tenta uma reconstrução da forma de gerenciamento do empreendimento, passando por uma fase de desestruturação das relações hierarquizadas de capital/trabalho, patrão/empregado, para uma proposta autogestionária de feição democrática, em que todos participam, como vimos acima, do gerenciamento da empresa.

Por outro lado, surgem os empreendimentos já projetados numa estrutura solidária, uma solução de continuidade à forma de cooperativas já existentes, efetivando-se como uma alternativa à economia tradicional do mercado neoliberal, com o diferencial da autogestão.

Na realidade, a Economia Solidária era uma necessidade que se fazia sentir desde muito tempo e que vinha se realizando em experiências que datam desde o início do século passado, como veremos a seguir.

2.3. Cooperativismo e seus desdobramentos: economia do trabalho, economia popular,

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