3. TECHNICAL DESCRIPTION AND REVIEW OF RELEASES AND IMPACT OF
3.11. Waste management
Na última década, a Teoria da Atividade, tem sido usada como referencial teórico por uma comunidade de pesquisadores, na área de interação homem-computador, que vem destacando a importância de se pesquisar como as ferramentas computacionais são integradas as práticas dos sujeitos, investigando os seus contextos naturais de uso. De acordo com Kuutti (1996, p. 21), o referencial teórico tradicional da Ciência Cognitiva em pesquisas na área de Interação homem-computador, com experimentos artificialmente modelados e restritos, estudos de atributos cognitivos como atenção, percepção, representação e estudos desenvolvidos com usuários inexperientes e com curta duração, não tem sido suficiente para alcançar o lado humano da interação homem-computador. Essa ênfase nos fenômenos mentais, conforme Nardi (1996), tem como contraponto uma insuficiente atenção ao estudo dos artefatos, seu design e seus usos no mundo real. No entanto, a compreensão do papel dos artefatos na nossa vida diária, do modo como são e estão integrados em nossa prática social, são necessários ao entendimento da própria atividade humana.
“Um instrumento, por ejemplo, analizado fuera de su relación com el objetivo, se convierte em uma abstracción. Del mismo tipo que la operación que se analice fuera de su relación con la acción que esta realiza.”
(Leontiev, 1981, p. 89).
Esse tipo de abordagem orientada para o estudo de um sistema de atividade, aplicada ao campo da interação homem-computador, extrapola a análise dos tipos de funcionalidades que são desenvolvidas, considerando apenas a relação sujeito-máquina. A análise de todo um “sistema de interações”, constituída pelas interações que os sujeitos têm com as máquinas, com os demais artefatos e as pessoas - sob quais condições - e em seus ambientes de trabalho, passa a ser priorizada. Conseqüentemente, as investigações desses ambientes, a constituição da comunidade inserida nesses contextos, as regras de uso e de divisão de trabalho que são gerados nessa
comunidade, as formas como os artefatos estão integrados e mediando as atividades individuais e coletivas são consideradas imprescindíveis.
No livro “Activity Theory and Human-Computer Interaction”, editado por Nardi (1996), coletânea de artigos de vários pesquisadores que têm trabalhado com essa abordagem, cinco princípios básicos são destacados para apresentação da Teoria da Atividade como framework para interação homem computador. São eles:
a) A atividade como unidade básica de análise – Um contexto significativo mínimo para as ações individuais deve ser incluído na unidade básica de análise. Essa unidade é chamada de atividade. Como o contexto está incluído na unidade de análise o objeto da pesquisa é sempre essencialmente coletivo, mesmo se o interesse maior forem às ações individuais.
b) Princípio da mediação – A Teoria da Atividade propõe uma forte noção de mediação: as atividades que os sujeitos desenvolvem são mediadas por regras, procedimentos, leis, ferramentas, máquinas, sujeitos, signos e contextos, por exemplo, ou seja, por artefatos que são de natureza material e abstrata. A transformação desses artefatos mediadores implica a transformação das atividades que estão mediando. Fora do contexto das necessidades que os artefatos atendem, torna-se difícil à compreensão e a extensão do seu valor de uso. Assim sendo, não podemos compreender, por exemplo, artefatos como papel, caneta, estratégias de ensino, interfaces computacionais, livros ou conceitos, dissociados do contexto das ações de uso. Cadernos para quem não tem nenhum motivo para usá-los, têm um significado diferenciado - daquele que lhe é dado - por quem necessita fazer anotações.
Além de não poderem ser compreendidos fora das atividades que estão mediando, um outro ponto forte do princípio da mediação é a contribuição dos artefatos mediadores para transformação tanto da estrutura da atividade quanto da estrutura da consciência. Não são apenas os objetos que são modificados com a mediação dos artefatos, mas como nesses artefatos estão materializadas certas operações ou funcionalidades, elas tendem a limitar ou
potencializar a própria qualidade da ação dos sujeitos.
c) Princípio da orientação a objetos – A atividade é orientada para o objeto. Objeto que, em sua independência externa, não só é fonte de limitações e possibilidades para as atividades humanas, mas que, ao mesmo tempo, sendo também uma imagem mental, é produto da atividade subjetiva. De tal modo, conforme Leontiev (1981), nas condições sociais estão os motivos, as formas e os meios da atividade. Entretanto, a sua determinação e apropriação só podem se efetivar através dos processos práticos por meio dos quais os sujeitos interagem com o mundo dos objetos. Um instrumento é algo que foi transformado para superar a determinadas necessidades no interior da atividade humana. O seu significado é construído na atividade social, sendo portador de experiências sociais. Nos instrumentos estão incluídas as características materiais dos objetos e a exteriorização das idéias dos sujeitos, disponíveis para o uso social. Para essa transformação dos objetos em instrumentos, faz-se necessária uma apropriação do que o objeto é em si, das suas propriedades, da “lógica natural” do objeto para que possa ser inserido na atividade humana. Neste sentido, os objetos do mundo real, portadores que são de experiências sociais e de qualidades objetivas, acabam modelando e motivando as atividades dos sujeitos.
“Em outras palavras, o que ocorre é uma transição de dupla mão: a transição do objeto para o processo da atividade, e a transição da atividade para o produto subjetivo da atividade. Mas a transição de um processo para um produto não ocorre apenas do ponto de vista do sujeito: ocorre com mais clareza do ponto de vista do objeto que é transformado pela atividade humana.”
(Leontiev ,1981, p. 9, tradução nossa)
d) Princípio da estrutura hierárquica – Podemos descrever e explicar uma mesma atividade por diferentes aspectos, dependendo dos objetivos para os quais os procedimentos humanos são orientados: por um motivo (atividade); por um objetivo ou por uma meta (ação); ou por condições reais de realização (operações).
Todos esses elementos compõem, no entanto, a atividade. A transformação do objeto só é possível mediante a realização de ações planejadas conscientemente para atingir objetivos específicos e relacionadas
entre si através do motivo da atividade. O objeto da atividade, ou o motivo real da atividade, só se realiza se houver uma determinação dos objetivos e construção das ações para alcançá-los. As ações são, portanto, os componentes fundamentais da atividade. De acordo com Leontiev (1981), a atividade didática, por exemplo, realiza-se tão somente em ações para a aprendizagem. Como a representação do resultado a ser atingido está subordinada às ações para alcançá-lo, várias metas são testadas, descartadas ou selecionadas através das ações dos sujeitos. As ações, por sua vez, são implementadas mediante operações. As operações são as formas ou as condições de realização das ações. As operações são ações que de tanto se repetirem, no contexto da atividade, tornaram-se automáticas, não requerendo planejamento.
e) Princípio da internalização-externalização – A internalização é a passagem para a consciência do conhecimento oriundo do contexto no qual se está inserido. Os processos mentais emergem a partir da interação com o ambiente. A externalização é o que é exteriorizado através de gestos, falas, atos, podendo ser corrigidos e socializados.
f) Princípio do desenvolvimento – Compreender o estado atual de qualquer coisa, pressupõe conhecer a sua história. O conhecimento das suas transformações nos ajuda a compreender o que significam tais “coisas” num determinado contexto. Cada atividade, por exemplo, tem a sua história. Elas não são entidades estáticas e rígidas, mas são dinâmicas e descontínuas (Kuutii, 1996). Num certo estado das atividades há partes que as constituem cujo significado só é possível compreender remetendo ao seu desenvolvimento histórico. Por que determinadas atividades permanecem, por exemplo, mesmo quando a julgamos irrelevantes para aquela situação atual? Esse sentido só pode nos ser dado com a história do seu desenvolvimento e do papel de cada elemento que a constitui (regras, comunidades, divisão do trabalho, etc.).
É a totalidade desses princípios que compõe a Teoria da Atividade. Unidade de análise que define um contexto mínimo significativo para se compreender um conjunto de ações que são desenvolvidas objetivando alcançar determinadas metas.