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7. ORGANIZATIONAL RESPONSIBILITIES

7.5. Workers

Em sua obra, "Anatomia da Destrutividade Humana", FROMM, examina os trabalhos referentes à agressão dos dois maiores representantes da teoria instintivista moderna, os neo-instintivistas S. Freud e K. Lorenz, e chama a atenção para uma característica que lhes é comum - a concepção do modelo instintivista em termos hídráulico-mecanicista, isto é, as noções sobre o impulso agressivo tanto de um como de outro, baseiam-se numa espécie de modelo hidráulico, "em analogia com a pressão exercida pela água represada ou com o vapor dentro de um recipiente fechado." (1979, p.43)

Analisar a agressão sob os pontos de vista de S. Freud são por demais complexos para serem examinados num breve resumo como este. Quando nos referimos a ele, reconhecemos a magnitude e a profundidade dos seus tratados. Independente da influência que exerceu e ainda exerce nas comunidades científicas e terapêuticas, sente-se que são trabalhos de difícil compreensão, destinados à especialistas. Ao contrário de K. Lorenz, cuja obra é de caráter mais acessível e impressiona o público de imediato.

A reflexão freudiana sobre as impulsões agressivas precisam ser vistas em duas fases: antes e depois da Primeira Guerra Mundial. No início, S. Freud não deu muita atenção ao fenômeno da agressão "(...) na medida em que ele considerava a sexualidade (libido) e a auto-preservação as duas forças que dominavam o homem." (FROMM, 1979, p.39) É a partir da década de 1920, que S. Freud, reformula seus escritos estabelecendo assim, uma nova dicotomia, a do instinto de vida - Eros e a do instinto de morte - Tanatos. É uma nova fase teórica que ele assim a descreve:

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"Começando com especulações sobre a origem da vida e de paralelos biológicos cheguei à conclusão de que, além do instinto para preservar a substância viva, deve haver um outro instinto contrário, que procura dissolver essas unidades e fazê-las retomar ao seu estado primordial, inorgânico. Quer dizer, assim como há Eros, há também um instinto de morte." (citado por FROMM 1979, p.39)

É o instinto de morte que tem como fundamento a lei do contra-prazer em oposição à libido. O instinto de morte, portanto, é dirigido contra o próprio organismo e assim sendo, é uma tendência auto-destrutiva. A este instinto, S. Freud acrescenta as tendências sadomasoquistas que, incorporadas ao superego, formam a agressividade inconsciente, contrária à libido. Esta agressividade é dirigida para fora que, nesse caso, tende a destruir os outros antes que a própria pessoa.

FROMM coloca que:

"Apesar de Freud ter sugerido, por várias vezes, que o poder do instinto de morte pode ser reduzido (S. Freud, 1927), a pressuposição básica permanecia: a de que o homem achava-se sob o domínio de um impulso para destruir a si próprio e aos outros, e pouco podia fazer para fugir a essa trágica alternativa. Segue-se que, do ângulo do instinto de morte, a agressão não era essencialmente uma reação a estímulos, mas um impulso de fluxo constante enraizado na constituição do organismo humano." (1979, p.40)

A teoria do instinto de morte, no entanto, não foi aceita pelo grande número de psicanalistas embora, fossem seguidores de S. Freud. Uma explicação para esse tipo de reação talvez se deva ao fato que ele, ao trabalhar com essa dicotomia,

essa nova teoria transcendia ao quadro anterior dê referência mecanicista e passa a sustentar um enfoque biológico onde o organismo passa a ser visto como um todo e analisa as fontes biológicas antagônicas, o amor e o ódio.

Embora S. Freud tentasse explicar brilhantemente os impulsos humanos através dessa nova teoria, para os estudiosos dos seus postulados, sua hipótese mostra-se, contudo, inconsistente com o comportamento animal. Apesar da sua teoria apresentar deficiências, há que se reconhecer que ele dera um importante passo à frente deixando para traz um pensamento puramente fisiológico- mecanicista para interpretar os impulsos humanos frente a uma nova teoria.

Como escreve FROMM,

"(...) o instinto de morte é uma força biológica em todos os organismos vivos, isso devia significar, também, que os animais expressam-no contra eles próprios ou contra os outros animais. Consequentemente, devia-se registrar maior índice de doença ou de morte prematura nos animais menos agressivos em direção exterior e vice-versa, mas, é claro, não existem dados que apoiem essa idéia." (1979, p.40)

Para o autor, S. Freud peca quando analisa o fenômeno da agressão quando utiliza o termo "agressão" indistintamente para explicar às mais diferentes espécies de agressão através de um único instinto. Com isso ele obscurece grandemente a análise do fenômeno. De acordo com FROMM,

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"uma vez que ele não era, sem sombra de dúvida, behavioristicamente inclinado, podemos admitir que a razão estava em sua tendência geral para chegar a uma conclusão conceituai dualista, na qual duas forças opõem-se uma à outra. Essa dicotomia primeiramente era a que se via entre a auto-preservação e a libido e, mais tarde, a que registrou-se entre os instintos de vida e de morte. Pela elegância desses conceitos, Freud teve de pagar o preço de englobar cada uma das paixões em um dos dois pólos e, em conseqüência, o de enfeixar tendências que, na realidade, não pertencem à mesma categoria." (1979, p.41)

Até o momento nos dedicamos ao conceito de agressão de S. Freud. Mesmo sofrendo críticas por especialistas no assunto, ele atravessa os tempos e continua sendo muito influente ainda hoje.

A teoria da agressão de K. Lorenz, por outro lado, não é totalmente despida de significados. De bases menos complexas, dizemos que os seus trabalhos, em especial On Agression (1966), tornou-se uma das obras mais lidas no campo da Psicologia Social. Desta feita, não é difícil de perceber porque o neo-instintivismo de K. Lorenz foi muito bem sucedido uma vez que

"seu conceito de agressão é sobretudo o de um impulso biologicamente adaptativo, desenvolvido evolucionariamente, que serve à sobrevivência do indivíduo e da espécie. Mas, uma vez que também aplicou o conceito de 'agressão' à volúpia de sangue e à crueldade, e que as guerras são tomadas como tendo suas causas no prazer de matar, a conclusão que se segue é a de que as guerras são causadas por uma tendência destrutiva inata na natureza humana." (citado por FROMM, 1979, p. 17)

Esta é uma razão suficientemente forte para se perceber que a referida obra de K. Lorenz sensibiliza o pensamento das pessoas ainda hoje que ao se sentirem impotentes diante de tantas atrocidades, preferem acreditar que tais atitudes

inclusive nossa tendência para a violência seja explicada por fatores biológicos e que estão além do nosso controle do que, provavelmente, que essa tendência esteja relacionada às circunstâncias sociais, políticas e econômicas advindas de situações que nós próprios elaboramos.

Por outro lado, segundo FROMM, esta teoria de uma agressividade inata, de solução simplista, "transforma-se facilmente numa ideologia que ajuda a mitigar o medo daquilo que irá acontecer e a racionalizar o sentimento da impotência." (1979, p.23) De acordo com o autor, existem ainda outros motivos para preferir-se essa teoria, ou seja o de um estudo sério para apontar as causas da destrutividade isto é, uma análise da irracionalidade do nosso sistema social, quando argumenta que:

"Nada menos do que uma análise em profundidade do nosso sistema social pode descerrar as razões para a ampliação da destrutividade, ou apontar os caminhos e os meios para reduzi-la. A teoria instintivista apresenta-se-nos para nos aliviar da árdua tarefa de encetar uma análise dessa natureza. Implica ela que, mesmo que todos nós devamos perecer, poderemos sofrer este destino com a convicção de que a nossa 'natureza' terá forçado em nós essa fatalidade, e que teremos compreendido por que tudo tinha de acontecer como realmente aconteceu." (FROMM,

1979, p.23)

Para K. Lorenz, assim como para S. Freud, a agressividade humana é um instinto alimentado por uma fonte de fluxo ininterrupto de energia, e não necessariamente o resultado de uma reação a estímulos externos. K. Lorenz citado por FROMM sustenta que:

"a energia específica destinada a um ato instintivo acumula-se continuamente nos centros neurais relacionados com esse padrão de comportamento, e, caso se haja acumulado energia suficiente, é possível que ocorra uma explosão, mesmo sem a presença de um estímulo. Todavia, o animal e o homem geralmente encontram estímulos que liberam a energia represada do impulso, não têm de esperar passivamente até que um estímulo adequado apareça." (1979, p.42)

Isso quer dizer, segundo K. Lorenz, que o homem cria mecanismos para encontrar os estímulos para a liberação da energia represada em vez de constituir mecanismos para as causas da agressão. Um exemplo bem palpável são os partidos políticos. Pela competição que se estabelece ou pela disputa eleitoral em si, por exemplo, é comum em reuniões políticas discussões acaloradas ou até mesmo, agressões físicas. Seria esse tipo de atitude, no nosso entendimento, mais a nível do inconsciente do que propriamente uma atitude intencional, ou seja, não se cria partidos políticos com a finalidade de extravasar energias represadas. Ao contrário, por exemplo, da prática de esportes, esta sim pode ser estimulada através de intenções preestabelecidas com o intuito de diminuir tensões e a violência, principalmente entre as camadas mais jovens da população. Sendo a agressão uma força inata, não podemos controlá-la diz o autor. Segundo ele, o que temos a fazer é livrar-nos dela e uma saída socialmente construtiva são as competições de atletismo ou, inclusive, a expressão artística. Ponto de vista esse que não é novo, uma vez que já fora sugerido por William James bem antes de K. Lorenz.

Ainda com referência aos impulsos represados, K. Lorenz defende que, mesmo quando não for encontrado ou produzido estímulos externos, a energia do impulso represado é tão grande que explodirá no vácuo isto é, sem motivo aparente. Uma grande concentração de pessoas, por exemplo, pode propiciar esse tipo de

comportamento agressivo que, segundo ele, são padrões de coordenação motora cujos fatores determinantes são de origem genética. Para o autor, portanto, a agressão não é uma reação dos estímulos externos. Ela é, antes de tudo, fruto de uma excitação "elaborada internamente" que vai ser liberada independentemente dos estímulos externos. "É a espontaneidade do instinto que o torna tão perigoso." (citado por FROMM, 1979, p.43)

Como já havíamos nos referido anteriormente, o modelo de agressão de K. Lorenz, bem como o da libido de S. Freud, têm sido chamado de modelo hidráulico que é o mecanismo através do qual produz-se a agressão. Porém, além dessa base de sustentação, a teoria de K. Lorenz citado por FROMM, ainda é sustentada pela idéia "de que a agressão está a serviço da vida, de que serve à sobrevivência do indivíduo e à da espécie." (1979, p.43) Num sentido mais amplo, a agressão intra-específica (agressão entre os membros de uma mesma espécie) têm como função a preservação da espécie. Porém, o autor mesmo admite, que esse mesmo instinto responsável pela sobrevivência animal, não corresponde para o comportamento humano; tornou-se este "grotescamente exagerado" e no caso do homem, passou a "funcionar descontroladamente", significando que houve uma alteração nos rumos do esperado, ou seja, a agressão vista como uma ajuda à sobrevivência, tornou-se uma ameaça.

Segundo FROMM, K. Lorenz parece não ter se mostrado satisfeito com as suas explanações ao se referir a agressão humana e assim procura acrescentar uma outra interpretação além do campo da Etologia e, para justificar a agressividade humana, mantém o caráter inato da agressão como conseqüência de um processo de seleção intra-específica, já manifestado pelos nossos ancestrais durante mais ou menos 40.000 ou 50.000 a.C., sendo as guerras o fator

ínfluenciador entre as tribos vizinhas hostis. Essas guerras, segundo ele, evoluíram de tal maneira que ultrapassaram as chamadas "virtudes guerreiras" que, para os defensores da guerra, são idéias que não podem ser desprezadas, muito pelo contrário, são necessárias. Portanto, "a lógica do pressuposto de K. Lorenz é a de que o homem é agressivo porque ele foi agressivo, e ele foi agressivo porque é agressivo." (1979, p.44)

No entanto, para alguns estudiosos desta temática, como é o caso de FROMM em sua obra já mencionada e base de nossa análise, o raciocínio genético de K. Lorenz para explicar a agressividade humana é passível de dúvidas. Assim ' argumenta FROMM:

"Se uma determinada peculiaridade tiver de apresentar uma vantagem seletiva, esse fato deve basear-se na maior produção de crias férteis dos propagadores dessa característica. Mas, tendo em vista a probabilidade de uma perda mais alta dos indivíduos agressivos nas guerras, não há certeza de que a seleção pudesse contar para a manutenção de uma alta incidência dessa característica. Na verdade, se essa perda fosse considerada uma seleção negativa, a freqüência do gene devia diminuir. Efetivamente, a densidade da população nessa época era muitíssimo baixa, e para muitas das tribos humanas, depois da completa irrupção do 'Homo sapiens', havia pouca necessidade de competir e de guerrear-se uns aos outros em busca de alimento e espaço." (1979, p.44)

A teoria da agressão de K. Lorenz, segundo FROMM, é pois, sustentada em dois elementos básicos. Em primeiro lugar, tanto os animais como o homem são dotados de agressão reservada à sobrevivência do indivíduo conseqüentemente, da espécie. O segundo elemento se baseia numa espécie de modelo hidráulico da agressão represada que "é usado para explicar os impulsos assassinos e cruéis do

evidência convincente para apoiá-lo.

Contudo, em oposição à K. Lorenz, Tinbergen (1968) citado por FROMM, assim exprime o problema da agressão:

"Por um lado, o homem é aparentado com várias espécies de animais, dado que entra em conflito com a sua própria espécie. Mas, por outro lado, ele constitui, dentre as milhares de espécies que se entregam à luta, a única para quem o ato de lutar é destruidor (...) O homem compõe a única espécie que assassina em massa, o único elemento desajustado no seio da sua própria sociedade. Por que será que isso acontece?" (1979, p.45)

Ao examinarmos as teorias dos dois mais conhecidos teóricos do instinto - S. Freud e K. Lorenz, pudemos verificar as semelhanças entre as respectivas teorias, assim como suas diferenças. Tanto para um como para outro têm em comum a conceituação hidráulica da agressão, porém a origem do impulso é explicada de forma diversa por ambos. Em outro aspecto, S. Freud apresenta como hipótese um instinto destrutivo o que K. Lorenz não concorda por razões biológicas. Para este último, portanto, o impulso agressivo serve à vida, enquanto que o instinto de morte de S. Freud serve à morte. Assim sendo,

"(...) a conclusão a que chega Lorenz de que o homem é conduzido por uma força inata para destruir é, para todas as finalidades de ordem prática, a mesma de Freud. Freud, contudo, vê o impulso destrutivo oposto pela força igualmente potente de Eros (vida, sexo), enquanto que para Lorenz o próprio amor é o produto do instinto agressivo." (FROMM, 1979, p.46)

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Outro aspecto importante que deve-se levar em conta no que se refere as divergências de ambos os teóricos em questão na análise interpretativa da agressão, é que S. Freud foi um exímio estudioso do homem, conseqüentemente, um observador meticuloso do seu comportamento e das várias manifestações de seu inconsciente, enquanto que K. Lorenz, é um observador dos animais, principalmente dos inferiores. No entanto, tanto a teoria de um como a de outro, embora importantes do ponto de vista científico não apresentam comprovações suficientes para justificar plenamente suas teorias. Diante disso, já que outras explicações podem ser consideradas, FROMM procura encontrar outras interpretações através dos Ambientalistas na tentativa de explicar o comportamento humano e, ainda, acrescentamos a importância do legado da Antropologia.