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Muito ainda se tem a abordar sobre Adélia, uma voz muito representativa da poesia brasileira. Adélia traz fortes reflexões sobre a sexualidade feminina.
Valoriza, no seu eu feminino, os sentidos do corpo, a identificação feminina com a religião e o mundo. Mostra que sacrifício da carne de Cristo é uma experiência carnal, e muitas vezes seus poemas retratam tabus e proibições; porém esse sentimento transforma, em seus poemas, a devoção e a adoração.
Ela restaura a força religiosa sem repressões. Defende a mulher em seus poemas, tendo caráter de denúncia, como exemplo ligar o sexo e gozo ao pecado. Sua criação é uma missão sagrada, pois marca uma relação entre o feminino e Deus, que sendo algo sagrado acaba por ser um mistério santíssimo, pois ela faz confissão em sua poesia através da recriação da linguagem.
A posição da poetisa é de proponente de reflexões sobre o caráter salvador de sua poesia. Ela concretiza e humaniza Deus, diviniza o homem. Ela retrata o corpo e o sangue de Cristo como sacrifício que liga o amor e o sacrifício de Deus pelos homens.
Para Adélia, Jonathan, que aparece muitas vezes, é Jesus, e é nele que ela espera sua realização. Ao invés de afastar a imagem divina, ela retrata e busca o religioso nas manifestações diárias.
Assim sendo, seus poemas lutam contra o isolamento e diferença humana que nos posicionam na sociedade como submissas, mostrando o que há de mais cotidiano, cenas comuns, corporificação para construir seus significados dentro de uma simplicidade insubstituível.
Apresenta também idéias revolucionárias, como vigorar a voz feminina, multiplicando as imagens de sexualidade e erotismo da alma. Aproxima o desejo humano à adoração divina. Busca com fonte libertadora, suas fontes de cultura regional.
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Apesar de sugestões tidas como antifeministas a que Adélia alude, o que mostra na realidade é oposição ao desejo de dominação que unirá o homem e a mulher, os levaria a perceber que ambos os seres não existem sem o outro.
A força reveladora da poesia adeliana consiste no cotidiano, oralidade e religiosidade. Ela passa do singular ao universal, ela reduz e reduplica a ideologia dominante. Ela desestrutura a repressão sexual feminina, utilizando-se dos elementos repressivos: Igreja, religião, sociedade.
Sua poesia é reveladora e alcança valores que destituem da mulher a culpa e a vergonha sociais. O que há é a integração possível entre homem e mulher.
A origem da repressão da mulher, explicada das mais diferentes formas, perpetua- se historicamente e a biologia é indicação de fragilidade. A mulher não nasceu para a submissão, nem para ser inferior. A opressão aparece num determinado momento da história e perpetua-se ao longo da humanidade.
Com certeza, se fizéssemos só uma análise superficial da poesia de Adélia Prado, definiríamos, de forma critica, a condição feminina. O exame, ou análises mais aprofundadas, demonstram exatamente o conteúdo social da lírica, que é espontânea, universal e materializa a subjetividade.
Há a insubordinação do sujeito poético às regras sociais. Sua obra, até hoje, torna- se “desobediente” quanto mais acentuado é o grau de subjetividade em seus textos.
Ela não reage apenas a coisas impostas pelo mundo capitalista, mas toma para si a negação da tradição estética para que as mulheres criem literariamente. E não significa aceitar as imposições sociais e sim reverter esses mecanismos que asseguram o recurso margina- lidade da escrita feminina.
Sua poesia é protesto, é uma vida diferente e espontânea.Em sua poesia individual ocorre a vez da voz da humanidade, a resistência contra a pressão social. É possível
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experimentarmos em sua poética algo maior, de uma outra forma, redefinindo a mulher, o homem e as suas relações.
Sua linguagem subjetiva propicia uma identificação do público feminino com sua fala. Refletindo sobre a liberdade e a dignidade individual e universal, sua poesia é de cunho existencial e restabelece à sociedade, transformando-a na imagem que se autentica e reconhece.
E ainda a imagem de Deus, a vertente religiosa, apresenta relação entre a rítmica e a semântica; portanto formas bíblicas e oração se confundem com caráter pragmático de sua escrita. O ser se define pelo novo contexto. Quanto ao ponto de vista semântico, a poesia de cunho religioso se constrói na tradição e na ruptura. São valores éticos e culturais que cultuam a linguagem coloquial como um modo de expressão próprio de ser. Sua linguagem, o cotidiano, a vida comunitária e familiar adquirem a essência e a descoberta do eterno na vida simples e degradada.
A ruptura religiosa da lírica Adélia Prado rompe com a visão da doutrina cristã prescrita dentro de mitos e ritos que sugerem Deus como punitivo e opressor.
A poesia religiosa de Adélia vem dessa história cristã, recupera a voz dos passos e ditos de Cristo. Suas figuras femininas são construídas em torno de tais práticas tradicionais, tanto na vida pessoal quanto aos afazeres domésticos e a humanização do divino perpassa toda a sua obra.
Em Jonathan, verifica-se o comportamento e as fases do namoro, sempre do ponto de vista feminino: declaração, espera, ciúme, reconciliação...
A vinculação entre poesia e Deus, como fontes geradoras de sua lírica, aproxima o fazer poético e a sua tematização vem ao encontro do pensamento místico do Antigo Testamento.
Assim, determinados momentos do passado são recuperados e reatualizados pelas memórias e vivências exemplares, ligadas às relações afetivas e familiares e ancestrais.
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É uma emersão do esquecimento, do tempo desdobrado e da criação. Sua repetição contínua no dever fixo e duradouro universalmente, mostra-nos uma nova mulher que surge com as novas décadas, libertando-se das amarras social, religiosa e patriarcalista.
É a mulher voltando a ser ela mesma, forte, lutadora, sem necessitar de um caminho pré-determinado a ser seguido. É Deusa novamente!