• Aucun résultat trouvé

Um currículo

voltado para

Interdisciplin

aridade

- Não há uma integração entre as disciplinas propedêuticas e

técnicas, é tudo trabalhado separado. Mas são os professores das disciplinas propedêuticas que percebem a

importância de integrar suas disciplinas e fazer sentido na nossa cabeça, Mas ainda assim

pensam: Ah! Geografia é isso, história é isso, português é isso,

não se interligam. (Aluna P1, 17

anos, campus X)

- A gente chega no 4º ano completamente

com dificuldade de fazer o TCC, pois

sentimos falta dessa integração .Se desde

o inicio do curso tivéssemos um

preparo, não chegaríamos no 4º ano com esse monstro na nossa cabeça que é fazer o TCC, nós não

temos suporte para fazê-lo. (Aluno P3, 17

anos, campus X)

- Com certeza, as disciplinas do médio não ficam limitadas às disciplinas do técnico, são bem

variados, tem áreas que

deveriam ter alguma integração e, às vezes não têm, acaba cada

professor indo para um rumo. (Aluno P11, 16 anos, campus Y) - Eu acho que tem muitas

matérias isoladas durante as

aulas, tanto nas disciplinas do médio quanto do técnico que vão

nos ajudar, né! As vezes, acontece desencontros. (Aluno

P10, 14 anos, campus Y) - Uma coisa que eu sinto às vezes, que falta integração

entre as matérias, alguns

professores tentam mesmo, por exemplo, em literatura,

ela tenta trabalhar os conteúdos, mas um período é pouco, se trabalhasse com

demais professores, que

abrangesse duas áreas, ela teria mais tempo para trabalhar o conteúdo de

literatura com outras disciplinas e aí, é isso, que

as vezes falta, sabe? (Aluno

Diagrama construído pela autora

A partir dos apontamentos dos estudantes, de que há uma lacuna no trabalho interdisciplinar no currículo do Ensino Médio Integrado, busquei nos documentos da Rede se constava, entre seus princípios, o trabalho interdisciplinar a ser desenvolvido nos currículos. Abaixo, destaco alguns artigos encontrados nos documentos que contextualizam a interdisciplinaridade.

Art. 57. Os currículos dos cursos regulares do IFRS estão fundamentado em bases filosóficas, epistemológicas, metodológicas, socioculturais e legais, expressas no seu projeto pedagógico institucional, norteado pelos seguintes princípios: estética da sensibilidade, política da igualdade, ética da identidade, interdisciplinaridade, contextualização, flexibilidade e educação como processo de formação na vida e para a vida, a partir de uma concepção de sociedade, trabalho, cultura, educação, tecnologia e ser humano. (IFRS, 2013, p. 26)

Mediado pela intervenção pedagógica numa perspectiva interdisciplinar do currículo, o estágio curricular é parte integrante do percurso formativo, e, como tal, está previsto no Projeto Pedagógico dos diversos cursos ofertados pelo IFRS. (IFRS, 2014, p. 117)

Art. 21. A matriz curricular dos cursos técnicos de nível médio integrados, organizada em regime seriado anual, será constituída por componentes curriculares e estruturada em núcleos, [...] § 3º. Os componentes da matriz curricular deverão estar articulados, fundamentados na integração interdisciplinar e orientados pelos perfis projetados de egressos, ensejando ao educando a formação de uma base de conhecimentos científicos e tecnológicos, bem como a aplicação de saberes teórico-práticos específicos de uma área profissional, contribuindo para uma qualificada formação técnico-científica e cidadã. (IFRS, 2015, p. 16)

No que tange à interdisciplinaridade como princípio pedagógico nos documentos do IFRS, encontrei em alguns documentos o objetivo do trabalho interdisciplinar nos currículos ofertados. Ainda que os estudantes da pesquisa mencionem sentir falta da interdisciplinaridade ao longo do percurso no Ensino Médio Integrado, essa proposta está inserida na matriz curricular contudo, ainda é necessário superar a visão fragmentada nos processos de produção e socialização do conhecimento (THIESEN, 2008).

Além disso, as DCNEM, em seu artigo 5º, parágrafo VI, prevê a integração de conhecimentos gerais e, quando for o caso, técnico- profissionais, realizada na perspectiva da interdisciplinaridade e da contextualização (BRASIL, 2011, p. 2).

Para Fazenda (2008, p. 119), “Interdisciplinaridade é uma nova atitude diante da questão do conhecimento, de abertura à compreensão de aspectos ocultos do ato de aprender e dos aparentemente expressos, colocando-os em questão”.

Nessa lógica, a interdisciplinaridade necessita ser assumida e, posteriormente, realizada na práxis pedagógica. Segundo Fazenda (2008), é preciso alterar os hábitos já estabelecidos na compreensão do conhecimento, passando a ser um questionamento pedagógico.

Portanto, em consonância com a concepção de interdisciplinaridade proposta por Fazenda, estamos diante de um desafio: romper com uma visão fragmentada do conhecimento, buscando partilhar ideias e construir projetos interdisciplinares com as outras áreas do conhecimento, buscando uma mudança de práxis (nova atitude).

Também, a interdisciplinaridade tem uma função, vista como desafiante e ao mesmo tempo solucionadora, pois atende a necessidade de resolver problemas pedagógicos e científicos novos e complexos, dentro de uma determinada concepção de realidade, de conhecimento e de linguagem (PAVIANI, 2008, p. 19).

O professor, de acordo com Thiesen (2008), deve se tornar um profissional com visão integrada da realidade, compreender que um entendimento mais profundo de sua área de formação não é suficiente para dar conta de todo o processo de ensino, ademais, deve apropriar-se das múltiplas relações conceituais que sua área de formação estabelece com as outras ciências.

Além disso, o professor tem que estar a disposto a querer essa relação de sua área de conhecimento com outras áreas, isso sim seria interdisciplinaridade, nas palavras de Paviani (2008, p. 12) “a interdisciplinaridade não é qualquer coisa que nós tenhamos que fazer. É qualquer coisa que se está a fazer quer nós queiramos ou não”.

Partindo desses pressupostos, os desafios dessa nova atitude consistem, em síntese, na superação de conhecimentos fragmentados que não correspondem à atual configuração da Instituição.

Como última categoria encontrada, a saber, Cultura performativa: uma outra cultura escolar, destaco as narrativas que demonstram as performances implícitas e explícitas nas narrativas dos estudantes. Na esteira do pensamento de Ball (2002), essas performances, desencadeadas pelos desempenhos alcançados através de ações, servem “como medidas de produtividade e rendimento, ou mostras de ‘qualidade’ ou ainda ‘momentos’ de promoção ou inspeção” (p.4).

A noção de performance ganha força através das palavras citadas pelos estudantes em suas narrativas, como – melhores, reconhecidos, destacar, aprovado – com base nisso, é possível identificar várias aproximações entre os sentidos que se estabilizam em torno destas expressões.

Documents relatifs