PARTIE II : CANCER DU REIN METASTATIQUE : CARCINOME A CELLULES CLAIRES
V. LES MODALITES THERAPEUTIQUES DANS LA PRISE EN CHARGE DU CANCER DU REIN METASTATIQUE :
1. Les voies moléculaires dans le cancer du rein :
Os pescadores artesanais comerciais das turmas de Mangueira do Seu Emanuel, que existiram até meados de 1995, trabalhavam como companheiros nos lagos: Cipó, o Miritipucu, Pai Agostinho, Quati (permanentes) e o Que-Qué (temporário) da fazenda Tapera83. Esta turma monopolizava a mão-de-obra da maioria dos pescadores da referida comunidade. Ele possuía caminhão e geleira próprios, portanto suas despesas com intermediários eram menores e seu lucro, conseqüentemente maior. Este arrendatário “dava” as famílias dos pescadores que estavam ao seu serviço um “rancho”, enquanto estes estivessem fora. Este “agrado” era o ponto inicial do endividamento destes pescadores, que recebia seu pagamento em dinheiro somente ao final da temporada. A alimentação das turmas corria por conta do arrendatário e consistia no peixe, pescado por cada um, na farinha e temperos como o sal e a cebola.
Atualmente, as turmas de lago de Mangueira são organizadas por mais de um arrendatário. Durante a pesquisa de campo foi possível entrevistar três deles (o Sr. Tóti, o Sr. Augusto e o Sr. Emanoel filho), sendo a família Gonçalves quem as realiza em maiores proporções. Leonel (1998) refletindo sobre as intermediações e o aviamento na pesca artesanal afirma que no Pará existe a mais complexa rede de intermediários, financiando as viagens de formas diversas. No Marajó, o autor confirma a presença de intermediários nos rios e lagos, citando o caso do lago Arari, onde a relação entre o intermediário e o balanceiro84 é “de meia” por viagem ou safra. Esta realidade descrita em 1998, pelo referido autor é relatada pelos pescadores artesanais no ano de 2004, pelas turmas de lago de Mangueira e Salvá.
Segundo Leonel (1998) uma alternativa positiva para minimizar as perdas dos pescadores frente à margem de lucro dos intermediários seria criar associações que buscassem financiamentos, cobrindo os riscos do investimento. As associações poderiam investir em gelo, na estruturação de um terminal e controle de um entreposto, ou seja, em melhorias de dependente de soluções difíceis de serem concretizadas. Alternativa seria o fornecimento de insumos básicos aos pescadores para que dessa forma eles tivessem um maior poder de barganha em relação às exigências impostas pelos intermediários.
83 As áreas de pesca das turmas de lago de Mangueira, não se restringiam ao lagos da Fazenda Tapera, alcançavam áreas como o Ri do Saco, que na época, era arrendado pelos fazendeiros ao Senhor Emanoel e seus filhos.
84 Nas turmas de lago pesquisadas o arrendatário assume um contrato com o encarregado, que é o dono da geleira, de duas formas: o aluguel ou a partilha de meia. O aluguel, entretanto, é considerado um negócio mais arriscado para o arrendatário. Este fato é o responsável pela maior propagação da partilha de meia, onde ambos dividem lucros e perdas, pois o lucro é repartido em %0% para cada um dos atores depois que é debitado o gato da produção.
Nas comunidades negras de Barro Alto e Mangueira, as turmas de rio estão diminuindo esta margem de lucro quando ofertam preços diferentes aos peixes de 1º, ao longo da safra e também conseguiram adquirir uma geleira (cada grupo a sua), diminuindo, com isso, o número de intermediários, de acordo com o esquema 2.
O sentimento de cooperação citado pelas turmas de rio, já mencionado anteriormente, é diferente nas turmas de lago, onde o sentimento é de proteção. De acordo com informações relatadas por pescadores artesanais comerciais de Mangueira, é necessário trabalhar no lago quando não se tem instrumentos de pesca, pois a compra das artes de pesca é financiada pelo arrendatário, sem o compromisso de serem pagas até o termino da safra. Criando um vínculo de dependência, diferindo do que ocorre com as turmas de rio.
O financiamento de instrumentos do pescador artesanal pelo chefe (dono de geleira) tem prazo mais curto, sendo geralmente pago à vista. Este fato atrai muitos pescadores para essas turmas, pois não há o poder do patrão inibindo suas ações e existem melhores condições de produção, bem como o financiamento de “redes de pesca” a preços menores, podendo ser o mesmo valor encontrado nas lojas especializadas de Belém.
A luz dessas informações, podemos nos aventurar a algumas interpretações, baseando- nos em estudos como os realizados por Aramburu (1994) na comunidade de São Sebastião da Boa Vista. Segundo este autor, mudanças na forma de aviamento vem acontecendo desde a década de 70, provocadas pelos efeitos do aumento da inflação e pelas taxas de juros. Aramburu (1994, p. 87-97) segue afirmando que o sistema de aviamento “adianta bens de consumo e alguns instrumentos de trabalho ao produtor e este restitui a dívida contraída com produtos extrativos e agrícolas”. Este sistema se caracteriza como uma forma de crédito informal que alcança o produtor do interior amazônico e que esta sendo alimentada pelo sistema bancário, a partir de créditos formais.
As mudanças que estão acontecendo com as turmas de rio, são provocadas pela relação que este sistema estabelece com o mercado global. Atualmente, muitos financiadores (aviadores ou patrões) preferem aceitar perdas na margem de lucro do que se arriscarem criando longas redes de endividamento onerosas, que monopolizam a mão-de-obra, dando poder ao patrão e certa “proteção” ao produtor.
Aramburu (1994) afirma que os mais favorecidos, que possuem instrumentos de pesca, preferem a liberdade de comprar e vender sua produção nas geleiras das turmas de rio, mas os menos favorecidos escolhem a segurança da fidelidade do “patrão freguês”. Este autor (1994, p. 98), afirma ainda que podemos perceber que tais mudanças no sistema de financiamento deve ser interpretado de forma de forma cautelosa, pois ela insere aspectos positivos e
negativos. Positivos os casos como: maior autonomia de ação, que deixa espaço para praticas de transformações sociais, ou ainda, o afastamento dos trabalhadores de sistemas de semi- servidão. Quanto aos negativos podemos citar que a omissão do Estado na prestação de serviços básicos favorece a continuidade de laços de fidelidade “dos patrões e a origem de associações pode encaminhar-se numa política direcionada e subordinada aos campos eleitoreiros” (ARAMBURU, 1994, p. 98). Portanto, precisamos registrar as mudanças recentes nas turmas de rio, mais adiante e refleti-las nem de forma pessimista, nem otimista.
A presença de intermediários no processo de produção pesqueira provoca a alta do preço do pescado e impossibilita a maior lucratividade aos verdadeiros produtores que são os pescadores. A figura do arrendatário poderia ser substituída por uma cooperativa de pescadores, que diminuiria o custo de transporte se possuísse um caminhão e uma geleira e ao invés de negociar com o balanceiro, venderia o pescado diretamente aos comerciantes locais a preços distintos, ou seja, cada tipo de peixe seria vendido de acordo com o valor estabelecido comercialmente.
A figura do fazendeiro no processo é uma questão mais complexa e não menos injusta. Ele como “dono” tem um lucro líquido de 100% em toda captura realizada, pois ao arrendar, vende o “peixe no fundo”. Lucra também com a venda do pirarucu que é peixe “nobre” e não está incluso no “contrato”. Por outro lado, o mesmo é isento de débitos pois, geralmente, não realiza nenhum investimento prévio no lago, pelo contrário, muitas das vezes permite que o gado ou o búfalo, de sua propriedade, invada este ambiente “limpando-o” e dessa forma acaba provocando a diminuição da produção de pescado. A nocividade dos bubalinos e bovinos à produtividade pesqueira de ambientes varzeiros já foi mencionada por autores como Mcgrath (1991, 1993) e Goulding (1997) 85.
85 Goulding (1997), em estudos realizados na várzea do Baixo Amazonas, afirma que a pecuária extensiva provoca danos durante o verão que acabam diminuindo a produtividade dos lagos de várzea, que acolhem os peixes no inverno.