• Aucun résultat trouvé

Voice VLAN

Dans le document 1.1 Layer 2 Access Switchports ... 1 (Page 17-182)

Devido ao crescimento das tecnologias digitais, Manuel Castells (2011, p.43) comenta que a partir deste ponto de vista, a tecnologia pode ser vista como um determinismo tecnológico. O autor explica que é esta metodologia que utiliza para realizar seu estudo, com as tecnologias tendo o papel de determinar o ritmo da evolução social. Porém, faz uma ressalva:

[...] É claro que a tecnologia não determina a sociedade. Nem a sociedade escreve o curso da transformação tecnológica, uma vez que muitos fatores, inclusive criatividade e iniciativa empreendedora, intervêm no processo de descoberta científica, inovação tecnológica e aplicações sociais, de forma que o resultado final depende de um complexo padrão interativo.

Apesar da cautela de Castells em adotar o determinismo, ele defende esta tese ao dizer que ―na verdade, o dilema do determinismo tecnológico é, provavelmente, um problema infundado, dado que a tecnologia é a sociedade, e a sociedade não pode ser entendida ou representada sem suas ferramentas tecnológicas‖ (2011, p.43). O determinismo é uma área de estudo da filosofia onde ―afirma que todos os acontecimentos do mundo são pré-estabelecidos ou que o futuro é fixo como o passado‖ (SILVEIRA, 1993, p.137). Karl Popper (2010, p.243) explica a teoria comparando uma nuvem e um relógio. O filósofo diz que alguns fenômenos naturais, como a meteorologia e os movimentos das nuvens, são difíceis de predizer, enquanto a ―precisão de relógio‖ descreveria fenômenos regulares e previsíveis. Esta última concepção, da precisão do futuro, Popper chama de determinismo físico (2010, p.245). Segundo o filósofo, essa concepção aparece com a revolução causada pelas teorias do físico Isaac Newton, que tratavam ―especialmente de planetas, cujos movimentos explicava como sendo decorrentes de umas tantas leis muito simples da natureza; o mesmo se aplicava às balas de canhão e às marés. O imenso sucesso da teoria nesses domínios virou a cabeça dos físicos,

não sem razão‖ (2010, p.246). Antes de Newton, os físicos não conseguiam explicar o movimento do sistema solar e, com as teorias do físico, foi possível determinar que os planetas se movimentam ―como um relógio perfeito‖ (POPPER, 2010, p.246).

Esta concepção que a natureza funciona através de leis naturais, pré-determinadas, revolucionou a ciência e, segundo Popper, levou a preposição de que ―todas as nuvens são relógios‖ (2010, p.246). O filósofo detalha esta definição, em tom crítico, ao dizer:

Ele (o determinista) dirá que, com todo o nosso bom senso, dispusemos as coisas não de acordo com a natureza delas, mas de acordo com a nossa

ignorância. Nosso arranjo, dirá, reflete o fato de sabermos com algum

detalhe como funcionam as peças de um relógio ou como funciona o sistema solar, enquanto não conhecemos a interação detalhada das partículas que formam uma nuvem de gás ou um organismo. Se obtivermos esse conhecimento, diz o determinista, constataremos que as nuvens de gás ou os organismos são tão semelhantes a um relógio quanto o nosso sistema solar (2010, p.246, grifos do autor).

Um dos exemplos do determinismo aplicado na ciência pode ser analisado pela obra sobre probabilidades do físico e matemático Pierre Simon Laplace, com a famosa citação que enaltece essa linha de raciocínio:

Devemos considerar o estado presente do universo como efeito dos seus estados passados e como causa dos que se vão seguir. Suponha-se uma inteligência que pudesse conhecer todas as forças pelas quais a natureza é animada e o estado em um instante de todos os objetos - uma inteligência suficientemente grande que pudesse submeter todos esses dados à análise -, ela englobaria na mesma fórmula os movimentos dos maiores corpos do universo e também dos menores átomos: nada lhe seria incerto e o futuro, assim como o passado, estaria presente ante os seus olhos (in SILVEIRA, 1993, p.138).

A aplicação do determinismo na tecnologia fortaleceu ainda mais a concepção de que o conhecimento sobre a técnica poderia influenciar mudanças sociais. Em A miséria da filosofia, primeiro ensaio político escrito por Karl Marx entre 1846-1847, demonstra a aceitação do determinismo tecnológico, principalmente ao questionar Proudhon, e afirma:

O Sr. Proudhon, economista, compreende muito bem que os homens façam tecidos, materiais de linho e seda em determinadas relações de produção. Mas o que ele não entendeu é que essas relações sociais determinadas são igualmente produzidas pelos homens, do mesmo modo que os tecidos de algodão, linho etc. As relações sociais estão intimamente ligadas às forças produtivas. Adquirindo novas forças produtivas, os homens mudam o seu modo de produção, e mudando o modo de produção, a maneira geral de ganhar a vida, eles mudam todas as suas relações sociais. O moinho dar-vos- á a sociedade com o suserano; a máquina a vapor, a sociedade com o capitalista industrial (in DAGNINO, 2008, p.32).

No estudo de Marx sobre a relação que uma nova forma de produção promovida pela tecnologia pode influenciar a sociedade, Manuel Castells (2011, p.44-45) alerta que a própria sociedade pode sufocar o desenvolvimento da tecnologia, principalmente se existir a intervenção do Estado. Entretanto, continua Castells, o Estado pode promover um processo acelerado de desenvolvimento tecnológico, com a capacidade de transformar a economia, o poderio militar e também do bem-estar social, e defende a tese que:

Sem dúvida, a habilidade ou inabilidade de as sociedades dominarem a tecnologia e, em especial, aquelas tecnologias que são estrategicamente decisivas em cada período histórico, traça seu destino a ponto de podermos dizer que, embora não determine a evolução histórica e a transformação social, a tecnologia (ou sua falta) incorpora a capacidade de transformação das sociedades, bem como os usos que as sociedades, sempre em um processo conflituoso, decidem dar ao seu potencial tecnológico (2011, p.45). Manuel Castells (2011, p.49-50) confere ao Estado o papel decisivo no processo geral de interromper ou promover a inovação tecnológica, já que possui o poder de organizar as forças sociais em um espaço e em uma época determinadas. O pesquisador espanhol acredita que ―a tecnologia expressa a habilidade de uma sociedade para impulsionar seu domínio tecnológico por intermédio das instituições sociais, inclusive o Estado‖ e que o desenvolvimento das forças de produção promovidas pela tecnologia caracteriza os entrelaçamentos sociais de uma determinada comunidade, e conclui:

Não é diferente no caso da revolução tecnológica atual. Ela originou-se e difundiu-se, não por acaso, em um período histórico da reestruturação global do capitalismo, para o qual foi uma ferramenta básica. Portanto, a nova sociedade emergente desse processo de transformação é capitalista e também informacional embora apresente variação histórica considerável nos diferentes países, conforme sua história, cultura, instituições e relação específica com o capitalismo global e a tecnologia informacional (2011, p.50).

A sociedade através de suas características histórico-sociais próprias, então, determina como as tecnologias serão usadas e como ela moldará as formas de produção. No caso das redes, porém, há algumas características que a definem e ajudam a entender como a sua expansão inicia um processo de reestruturação tecno-social.

Dans le document 1.1 Layer 2 Access Switchports ... 1 (Page 17-182)

Documents relatifs