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Vivre ensemble dans une société pluraliste

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A liderança tem sido uma das áreas investigadas com maior afinco no fim do século XX e início do século XXI, tendo, ao nível da Psicologia do Desporto, a responsabilidade recaído sobre quatro investigadores que desenvolveram três modelos de análise da temática: o modelo das ações do treinador, o modelo mediacional e o modelo multidimensional.

O Modelo das Ações do Treinador, desenvolvido por Côté et al. (1995) utiliza metodologias qualitativas, cuja centralidade se situa na compreensão dos princípios subjacente às decisões assumidas pelos treinadores e ao tipo de atividades desenvolvidas no treino dos atletas/equipas. Este modelo valoriza a centralidade do treinador, recolhe informação através das caraterísticas pessoais e profissionais deste, através da avaliação das potencialidades e dificuldades dos atletas e através da observação dos recursos e constrangimentos existentes no contexto.

Percebe-se um modelo bastante pessoal e subjectivo dado que, através das perceções de cada treinador acerca dos três fatores enunciados, se podem compreender as decisões assumidas e orientações emanadas pelo treinador. Em termos práticos, tal significa que, num mesmo contexto espaço-temporal, dois treinadores podem optar por estratégias diferentes, pelo facto de terem valorizado aspectos diferenciados.

Desta forma, segundo Côté (1998), existem dois níveis de análise. Um nível primário denominado por antecedentes, composto pelas caraterísticas pessoais do treinador, dos atletas e da equipa, assim como fatores contextuais que condicionam os comportamentos assumidos e um nível secundário orientado para os comportamentos competitivos, organizacionais e de treino que se interrelacionam, defendendo-se que as perceções acerca do potencial dos atletas irão influenciar os comportamentos do treinador nas três situações enunciadas, sendo naturalmente influenciadas pelos denominados antecedentes. Assim, a conjugação destes fatores irá influenciar as metas preconizadas pelo treinador.

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Tendo em vista analisar as componentes deste modelo, foi elaborado um instrumento denominado por Coaching Behavior Scale for Sport19 – CBS-S – com o objetivo de avaliar a frequência dos comportamentos do treinador, numa escala de sete pontos, composta por seis fatores: formulação de objetivos, competências técnicas, preparação mental, relação pessoal, preparação e planeamento físico e relacionamento pessoal negativo.

O Modelo Mediacional de Liderança aplicado no desporto para jovens foi desenvolvido por Smith e Smoll (1996), cuja centralidade se situa nos efeitos dos comportamentos dos treinadores nos jovens atletas, especialmente ao nível da satisfação, stress e autoestima.

Segundo os autores, tal justifica-se pelo crescente envolvimento de figuras adultas na prática desportiva juvenil e na ênfase que tem sido dada às vitórias e êxitos, em detrimento do desenvolvimento integral, da diversão e do fair-play que a Educação Física escolar preconiza.

Para Smith e Smoll (1996), toda e qualquer ação do treinador dará origem a um conjunto de perceções e recordações nos atletas que, concomitantemente, influenciará as respostas emocionais destes às experiências desportivas, percecionando-se o impacto psicológico e social na prática de determinada modalidade.

Tendo em vista analisar as componentes deste modelo, foi elaborado um sistema de avaliação denominado por Coaching Behavior Assessment System - CBAS20 - com o objetivo de observar a comunicação treinador-atletas e, desta forma, propor os doze tipos de comportamentos, divididos em duas categorias: os reativos e os espontâneos.

Os comportamentos reativos são reações ou respostas do treinador em resultado de uma ação do atleta e distribuem-se por oito categorias: reforço, ausência de reforço, encorajamento contingente ao erro, instrução técnica após o erro, instrução técnica punitiva, punição, desconsideração do erro e manutenção do controle. Os comportamentos espontâneos são atitudes não antecedidas por estímulos, sendo efetuadas de livre vontade pelo treinador e distribuídas em instruções gerais, encorajamento geral, comportamentos de organização das funções a desempenhar pelos atletas e comunicação geral.

Segundo Gomes (2005), os resultados das investigações efetuadas com este modelo, permitiram retirar conclusões significativas para a relação treinador-atleta e promoveram o desenvolvimento de um programa de formação para a eficácia dos treinadores – PFET (Smith

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Escala de Comportamentos do Treinador para Desporto.

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& Smoll, 1996, 1997), com vista ao desenvolvimento de padrões comportamentais adequados a uma boa prática desportiva.

O Modelo Multidimensional de Liderança, proposto por Chelladurai (1978), procurou agregar um conjunto de dados do estudo da liderança (Fiedler, 1967; Evans, 1970; House, 1971, Yukl, 1971), num modelo adaptado ao desporto, sendo que a grande diferença se situa na abordagem ao tema como o resultado da conjugação de três aspetos: o líder, os membros e a situação. Neste modelo a liderança é vista como um processo interacional pelo que, a liderança irá variar com as caraterísticas dos atletas e do contexto (Figura 1).

Figura 1 - Modelo Multidimensional de Liderança no desporto

Adaptado de Chelladurai (Gomes, 2005, p.108)

Ao analisar o modelo expresso graficamente na Figura 1, podemos verificar que os antecedentes (situação, líder e membros) levam à existência de três tipos de comportamentos por parte do líder, sendo que as caraterísticas deste são consideradas fatores pessoais, ao passo que as situacionais e as dos membros são circunstânciais.

O desempenho e a satisfação dos atletas está dependente de três tipos de comportamento do líder: os exigidos (cada situação exige um determinado comportamento, esperando-se que as pessoas se ajustem às normas da organização); os atuais (exibidos pelo líder) e os preferidos (dado que os membros têm determinado tipo de preferências, de idade, sexo, experiência e competência) e que um bom desempenho e satisfação só acontecem se os três estiverem de acordo, isto é, se os comportamentos do líder forem consistentes e ajustáveis às preferências do grupo. Caraterísticas da situação 1 2 3 4 5 6 7 Caraterísticas do líder Caraterísticas dos membros Comportamentos exigidos Comportamentos atuais Comportamentos preferidos Satisfação e desempenho ANTECEDENTE S

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Tendo em vista validar este modelo, foi desenvolvido um sistema de avaliação denominado por Leadership Scale for Sports - LSS21 com três versões. Uma destinada ao treinador, por forma a aferir os comportamentos do próprio treinador, e outras duas destinadas aos atletas com o objetivo de avaliar os comportamentos preferidos e os atuais do treinador.

A LSS avalia cinco dimensões dos comportamentos do treinador numa escala do tipo Likert de cinco pontos: i) treino e instrução (procura melhorar o rendimento dos atletas através de: componentes técnicas e táticas, relacionamento e coordenação das atividades dos atletas); ii) democrático (permite uma maior participação nas decisões relacionadas com objetivos e estratégias); iii) autocrático (dá preferência às atitudes pessoais e tomadas de decisão independentes); iv) apoio social (relacionamento positivo com os atletas, demonstrando preocupação com o seu bem-estar) e v) recompensador (reconhecimento e recompensa pelo rendimento).

De acordo com a investigação de Gomes (2005, pp.115-117) relativamente a este modelo, como principais dados produzidos nas investigações efetuadas na área dos antecedentes e na área das consequências destacam-se:

o Antecedentes:

- Ao aumento da experiência/idade está associado o aumento pela preferência por comportamentos autocráticos e de apoio social;

- Ao aumento da experiência/idade está associado a preferência pela passagem de um estilo de liderança centrado na relação para um centrado na tarefa;

- Ao sexo está associado a preferência por comportamentos de treino e instrução (masculino) ou democráticos (feminino);

- À motivação para tarefas desportivas estão associados comportamentos de treino e instrução;

- À variação da modalidade estão associados comportamentos de liderança diferentes;

- À variação das tarefas desempenhadas dentro da mesma equipa está associada a valorização por comportamentos democráticos e de apoio social (tarefas abertas); - À variação do tipo de modalidade (coletiva ou individual) estão associados comportamentos autocráticos, treino e instrução e feedback’s positivos (coletivas) ou democráticos e de apoio social (individuais);

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- À variação da qualidade do rendimento do atleta estão associados comportamentos democráticos, de treino e instrução e feedback’s positivos (alto rendimento).

o Consequências:

- Os atletas demonstram maior satisfação quando o estilo de liderança vai ao encontro das suas preferências, nomeadamente, nos comportamentos de treino e instrução e feedback;

- O aumento da frequência de comportamentos de feedbacks’s, de treino e instrução, de apoio social e democráticos promove um aumento dos níveis de satisfação;

- O aumento da frequência dos comportamentos democráticos, de feedback’s, de treino e instrução promovem um aumento da coesão na tarefa;

- Equipas com piores resultados tendem a usufruir de uma maior frequência de comportamentos de apoio social;

- A avaliação do treinador é tanto melhor quanto a coerência do estilo de liderança com a preferência dos atletas.

Segundo Courneya e Chelladurai (1991), bem como Gomes (2005) uma das principais dificuldades deste modelo é estabelecer uma relação positiva entre liderança e o desempenho dos atletas, justificável pelas variáveis como a dificuldade da competição, as variações climatéricas, a estabilidade financeira, entre outras.

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